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terça, 14 novembro 2017 12:53

“Maidan 3.0” e a conservação do poder de Porochenco: componentes da fórmula

Written by  Denis Baturin, politicôlogo, membro da Câmara Civil da República da Criméia

 

A situação na política externa juntamente com a pressão política interna fazem com que o presidente Petrô Porochenco procure uma fórmula da preservação do seu poder. Uma tal fórmula é muito difícil de encontrar no país que a partir de 2005 sofre regularmente de golpes de Estado, que vive sob o protectorado dos interesses do Ocidente, que conservando uma parte da antiga elite política permitiu a criação de uma “elite” nova, depravada por uma permissibilidade total na política; uma “eletie” que se justifica com a causa da revolução (jornalistas que vieram à política) ou com a “verdade de trincheiras da operação antiterrorista e com o direito baseado nesta verdade (voluntários que combateram, “comandantes de batalhões e outros “antiterrorisras”).

O problema da classe política ucraniana é proveniente do fato de esta classe fazendo golpes políticos ou restaurando um regime antigo não tirar quaisquer lições tanto da sua própria história, como da história de golpes no mundo. A “revolução de cor de laranja (2005) e a chamada “revolução de dignidade” (2014) não foram revoluções propriamente ditas sendo ambas estas os golpes políticos nos quais os interesses de uma parte da elite política e das forças políticas externas estiveram por trás das questões de ideologia e das manifestaçõesde massas. A elite ucraniana, uma parte da qual se engrandeceu enquanto a outra perdeu as posições e os recursos, manteve os básicos esquemas de corrupção que em grande medida estão ditando a lôgica determinada do processo político. Graçãs à história da “revolução de cor de laranja” e da “revolução de dignidade” a filosofia política das eleites está coberta com uma camada espessa do patriotismo nacionalista e da nova “ideologia de estado” do país que aspira a Europa e a OTAN.  . 

Segundo sua génese o atual presidente da Ucrânia, Petrô Porochenco, é um representante da antiga elite política que durante dois decénios tinha absorvido as regras da antiga escola da política ucraniana:

- os recursos das política e dos negócios não existem fora dos esquemas de corrupção;

- estes esquemas não podem ser encobertos sem a retórica política.

Os golpes de 2005 e de 2014 deram um brusco impulso acelerando o correr do tempo político e histórico na Ucrânia. Este é um fator muito sensível para os recém-vindos representantes da elite política da Ucrânia que não têm quaisquer recursos à excepção de os que lhes foram dados pela antiga elite na  forma de cargos e assistência de patrocinadores e também um instrumento novo – o recurso de manifestações. Esta gente percebe que também está perdento os referidos recursos e necessita que os sejam urgentemente convertidos nos recursos de poder e financeiros.   

O único remédio para esta fração nova da elite seria uma ameaça constante ao poder e à parte da elite “de recursos” que tem “empresas e navios a vapor” e controla as instituições principais do poder. A ameaça teria por objetivo a manutenção de suas posições políticas através de chantagem do elite no poder com vista à obtenção dos recursos que esta eleite tem – o poder e as finanças.  

Assim foi nascido o “Maidan 3.0” (interaffairs.ru) que foi criado pelo processo de divisão das camadas da elite quando a elite recém-formada de súbito sentiu-se enganada mais uma vez e que os esquemas econômicos funcionam sem a participação dela. Mas não apenas os esquemas que funcionam sem esta elite, - o próprio poder, como se verificou, também pode funcionar indepentemente provando com as suas útimas ações que não está disposto a ceder à radicalizão e à democratização na medida que faria uma ameaça para o sistema atual.

As tentativas de romper as relações com a Rússia e da adoção de uma lei que altere o esquema de nomeação dos chefes de administrações e seus substitutos tornaram-se um indicador deste processo. Estashistóriasestãodesenvolvendo-senocontextodoMaidan 3.0”. Uma parte irritada da elite que faz comícios e manifestações já declarou que a contra-revolução está ganhando envergadura e anunciou um rumo ao impedimento do presidente Porochenco, - um “impedimento popular” porque os manifestantes não têm recursos de ifluência sobre as instituições do poder para que  o processo do impedimento seja iniciado.  

Isso mesmo confurmam os manifestantes que tornatam Miguel Saacachvili sua bandeira e também o próprio ex-governador de Odessa: “...O deputado do parlamento, Yuri Levtchenco, na sua intervenção durante um comício exortou “derrubar o poder atual”. “Apenas quatro anos atrás ninguém pensava que iriamos reunir-nos para mandar este poder embora”, - disse Saacachvili.  (…) Antes disso Saacachvili anunciou uma intenção de iniciar o processo do “impedimento popular” do presidente Porochenco se as autoridade ucranianas “continuarem ignorando”  reividicações do participantes das ações de protesto. “Se as nossas reivindicações coninuarem sendo ignoradas, ...faço a sugestão de iniciar o processo do impedimento popular em 3 de dezembro. Queopovofaçaisso”, - disse.. (russian.rt.com)

“Que o povo faça isso”, - declara Saacachvili e seus  companheiros de “Maidan 3.0”. Mas esta é uma posição fraca, pois para um novo golpe, para a desestabilização do parlamento, dos órgãos do poder e da situação nas regiões do país, para o financiamento de “ações do povo” é necessário ter o apoio de uma parte considerável da elite. Agora a maioria dos deputados do parlamento  está apoiando o presidente, o partido de Júlia Timochenco (“A Pátria”) e “A Autoassistência”, - as organizações políticas integradas na estrtura do poder e com recursos financeiros na sua disposição, - abandonaram  a ação de protesto já há muito tempo. E isso é um testemenho de que os jogadores com recursos estão cansados com “maidans”, de que lhes faltam a certeza e o desejo, pelo menos no momento atual, de tomar parte de um golpe potencial e de financia-lô.

Por isso agora Porochenco está ganhando. Por enquanto Saacachvili está organizando comícios ao lado do parlamento e uns políticos e forças políticas exortam à ruptura das relações diplomáticas com a Rússia, o presidente da Ucrânia tenazmente não faz caso de Saacachvili e bloqueia as iniciativas antirussas na fase de um projeto de lei. Durante a reunião da bancada “Bloco de Petro Porochenco” de 8 de novembro o presidente Porochenco pronunciou-se contra a ruptura das relações diplomáticas com a Rússia. (lb.ua)

Qual é a razão desta posição assumida por Porochenco que não coincide com o main stream da política ucraniana?  Parece que isso seria um tópico excelente para para desligar a atenção dos meios de comunicação social e da população dos problemas da política interna e da economia. Porochenco não quer romper as relações diplomâticas com a Rússia porque o momento para isso (nos interesses dele) passou há muito tempo e se tal decisão for adotada agora, isso resultaria em uma séria deterioração das posições da Ucrânia nas conversações sobre o   Donbass, novos problemas para os cidadãos ucranianos que trabalham na Rússia e quanto ao próprio Porochenco – isso prejudicaria suas posições na políitica externa. E tudo isso aconteceria sobre o fundo das futuras eleiçoes presidenciais..

Com isso foi alterado o sistema de nomeação dos governadores. (rian.com.ua

Porque o parlamento aprovou o novo esquema de nomeação dos governadores? Porque os filtros desnecessários (comissões de concurso, concursos, etc.) dificultam entendimentos altos a serem obtidos entre os grupos financeiros e políticos que sempre dividem entre si as regiões, fazerm regateio pelos governadores. E são os grupos financeiros e políticos que estão por trás de cada bancada parlamentaria. Simultaneamente Porochenco está consolidando seu poder e as posições nas vésperas das eleições ptresidenciais.  

Agora o presidente Porochenco e os líderes dos partidos ucranianos que ocupam as posições políticas sólidas não têm necessiadade de tais instrumentos políticos como comícios e manifestações. Antes do início do período de entendimentos e alianças da campanha eleitoral o presidente teria mais vantagem concluindo acordos com os jogadores potentes e isso lhe permitiria menosprezar personalidades e acontecimentos que não trazem um perigo sério.

Com uma situação destas o poder ucraniano está demostrando sua dependência rígida dos interesses da classe governante. Parece que Porochenco decidiu usar o tempo que lhe restou para manobras políticas sem fazer caso das forças externas e dos parceiros estrangeiros. Por isso está reforçando seus recursos do poder não dispensando atenção às acusações de “contra-revolução rastejante” e bloqueando iniciativas desnecessárias. E o “Maidan 3.0” cabe neste esquema de luta pelo poder de maneira alguma. 

 

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