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segunda, 09 outubro 2017 11:30

Um novo campo de oportunidades: Sobre a visita do Rei da Arábia Saudita a Moscou

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O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, esteve em Moscou na semana passada. A visita foi precedida por dois anos de preparação e não foi a culpa da parte recipiente, a russa, que a chegada do monarca tinha sido adiada. A imprensa da Arábia Saudita estava referindo-se à visita como a “histórica” afirmando que a visita “deve pôr os pontos sobre “i” nas questões políticas, econômicas e estratégicas que dizem respeito ao problema sírio, ao mercado do petróleo e também à aproximação militar da Rússia e da Arábia Saudita e à cooperação na esfera da energia nuclear. (cit. inosmi.ru). Os observadores russos, via da regra, estavam dando avaliações mais reservadas.

Gostariamos de lembrar que as relações diplomáticas entre os dois países foram restabelecidas em 1991, mas a aproximação real começõu no início dos anos 2000, depois da reconciliação na Chechênia. Desde então as partes de vez em quando vocalizaram a intenção de elevar o nível da interação,  mas praticamente limitaram-se apenas com as declarações.

Aliás em uma das direções tem um resultado positivo patente: o Pacto Global de redução da extração do petróleo que ultimamente se torna cada vez mais barato foi concluido em grande medida graças aos esforços de Moscou e de Riade.   Nisso tivemos a coincidência incondicional dos interesses. Não é de duvidar, que segundo os resultados das conversações de Moscou as partes sem entrar em detalhes declararam a prontidão para  prorogar os entendimentos existentes no âmbito do Pacto “se isso for necessário”.  

Além disso foram assinados vários entendimentos na esfera econômica: da cooperação no domínio da energia nuclear, das tecnologias altas, da refinação do petróleo, do transporte, das finanças inclusive, em particular, um entendimento entre a Fundação de Investimentos Diretos da Russia e a Fundação Soberana da Arábia Saudita. Ainda que não devemos esquecer que no Orienete a assinatura de entendimentos significa mais a manifestação de intenções do cumprimento de que foi acordado do que o compromisso de cumpri-lô.    .

Uma repercussão grande tiveram os contratos, memorandos e “acordos preliminares” da cooperação na esfera técnico-militar: trtava-se do fornecimento  de sistemas anti-tanque, de lança-granadas, de construção de uma empresa de armas pequenas na Arábia Saudita – 3,5 bilhões de dólares no total. E, o mais importante, - o entendimento de venda dos sistemas de mísseis S-400 “Triumf” que já se tornaram famosos. Aliás, segundo disse o chefe da “Rosstekh”, Serguei Tchemezov, “os sauditos colocaram a condição que o contrato entrará em vigor se lhes for entregue uma parte de tecnologias e iniciada a produção no territorio do reino”. Mas ainda é duvidoso, se a Rússia vai aceder com isso. Além disso, segundo disse o mesmo Serguei Tchemezov, “cinco anos atrás assinámos contratos com o valor de 20 bilhões de dólares, mas afinal tudo se limitou com as intenções. Nos tempos de então Riade comprou nada. Na realidade os sauditos aspenas brincaram conosco dizendo: deixem de vender os sistemas antiaéreos S-300 ao Irão e ebtão vamos adquirir seus armamentos – carros blindados e outro material”. 0 Ирану, и мы будем брать ваше оружие — танки и другую технику». (https://lenta.ru/news/2017/07/10/saudi/)

Ainda não há motivos para julgar que este jogo acabou. As forças armadas sauditas têm em seu dispor os armamentos mais modernos norte-americanos, btitânicos e franceses. O rearmanento não teria senso, tanto mais os sauditas acabaram de assinar com Donald Trump um contrato-recorde do fornecimento de armas que custam mais de 100 bilhões de dólares. Também não têm motivos para fazer alguma coisa “em prejuizo” do Ocidente, como o fez a Turquia, - as relações entre Riade por um lado e Washington e Bruxelas por outro apesar de não serem ideais (isso simplesmente seria impossível), são  plenamente as “de parceria estratégica”.    

É provável que existe uma outra razão. Infelizmente no Médio Oriente esta ganhando envergadura uma nova rodada da oposição confessional entre os sunitas e xiitas personificados pela Arábia Saudita e pelo Irão respetivamente, sendo que hoje é o Irão que apoderou-se da iniciativa promovendo sua influência na Síria, no Iraque, Iémen, Líbano (através do Hizbollah) e até na região do Golfo Pérsico – no Catar do qual nada gostam os visinhos. A propósito, ao lado do Catar encontra-se Bahrein que é em grande parte xiita e também no Reino Saudito existe uma população xiita bastante numerosa.

Levando en consideração as críticas múltiplas do Teerão proferidas em público pelo rei saudito em Moscou restam poucas dúvidas de que o tema iraniano fosse um dos principais na parte da agenda das coversações dedicada à política  externa. A questão, digamos, já está madura: pressionados pelas tropas  sírias, iranianas e russas e também pelas forças controladas por Teerão e Ancara, os grupos pro-sauditos perdem suas posições cada vez mais rapidamente e a influência que tem o Reino na região está diminuindo. É provável por isso que a posição de Riade seja motivada por uma intenção destas: “Poderiamos comprar suas armas, mas só não as vendem ao Irão”. Apesar de algumas dificuldades econômicas dos últimos tempos a dinastia governante é capaz de  investir uns bilhões de dólares em “ferro” somente para que o adversário não o adquira.  Além de dinheiro também existem dividendos políticos, isto é, novas oportunidades de contatos com os países da região. Não foi por acaso que nas vésperas da visita as média sauditas sublinharam mais de uma vez que o melhoramento das relações  entre Riade e Moscou teria uma influência benévola para as relações da última com muitos países da região.

Além disso, também é claro que quaisquer entendimentos sobre a Síria serão difíceis de pôr em prática e prenhes de novos conflitos se não forem apoiados pelas monarquias do Golfo Pérsico (i.e. pela Arábia Saudita). Por isso o próprio fato de chegada do “guardião dos Lugares Santos” à Rússia tem uma importância extraordinária  testemunhando que até Riad  terá reconhecido o nosso país um jogador importante no Oriente Médio e abrindo para Moscou, como é costume dizer agora, um novo campo de oportunidades. A Rússia poderia tentar ser o intermediário na solução do conflito entre a Arábia Saudita e o Irão. Uma missão destas não ofenderia nem um, nem outro dos dois  países sendo que no Oriente negociadores gozam de respeito e se uma tal missão tiver sucesso, isso seria para o bem de todos.

Uma confirmação de que a Rússia possa reclamar este papel para si foi a declaração do redator-chefe do diário saudito “Arab News”, Faizal J. Abbas: “Não podemos deixar de ignorar o fato de a Russia ter se tornado um dos jogadores-chaves no Oriente Médio, em particular, graças à doutrina de Obama que fez com que o papel dos EUA na região pôs-se a diminuir-se, e a Rússia com seu poderio financeiro e militar entrou nesta equação”.

 

https://regnum.ru/news/polit/2331366.html

 

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