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Em Moscou reralizou-se a segunda reunião da Comissão Russo-Uruguaia Mista de Assistência ao Desenvolvimento das Relações Comerciais e Ecnômicas. Os participantes do evento puseram em relevo especial o fato de a Rússia e o Uruguai serem parceiros comerciais e econômicos importantes.  O ano corrente de 2018 é marcado com um dinamismo positivo no desenvolvimento do comércio bilateral, no entanto existe um potencial sério para a diversificação e o aumento dos fornecimentos mútuos. Hoje 97 por cento da importação uruguaia para a Rússia cabem para gêneros  alimentícios e matérias-primas agrícolas, enquanto praticamente o total da exportação russa consiste em derivados do petróleo e de adubos. As partes traçaram em conjunto as vias de obtenção de  uma diversidade maior e de alargamento da interação de negócios russo-uruguaia. Teve lugar o encontro do co-presidente da Comissão Intergovernamental dos dois países, diretor do Serviço Federal de Controle Veterinário e Fito-Sanitário, Serguei Dankvert, e do vice-ministro das relações exteriores do Uruguai, Ariel Bergamino. Seus participantes confirmaram o rumo conjunto à intencificação de desenvolvimento ulterior da cooperação.

O vice-ministro das relações exteriores da República Oriental do Uruguai, Sr. Ariel Bergamino, teve a bondade de responder às perguntas da “Vida Internacional”.

 A“Vida Internacional”: Senhor vice-ministro, o Senhor poderia fazer para nossos leitores um breve relato dedicado ao Uruguai de hoje?

Ariel Bergamino:  Tive mais de uma vez a oportunidade de falar da nossa república com parceiros estrangeiros. E ando insistindo: o Uruguai é antes de tudo um país seguro. Sua estrutura institucional e o sistema político demonstram a continuidade e  a estabilidade. Apesar de comparações serem, às vezes, litigiosas e desagradáveis, a verdade é que hoje o Uruguai ocupa o primeiro lugar no rating internacional de estabilidade democrática e política, de segurança legal, de transparência e legitimidade da administraçãao na América Latina e está em situação muito favorável ao nível internacional. O Uruguia é um país crescente. No período entre 2005 e 2015 a nossa economia tinha um crescimento anual médio de 5 por cento permitindo o Uruguai tornar-se um dos países da região com o mais alto  crescimento marcado.  Em 2016 e 20017, apesar do contexto regional de afrouxamento, na economia do Uruguai foi registado um crescimento de 0,5 por cento. E em 2018 é previsto um crescumento de quase  3 por cento. Além disso, a despeito do mencionado contexto de crise o Uruguai mantem o nível de investimento da sua dívida pública na faixa de ВВВ-А2 tendo cerca de 14 000 milhões de dólares na reserva. Isso é equivalente a 30 por cento do nosso PIB. Temos um regime de câmbio flexível e condições excelentes de acesso ao financiamento internacional. O Uruguai é um dos países da região que tem a maior quantidade de investimentos estrageiros diretos (IED) em relação à dimenção da sua economia com o índice anual médio de 4,9 por cento do PIB no periodo entre 2005 e 2016. A fonte principal dos IED para o Uruguai são a Argentina, o Brasil, os EUA, a Finlândia, a França, o Chile, e os principais ramos a receberem os investimentos são a construção pública, a indústria manufatureira, a pecuária, a agricultura e a indústria de madeiras, o comércio, os serviços e a corretagem financeira. Também gostaria de salientar que o Uruguai tem altos ritmos de re-investimento de receitas dos investimentos estrangeiros diretos (60 por rcento no período entre 2005 e 2015). Isso é uma evidência da satisfação de investidores estrangeiros e da confiança no país.

A“Vida Internacional”: A média internacional afirma com frequência que o Uruguai dispõe de uma infraestrutura moderna. A que ponto estas informações são justas?

Ariel Bergamino: Na minha opinão tais afirmações não são infundadas. Veremos então. Temos dois portos – Montevideo e Nueva Palmira convenientemente situados à saída ao Atlántico do Sul. Temos um aeroporto internacional da primeira classe que funciona em regime livre. O país tem o melhor abastecimento com a energia elétrica na América Latina. E em 2015 92 por cento da procura foi satisfeita por conta da energia recuperável. Ocupamos o primeiro lugar no rating latino-americano de acesso ao Internet (acesso fixo de faixa ampla) e a duração de carregamento. 90 por cento dos domicílios uruguaios têm o acesso à fibra ótica. Três de cada quatro uruguaios têm o acesso ao Internet através de seus dispositivos móveis e 80 por cento da população usam smartphones.

A “Vida Internacional”: E como vai o negócio com o sistema do ensino no Uruguai?Com as tecnologias e inovações?

Ariel Bergamino: No nosso país temos o ensino estatal gratuito de uma alta qualidade. Trabalhadores uruguaios aprenderam novas tecnologias e adaptam-se facilmente a novos processos de produção. Existe um regime de subsídios para as companhias que realizam programas individuais de instrução. E quanto ao acesso às tecnologias digitais, o Uruguai  foi o primeiro país no mundo que  abasteceu com computadores portális com o acesso ao Internet os 100 por cento de professores e alunos de excolas primárias e secundárias do sistema estatal do ensino.

A “Vida Internacional”: O Uruguai é famoso com seu setor agrário, moderno e altamente tecnológico.  Comoistosemanifesta?

АриэльБергамино: No plano da produção agrícola Uruguai é o único páis do mundo que garante a possibilidade de vigiar a origem individual de gado bovino a partir do campo (porque no nosso país animais são criados ao ar livre e pastam nas vazantes naturais comendo forragem que não contem hormônios ou componentes químicos) e até a sua panela. Além disso os 100 por cento dos produrores de citrinos marcam o lugar da origem de produto o que permite saber precisamente o local e as caraterísticas da produção. A propósito, o Uruguai é o primeiro país na América Latina que marca em plena medida o local de origem de todos os produtos da vinicultura controlando o ciclo da produção de vinho.   

A “Vida Internacional”:  A média diz muita coisa referente a uma atitude rigorosa  e atenciosa que têm os uruguaios para com a natureza do seu país. Emquesemanifestaestedesvelo?

Ariel Bergamino: O nosso país é um dos 25 países mais “verdes” da planeta ocupando o primeiro lugar no mundo segundo a qualidade do ar e o plantio de novas florestas. O Uruguai tem grandes recursos naturais para o desenvolvimento de fontes recuperáveis da energia, tais como a biomassa, energia hídrica, solar e eólica. 95 por cento da energia no país vem  procedente das fontes restauráveis. É o lider mundial na energia eólica – juntamente com a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha, - com mais de 30 por cento da energia elétrica produzida pelos chamados “parques de vento”. O Uruguai é o único país no mundo que regula seus solos segundo uma lei e usa um modelo de prevenção da  erosão para a criação de futuras capacidades de produção. Sua política aquática nacional compreende a administração dos recursos hídricos e os serviços relacionados com isso. Não é por acaso que “O Uruguai Natural» é a palavra  de ordem do nosso país, a sua marca. Esta palavra de ordem também pertence à escala humanitária geral, a mentalidade do nosso povo, ao país onde vivem pessoas simples, bondosas, mas ao mesmo tempo de espírito empreendedor. Na nossa sociedade penetrada de princípios da igualdade, solidaridade e do respeito das forças construtivas, existem valores democtáticos fortes. O Uruguai é o país de diálogo com todos. A nossa política externa visa o respeito por outros povos, a integração regional, baseada na não ingerência nos assuntos internos de outros países e na preservação da nossa própria soberania.    

 A “Vida Internacional”:  Isso significa que seu país poderia ser um ideal para a imitação? É provavél que tenham algo para ensinar a nós?

Ariel Bergamino: É claro que o Uruguai não é um país ideal. No entanto realizamos um trabalho diário a fim de tornar-nos melhor, da mesma maneira como o faz a Rússia e outros países. No contexto desta tarefa aspiramos a melhorar e aumentar o intercâmbio comercial com a Rússia, bem como buscar e levar a cabo projetos conjuntos de investimento, a cooperação financeira e bancâria, desejamos desenvolver a infraestrutura, várias espésies da produção, os serviços divididos. As relações entre a Rússia e o Uruguai têm longa história: as realações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas em 1857 e resistiram à prova com o tempo. E devemos ir mais adiante.  Esta é razão porque contamos com vocês nesta viagem para o futuro, participamos nas conversações russo-uruguaias aqui... 

A “Vida Internacional”: Também gostaríamos de perguntar: o Senhor teve a oportunidade de visitar a Rússia anteriormente?  

 Ariel Bergamino: Sim, mas há muito tempo. Não estive em Moscou desde os tempos da União Soviética. Assim passaram muitos anos... 

A “Vida Internacional”: E que impressão tem?

Ariel Bergamino: É ainda muito pouco tempo que estou aqui, mas já posso dizer que sua capital tem se transformado muito, toornou-se melhor, e os parceiros russos são muito simpáticos e hospitaleiros. 

A “Vida Internacional”: Sua visita é relacionada de qualquer maneira com a Copa do Mundo de futebol?

Ariel Bergamino: Não, nada disso. O objetivo da minha visita é totalmente outro – o de negócios. Tenho apenas dois pontos na minha agenda: tomar parte da reunião da comissão conjunta da cooperação comercial e econômica e fazer as consultas políticas no Ministério do Exterioor da Rússia. Ambos estes pontos vão ser dedicados ao exame das nossas relações, ao incremento da cooperação entre o Uruguai e a Rússia.    

A “Vida Internacional”: Senhor Bergamino, agradecemos-lhe a uma conversa interessante.

…Depois da entrevista conosco o vice-ministro das relaçõess exteriores do Uruguai, Sr. Ariel Bergamino, teve consultas políticas com o vice-ministro das relações exteriores da Rússia, Serguei Ryabkov. Segundo informou a Chancelaria russa, as partes fizeram uma análise construtiva da cooperação na esfera política, do desenvolvimento das relações comerciais e econômicas bilaterais, inclusive à luz da futura reunião da Comissão Intergovernamental especializada, análise das perspetivas da cooperação industrial e das possibilidades de aumento dos contatos culturais e humanitários. Teve lugar a troca de opiniões sobre um amplo círculo das questões da oordem do dia mundial. No processo das consultas uma atenção especial foi dada à consolidação da interação da Rússia e do Uruguai na ONU e também ao estabelecimento da cooperação da Rússia com as entidades de integração latino-americanas inclusive o formato  a União Econômica Eurasiática (UEE)  -  o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

 

Os organizadores da 14-a reunião anual do Clube Internacional de Debates “Valdai” que se encerrou em Sótchi em 19 de outubro último colocaram como a principal a tarefa de ultrapassar os marcos do formato habitual de debates de perícia e tratar de elaborar modelos de perspetiva da interação  mundial à base de  uma nova apresiação de muitas normas e tendências da política e do direito, bem como as normas sócio-econômicas que anteriormente foram consideradas inabaláveis. Foi por isso que o tema do atual forum ostentava um ambicioso título “Mundo do futuro: para a harmonia através de colisões” recordando da ideia de um dos principais economistas e sociólogos do século passado, Josef Alois Schumpeter, a de “destruição criadora” que gera una nova ordem e um novo mundo, bem como a escolha dos mais importantes participantes dos debates para o último e o mais importante quinto dia do evento. 130 participantes vindos de 33 países ouviram intervenções do Presidente da Rússia,Vladimir Putin, o ex-presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, do diretor científico do Instituto Noroeguês Nobel, Asle Toye, e preseidente do conselho dos diretores da companhia “Alibabá-Grupp”, Jack Ma, - simbolizando praticamente uma das mais instáveis regiões do mundo, as tentativas da comunidade de peritos de encontrar uma solução pacífica para os conflitos existentes e a idéia de comércio mundial através da Internet como um meio de organizar a interação ao nível de países e de pessoas.

Um dos tópicos-chaves  da intervenção do Presidente da Rússia foi a necessidade de renûncia às atitudes obsoletas e a transição aos princípios novos de interação nos fins de solução dos mais graves problemas da atualidade.  Vladimir Putinde um modo ou de outro abordou todos “pontos quentes” existentes e os temas de debate da agenda mundial. Algumas questões, como a interação da Rússia e dos EUA na esfera do desarmamento nuclear, o problema sírio e norte-coreano e também os problemas de autodeterminação de países e territórios foram analizados de uma maneira ao máximo concreta.

Ao mesmo tempo havia uma série de tópicos tratando dos quais o Presidente da Rússia preferiu palavras generalizadas do plano conceptual obstendo-se de referências pessoais

Por exemplo, em sua análise da ativdade da ONU havia uma direta alusão à proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de fazer uma reforma radical desta organização e do seu Conselho de Segurança. Manifestando a certeza de que em 2045 a humanidade vai comemorar o centenário da ONU Vladimir Putin realçou que “sua criação tornou-se um símbolo de que a humanidade apesar de tudo é capaz de elaborar regras comuns e segui-lâs” Qualquer fallha na observação destas regras tem inevitavelmente levado a crises e consequências negativas. Simultaneamente durante os últimos decénios houve várias tentativas de rebaixar o papel desta organização, desacredita-lá ou simplesmente pôr sob seu controle. Todasestastentativasforamcondenadasaofracassoouentraramnobecosemsaída”. “Na nossa opinhão a ONU com sua legitimidade universal deve permanecer no centro do sistema internacional e uma tarefa comum seria a de consolidação do seu prestígio e eficiência. HojenãoexisteumaalternativadaONU”, - sublinhouoPresidentedaRússia.

(http://www.kremlin.ru/events/president/news/55882)

Vladimir Putin também não deixou passar por  alto o escândalo nas relações do Cazaquestão com a Quirguizia que eclodiu umas semanas  atrás sendo este escândalo capaz de criar determinados problemas no funcionamento dos mecanismos de integração no território post-soviético, antes de tudo nos quadrantes da União Econômica Euro-Asiática (UEEA). Evitando comentários das acusações mútuas vindas anteriormente de Astana e de Bichqueque o Presidente da Rússia considerou ser necessário pôr em destaque especial o papel do seu homôlogo casaque na solução da crise síria e do processo da Astana. “Gostaria de agradecer o Cazaquestão e o presidente Nazarbaev por ter nos permetido usar, juntamente com os outros participantes deste processo, a plataforma de Astana. O Casaquestão não é simplesmente um lugar para reuniões, mas um lugar muito cômodo tendo em vista sua posição neutra e o fato de o Casaquestão nunca ter intrometido em quaisquer processos complicados internos na região, mas sim, ter sido um intermediário prestigiado”, - salientou Vladimir Putin acrescentando: “Goistaria de realçar que o presidente Nazarbaev mais de uma vez assumiu até uma determinada responsabilidade para manter à mesa de conversações as partes em conflito e em negociações. E isso é uma coisa muito positiva pela qual estamos-lhe muito gratos”.

No entanto o principal motivo de o Presidente da Rússia ter feito a intervenção nos marcos do atual Clube Internacional de Debates “Vаldai” foi sua idéia de possibilidade e necessidade da formação de novas “plataformas” e mecanismos de discussão e solução dos problemas e conflitos existentes no mundo que procedem diretamente dos processos “da destruição criadora” aos quais foi dedicado o forum em Sótchi. Atualmentenomundoestãosurgindonovoscentrosdeinfluênciaemodelosdecrescimento, estãosendoformadasaliançasdecivilização, associaçõespolíticaseeconômicas. Estavariedadenãopodeserunificada. Porissodevemosaspiraraumacooperaçãoharmonizada. As organizações na Eurásia, América, África, na Região da Ásia e do Pacífico devem funcionar sob os auspícios da ONU coordenando suas atividades. Com isso cada associação tem o direito a funcionar de acordo com suas próprias noções e princípios correspondentes com suas particularidades culturais, históricas  e geográficas. È importante que uma interdependência e transparência globais sejam combinadas com a identidade única de cada povo e região. Devemos respeitar a soberania baseada no sistema inteiro das relações internacionais”, - salientou Vladimir Putin.  

Como uma prova de eficiência de semelhantes alianças flexíveis o líder da Rússia cituo o dinamismo positivo na regularização síria que tinha sido garantida exatamente à base do processo de Astaná que abarcou os países que tinham seus interesses na região e relações um ao outro nada simples – a Rússia, a Turquia, o Irão (e também os EUA na qualidade de observador): Graças à posição assumida pela Turquia, pelo Irão e, claro, pelo governo da Síria conseguímos em uma grande medida aproximar as posições em relação à questão-chave de cessação do derramamento de sangue e criação de zonas de deescalação. Este é o mais importante resultado do trabalho sobre a Síria durante os dois últimos anos em geral e do processo de Astaná em particular”. “Hei de dizer que outros países também desempenham um papel significativo apesar de não tomarem parte das conversaçãoes em Astaná, mas estarem invisivelmente presentes e influirem sobre os processos existentes, isso tambem diz respeito aos Estados Unidos da América. Nesta direção mantemos co nossos parceiros norte-americanos uma constante   interação – estável, nada simples e com litígios, mas com o componente positivo maiordo que o negativo”, - pôs em relevo especial Vladimir Putin referindo se ao papel de Washington no dado contexto.

Em contraposição do problema sírio o desenvolvimento da situação em torno dos territórios que aspiram à autodeterminação ainda não adquiriu uma dimenção tão  dramática. No entanto as referidas questões também exigem uma solução eficiente. Os referendums na Catalúnia e no Curdistão Iraquiano não apenas tornaram-se fatores complementares de desestabilização, mas também são capazes de provocar processos anâlogos em outros países, inclusive os aparentemente estáveis. “A situação na Espanhã é um exemplo vivo de o quanto frágil   pode ser a estabilidade em um país próspero e organizado. Ainda há muito quem poderia supôr que o debate em torno do estatus da Catalúnia que tinha uma longa história iria transformar-se em uma grave crise política?!” – disse Vladimir Putin em relação a isso. Na opinião dele, na Europa as contradições entre as etnias e os estados estavam desenvolvendo-se e acumulando-se durante séculos, mas foram os próprios líderes europeus que durante os últimos 25 anos desempenhavam o papel de castlisadоr: “Quanto à situação na Catalúnia defrontamos com uma condenação unânime dos partidários da independência por parte da União Européia e toda uma série de outros países. Em relação a isso não posso deixar de notar: deveriam pensar disso antes, porque não pôde ser que ninguém sabia das contradições seculares dentro da própria Europa. Claroquesouberam. No entanto a seu tempo foi de fato saudada a desintegração de uma série dos países europeus sem tentar esconder a alegria com isso.  

E por que foi necessário da mesma maneira impensada, baseando-se na conjuntura política do então e no desejo – diria diretamente – de agradar ao “irmão mais velho” de Washimgton, - dar um apoio total à separação do Côssovo, provocando processos semelhantes em outras regiões da Europa e também no mundo inteiro?

Queria lembrar, quando a Criméia também declarou a independência e em seguida, em resultado do referendum, uniu-se à Rússia, disso já nada gostaram por uma  razão qualquer. E agora vem a Ctalúnia e também – o Curdistão em outra região. I isso pode ser ainda não é uma  lista completa. Daí vem uma pergunta: o que vamos fazer, qual seria nossa atitude para com isso?

Parece que na opinião de alguns colegas nossos existem lutadores pela independência e liberdade “verdadeiros” e também – “separatistas” que não podem defender seus direitos até usando os mecanismos democráticos.  

Estes, como andamos dizendo, padrões duplos – eis um exemplo clamante dos padrões duplos – constituem um sério perigo para um desenvolvimento estável da Europa e dos outros continentes, para o movimento progressivo dos processos de integração no mundo”.

No entanto na agenda mundial contemporrânea existem os temas-chaves que devem ser interpretados invariavelmente e que exigem passos absolutalmente concretos a serem empreendidos pelos seus participantes. Isso refere-se, antes de tudo, ao problema de controle dos arsenais de mísseis nucleares das maiores potências mundiais com a Rússia e os EUA à cabeça. Vladimir Putin deu uma análise detalhada da  cooperação de Moscou e Washington na esfera de liquidação do plutónio de quaidade de arma lembrando que a parte russa en contraposição aos parceiros norte-americanos terá cumprido seus compromissos por completo.  

Também o Presidente da Rússia mencionou que “a Russia ratificou o Tratado de proibição universal dos testes nucleares 17 anos atrás. OsEUAnãoofizeramaté agora.” Simultaneamente em 2002 os EUA abandonaram o Tratado da defesa anti-míssil. “A massa crítica dos problemas da sefurança global está aumentando”,- concluiu Vladimir Putin e respondendo às perguntas dos participantes do forum fez lembrar da situação crítica em torno do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (TFNAI) assinado em 1987. O Presidente da Rússia advertiu Washington contra abandono deste tratado que é um dos elementos-chaves de manutenção da segurança nuclear internacional. “Se não gostam disso e alguém deseja abandonar o tratado completamente, os parceiros norte-americanos, uma resposta por parte de nós seria instantânea, desejava de informar  e de advertir, a resposta seria instantânea e de envergadura igual”, - advertiu Vladimir Putin. De acordo com a informação existente é possível que se trate de elaboração acelerada do míssil de cruzeiro de baseamento terrestre  9М729 para o complexo “Iscander”  - um anâlogo do existente míssil de cruzeiro “Calibr” usado com frequência durante a operação contra grupos terroristas na Síria. “As palavras de Putin podem ser interpretadas de maneira que em caso de os EUA abandonarem o Tratado, o projetamento deste míssil não levará muito tempo”, - dizem as fontes na indústria de defesa da Rússia.

(https://www.vedomosti.ru/politics/articles/2017/10/20/738680-putina-valdae?utm_campaign)

A Rússia está preocupada com a imprevisibilidade da América do Norte”, - esta foi a determinação dada pela agência noticiosa de negócios  norte-americana “Bloomberg” ao  conjunto básico de problemas abordados durante a última reunião do Clube Internacional de Debates “Valdai”. E em uma certa medida isso é realmente assim. Em contraposição ao período da Guerra Fria e à conclusão de acordos na esfera do desarmamento entre a Rússia e os EUA que continuam vigentes hoje, a atual política dos EUA e dos outros países do Ocidente é nada racional e até não manifesta o desejo de prognosticar riscos possíveis, tanto os políticos, como os financeiros. “Ao seu tempo os apologistas da globalização estavam convencendo nos de que interdepenência econômica comum seja uma garantia contra conflitos e rivalidade geopolítica. Infelizmente isso não sucedeu, pelo contrário, o caráter de oposições tornou-se mais complicado, sendo estas oposições multilaterais e não lineares”, - salientou em relação a isso Vladimir  Putin na sua intervenção em Sótchi. Simultaneamente os acontecimentos que se desenvolvem nos próprios EUA não trazem esperanças de saneamento das relações da Rússia com os EUA dentro em pouco: “Considerando o facto de a investigação de uma ingerência possível da Rússia nas eleições presidenciais no ano passado em Washington tornou-se perigoso até fazer uma simples conversa com diplomatas russos, segundo disse um funcionário público intervindo numa reunião dedicada  às chamadas “regras Chatham House” – testemunha a “Bloomberg”.

(https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-10-18/alarm-in-russia-as-u-s-becomes-the-unpredictable-superpower)

 

Na situação atual a mensagem básica do líder russo – a necessiadade de elaboração e aproveitamento de novos formatos e modelos de interação internacional política multilateral em relação aos problemas mais graves – adquire uma urgência especial. 

 

 

 

A pressão exercida pela União Europeia (UЕ) sobre a Polónia por causa das “tendências autoritárias” que se manifestam neste país tem um caráter intransigente. É pela primeira vez após o parido de nacionalista  Jorg Haider venceu nas eleições na Áustria no início dos anos 2000 que a União Europeia está analisando a questão de sanções a serem impostas contra um dos seus membros - a Polónia. E nos últimos dias surgiu um novo fator irritante nas relações entre a Polónia e Bruxelas: o governo da Polónia ofendido com a ameaça das sanções por causa de um “atentado contra a independência dos tribunais” ameaçou à Alemanha que desempenha um papel dirigente na UE eigindo uma compensação pelos crimes cometidos pelos nazis no território da Polónia em 1939-1945 quando só durante o levantamento de Varsóvia foram mortos pelo menos 200 mil poloneses civis. Por enquanto a Alemanha esta ignorando os sinais vindos de Varsóvia por esta razão.  euobserver.com

O que foi que originou o comflito inicial entre a Polónia e a UE? Existem duas causas formais das sanções a serem preparadas contra Polónia.

A primeira – “critérios nebulosos” (palavras do representante oficial da UE) segundo os quais o ministro da justiça da Polónia, Zbigniew Ziobro, vai nomear os juizes para tribunais de circumscrição e de apelação. Entretanto a composição do Conselho Nacional de Juizes da Polónia (KRS) será determinado pelo palamento polonês dominando pelo partido “Lei e Justiça” (PiS) do qual nada gosta a UE.

Do ponto de vista formal a  nova reforma judicial na Polónia não contradiz à  lei – sendo realizada em conformidade coma a nova legislação aprovada pela Dieta polonesa graças aos esforços do partido “Lei e Justiça” (PiS) que ganhou nas últimas eleiçoes. A segunda causa de ira da UE é totalmente infundada – esta é a regra prevista pela nova lei que permite as juizas reformar-se com 60 anos da idade em vez de 65. Na opinião da UE esta regra é nada mais do que a “discriminação sexual”: homens e mulheres devem ser completamente iguais, inclusive a idade de reforma.

Parece que não foi a nova lei que causou a ira da UE, mas antes de tudo o poder do qual o novo sistema judicial investiria o partido PiS e o homem nada simpático a Bruxelas, - o protegido do PiS, Zbigniew Ziobro, que agora ocupa o cargo do promotor público e do ministro da justiça simultaneamente. Se a nova lei for executada por completo, Zbigniew Ziobro também adquirirá a influência sobre a corporação judicial. Entretanto Ziobro é um adversário político aberto dos principais promotores da UE na Polónia, i.e. do partido liberal a “Plataforma Civil” e do seu líder  não formal, Donald Tusk, que agora ocupa o cargo do Presidente do Conselho Europeu (o cargo supérior na União Europeia).  Recentemente a delegação polonesa no CE sofreu um fracasso na sua tentativa de persuadir os “eurocratas” de dar um voto de disconfiança a Donald Tusk. No fim de contas Tusk obteve uma esmagadora maioria de votos no Conselho Europeu e isso tornou-se uma humilhação da Polónia.  Agora o PiS quer tomar vingança e não tendo conseguido dominar os adversários políticos em  Bruxelas pelo menos procura faze-ló na Polónia. Foi esta circumstância que provocou a ira da Comissão Europia que não acreditou até o veredicto do Tribunal Constitucional da Polónia que confirmou a correspondência da nova legislação judicial com a lei fundamental do país. rp.pl

Com a ameaça de sanções Varsóvia oficial que a partir de 2004 orgulhava-se com a pertinência à UE de repente viu uma ameaça à soberania nacional nas ações da União Europeia. Com efeito, que a UE tem a ver com o procedimento de nomeação de juizes na Polónia? Tanto mais que as regras de nomeação de juizes existentes na Europa variam muito de um país a outro. Por exemplo, na RFA o papel do ministro da justiça na nomeação de juizes também é grande. Nos tempos da atualmente condenada República Popular da Polónia (leal à União Soviética) até Moscou não se intrometeu nestas questões. Por isso depois de o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, ter dirigido à Polónia uma advertência clara das sanções por parte da UE, se Varsóvia não tiver renunciado à nova legislação judicial, vieram numerosas comparações com a URSS.

Assim Richard Legutko, membro do Parlamento Europeu do partido “Lei e Justiça” (PiS),  o partido governante na Polónia, acusou Timmermans de “brejnevismo” e o representante ocifial do governo polonês, Rafal Bohenek, declarou numa entrevista à agência polonesa PAP: “Não aceitaremos qualquer chantagem por parte das perdonalidades oficiais da UE, especialmente se isso não se basear nos fatos.” euobserver.com

Em resposta a isso a União Europeia começou a aproveitar-se em relação a Varsóvia de muitas das formas de pressão das quais se aproveitava anteriormente só em relação à Ucrânia e à Rússia, - choveram as acusações de autoritarismo, de ditadura, de volta à “psicologia de escravos” que supostamente é interente ao habitantes do antigo “bloco soviético”. Estas acusações foram repitidas pelos meios de  comunicaçaõ social, leais à UE, por exemplo, pelo diário “ Gazeta Wyborcza”. Emconsequênciadissomuitagenteacreditounestasacusaçõeseopaísfoiabaladopelasmanifestaçõesdeprotestodasquaistomarampartemilhõesdepessoas.

“Na verdade a atitude hostil da Comissão Europeia para com o atual parlamento da Polónia e para com o governo do partido PiS formado por este parlamento tem uma explicação simples: o partido “A Plataforma Civil”, o de oposição, é a mais próxima da UE força política na Polónia e Bruxelas deseja apoiar seus partidários”, - diz comentando a situação o deputado do Parlamento  Europeu da Polónia, Janosh Korvin-Mikke.

É interessante que a ingerência dos EUA na formação de um novo sistema judicial na Ucrânia não é menos brutal do que a pressão da UE sobre a Polónia. A reforma que está em curso na Ucrânia tem a mesma fórmula que a realizada na Polónia:  primeiramente é  formado o Conselho Supremo da Justiça (CSJ) que deve ajudar a renovar o corpo de juizes desfazendo-se de os que “se viram comprometidos”  nos tempos do “regime de Yanucovitch” que agora é condenado oficialmente. Na Ucrânia a renovação do sistema judicial começou ainda em 2016 e o primeiro “concurso aberto” visa substituir 120 cargos na composição do Supremo Tribumal da Ucrânia. Mas apesar de os candidatos terem passado muitos testes profissionais e examinados pelos numerosos “burôs de prevenção da corrupção” ucranianos, 30 dos 120 candidatos foram  desaprovados pela embaixada dos EUA que o fez em uma forma exclusivamente humilhante – através do Twitter da embaixada. E além do mais a embaixada norte-americana de  fato exigiu que o Conselho Supremo da Decência examinasse mais uma vez cada candidadoria. rian.com.ua

É absolutamente claro que a ingerência patente dos EUA e da UE no processo de formação do corpo de juizes na Polónia e na Ucrânia apenas serve de uma confirmação da existência do sistema  das reações vassalos camufladas, por um longo periodo apoiadas pelos EUA e pela UE  nas zonas de sua influência. Mas agora este conflito invadiu a esfera pública criando embaraços para seus participantes e para os próprioos valores democráticos referir-se aos quais a todo momento é mutio em voga no Ocidente. 

 

 

 

A situação na política externa juntamente com a pressão política interna fazem com que o presidente Petrô Porochenco procure uma fórmula da preservação do seu poder. Uma tal fórmula é muito difícil de encontrar no país que a partir de 2005 sofre regularmente de golpes de Estado, que vive sob o protectorado dos interesses do Ocidente, que conservando uma parte da antiga elite política permitiu a criação de uma “elite” nova, depravada por uma permissibilidade total na política; uma “eletie” que se justifica com a causa da revolução (jornalistas que vieram à política) ou com a “verdade de trincheiras da operação antiterrorista e com o direito baseado nesta verdade (voluntários que combateram, “comandantes de batalhões e outros “antiterrorisras”).

O problema da classe política ucraniana é proveniente do fato de esta classe fazendo golpes políticos ou restaurando um regime antigo não tirar quaisquer lições tanto da sua própria história, como da história de golpes no mundo. A “revolução de cor de laranja (2005) e a chamada “revolução de dignidade” (2014) não foram revoluções propriamente ditas sendo ambas estas os golpes políticos nos quais os interesses de uma parte da elite política e das forças políticas externas estiveram por trás das questões de ideologia e das manifestaçõesde massas. A elite ucraniana, uma parte da qual se engrandeceu enquanto a outra perdeu as posições e os recursos, manteve os básicos esquemas de corrupção que em grande medida estão ditando a lôgica determinada do processo político. Graçãs à história da “revolução de cor de laranja” e da “revolução de dignidade” a filosofia política das eleites está coberta com uma camada espessa do patriotismo nacionalista e da nova “ideologia de estado” do país que aspira a Europa e a OTAN.  . 

Segundo sua génese o atual presidente da Ucrânia, Petrô Porochenco, é um representante da antiga elite política que durante dois decénios tinha absorvido as regras da antiga escola da política ucraniana:

- os recursos das política e dos negócios não existem fora dos esquemas de corrupção;

- estes esquemas não podem ser encobertos sem a retórica política.

Os golpes de 2005 e de 2014 deram um brusco impulso acelerando o correr do tempo político e histórico na Ucrânia. Este é um fator muito sensível para os recém-vindos representantes da elite política da Ucrânia que não têm quaisquer recursos à excepção de os que lhes foram dados pela antiga elite na  forma de cargos e assistência de patrocinadores e também um instrumento novo – o recurso de manifestações. Esta gente percebe que também está perdento os referidos recursos e necessita que os sejam urgentemente convertidos nos recursos de poder e financeiros.   

O único remédio para esta fração nova da elite seria uma ameaça constante ao poder e à parte da elite “de recursos” que tem “empresas e navios a vapor” e controla as instituições principais do poder. A ameaça teria por objetivo a manutenção de suas posições políticas através de chantagem do elite no poder com vista à obtenção dos recursos que esta eleite tem – o poder e as finanças.  

Assim foi nascido o “Maidan 3.0” (interaffairs.ru) que foi criado pelo processo de divisão das camadas da elite quando a elite recém-formada de súbito sentiu-se enganada mais uma vez e que os esquemas econômicos funcionam sem a participação dela. Mas não apenas os esquemas que funcionam sem esta elite, - o próprio poder, como se verificou, também pode funcionar indepentemente provando com as suas útimas ações que não está disposto a ceder à radicalizão e à democratização na medida que faria uma ameaça para o sistema atual.

As tentativas de romper as relações com a Rússia e da adoção de uma lei que altere o esquema de nomeação dos chefes de administrações e seus substitutos tornaram-se um indicador deste processo. Estashistóriasestãodesenvolvendo-senocontextodoMaidan 3.0”. Uma parte irritada da elite que faz comícios e manifestações já declarou que a contra-revolução está ganhando envergadura e anunciou um rumo ao impedimento do presidente Porochenco, - um “impedimento popular” porque os manifestantes não têm recursos de ifluência sobre as instituições do poder para que  o processo do impedimento seja iniciado.  

Isso mesmo confurmam os manifestantes que tornatam Miguel Saacachvili sua bandeira e também o próprio ex-governador de Odessa: “...O deputado do parlamento, Yuri Levtchenco, na sua intervenção durante um comício exortou “derrubar o poder atual”. “Apenas quatro anos atrás ninguém pensava que iriamos reunir-nos para mandar este poder embora”, - disse Saacachvili.  (…) Antes disso Saacachvili anunciou uma intenção de iniciar o processo do “impedimento popular” do presidente Porochenco se as autoridade ucranianas “continuarem ignorando”  reividicações do participantes das ações de protesto. “Se as nossas reivindicações coninuarem sendo ignoradas, ...faço a sugestão de iniciar o processo do impedimento popular em 3 de dezembro. Queopovofaçaisso”, - disse.. (russian.rt.com)

“Que o povo faça isso”, - declara Saacachvili e seus  companheiros de “Maidan 3.0”. Mas esta é uma posição fraca, pois para um novo golpe, para a desestabilização do parlamento, dos órgãos do poder e da situação nas regiões do país, para o financiamento de “ações do povo” é necessário ter o apoio de uma parte considerável da elite. Agora a maioria dos deputados do parlamento  está apoiando o presidente, o partido de Júlia Timochenco (“A Pátria”) e “A Autoassistência”, - as organizações políticas integradas na estrtura do poder e com recursos financeiros na sua disposição, - abandonaram  a ação de protesto já há muito tempo. E isso é um testemenho de que os jogadores com recursos estão cansados com “maidans”, de que lhes faltam a certeza e o desejo, pelo menos no momento atual, de tomar parte de um golpe potencial e de financia-lô.

Por isso agora Porochenco está ganhando. Por enquanto Saacachvili está organizando comícios ao lado do parlamento e uns políticos e forças políticas exortam à ruptura das relações diplomáticas com a Rússia, o presidente da Ucrânia tenazmente não faz caso de Saacachvili e bloqueia as iniciativas antirussas na fase de um projeto de lei. Durante a reunião da bancada “Bloco de Petro Porochenco” de 8 de novembro o presidente Porochenco pronunciou-se contra a ruptura das relações diplomáticas com a Rússia. (lb.ua)

Qual é a razão desta posição assumida por Porochenco que não coincide com o main stream da política ucraniana?  Parece que isso seria um tópico excelente para para desligar a atenção dos meios de comunicação social e da população dos problemas da política interna e da economia. Porochenco não quer romper as relações diplomâticas com a Rússia porque o momento para isso (nos interesses dele) passou há muito tempo e se tal decisão for adotada agora, isso resultaria em uma séria deterioração das posições da Ucrânia nas conversações sobre o   Donbass, novos problemas para os cidadãos ucranianos que trabalham na Rússia e quanto ao próprio Porochenco – isso prejudicaria suas posições na políitica externa. E tudo isso aconteceria sobre o fundo das futuras eleiçoes presidenciais..

Com isso foi alterado o sistema de nomeação dos governadores. (rian.com.ua

Porque o parlamento aprovou o novo esquema de nomeação dos governadores? Porque os filtros desnecessários (comissões de concurso, concursos, etc.) dificultam entendimentos altos a serem obtidos entre os grupos financeiros e políticos que sempre dividem entre si as regiões, fazerm regateio pelos governadores. E são os grupos financeiros e políticos que estão por trás de cada bancada parlamentaria. Simultaneamente Porochenco está consolidando seu poder e as posições nas vésperas das eleições ptresidenciais.  

Agora o presidente Porochenco e os líderes dos partidos ucranianos que ocupam as posições políticas sólidas não têm necessiadade de tais instrumentos políticos como comícios e manifestações. Antes do início do período de entendimentos e alianças da campanha eleitoral o presidente teria mais vantagem concluindo acordos com os jogadores potentes e isso lhe permitiria menosprezar personalidades e acontecimentos que não trazem um perigo sério.

Com uma situação destas o poder ucraniano está demostrando sua dependência rígida dos interesses da classe governante. Parece que Porochenco decidiu usar o tempo que lhe restou para manobras políticas sem fazer caso das forças externas e dos parceiros estrangeiros. Por isso está reforçando seus recursos do poder não dispensando atenção às acusações de “contra-revolução rastejante” e bloqueando iniciativas desnecessárias. E o “Maidan 3.0” cabe neste esquema de luta pelo poder de maneira alguma. 

 

 

O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, esteve em Moscou na semana passada. A visita foi precedida por dois anos de preparação e não foi a culpa da parte recipiente, a russa, que a chegada do monarca tinha sido adiada. A imprensa da Arábia Saudita estava referindo-se à visita como a “histórica” afirmando que a visita “deve pôr os pontos sobre “i” nas questões políticas, econômicas e estratégicas que dizem respeito ao problema sírio, ao mercado do petróleo e também à aproximação militar da Rússia e da Arábia Saudita e à cooperação na esfera da energia nuclear. (cit. inosmi.ru). Os observadores russos, via da regra, estavam dando avaliações mais reservadas.

Gostariamos de lembrar que as relações diplomáticas entre os dois países foram restabelecidas em 1991, mas a aproximação real começõu no início dos anos 2000, depois da reconciliação na Chechênia. Desde então as partes de vez em quando vocalizaram a intenção de elevar o nível da interação,  mas praticamente limitaram-se apenas com as declarações.

Aliás em uma das direções tem um resultado positivo patente: o Pacto Global de redução da extração do petróleo que ultimamente se torna cada vez mais barato foi concluido em grande medida graças aos esforços de Moscou e de Riade.   Nisso tivemos a coincidência incondicional dos interesses. Não é de duvidar, que segundo os resultados das conversações de Moscou as partes sem entrar em detalhes declararam a prontidão para  prorogar os entendimentos existentes no âmbito do Pacto “se isso for necessário”.  

Além disso foram assinados vários entendimentos na esfera econômica: da cooperação no domínio da energia nuclear, das tecnologias altas, da refinação do petróleo, do transporte, das finanças inclusive, em particular, um entendimento entre a Fundação de Investimentos Diretos da Russia e a Fundação Soberana da Arábia Saudita. Ainda que não devemos esquecer que no Orienete a assinatura de entendimentos significa mais a manifestação de intenções do cumprimento de que foi acordado do que o compromisso de cumpri-lô.    .

Uma repercussão grande tiveram os contratos, memorandos e “acordos preliminares” da cooperação na esfera técnico-militar: trtava-se do fornecimento  de sistemas anti-tanque, de lança-granadas, de construção de uma empresa de armas pequenas na Arábia Saudita – 3,5 bilhões de dólares no total. E, o mais importante, - o entendimento de venda dos sistemas de mísseis S-400 “Triumf” que já se tornaram famosos. Aliás, segundo disse o chefe da “Rosstekh”, Serguei Tchemezov, “os sauditos colocaram a condição que o contrato entrará em vigor se lhes for entregue uma parte de tecnologias e iniciada a produção no territorio do reino”. Mas ainda é duvidoso, se a Rússia vai aceder com isso. Além disso, segundo disse o mesmo Serguei Tchemezov, “cinco anos atrás assinámos contratos com o valor de 20 bilhões de dólares, mas afinal tudo se limitou com as intenções. Nos tempos de então Riade comprou nada. Na realidade os sauditos aspenas brincaram conosco dizendo: deixem de vender os sistemas antiaéreos S-300 ao Irão e ebtão vamos adquirir seus armamentos – carros blindados e outro material”. 0 Ирану, и мы будем брать ваше оружие — танки и другую технику». (https://lenta.ru/news/2017/07/10/saudi/)

Ainda não há motivos para julgar que este jogo acabou. As forças armadas sauditas têm em seu dispor os armamentos mais modernos norte-americanos, btitânicos e franceses. O rearmanento não teria senso, tanto mais os sauditas acabaram de assinar com Donald Trump um contrato-recorde do fornecimento de armas que custam mais de 100 bilhões de dólares. Também não têm motivos para fazer alguma coisa “em prejuizo” do Ocidente, como o fez a Turquia, - as relações entre Riade por um lado e Washington e Bruxelas por outro apesar de não serem ideais (isso simplesmente seria impossível), são  plenamente as “de parceria estratégica”.    

É provável que existe uma outra razão. Infelizmente no Médio Oriente esta ganhando envergadura uma nova rodada da oposição confessional entre os sunitas e xiitas personificados pela Arábia Saudita e pelo Irão respetivamente, sendo que hoje é o Irão que apoderou-se da iniciativa promovendo sua influência na Síria, no Iraque, Iémen, Líbano (através do Hizbollah) e até na região do Golfo Pérsico – no Catar do qual nada gostam os visinhos. A propósito, ao lado do Catar encontra-se Bahrein que é em grande parte xiita e também no Reino Saudito existe uma população xiita bastante numerosa.

Levando en consideração as críticas múltiplas do Teerão proferidas em público pelo rei saudito em Moscou restam poucas dúvidas de que o tema iraniano fosse um dos principais na parte da agenda das coversações dedicada à política  externa. A questão, digamos, já está madura: pressionados pelas tropas  sírias, iranianas e russas e também pelas forças controladas por Teerão e Ancara, os grupos pro-sauditos perdem suas posições cada vez mais rapidamente e a influência que tem o Reino na região está diminuindo. É provável por isso que a posição de Riade seja motivada por uma intenção destas: “Poderiamos comprar suas armas, mas só não as vendem ao Irão”. Apesar de algumas dificuldades econômicas dos últimos tempos a dinastia governante é capaz de  investir uns bilhões de dólares em “ferro” somente para que o adversário não o adquira.  Além de dinheiro também existem dividendos políticos, isto é, novas oportunidades de contatos com os países da região. Não foi por acaso que nas vésperas da visita as média sauditas sublinharam mais de uma vez que o melhoramento das relações  entre Riade e Moscou teria uma influência benévola para as relações da última com muitos países da região.

Além disso, também é claro que quaisquer entendimentos sobre a Síria serão difíceis de pôr em prática e prenhes de novos conflitos se não forem apoiados pelas monarquias do Golfo Pérsico (i.e. pela Arábia Saudita). Por isso o próprio fato de chegada do “guardião dos Lugares Santos” à Rússia tem uma importância extraordinária  testemunhando que até Riad  terá reconhecido o nosso país um jogador importante no Oriente Médio e abrindo para Moscou, como é costume dizer agora, um novo campo de oportunidades. A Rússia poderia tentar ser o intermediário na solução do conflito entre a Arábia Saudita e o Irão. Uma missão destas não ofenderia nem um, nem outro dos dois  países sendo que no Oriente negociadores gozam de respeito e se uma tal missão tiver sucesso, isso seria para o bem de todos.

Uma confirmação de que a Rússia possa reclamar este papel para si foi a declaração do redator-chefe do diário saudito “Arab News”, Faizal J. Abbas: “Não podemos deixar de ignorar o fato de a Russia ter se tornado um dos jogadores-chaves no Oriente Médio, em particular, graças à doutrina de Obama que fez com que o papel dos EUA na região pôs-se a diminuir-se, e a Rússia com seu poderio financeiro e militar entrou nesta equação”.

 

https://regnum.ru/news/polit/2331366.html

 

 

Não obstante a constituição turca ter dito, “cada um ligado ao estado turco através de laços de cidadonia é turco”, existem no país dezenas de minorias étnicas e confessionais integrantes das quais sentem-se alheios em relação com a maioria turca sunita. A mais numerosa “minoria” é a curda com quase 20 milhões de pessoas.

O princípio da “nação titular” que se tornou a pedra angular da República Turca  resultou em uma prolongada por muitos anos negação do próprio fato de existência da etnia curda e, como uma consequência disso, - em mêtodos de força a serem aproveitados com preponderância pelo movimento nacional curdo. Nos anos  1970-1980 as forças de proteção da ordem legal turcas lidavam com a Tekoşin, KUK, KUK-SE, Rızgari e outras organizações principalmente esquerdistas. Foi o “marxista-leninista” Partido de trabalhadores  do Curdistão que depois de ter feito saber de si com assaltos de esquadras policiais em 1984 tornou-se um centro de atração dos radicais curdos. 

A oposição curda legal criou-se um pouco mais tarde. Cumpre dizer que até hoje as existentes realidades tornam legalmente impossível a declaração de proteção de qualquer etnia na Turquia. A unidade territorial e nacional do país permanece um “ponto neurálgico” de não apenas a ideologia oficial, mas também da consciência de massas dos cidadãos  a partir dos tempos do  Tratado de Sèvres de 1920 que pôs o fim ao Império Otomano. Por isso os partidos curdos legais manifestam-se como os turcos gerais apresentando antes de tudo as reivingicações democráticas gerais.

Em 1989 foi criado o Partido Popular de Trabalho, segundo seu programa “partido dos trabalhadores, desempregados, camponeses, funcionários públicos, professores, dos inteletuais democráticos, social-democráticos e socialistas, dos artesãos, comerciantes, das massas populares que sofrem da violência e exploração, de todos que apoiam a democracia”. O partido exortava a um compromisso político com vista a pôr o fim a um incessante derramamento de sangue no leste da Turquia e declarava que a “solução do problema curdo através dos mêtodos democráticos e pacíficos  seria o principal meio que garanta uma democracia sólida no nosso país”.    Na sua segunda  redação o programa tinha uma formulação mais dura: “Quanto ao problema curdo, o PPT defende totalmente o princípio de autodeterminação de cada nação”. Isso resultou em sua proibição em 1993 com a formulação “por dar aopio ao separatismo”.

O Partido da Democracia fundado naquele mesmo ano propôs resolver o problema curdo “através de um modo pacífico e democrático”. Para este fim seus ativistas foram para encontrar-se com o lider do PTC, Abdullah Odjalan. O encerramento do partido proclamado a “ala política do PTC” não demorou longo.

Passodos dois meses foi fundado o Partido da Democracia Popular que declarava praticamente os mesmos objetivos e apresentava as mesmas reivindicações que suas antecedentes. A participação de seus militantes nas ações de protesto contra a prisão de Odjalan tornou o encerramento do partido ineitável.  Issosedeuemmarçode 2003.

Mas de antemão, em 1997, foi registado o Partido Democrático Popular, como o “de reserva” o qual logo teve o destino das suas antecedentes.

O limiar dos séculos ХХ e XXI passou sob o signo de admissão da Turquia na União Europeia. O problema curdo que exigiu uma solução urgente foi colocado na agenda do governo. Isso resultou em levantamento do estado de emirgência nas regiões curdas. Foi garantida a proteção contra torturas durante os interrogatórios, foram atenuadas as limitações da liberdade de expressão e de reuniões. Foi dada a possibilidade de os curdos aproveitarem-se da sua língua materna na vida cotidiana. Uma série pos povoados voltou a ostentar antigos nomes curdos, foram criados meios de comunnicação social no idioma  curdo.  Caso estas reformas fossem postas em prática nos anos 1980, a atual oposição étnica não teria sido tão grave. Mas no início dos anos 2000 isso já não foi suficiente.  

O Partido da Sociedade Democrático fundado em 2005 pelos antigos parlamentares curdos que acabaram de sair de prisão declarou a necessidade aumentar o papel das autoridades locais na vida política do país (i.e. “o princípio de autonomia democrática”). Não tendo tomado parte formal das eleições parlamentares de 2007 o PSD apresentou os “candidatos independentes” o que lhe permitiu contornar a condição de vencer o barreira de dez por cento e trazer para o prlamento 20 deputados que logo em seguida “voltaram” ao partido criando uma bancada parlamentar. A reivindicação de libertar Odjalan apresentado pelo partido fez com que o foi culpado das “relações organicas com os terroristas” e encerrado em 2009.

Os chefes das administrações locais e os parlamentares do PSD ingressaran no “Partido da Paz e Democracia” criado um ano antes e transformado no “Partido Democrático das Regiões” em 2014. Passado mais um ano seu nome foi bem conhecido em toda a parte. Naquela altura, nas condições de um levantamento armado dos curdos no leste e no sudeste da Turquia uma série dos municípios encabeçados pelos membros do partido rompeu todas as relações com o governo central, praticamente declarando a independência de seus povoados e cidades. 

Em 2013 foi fundado o Partido Popular-Democrático. Durante um encontro com o ministro das relações exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em Moscou, seu co-presidente, Selakhettin Demirtach, deu à sua organização a seguinte caraterística: “Nosso partido defende o pluralismo democrático a ser instiuido no nosso país, à edificaçaõ de uma sociedade livre nos marcos da qual poderiam existir as culturas, confessões e identidades diferentes. Manifestamos de princípio a favor da paz civil  dentro do país e a favor da paz com nossos vizinhos e dentro da região”.   

Um grande êxito do PPD foi o resultado das eleições parlamentares de junho de 2015 quando um partido curdo pela primeira vez venceu a barreira de dez por cento (13 por cento ou 6,2 milhoes de votos) e obteve 80 lugares na Grande Assembleia Nacional não permitindo o governante Partido da Justiça e Desenvolvimento formar um governo  unipartiário; Aliás o agravamento das hostilidades no leste e no sudeste, bem como a patrocinada pelo partido governante campanha propagandista contra o PPD resultaram em um malogro relativo nas novas eleições (em 1 de novembro de 2015) quando a barreira de  dez por cento foi ultrapassada com dificuldade. Passado um mês em uma das intervenções públicas  Selakhettin Demirtach qualificou os combates no leste do país como a “resistência popular” em vez da “operação anti-terrorista” como costumam dizer na Turquia. Esta formulaçaõ repeliu do partido seus numerosos apoiantes no seio dos turcos étnicos e desatou as mãos das autoridades que iniciaram as prisões dos dirigentes do partido que continuam até agora.

Detalmaneira, acontinuidadedemonstradapelospartidoscurdosnasatitudesprogramâticosenacomposiçãodopessoalpermitereferir-nosdefatoaum únicopartidopolíticolegaldoscurdosturcosque, apóscadanovoencerramento, é ressurgidosobumnovonome.

Com isso vimos uma deslocação do “centro de gravidade” das reivindicações do carater cultural e civico geral para o domínio político. Ao mesmo tempo as autoridades, como que pareça, preferem deixar de aceitar o fato de o problema curdo ter tornado em um problema político e procuram  resolve-ló através de reformas na esfera da cultura e dos direitos democáticos gerais em conjunto com os mêtodos “anti-terrorisras” de força. É provável que isso seja a maior razão dos entraves no diálogo entre as autoridades e os políticos curdos.  

O incremento do movimento curdo  no limiar dos séculos passado e atual contribuiu para o aumento da atividade social das outras comunidades no país. Os líderes da Associação Cultural Abkhasa, os ativistas assírios, a Assosiação dos Árabes Anatolianos apresentaram uma série de reivindicações democráticas gerais e até políticas, dirigindo as ao governo. Mas os mais altos são as vozes dos ativistas da comunidade religiosa alevita (um corrente religiosa com muitos componentes do cristianismo oriental, i.e. zoroastrismo, maniqueismo, - as religiões existentes no Oriente Médio e na Ásia Menor antes da conquista islámica).

Não existem dados fedidignos quanto ao número  dos adeptos desta confessão, mas as estimativas dão 9-12 milhões de pessoas. Uma quantidade tão grande dos cidadãos que se consideram privados de plenitude de direitos é certamente um fator desastabilizante quando se trata de um país multinacional e multiconfessial.  E além do mais, na Turquia o problema alevito é estreitamente entrelaçado com o curdo porque provavelmente 20-25 por cento dos curdos turcos pertencem a esta confessão.  

A apercepção dos alevitas como “inimigos internos” e perseguições sistematicas deles têm a origem no século XVI procedente de agravamento da oposição do Império Otomano sunita e do Irão Safávido (o alevismo é próximo do xiismo). As  medidas punitivas mais crueis contra a população civil que se transformaram em massacres tiveram lugar depois de ter esmagado o levantamento em Dersim em 1937-1938. No apõs-guerra a  antipatia com alevitas ao nível ordinário resultou em atos de devastação e, antes de tudo, em acontecimentos sangrentos em Cakhramanmarach (1978) e e Sivas (1993).

A urbanização impetuosa que se iniciou nos meados do século passado também envolveu centenas de milhares de alevitas que se deslocavam para cidades procurando uma vida melhor. Na Turquia os anos 1960-1970 foram marcados com um impetuoso crescimento de movimentos políticos do espetro esquerdo e esquerdista que  atrairam numerosos adeptos desta religião agravando a atitude hostil para com eles por uma parte considerável da população.

O início de institucionalização do movimento alevita pode ser associado com a criação da Sociedade de Turismo e Cultura Khadji Bequetach (1964). E depois do golpe de 1980 militar os alevitas começaram a apresentar reivindicações sociais. Na segunda metade dos anos 2000 as autoridade finalmente prestaram atenção à comunidade alevita. O malogro relativo que teve tido o PJD governante o fez interessar-se com o potencial  eleitoral dos alevitas. Por esta razão foi oficialmente admitida a existência do “problema alevita” e anunciar o processo de seu solucionamento. Em 2009-2010 até tiveram lugar algumas conferências de trabalho com a participação dos funcionários de estado e os dirigentes das organizações sociais alevitas. Segundo os resultados daqueles encontros foi preparado um relatório governamental final com a seguinte conclusão básica:   sendo que os alevitas consideram discriminados a si próprios e sentem-se rejeitados por parte do estado e da sociedade, o governo deve adotar medidas com vista à eliminação de tal estado das coisas.    

Mas temos de constatar que realmente foi feito nada.

As autoridades deixaram de se interessar pelos alevitas depois de o PJD ter sido reabilitado nas eleições parlamentares de 2011. No entanto, Recep Tayyip Erdoğan reeleito para o cargo do presidente naquele mesmo ano em nome do estado fez desculpas públicas pelo massacre em Dersim pensando que os alevitas fossem satisfeitos com este  passo.

Depois do malogro relativo nas eleições parlamentares em junho de 2015 o partido do poder reabilitou-se nas eleições extraordinárias e formou o gabinete de ministros unipartidário. Apresentando o programa governamental aos deputados o premiê Akhmet Davutoglú então declarou: “Serão satisfeitas as reivindicações culturais básicas dos nossos concidadãos-alevitas que dizem respeito aos centros de educação... Reconhecemos o estatus legal dos centros educativos e das casas de orações”.

Logo em seguida as organizações sociais de alevitas fizeram uma declaração conjunta expressando sua perplexidade com o governo faltar de discutir com eles os passos por ele empreendidos e até faltar com respostas aos pedidos relacionadas a isso. Na parte final da declaração foram formuladas as reividicações da comunidade alevita às autoridades: tirar do programa de ensino escolar  a matéria obrigatória “sunita”, conceder o estatus de instituições religiosas às casas de orações, devolver os lugares de culto às comunidades alevitas, acabar com as práticas de segregação confessional na admissão de empregados, alunos, etc., deixar de construir mesquitas nos povoados alevitas, encerrar a Administração para as Religiões, assegurar uma igualdade cívica real sem tomar em consideração a confessão.   

O problema alevita que permanece por ser solucionado é prenhe de um sério conflito social no futuro visível. Considerando um grande número da comunidade alevita seria possível faxer a suposição de que uma revolta dentro dela possa trazer consequências extremamente negativas para a Turquia. Devemos guardar na memória que entre os oito mortos durante  o motim em Estambul em 2013 (“movimento Gëzi”) sete foram alevitas, e mutios representantes desta confessão estão nas fileiras das organizaçãoes turcas de extrema direita.

Mas os alevitas, mais provavelmente, vão obter seus objetivos de uma outra maneira: seria possível transformar consideravelmente o relevo político no país com milhões de votos deles. O Partido Popular-Republicano, um partido turco comum, goza de uma tradicional preferência deles, mas ultimanente as exortações para a criação de um partido alevita próprio tornam-se cada vez mais vocalizadas na sua comunidade. 

As reivindicações da comunidade alevita ainda não alcançaram um nível político pernamecendo na esfera da cultura e da vida social, e transformações do caráter social bastariam para aliviar a tenção. Mas o mal é que o estado parece não esteja ouvindo seus opositores. Caso contrário, não fossem propostas tais “medidas de apaziguamento” como a admissão dos alevitas nas mesquitas que não são frequentados por eles, e a concessão aos “anciões” (os líderes religiosos) do status de funcionários públicos, incompatível com seu status tradicional.  

 

Com o início da guerra na Síria e no Iraque o problema curdo que continua exigindo uma solução tornou-se um grande fator determinante para a política externa da Turquia. E além do mais, o regime sírio da qual Ancara nada gosta tem como um apoio, entre os outros, a comunidade alavita (nussairita), próxima dos alevitas, o que levou ao aumento da pressão sobre os alevitas turcos exercida “de cima” e ao crescimento da alienação por parte da maioria sunita. Por isso não seria possível excluir o surgimento de uma nova “linha de ruptura” social e política com as consequências a serem difíceis de prognosticar.   

 

sábado, 01 março 2014 17:07

Projetos energéticos contribuem para a paz

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‒ Iúri Konstantinovitch, como o Senhor vê a perspetiva de extração de carbohidratos na plaraforma continental do Mar Metiterrâneo?

‒ A região do Mediterrâneo é grande. São as  zonas da plataforma continental do Egito, de Israel, do Líbano, da Síria, do Chipre, da Turquia que representam um interesse grande. Claro que estas zonas são atraentes, mas não se pode falar das perspetivas antes de primeiros poços darem pétroleo e gás, passados alguns anos no mínimo. As companhias da Rússia fazem sondagem de prospeção em muitos países, e como diz a experiência geral, apenas um de cada cinco poços em médio tem reservas industriais de cartbohidratos.

As estruturas geolôgicas da plaforma que se estende a partir do Egito até Israel e Líbano representam em si uma província de pétroleo e de gás com reservas grandes prospetados. Isso ainda não se pode dizer da província que vai da Síria para o Chipre e a Turquia.  São especialmente impressionantes os recursos prospetados no Egito, no sudeste do Mar Mediterrâneo. Grandes jazidas de gás inclusive a “Leviatão” e “Tamar” foram descobertas na plataforma de Israel.