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sexta, 15 junho 2018 11:54

AS PERSPETIVAS DE “AUTONOMIA ESTRATÉGICA” DA EUROPA: SERÁ QUE A UE SEJA CAPAZ DE SE TORNAR UM CENTRO DE FORÇA INDEPENDENTE?

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As palavras proferidas um ano atrás pela Chanceler da Alemanha, Ángela Merkel,  de que a Europa não pôde  mais contar com os EUA  causaram um alvoroço no seio de  políticos e peritos europeus. Durante o  ano passado o semelhante ponto de vista parece ter sido tornado-se pratricamente dominante.   Em abril e maio do ano corrente foram a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, Presidente do Consselho da Europa, Domald Tusk, e o Presidente da França, Emmanuel Macron, que falaram da ameaça à UE por parte da “caprichosa administração” dos EUA e da necesidade de contar com suas próprias forças. Um pouco  mais tarde o Chanceler da Áustria, Sebastian Kurz, tambem expressou a opiunião de os EUA terem tornando-se um parceiro “cada vez menos seguro” quando se trata dos países europeus[i].    Os EUA, como que estando apressados com a confirmação destas avaliações, a partir de 1 de junho  estabeleceram taxas de importação de aço e de alumínio da Europa. A UE começou a empreender passos de retaliação. Foi a decisão de Donald Trump de abandonar o acordo nuclear com o Irão que deitou lenha na fogueira, acompanhada esta decisão de ameaças de sanções contra as companhias européias que continuem cooperando com Teerão. Durante os decénios anteriores, inclusive nos tempos da Guerra Fria, foi mais de uma vez que a Europa  teve “ressentimentos” com Washington, mas via de regra tudo se limitava com “queixas” rituias feitas em seguida. Agora parece que na administração da União Europeia e nos países-membros estão tornando-se cada vez mais ouvidas as vozes a favor de uma resposta “genuína” aos novos desafios da êpoca. Mas que ações podem ser empreendidas?

Poderíamos estar quase certos afirmado que a Europa não vai definitivamente tornar-se de cotas à América do Norte. Cumpre lembrar que nos tempos da primeira presidência de George Walker Bush os aliados europeus já defrontaram com a situação de uma queda brusca de interesse de Washington na parceria trans-atlántica. Durante os seguintes quatro anos a Europa conseguiu em uma grande medida restabelecer as relações estratégicas com os EUA, tanto mais que o establishment norte-americano (independentemente da pertinência partidária) continua com o consenso de a ordem mundial atual permanecer sendo vantajoso para os EUA. E as relações estreitas com a Europa são um elemento importante de seu desenvolvimento e consolidação. E agora também, na opinião do The Guardian, a UE deve  “fazer todo o possível para o fortalecimento das relações trans-atlánticas”. Mas com isso os europeus devem estar preparados para uns momentos nos quais “terão de atuar sozinhos”.

A que grau da “autonomia estratégica” pode chegar a atual Europa? De um lado, para o momento que vivemos  a maioria dos países-membros da União ultrapassaram a recessão econômica. A situação financeira e econômica geral da Comunidade está melhorando. Foram os partidários da unidade europeia que ganharam nas eleições nos Países Baixos, na França na RFA e, com reservass determinadas, na Áustria. Além disso, como pensam os otimistas, Donald Trump até poderia tornar-se um “estímulo” “para os líderes europeus, especialmente na França e na Alemanha para sugerir vias de solução dos problemas globais do mundo deixando atrás as questões europeias locais”[ii]. Finalmente, a guerra comercial desencadeada por Donald Trump e o abandono por Washington do negócio nuclear com Teerão serão um motivo genuíno para “demonstrar firmeza”. “Se a Europa faltar de arreganhar os dentes, sua opinião deixará de ser considerada na política internacional. Se a Europa fizer  concessões hoje, os EUA sempre vão imôr-lhe sua vontade no futuro”, - opina famoso economista norte-americano, Jeffrey David Sachs[iii].

Mais adiante vem uma fila das questões desconhecidas pelos europeus ou desagradáveis para eles. Quem aceitará o difícil e contraditório fardo da liderançã na UE? Depois da saída da Grã Bretanha que já é um fato consumado [iv] ao papel do líder (mais provavelmente coletivo) poderiam aspirar a Alemanha e a França[v]. E no decurso de 2017 Berlim e Paris tinham manifestado uma atitude unânime para com o conceito de movimento da UE  em direção a uma federalização maior. Uma estrategia destas visa, antes de tudo, a preservação do mercado comum da União e posteriormente poderia ser aproveitada no processo de implementação de decisões da política externa.

No entanto a ideia de delegação de poderes cada vez mais novos às instituições super-nacionais sempre causava debates veementes dentro da Comunidade. Durante os últimos 20-25 anos a “pressão da UE” provoca apenas uma rejeição cada vez maior por parte de muitas forças políticas não só em alguns países do Europa Central e do Leste, mas também na Áustria e na Itália[vi], sendo que esta política é associada com restrições na soberania[vii]. (A Grã Bretannha, como se sabe, decidiu abanbonar a União exatamente sob este pretexto.) Os processos políticos que se davam no fim de 2017  - na primavera de 2018 em Bruxelas, Budapeste, Varsóvia, Praga,  Viena e Roma[viii] é uma clara e inquietante comprovação de que a UE está defrontando com im dilema existencional na confrontação com os líderes nacionalistas da Europa Central com a Polónia e a Hungria à cabeça”[ix]. Entretanto são a crise da Área do Euro e o Brexit que permanecem na ordem do dia. Em resultado disso, constata o perito russo, Feódor Luquianov, “o futuro do continente não pareceu tão indeterminado desde os meados do século XX”. 

Além disso uma preocupação grande é causada por um “inevitável” aumento da influência da Alemanha, caso os planos de uma centralização ulterior do poder da UE forem implementados. “A herança histórica”, extremamente contraditória, continua não apenas nutrir o complexo de deficiência na política externa de Berlim, mas gerar as suspeitas dolorosas por perte da maioria dos vizinhos da RFA. A última circunstância tradicionalmente faz com que muitos países europeus “pequenos” mantenham relaçõoes geopolíticos com os EUA, estreitas ao máximo – até em prejuizo à ordem do dia europeia comum [x]. Quе estrutura dentro da UE, atual ou hipotética do futuro, poderia garantir aos seus membros “a proteção política de um contra outro” comparável com a norte-americana? Parece que depois da formação do novo governo na primavera deste ano em Berlim não tem a resposta a esta questão. Paris, por seu turno, viu-se obrigado a conceder um tempo cada vez maior às reformas domésticas de uma grande envergadura e dolorosas.

No plano das questões militares e estratégicas as capacidades conjuntas da UE são relativamente comparáveis com as norte-americanas, tendo em vista o componente quantitativo, mas não o qualitativo. Mas a aliança militar dos países da UE, segundo disse a Chanceler da RFA, Angela Merkel, permanece “em estado de embrião”. É notório que saõ os EUA que formam o elo básico de sistema que faz com que as relativamente separadas forças dos europeus tornem-se uma força de combate real enquadrada na OTAN, na qual os EUA desempenham um papel-chave do ponto de vista de intelegência, abastecimento e deslocamento das tropas, bem como  de uma série de outras questões. No período atual nenhum membro da UE seria capaz de adotar o papel do líder militar e político da Europa. A Grã Bretanha está abadonando a UE. Na Alemanha uma parte das principais forças políticas estão manifestando-se a favor da aproximação da Rússia. E os recursos militares da França estão sendo concentrados cada vez mais na luta contra a ameaça terrorista interna. Como um indício indireto de desconfiança nas perspetivas militares não apenas da UE, mas até da OTAN, pode ser cosiderado o recentemente anunciado desejo da Polónia de instalar em seu território uma base militar norte-americana (fora dos mecanismos formais da OTAN).

As perspetivas da política externa comum da UE também são bastante indeterminadas. De um lado os valores da UE continuam sendo atraentes numa série dos países limítrofes – desde os Balcãs do Oeste[xi], em relação aos quais a Comissão Europeia já anunciou uma estratégia de admissão como os membros da UE prevista para os próximos dez anos, até a Ucrânia. Do outro lado “o entusiasmo com o alargamento da UE” entre os países-membros “esgotou-se em grande medida”, pensam os peritos do centro analítico norte-americano Stratfor. A demais, é pouco provável que as capitais da Europa do Leste gostem do objetivo real do modelo de reforma da União Europeia proposta pelos principais membros do clube “antigos”, - o de reduzir ao mínimo as possibilidades dos países da Europa Central e do Leste de aproveitar-se das contradições entre as potências mundiais.

Deste modo as capacidades da política externa da UE são muito limitadas, antes de tudo em virtude de ausência quase total de um omponente militar e de força, independente de Washington. A UE não tem em seu dispor um espetro completo de “instrumentos” geopolíticos e hoje limita-se principalmente com as alavancas financeiras e econômicas sendo no futuro visível incapaz de ocupar em caso de necessidade o lugar principal na manutenção de paz ou em sua estabilização na Europa.

No plano econômico com a saída da Grã Bretanha o orçamento anual da União Europeia diminuirá pelo menos em dez bilhões de euros. A Comissão Europeia já apresentou uma moção de redisribuir a parte do orçamento comum da UE destinada aos países  da Europa Central, do Leste e do Báltico a favor da Grécia, Itália e Espanha que sofrem do crescimento do desemprego e do afluxo de migrantes[xii]. O descontentamento legítimo dos habitantes do Leste europeu provoca novas batalhas que ameaçam “entravar ou até aniquilar os resultados dos processos de integração que se desenvolveram durante duas décadas, e num plano mais amplo coloca a questão: a UE é mesmo uma unidade à base do princípio de interesses econômicos comuns ou valores comuns?[xiii] Com tudo issso para o sucesso na competição global seria necesssária uma restrição ou até uma redução do “êxito principal da sociedade europeia do “bem-estar universal”, – dos seus sistemas sociais. Os membros antigos da UE falam disso em voz cada vez mais alta[xiv].

Entretanto as atitudes de Donald Trump para com a política econômica resultam em que numerosos analistas façam a conclusão de estar vindo uma nova êpoca na qual a rivalidade entre os partidários da globalização e do isolamento econômico (“nacionalismo”) vem à linha de frente. Neste caso as ideias protecionistas do atual chefe da Casa Branca podem encontrar a repercussão no seio de uma parte dos membros da UE, especialmente dos que têm medo do fortalecimento da influência alemã depois da saída da Grã Bretanha. E afinal o mercado estado-unidense continua tendo a importância-chave para a maioria das companhias europeias que ali têm suas filiais, e operam com suas ações através da bolsa de Nova Iorque. E ainda  não existe uma substituição disso que seria equivalente

Desta maneira as causas de ativação da busca de uma identidade independente na política externa e até na defesa na UE, como poderíamos imaginar, estão ligados antes de todo ao rumo da atual administração norte-americana. Entretanto os presidentes dos EUA são reeleitos a cada quatro anos, e novos passos da União Europeia em direção à independência estão diretamente ligados, antes de tudo, ao vetor da política trans-atlántica de Washington. No contesto disso a volta de uns dirigentes da UE e dos países-membros à retórica que trata de necessidade de “restabelecer” as relações com a Rússia (Junker, Macron, Merkel) pode ser dirigida à audiência política norte-americana. A “ameaça” europeia de ir a reboque de Trump e aumentar as divergências com os EUA é capaz de pôr de alerta muita gente em Washington. Os resultados das eleições intercalares a serem realizadas em novembro próximo em caso de serem desfavoráveis para para os republicanos podem fazer com que a Casa Branca abrande sua política na direção europeia.

Na própria Europa dá-se uma intensificação visível da luta entre os partidários do rumo à consolidaçaõ em prol de uma “autonomia estratégica”, ainda apenas ilusória, e os apologistas da “Europa das nações” com os países e as regiões a edificarem as relações mútuas e as com o mundo externo baseando-se, antes de tudo, em objetivos e tarefas nacionais. (Sendo que os partidários da manutenção da liderança norte-americana existem em ambos os “campos”.) AEuropaatual é “destroçada.  As relações comerciaiss com tal Europa provavelmente seriam mais fáceis, mas sua capacidade de tomar parte de um tal “negócio grande” continua estando sob questão.     

A opinião do autor pode desencontrar com a posição da Redação.

 


[i] https://www.rbc.ru/rbcfreenews/5b0bb0089a7947c05feeecdf?from=newsfeed

[ii] Lawrense Henry Summers | The Washington Post A Civilização Ocidental e a Hipocrisia do Presidente 13 de julho, 2017

A tradução russa: https://www.inopressa.ru/article/13Jul2017/wp/west_trump.html

[iii] https://www.inopressa.ru/article/29May2018/welt/sachs.html

[iv] No fim de maio vieram notícias de que os euro-céticos britânicos suspeitaram o governo de terem intenções secretas de ficar na União Europeia. Os receios surgiram depois de terem sabido que os oficiais do  governo decidiram destinar centenas de milhares de libras esterlinas para as eleições  para o Parlamento Euiropeu. https://www.newsru.com/world/27may2018/secretly.html

[v] A RFA – um quarto do total da economia da UE à exeção da Grã Bretanha; a França – 18%  do total da economia da UE à exeção da Grã Bretanha . Calculado à base de https://en.wikipedia.org/wiki/World_economy (os dados segundo a cotação nominal).

[vi] Veja em mais pormenor: https://interaffairs.ru/news/show/19692

[vii] https://www.foreignaffairs.com/articles/central-europe/2018-04-06/how-illiberal-leaders-attack-civil-society

[viii] Em dezembro de 2017 pela primeira vez na história a Comissão Europei decidiu iniciar o processo de introdução das sanções contra a Polónia por causa da violação da supremacia do direito. Anteriormente na França ambos os partidos políiticos principais - os socialisstas e os republicanos – sofreram uma derrota total nas eleições presidenciais e parlamentares. A partir do outono  de 2017 até a primavera de 2018 a Alemanha estava atravessando “a mais grave crise polítiica desde sua unificação”. Em dezembro de 2017 na Áustria foi formado o governo de extrema-direita que ostentava a decisão de limitar as esferas de influência da União Europeia. Em 2018 na Hungria o “euro-cético”, Viktor Orbán, foi reeleito para o cargo de Primeiro Ministro. Em fim, em maio de 2018 na Itália os “euro-céticos formaram o governo.

[ix] http://www.ipg-journal.io/regiony/evropa/statja/show/novyi-vostochnyi-blok-gotov-441/

[x] Além disso,a economia da RFA sendo bastante ponderável ainda é quatro vezes menor do que a norte-americana.

[xi] https://www.inopressa.ru/article/31May2018/lemonde/serbe.html

[xii] https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-05-29/eu-regional-aid-for-east-europe-to-shrink-in-post-brexit-budget

[xiii] https://www.bbc.com/russian/amp/features-43158639?__twitter_impression=true

[xiv] http://www.globalaffairs.ru/redcol/Evropa-v-sebe-19375

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