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quinta, 26 outubro 2017 21:55

XIX congresso do Partido Comunista da China e os Interesses da Rússia

Written by  Pyotr Isquenderov, cientista efetivo superior do Institudo de Eslavística da ACR, candidato ao doutorando em história

 

O 19-o congresso do Partido Comunista da China (PCC) que se encerrou em Beijing em 24 de outubro tornou-se um dos mais fechados foruns na história contemporrânea do partido comunista no “Império Celeste”, - inclusive por causa da urgência das questões de pessoal que lá estavam sendo solucionadas à luz da luta de uma escala grande contra a corrupção promovida pelo secretário geral do partido e presidente da RPC, Xi Zin Ping que na sua intervenção formulou o componente anti-corrupcional da política do partido da seguibte maneira: “Vamos  pôr tigres em pratos limpos, varrer moscas fora e caçar raposas”, - isso significa um combate contra os abusos a toodos os níveis das estruturas do partido e do estado. Como uma consequência desta luta e também do processo geral de rejuvenecimento dos órgãos administrativos do Partido Comunista da China (70 anos de idade é o “limiar” do ponto de vista da preservação de pertinência ao Comité Central do PCC), durante o atual congresso mais de metade dos membros do CC do PCC foram substituidos. A composição do burô político  do CC e do seu comité permanente também teve serías transformações.

Xi Zin Ping também introduziu corretivos fundamentais no conteudo dos chamados 14 princípios do “socialismo com a especificidade chinesa” ascendentes ainda aos tempos de Deng Xiaoping. Foi o fortalecimento da influência internacional do país ao qual o presidente da RPC no seu discurso propôs atribuir a maior importância além da luta contra a corrupção e da solução dos problemas ecolôgicas. Segundo o horário que Xi tornou-público no fim do período do tempo até 2025 a China deve “alcançar o nível dos países-líderes do tipo inovativo” e até 2050 – transformar-se em uma potência “rica e poderosa, democrática e civilizada”. Até aquele mesmo ano o Exército Popular de Libertação  da China deverá tornar-se uma “força da classe mundial”, - realçou Xi no seu descurso inesperadamente longo (3 horas e 23 minutos). 

É o aspeto internacional na política de perspetiva da China que representa um interesse especial no contexto do atual forum do partido comunista considerando indubitavelmente a crescente atividade geopolítica da China na região e no mundo em geral. O relatório de Xi Zin Ping contem uma afirmação fundamentada de que o “poder brando” e influência internacional da China têm sido aumentados consideravelmente e a “situação internacional do país tem alcançado um nível nunca visto”. “Chegou o tempo de nós sairmos ao procénio do mundo para começar a dar uma grande contribução para história da humanidade”, - sublinhou o presidente da RPC.

Devemos lembrar que segundo uma tradição os congressos do PCC não adotam documentos programáticos e declarações relacionadas às questões da política externa e conclusões de princío sobre o caráter das transformações é possível tirar baseando-se nas alterações do pessoal e também – da ierarquia das teses do relatório do próprio secretário geral.

Deste ponto de vista tem o caráter-chave a grande rotação de pessoal feita no 19-o Congresso que aumenta o peso do próprio Xi Zin Ping e também da mais nova geração de “tecnocratas”. Esta circunstância já deu fundamentos determinados para previsões dentro do espírito de que a China esteja deslocando-se “do modelo de administração coletiva para a concentração do poder nas mãos de uma pessoa”. (vedomosti.ru)

Uma situação destas por seu turno permite esperar no futuro um  crescimento da atividade da China na arena internacional tanto na esfera militar e política, como na financeira sendo estas esferas as de um interesse especial de Xi Zin Ping.

O componente econômico da expansão chinesa que causa uma inquietação especial ao presidente do EUA, Donald Trump, tradicionalmente tinha uma ligação direta com os fatores sociais e demográficos, antes de tudo a mão de obra barata, das quias Beijim aproveitava-se com uma grande eficiência.  Isso fez com que nos últimos anos o país tivesse mantido ritmos estáveis do crescimento econômico. No terceiro trimestre do ano corrente o produto interno bruto aumentou em  6,8%  no seu cálculo anual. Isso é um pouco mais baixo do que foi no trimestre anterior, mas também ultrapassa os índices estabelecidos pelo governo para o ano que vivemos. Durante os três primeiros trimestres de 2017 o crescimento do PIB da China no cálculo anual foi  6,9%, enquanto na anunciada pelo governo previsão anual foram previstos 6,5%. Além disso em 2017 pela primeira vez a partir de 2010 a economia da China pode demonstrar ritmos de crescimento superiores aos do ano passado (em o crescimento foi 6,7%).

Na sua intervenção durante a inauguração do Congresso a 18 de outubro, Xi Zin Ping sublinhou que durante os primeiros cinco anos de sua estadia no poder (Xi foi eleito Secretário Geral do PCC e o Presidente da RPC em 2012 no Congresso anterior) o PIB da China teve um crescimento de 26 trilhões de yanes ou 3,9 dólares. Além disso, segundo disse o líder chines, “conseguimos satisfazer as necessidades  básicas de mais de um bilhão de cidadãos do país”.

No entanto é exatamente a esfera social e econômica que logo pode ter alterações que dizem respeito ao funcionamento do próprio modelo nacional.  No seu relatório de contas ao Congresso Xi Zin Ping exortou à implementação “do sonho chinês de rejuvenescimento da nação” e também à uma transição acelerada para os princípios da “economia inovativa”. Isso e aquilo pode resultar em novo impulso dado ao desenvolvimento da China e da sua atividade no mundo ou - em aumento da instabilidade interna e das contradições políticas, inclusive nos círculos governantes do país.     

 

No dado contexto devemos tomar em conta os fatores e índices negativos que se acumularam na China. Em particular o presidente do Banco Popular da China, Zhou Xiao Chuan, está considerando uma séria ameaça os ritmos excessivamente altos de acumulação das dívidas de companhias e economias rurais. Na sua opinião o governo do país não deve demonstrar “um otimismo excessivo” porque a carga excessiva de dívidas na economia pode resultar em uma queda súbita dos mercados. Apenas as dívidas dos órgãos do poder local nas condições da ativa concessão de créditos hipotecários e crescentes despesas com a infraestrutura atingem por volta de 6,3 trilhões de dólares constituindo cerca de 51% da PIB.   .

Também os peritos internacionais concordam com o fato de o investimento crescente de empréstimos fazer com que aumentem os riscos econômicos de longo  prazo. “Os últimos dados mostram um quadro prometedor da economia que, com um olhar superficial, está avançando a todo o vapor. No entando por dentro continuam acumulando-se problemas potenciais do mercado financeiro ainda que por enquanto sejam invisíveis”, - opina, por exemplo, Esvar Prassad, professor em ciências econômicas da Universidade Cornell e antigo dirigente da seção chinesa do FMI. (vedomosti.ru)

É sintomático que na sua intervenção dando uma detalhada avaliação aos êxitos econômicos da China durante os últimos anos o presidente da RPC faltou de apresentar novas metas numéricas inclusive tradicionais para semelhantes forums objetivos relacionados à envergadura da economia nacional e ao nível do PIB percápito o que pode ser interpretado como a admissão da possibilidade se sua diminuição.  “Estas reticências provavelmente visam proporcionar às autoridades uma maior oportunidade de manobrar a fim de solucionar numerosos problemas estruturais”, - diz o perito do Centro de Pesquisa Estratégica e Internacional (CSIS) de Washington, Christopher Johnson. (vedomosti.ru)

O fato de Xi ter mencionado a necessidade de alterações no rumo econômico da China está diretamente ligado à intenção de Beijim de efetuar a política externa mais ativa. E em relação com isso devemos pôr em destaque especial as seguintes direções principais.

A primeira – a militar. A consolidação  das forças armadas, antes de tudo da marinha de guerra nacional adquire uma significação especial à luz de básicos pontos da política de Beijim na região (as relações com Taiwan e as disputas terriotoriais nos mares da China Oriental e da China Meridional. A dimenção naval da política externa da China também compreende a primeira base militar genuina no exterior do “Império Celeste” que foi instalado no ano corrente em Jibuti. Os problemas da consolidação do Exército da Libertação Popular da China também estão diretamente ligados às contradições territoriais com a Índia no Tibete.

A segunda dimenção – a euroasiática. Desde o momento do anterior 18-o Congresso do PCC Beijin tinha empenhado esforços sem precedentes com vista à promoção de seus projetos inclusive “O Sinturão Econômico da Rota da Seda” e “A Rota da Seda Marítima” orientados ao desenvolvimento dos corredores comerciais, de transporte e econômicos da Eurásia. Além disso a decisão da nova administração norte-americana de abandonar o Acordo de Parceria Econômica Estratégica Trans-Pacífico (TPSEP) proporcionou à China uma possibilide ímpar de tentar ocupar as posições de líder nos projetos de integração comercial e econômica  na Região da Ásia e do Pacífico    (e também a política baseada nisso).  “Donald Trump ocupou o cargo tendo prometido acabar com o balanço negativo no comércio com a China. E qual foi o primeiro passo que fez? – O de romper a Parceria Trans-Pacífica – o acordo comercial capaz de colocar os EUA à cabeça do bloco comercial dos 12 países feito em conformidade com os interesses e valores norte-americanos. Isso poderia eliminar por volta de 18 mil tarifas de mercadorias norte-americanas e assegurar o contrle sobre 40% do PIB mundial. EoChina  nãoestarianestebloco. Isso traz o nome de alavanca”, - faz uma observação irónica o diário estado-unidense “The New York Times” em relação com isso. “Trump destruiu a Parceria Trans-Pacífica para “dar uma satisfação aos eleitores” e agora não tem outro remédio senão pedir à China umas migalhas comerciais. E necessitando a ajuda da China para lidar com a Coreia do Norte tem uma possibilidade ainda menor de influir sobre as questões de comércio”, - faz uma conclusão o diário. (nytimes.com)

A terceira direção principal da política da China é exatamente o problema nuclear da Coreia do Norte. O papel que a China está desempenhando nisso é igualmente importante e contraitória, procedendo isso do seu estatus do membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e simultateamente do maior parceiro comercial e econômico de Pyongyang. Os EUA, a Coreia do Sul e o Japão estão invariavelmente exigindo que a China torne mais dura a pressão sobre a administração norte-coreana inclusive até um bloqueio econômico total. No entanto as reivindicações destas contradizem ao princípio da “força branda” na política externa que Xi acabou de confirmar mais uma vez e também – à consolidaçaõ das posições comerciais e econômicas da China na região e fora do seu território. É evidente que os princípios e as prioridades da política externa anunciados no 19-o Congresso do PCC serão testados muito em breve durante a planejada visita do presidente dos EUA, Donald Trump, a Beijim no decurso da sua volta asiática no início de novembro.  (vedomosti.ru)

Os planos ambiciosos da administração do partido comunista e do estado da China anunciados durante o atual Congresso do PCC coincidem objetivamente com os interesses da Rússia porque lançam alicerces para o aumento da cooperação bilateral. Isso diz respeito antes de tudo à esfera da energética que tem por obetivo abastecer com recursos energéticos as crescentes entidades de produção da China. O contrato entre a “Rossneft” e a companhia chinesa privada CEFC “China Energy” concluido no início do setembro último durante a visita a Beijim da delegação da Russia encabeçada pelo Presidente, Vladimir Putin, assegurará um crescimento súbito do fornecimento de petróleo russo à China já no final de 2017. “Neste ano forneceremos 40 milhões de toneladas de petróleo à China, - anunciou em 19 de novembro o Diretor  Executivo da “Rossneft”, Igor Setchin, - e no ano que vem acrescentaremos mais 10 milhões de toneladas. E vamos continuar fornecendo desta maneira durante os próximos cinco anos”. (vedomosti.ru)

Em resultado disso já no ano corrente o mercado chinês vai consumir 20% do petróleo extraido pela “Rossneft” e 32% da sua exportação. Simultaneamente, segundo diz Igor Setcin, a “Rossneft” e a CEFC estão prepando um “contrato de coperação” complementar para uma perspetiva mais longa. Um parceiro-chave da companhia petrolífera russa também é a Corporação Nacional de Petróleo e de Gás da China (CNPC). Segundo os resultados de 2016 a Rússia ocupa o primeiro lugar entre os fornecedores de petróleo à China com o índice de 52,5 milhões de toneladas por ano ultrapassando a Arábia Saudita (51 milhões de toneladas) e Angola e o Iraque com uma tradicional orientação ao mercado chinês.

Mais projeto energético prometedor nos marcos da cooperação da Rússia e da China é a construção do gasoduto principal “A Força da Sibéria para a transportação de gás dos centros de extração de Irkutsk e e de Iacútia aos consumidores russos no Extremo Oriente e também à China (“a direção do Leste”). Em maio de 2014 o acordo respetivo (o Contrato de Compra-Venda de gás russo na “direção do Leste”) foi assinado pela SAA “Gazprom” e pela CNPC. OContratoconcluidoparaoprazode 30 anosprevé fornecimento à Chinade 38 bilhõesmetroscúbicosde  gásporanoapartirdedezembrode 2019. (gazprom.ru)

 

Além dos fatores puramente econômicos a implementação dos projetos mencionados juntamente com o aumento da cooperação da Rússia e da China em outras esferas inclusive nos marcos das “rotas da seda” depende diretamente de estabilidade da situação política interna na própria China. E o 19-o Congresso do PCC consolidou esta estabilidade pelo menos para os anos mais próximos.  

 

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