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quarta, 13 dezembro 2017 12:59

Decisão do presidente Donald Trump sobre Jerusalém: contexto regional e global

Written by  Alexandre Cramarenco, Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário

 

A decisão da Casa Branca anunciada um dia destes não pûde faltar de causar uma repercussão tempestuosa. Nehuma outra questão, qualuer que fosse, tanto mais nas condições de atualidade não poderia desafia-lá no que respeita ao caráter simbôlico e à significação múltipla inclusive a medição do estado interno da América do Norte.  Mesmo se a Estátua da Liberdade ostentar um enorme cartaz com as palavras “Fechado para reparação”, isso não daria ao mundo a conhecer  tão claramente a indicação de que  a América do Norte esteja fechando-se para concentrar-se em seus assuntos internos que não podem esperar mais, especialmente depois de as mudanças iniciadas durante a pesidência de Barack Obama terem falidas. Esta decisão, como tudo na nossa vida, tem sua lôgica que devemos perceber. Os assuntos externos adquirem o caráter secundário. Os aliados podem receber as coisas que desejam, mas já por sua própria conta e nos quadrantes da diplomacia interna de transações. Tudo o que cria obstáculos para a transformação do país será eliminado. Isso não significa a renûncia aos elementos do estratégia tradicional na política externa inclusive a ligação dos aliados para si e a criação de problemas para rivais em potencialidade, mas não por conta das prioridades internas e apenas por inercia e para o conforto psicolôgico das elites.   

A situação difícil da administração e do país em geral prova o fato de Donald Trump achou necessário ceder à ala evangélica (que não tem nada em comum com o Novo Testamento) do establisment republicano e  dos eleitores, que nunca foi feito por qualquer presidente até agora. Este segmento da sociedade norte-americana confessa o chamado “sionismo cristão” acreditando que os Lugares Santos devem estar som o controle israelense ate que os “cristãos corretos” venham ali. Trata-se de uma “cruzada pela procuração” dada a Israel apeasr do caráter totalmente absurdo disso, desta vez – a custo de os EUA entrarem na linha de fogo com o mundo islâmico.

A comunidade internacional, apesar de ser muito interessada em que os processos de transformações nos EUA tenham sucesso, não pode concordar com uma atitude tão irresponsável, dentro do espírito “que tenha um delúvio depois de minha vida terminar”, que está menosprezando os interesses dos outros participantes do conflito árabe-israelita. Esta decisão também não corresponde com o estatus dos EUA como um dos membros permanentes da ONU que tem uma responsabilidade especial pela manutenção da paz e segurança internacional.

Depois das tentativas de implementar a estratégia de substituição dos regimes láicos (baacistas) no Iraque e na Síria que tinham sido empreendidas durante os últimos 25 anos apostando com os regimes monárquicos, antes de tudo – os do Golfo Pérsico, os EUA praticamente estão abandonando estas monarquias a sua própria sorte. Não é o problema palestino que tem importância (os palestinos tinham sido traidos mais de uma vez por varias personagens da própria região), mas a dimenção confessial do problema do estatus de Jerusalém e dos seus santuários. Isso já abordaria e, além do mais, de uma maneira muito crítica, a questão de legitimidade dos regimes monárquicos, - tanto da legitimidade interna como da externa, nos marcos do mundo árabe-islâmico. Esta questão é colocada da maneira mais grave em relação à Arábia Saudita que estava exportando jihad durante 40 anos. Agora, depois do fracasso dos projetos jihadistas no Iraque e na Síria, é bem provável que o próprio reino possa ser sua vítima, de acordo com o princípio famigerado “quem ganha para a vida com a espada...”. Também os fundamentalistas mesmos nunca fizeram segredo de seu objetivo final -  o controle da peninsula e dos seus santuários. E além disso vem xisto tendo desatado os EUA da região no plano da energética.

A decisão de Washington condena ao fracasso o atual projeto de modernização do RAS, embora mesmo sem isso seu sucesso fosse problemâtico. O desmoronamento da Arábia Saudita que os peritos e observadores tem prognosticado em diferentes variantes colocaria na ordem do dia a questão de controle coletivo de Meca e Medina a ser exercido pelos principais países islâmicos. Por isso as “ambições neo-onomanas” de Ancara não são ilusórias de mais. É pouco provável que a liquidação das bases norte-americanas na região possa aliviar a situação de Riade e de outras capitais, o contrário seria mais viável. Ganharia um novo dinamismo a questão do futuro do islão, de sua modernuzação na vanguarda da qual poderiam estar a “Irmandade Muçulmana”, a Turquia e o Catar. Na província Oriental do RAS vivem xiitas, - o Golfo Pérsico será um “mar xiita”? Logo será destruido o sistema estrturado da poítica regional. A necessidade de transforma-ló mais sedo  ou mais tarde é uma outra questão. No entanto é claro que o Ocidente perdeu completamente o periodo de tempo depois do término da Guerra Fria no que diz reapeito a uma  transformação positiva da região: os EUA simplesmente tinham  “encomendado a música” nas fileiras do Ocidente ao mesmo tempo fazendo com que o “quarteto” dos intermediários no Oriente Médio tivesse feito nada.  

Quanto aos interesses de Israel como sua elite os vé, - foi feita uma aposta na aliança não formal  com o RAS contra o Irão e agora está em perspetiva uma solidão estratégica na região. O Hizbollah que esta combatento (a participação na guerra real na Síria com milhares de casualidades) – isso seria um tanto mais sério do que foi em 2006. As armas convecionais cada vez mais parecem os ADM quanto a sua força destrutiva e precisão. Os EUA nunca vão combater na região ao lado de Israel limitando-se com o  apoio finaceiro, fornecimento de armas e de tecnologias militares. É isso mesmo que torna as simpatias com Israel nos EUA relativamente baratas. 

É claro que Israel possa apoiar-se na diplomacia da Rússia. Mas a diplomacia é uma arte de possibilidades e finalmente pode ser, que a única coisa que Moscou possa fazer para Israel seria a evacuaçao dos naturais do território da antiga União Soviética e seus descendentes. O desenvolvimento mundial simplesmente acabou de entrar uma faze quando temos de pensar das coisas an teriormente inconcebíveis. Aquilo que conseguimos alcançar na Síria de-se apenas graças à vontade de uma pessoa que terá analizado corretamente uma situação complicadíssima com seus riscos e possibilidades; uma pessoa que tem senso de moderação: - uma propriedadade da nossa cultura, mas não da norte-americana/ocidental. Perseguimosobjetivoslimitadosealcançamo-lôs. Nãosomosdeuses. Nosso êxito brilhante foi graças à ausência de qualquer “plano de saida” separado: isso foi uma parte orgánica da estratégia de vitória que determinava por completo o nosso modo de operar desde o início e até o fim. Seja como for, teremos que estar na Síria por um prazo bastante longo, mas os EUA tem uma intenção clara de criar obstáculos para nos, já na qualidade de spoilers e isso vai agravar a situação de Israel gerando experanças exageradas e ilusões perigosas. O mais importante é que a Rússia está presente na região por necessidade:  de maneira alguma somos seus “donos”, como os meios de comunicação social do Ocidente procuram nos pintar operando com as categorias da sua cultura política; não temos planos de controla-lá,  como os norte-americanos tinham feito por meio de seu “cuidado estratégico” dela.

Fariam bem para Israel boas relações com Ancara, mas é o próprio Israel que poderia salvar a situação oferecendo, em particular, um projeto realista da paz  com os árabes fazendo isso logo, por enquanto existem os para quem se pode fazer sugestões e com quem se pode negociar. Parece que a administração de Donald Trump não tem quaisquer coisas sérias no que respeita a isso.  Além de mais, temos que levar em conta que garantias internacionais e forças que  manteriam a segurança de Israel sejam necessárias em quaisquer circumstâncias. Não vale a pena agravar a situação ao extremo e torna-lá irreparável. Em qualquer caso são as autoridades israeleitas que devem tomar uma decisão – ninguém e nada excepto às circumstâncias será capaz de impôr-lhes decisões necessárias. 

Fomento da modermização da região seria nos interesses de Israel que deve aprender algo com a experiência de apoio dos projetos falidos norte-americanos, cada um dos quais finalmente causosu dano aos interesses da segurança do país como os são formulados pela proópria elite israelita. Basta lembrar que a guerra no Iraque foi justificada com o slogan “O caminho para Jerusalém vai através de Bagdá” (mais tarde – “através de Damasco”?). Agora, quando Washington com sua “lembrança de despedida” a Israel bate com porta desfazendo-se da responsabilidade pelos destinos do Oriente Média, está na hora dar uma nova avaliação à situação adotando decisãoes que garantam a duradoura sobrivivência de Israel no novo amdiente regional.  

Em geral trata-se de  uma manifestação particular do encerramento de fato do projeto do Ocidente com seus fundadores e propriétarios beneficiais principais – os anglo-saxões. O “chapéu” do império simplesmente tornou-se pesado de mais.  Assim recusaram-se até da criação de duas “fortalezas” na forma da Prceria Transpacífica e da Parceria Comercial e de Investimentos Transatlántica: seria bom abrandar o golpe, mas já não tem tempo para isso. Os britânicos, inclusive uma parte considerável do establishment conservadorista, foram os primeiros que deram conta da situação graças à sua experiância, quando após a humilhante empreendimendo de Suez os restos do Império Britânico serviram de material de construçao para o império global dos EUA. Agoraestetambémestá desmoronando, mas é o último, - nãohaverá outro, - etemquesesalvarumporum. Por isso, sob o lema da “Bretanha global”, Londres optou pela diplomacia de muitos vetores à maneira russa e ao free trading à maneira do existente no século XIX. É  de supôr que este assunto seja abordado nas negociações de coligação de Martin Shultz com Angela Merkel: não há necessidade de provar si próprio como o líder do Ocidente, sendo isso uma coisa ilusória, mas salvar a zona de euro – isso é uma tarefa imediata ainda que seja melhor, se o projeto europeu na sua forma atual de fato sofreu um malogro (os alemães não tem vontade de pagar pelo prosseguimento da integração) tomar a iniciativa começando um trabalho sério com vista à criação de uma Europa Grande.

Comentando a queda de Paris (e da França) em junho de 1940 Anna Akhmátova disse: “Nas funerais de uma êpoca Não cantam salmos tumulares, São urtiga e bordana Que a irão adornar”.  Desta vez tem muito falatório, - o de sanções que vem de Washington e a retórica antirussa que vem de Londres.  Mas o essencial permanece o mesmo: aliados e amigos devem ficar nas tricheiras, enquanto os coveiros “trabalham com audácia”. Eaervatambém é adasuapreferência. O navio abriu água, - não vale a pena esperar que os porões estejam inundados. E a decisão sobre Jerusalém não resta quaisquer dúvidas, - além do mais não apenas no seio dos aliados árabes dos EUA,- no que respeita ao essencial daquilo que está acontecendo. 

 

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