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segunda, 16 julho 2018 11:28

A Turquia: por Entre a Economia e a Política

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Comentando os resultados das recentes eleições presidenciais o observador do site eletrônico turco T24, Yaltchin Dogán, tirou a conclusão de que a economia seja agora o único rival de  Recep Tayyip Erdoğan. (t24.com.tr)

Mas as autoridades afirmam que na economia tudo corre bem: no ano passado havia um crescemento de 7,4 por cento. Numa entrevista à agência “Bloomberg” dada há pouco Recep Tayyip Erdoğan fez lembrar que durante os 16 anos da sua governação o per capito do PIB aumentou desde 3,5 mil até 11 mil dólares, e em geral a Turquia demonstrou ao mundo “um exemplo lendário de desenvolvimento”. (bbc.com)

No entanto, na nossa opinião, a economia turca em geral representa em si um quadro bastante contraditório. A par de êxitos indubitáveis existe um número mais do que suficiente de problemas. As taxas de juros de obrigações de estado tiveram um crescimento-recorde sendo isso uma evidência de investidores não desejarem fazer contribuições monetárias na economia. Em março a agência de  rating “Moody's” diminuiu a nota de risco do país, em maio a "Standart & Poor’s” fez o mesmo. Durante os quatro anos  passados depois da eleição de Recep Tayyip Erdoğan para a presidência o desemprego aumentou até 10,9 e o da juventude -  até 19 por cento. Durante os cinco mêses de 2018 a cotação de câmbio da moeda nacional diminuiu em 20 por cento em relação ao dólar resultando em um aumentoo súbito de preços de consumo que em maio atingiu 12,15 por cento em comparação com 10,85 por cento em abril.

O corrente índice da confiança na economia constituiu 90,4 por cento tendo diminuido em 3,1 por cento em comparação com maio último. A reeleição de Recep Tayyip Erdoğan de modo algum fortaleceu a “confiança no dia de amanhã”.

 Em maio na mensal “Foreign Policy” foi publicado um artigo que deu a conhecer  os seis erros mais grandes, na sua opinão, que o presidente da Turquia teve cometido na política econômica. (birgun.net)

Segundo a versão da mensal, no início da lista é colocada a convicção do líder turco de que a origem de todos os males seja a alta taxa de desconto e, consequentemente, os juros exagerados , apesar da opnião de tal política do Banco Central ser completamente justificada nas condições de queda da cotação da moeda nacional. Na opinião da mensal, Sr. Erdogan “continua declarando uma atitude não ortodoxa para com a regulação financeira: quanto mais baixa seja a taxa, tanto mais baixa seria a inflação”.  Além do mais, o presidente não está defendendo sua tese “básica”, mas também está exercendo uma pressão administrativa sobre o Banco Central, formalmente independente nas questões da política monetária e de crédito. Aliás, com o término das eleições a “Reuters” procurou saber que planos têm os maiores  investidores do mundo em relação à Turquia. Os investidores, como se soube, estão esperando e, antes de tudo, desejam saber se o Banco Central da Turquia será  de veras independente das autoridades. Quanto a isso, temos que constatar que logo após a sua reeleição Sr. Erdogan prometeu aumentar seu controle pessoal sobre o Banco Central, o qual “apesar da independência que tem não deve menosprezar os sinais vindos do presidente”. (gazeteemek.com)

No segundo lugar esteve um fomento multilteral do crescimento econômico contínuo. Em relação a isso a mensal advertiu: um crescimento deste gênero provoca uma recessão e um aumento da inflação que “consuma” as receitas da população juntamente com suas econoomias.

Terceiroo ponto: o Sr; Erdogan tem certeza de que investidores venham à Turquia, venham em qualquer caso. Enquanto isso, a queda da cotação da moeda nacional fá-lôs duvidar da estabilidade política no país, opina a mensal.   

Quarto: constituem um problema os impostos altos pagos pela classe média, urbana e educada, que, via de regra, tem atitudes oposicionistas, e a redistribuição das receitas (empreendimentos de estado) entre  os paridários do presidente.  

Quinto: a convicçaõ das autoridades de que os problemas econômicos da Turquia sejam nada mais do que uma consequência da “atividade subversiva” premeditada de umas forças mal-intencionadas externas.  Em relação a isso o presidente da Turquia não toma em consideração as estimativas das agências internacionais de rating o que, por sua vez espanta investidores estrangeiros.

Sexto: a consolidação do estado em prejuizo à sociedade civil leva (juntamente com o quarto ponto) ao crescimento da tenção social e poolítica no país.

A conclusão geral consiste em que  “o comportamento de Recep Tayyip Erdoğan em relação às questões da política econômica apenas contribue para o agravamento da dificuldade na economia”. 

No entanto, foi o candidato para a presidência do oposicionista Partido Popular-Republicano, Muharrem İnce, que num dos comícios pre-eleitorais também advertiu: “Estamos no umbral de uma crise, uma crise econômica. Erdogan não poderá dominá-lô. Em vez disso prefere travar uma luta contra o mundo inteiro”. (sozcu.com.tr) Além disso Muharrem İnce prometeu então, em caso ganhar as eleições, “pôr o fim ao desperdício insensato  dos meios de estado”, fazendo uma alusão aos créditos e às garantias de estado dados em abundância à economia com vista a um aumento de investimentos.  Aludiu, em particular, aos “projetos-mega” a serem postos em prática, sendo isso um tópico especial.

“Os planos enormes” (140 projetos-mega no total!) – isto é um novo “cartão-de-visita” de Sr. Erdogan.

Uma parte disso já está posta em prática:

- os túneis ferroviário e rodoviário debaixo do fundo do  Bósforo (“Marmaray”). As autoridades afirmam que o “Mamaray” é capaz de resistir a sismos de magnitude 9 na Escala de Richter (segundo os cálculos de sismólogos um terremoto forte é esperado no futuro próximo).

- a maior mesquita no mundo, segundo as afirmações das autoridades situada num morro nas proximidades do Bósforo, capaz de acolher 38 mil pessoas. 

- a ponte através do golfo de Izmit do mar de Mármara e  a terceira ponte através do Bósforo destinados para aliviar a situação com o tráfego em Estambul e na estrada Ancara – Estambul, com o tráfego excessivo,  maior o país. Aliás, os automobilistas turcos não se apressam com  o aproveitamento desta rotas por causa das tarifas de passagem demasiadamente grandes.

- o novo palácio presidencial na reserva natural em Ancara, 30 vezes  maior do que a Casa Branca e 4 vezes  - do que o Versalles. Na opinião de especialistas, não existe qualquer outro chefe do estado que tenha a residência igual em tamanho e luxo.

- nos arredores de Estambul está chegando ao término a construção do maior aeroporto na planeta com a planejada circulação de 150 milhões de passageiros por ano (o recordista atual – o aeroporto de Atlanta atende 95 milhões de passageiros por ano). Com isso o aeroporto internacional Atatürk que se encontra na parte europeia da cidade será fechado apesar de seu funcionamento bom. O novo aeroporto está à distância de 63 quilómetros da cidade, o metro  não vai para lá, e ainda não se sabe bem, como dezenas de milhões de passageiros iriam chegar a este porto aéreo.   

- e finalmente o maior projeto-mega – isto é o “Canal de Estambul” que irá ligar o mar Negro com o mar de Mármara indo paralelamente com o Bósforo. As autoridades planejam organizar um concurso para sua construção já este ano e terminar a obra em 2023, - para o centésimo aniversário da República da Turquia. Espera-se que o canal dé um alívio ao Bósforo com a limitada capacidade diária de tráfego de 130 navios, e também reduza a possibilidade de desastres tecnolôgicos na cidade densamente populada. Segundo as estimativas oficiais o projeto custará 15  bilhões de dólares, mas praticamente não há dúvidas de que o custo final sairá muito mais caro. Aliás ainda não se sabe se os armadores estiverem dispostos a pagar a travessia do canal novo sendo que, em conformidade com a Convenção de Montreux, a Turquia deve deixar navios estrangeiros passar pelo estreito gratuitamente. 

Muitos cientistas têm receios de que a construção do canal resulte na violação do equilíbrio natural entre o mar de Mármara, mais quente e salgado, e o mar Negro, menos salgado e quente. A eflorescência algal possível no mar de Mármara poderia resultar em consequências desastrosas para a flora e a fauna marítima, e Estambul para sempre estaria penetrada do odor de sulfeto de hidrogênio. Além disso, na opinião de peritos, o derrubamento inevitável das florestas e a destruição das fontes de água doce ao sul da megalópole causaria ao agravamento da situação ecolôgia na região em geral.

As autoridades afirmam que a parte leonina de despesas com os projetos-mega é atribuida aos investidores privados, mas os investimentos são garantidos com a propriedade do estado (basicamente com lotes de terra), e além disso, o estado promete indemnizar gastos do capital privado, se a exploração de novos objetos não trouxer receitas. Por isso, na opinião de peritos, este empreendimento pode tornar-se uma mina de ação retardada sob a economia nacional. Não foi por acaso que o FMI aconselhou a Turquia ter uma atitude mais seletiva para com  a escolha de projetos-mega.

É claro que um efeito positivo destas inciativas contribue para aumento do prestígio do regime governante nos olhos dos eleitores, mas dúvidas de que a economia nacional resista a uma carga destas são mais do que oportunas. O custo preliminar (!) total dos projetos equivale 325 bilhões de dólares com o PIB 849 dólres (2017).  Simultaneamente, segundo os dados do Centro Turco da Pesquisa político-externa e econômica (EDAM), o défice corrente da balança comercial do país atingiu 40 bilhões de dólares, a dívida pública externa consolidada está chegando a metade de trilhão de dólares, o total de dívidas de curto prazo – a 170 bilhões de dólares, a necessidade de finaciamento externo anual da economia atingiu 20 bilhões de dólares (edam.org.tr).  Com isso, uma hipotética renûncia às obrigações custosas pode, por seu turno,  prejudicar o prestígio do país constatando sua falência  econômica.

A situação econômica, bastante longe de ser a mais positiva, resulta em restrições inevitáveis na política externa de Ancara. Na opinião do diretor do Centro de Pesquisa Econômica junto ao Instituto da Globalização e dos Movimentos Sociais, Vassili Koltachôv, o problema mais grave da economia da Turquia, orientada à exportação é ligado a sua escala relativamente pequena, e deixando de tomar parte de projetos de integração a economia torna-se vulnerável a desafios internos e externos. “A integração da Turquia em alguma coisa enorme seria sua salvação”, - afirma Sr. Koltachôv. (eadaily.com)    

Nos marcos deste discuro parece evidente a opção entre as unidades políticas e econômicas do Oeste (a OTAN, a UE) e do Leste (a UEE, a OCX). Mas a renúncia do vetor ocidental na política externa, de facto promulgada por Sr. Erdogan, ainda não encontrou sua conclusão lógica na forma de uma aproximação real do Leste. A demais, a possibilidade mesma de distanciar-se do Oeste e de seus aliados seria problemática para a Turquia. Segundo as palavras de politicôlogo e jornalista, Barysh Doster, “não é a quantidade de votos dos eleitores que determina a política externa, mas o poderio do estado. A ligação da Turquia ao Ocidente tem um caráter estrutural e sua política não iria mudar para amanhã”. (t24.com.tr). E o relato preparado pelo Centro das Relações Internacionais e  da Análise Estratégica (TÜRKSAM) afirma que a deriva da Turquia em direção à Rússia, ao Irão e à China, a sua renûncia de facto as reivindicações de destituição de Bashar al-Assad resultariam numa deterioração das relações com a Arábia Saudita e com o Catar, as fontes principais de “dinheiro quente”, indispensável para um funcionamento normal da economia nacional. Além do mais, levando em conta o facto de a metade da exportação turca é feita atravews dos países da UE, não se deve esperar quaisquer mudanças cardinais do rumo da política externa. “A Turquia não tem a possibilidade de passar para uma outra liga,” – dizem constatando os peritos do TÜRKSAM. (turksam.org)

Apesar disso a Turquia ultimamente está praticando uma política de vários vetores, nitidamente traçada. E não se pode pôr de lado o fato de a Rússia ser o segundo parceiro comercial da Turquia. No ano passado a circulação de mercadorias entre os dois países aumentou em 37 por cento alcançando 21 bilhão de dólares. A cooperação bilateral está fortalecendo-se de caju em caju causando uma irritação aberta por parte dos EUA.

Sobre este fundo os problemas econômicos continuam acumulando-se, e vitória nas eleições em junho   é, em certa medida, um empréstimo político dos eleitores dado a Recep Tayyip Erdoğan. As seguintes  eleições vão dar a conhecer a que ponto o presidente  conseguiria dominar os problemas sociais e econômicos do país.

 

A opinião do autor pode desencontrar-se com a posição da Redação.

As palavras proferidas um ano atrás pela Chanceler da Alemanha, Ángela Merkel,  de que a Europa não pôde  mais contar com os EUA  causaram um alvoroço no seio de  políticos e peritos europeus. Durante o  ano passado o semelhante ponto de vista parece ter sido tornado-se pratricamente dominante.   Em abril e maio do ano corrente foram a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, Presidente do Consselho da Europa, Domald Tusk, e o Presidente da França, Emmanuel Macron, que falaram da ameaça à UE por parte da “caprichosa administração” dos EUA e da necesidade de contar com suas próprias forças. Um pouco  mais tarde o Chanceler da Áustria, Sebastian Kurz, tambem expressou a opiunião de os EUA terem tornando-se um parceiro “cada vez menos seguro” quando se trata dos países europeus[i].    Os EUA, como que estando apressados com a confirmação destas avaliações, a partir de 1 de junho  estabeleceram taxas de importação de aço e de alumínio da Europa. A UE começou a empreender passos de retaliação. Foi a decisão de Donald Trump de abandonar o acordo nuclear com o Irão que deitou lenha na fogueira, acompanhada esta decisão de ameaças de sanções contra as companhias européias que continuem cooperando com Teerão. Durante os decénios anteriores, inclusive nos tempos da Guerra Fria, foi mais de uma vez que a Europa  teve “ressentimentos” com Washington, mas via de regra tudo se limitava com “queixas” rituias feitas em seguida. Agora parece que na administração da União Europeia e nos países-membros estão tornando-se cada vez mais ouvidas as vozes a favor de uma resposta “genuína” aos novos desafios da êpoca. Mas que ações podem ser empreendidas?

Poderíamos estar quase certos afirmado que a Europa não vai definitivamente tornar-se de cotas à América do Norte. Cumpre lembrar que nos tempos da primeira presidência de George Walker Bush os aliados europeus já defrontaram com a situação de uma queda brusca de interesse de Washington na parceria trans-atlántica. Durante os seguintes quatro anos a Europa conseguiu em uma grande medida restabelecer as relações estratégicas com os EUA, tanto mais que o establishment norte-americano (independentemente da pertinência partidária) continua com o consenso de a ordem mundial atual permanecer sendo vantajoso para os EUA. E as relações estreitas com a Europa são um elemento importante de seu desenvolvimento e consolidação. E agora também, na opinião do The Guardian, a UE deve  “fazer todo o possível para o fortalecimento das relações trans-atlánticas”. Mas com isso os europeus devem estar preparados para uns momentos nos quais “terão de atuar sozinhos”.

A que grau da “autonomia estratégica” pode chegar a atual Europa? De um lado, para o momento que vivemos  a maioria dos países-membros da União ultrapassaram a recessão econômica. A situação financeira e econômica geral da Comunidade está melhorando. Foram os partidários da unidade europeia que ganharam nas eleições nos Países Baixos, na França na RFA e, com reservass determinadas, na Áustria. Além disso, como pensam os otimistas, Donald Trump até poderia tornar-se um “estímulo” “para os líderes europeus, especialmente na França e na Alemanha para sugerir vias de solução dos problemas globais do mundo deixando atrás as questões europeias locais”[ii]. Finalmente, a guerra comercial desencadeada por Donald Trump e o abandono por Washington do negócio nuclear com Teerão serão um motivo genuíno para “demonstrar firmeza”. “Se a Europa faltar de arreganhar os dentes, sua opinião deixará de ser considerada na política internacional. Se a Europa fizer  concessões hoje, os EUA sempre vão imôr-lhe sua vontade no futuro”, - opina famoso economista norte-americano, Jeffrey David Sachs[iii].

Mais adiante vem uma fila das questões desconhecidas pelos europeus ou desagradáveis para eles. Quem aceitará o difícil e contraditório fardo da liderançã na UE? Depois da saída da Grã Bretanha que já é um fato consumado [iv] ao papel do líder (mais provavelmente coletivo) poderiam aspirar a Alemanha e a França[v]. E no decurso de 2017 Berlim e Paris tinham manifestado uma atitude unânime para com o conceito de movimento da UE  em direção a uma federalização maior. Uma estrategia destas visa, antes de tudo, a preservação do mercado comum da União e posteriormente poderia ser aproveitada no processo de implementação de decisões da política externa.

No entanto a ideia de delegação de poderes cada vez mais novos às instituições super-nacionais sempre causava debates veementes dentro da Comunidade. Durante os últimos 20-25 anos a “pressão da UE” provoca apenas uma rejeição cada vez maior por parte de muitas forças políticas não só em alguns países do Europa Central e do Leste, mas também na Áustria e na Itália[vi], sendo que esta política é associada com restrições na soberania[vii]. (A Grã Bretannha, como se sabe, decidiu abanbonar a União exatamente sob este pretexto.) Os processos políticos que se davam no fim de 2017  - na primavera de 2018 em Bruxelas, Budapeste, Varsóvia, Praga,  Viena e Roma[viii] é uma clara e inquietante comprovação de que a UE está defrontando com im dilema existencional na confrontação com os líderes nacionalistas da Europa Central com a Polónia e a Hungria à cabeça”[ix]. Entretanto são a crise da Área do Euro e o Brexit que permanecem na ordem do dia. Em resultado disso, constata o perito russo, Feódor Luquianov, “o futuro do continente não pareceu tão indeterminado desde os meados do século XX”. 

Além disso uma preocupação grande é causada por um “inevitável” aumento da influência da Alemanha, caso os planos de uma centralização ulterior do poder da UE forem implementados. “A herança histórica”, extremamente contraditória, continua não apenas nutrir o complexo de deficiência na política externa de Berlim, mas gerar as suspeitas dolorosas por perte da maioria dos vizinhos da RFA. A última circunstância tradicionalmente faz com que muitos países europeus “pequenos” mantenham relaçõoes geopolíticos com os EUA, estreitas ao máximo – até em prejuizo à ordem do dia europeia comum [x]. Quе estrutura dentro da UE, atual ou hipotética do futuro, poderia garantir aos seus membros “a proteção política de um contra outro” comparável com a norte-americana? Parece que depois da formação do novo governo na primavera deste ano em Berlim não tem a resposta a esta questão. Paris, por seu turno, viu-se obrigado a conceder um tempo cada vez maior às reformas domésticas de uma grande envergadura e dolorosas.

No plano das questões militares e estratégicas as capacidades conjuntas da UE são relativamente comparáveis com as norte-americanas, tendo em vista o componente quantitativo, mas não o qualitativo. Mas a aliança militar dos países da UE, segundo disse a Chanceler da RFA, Angela Merkel, permanece “em estado de embrião”. É notório que saõ os EUA que formam o elo básico de sistema que faz com que as relativamente separadas forças dos europeus tornem-se uma força de combate real enquadrada na OTAN, na qual os EUA desempenham um papel-chave do ponto de vista de intelegência, abastecimento e deslocamento das tropas, bem como  de uma série de outras questões. No período atual nenhum membro da UE seria capaz de adotar o papel do líder militar e político da Europa. A Grã Bretanha está abadonando a UE. Na Alemanha uma parte das principais forças políticas estão manifestando-se a favor da aproximação da Rússia. E os recursos militares da França estão sendo concentrados cada vez mais na luta contra a ameaça terrorista interna. Como um indício indireto de desconfiança nas perspetivas militares não apenas da UE, mas até da OTAN, pode ser cosiderado o recentemente anunciado desejo da Polónia de instalar em seu território uma base militar norte-americana (fora dos mecanismos formais da OTAN).

As perspetivas da política externa comum da UE também são bastante indeterminadas. De um lado os valores da UE continuam sendo atraentes numa série dos países limítrofes – desde os Balcãs do Oeste[xi], em relação aos quais a Comissão Europeia já anunciou uma estratégia de admissão como os membros da UE prevista para os próximos dez anos, até a Ucrânia. Do outro lado “o entusiasmo com o alargamento da UE” entre os países-membros “esgotou-se em grande medida”, pensam os peritos do centro analítico norte-americano Stratfor. A demais, é pouco provável que as capitais da Europa do Leste gostem do objetivo real do modelo de reforma da União Europeia proposta pelos principais membros do clube “antigos”, - o de reduzir ao mínimo as possibilidades dos países da Europa Central e do Leste de aproveitar-se das contradições entre as potências mundiais.

Deste modo as capacidades da política externa da UE são muito limitadas, antes de tudo em virtude de ausência quase total de um omponente militar e de força, independente de Washington. A UE não tem em seu dispor um espetro completo de “instrumentos” geopolíticos e hoje limita-se principalmente com as alavancas financeiras e econômicas sendo no futuro visível incapaz de ocupar em caso de necessidade o lugar principal na manutenção de paz ou em sua estabilização na Europa.

No plano econômico com a saída da Grã Bretanha o orçamento anual da União Europeia diminuirá pelo menos em dez bilhões de euros. A Comissão Europeia já apresentou uma moção de redisribuir a parte do orçamento comum da UE destinada aos países  da Europa Central, do Leste e do Báltico a favor da Grécia, Itália e Espanha que sofrem do crescimento do desemprego e do afluxo de migrantes[xii]. O descontentamento legítimo dos habitantes do Leste europeu provoca novas batalhas que ameaçam “entravar ou até aniquilar os resultados dos processos de integração que se desenvolveram durante duas décadas, e num plano mais amplo coloca a questão: a UE é mesmo uma unidade à base do princípio de interesses econômicos comuns ou valores comuns?[xiii] Com tudo issso para o sucesso na competição global seria necesssária uma restrição ou até uma redução do “êxito principal da sociedade europeia do “bem-estar universal”, – dos seus sistemas sociais. Os membros antigos da UE falam disso em voz cada vez mais alta[xiv].

Entretanto as atitudes de Donald Trump para com a política econômica resultam em que numerosos analistas façam a conclusão de estar vindo uma nova êpoca na qual a rivalidade entre os partidários da globalização e do isolamento econômico (“nacionalismo”) vem à linha de frente. Neste caso as ideias protecionistas do atual chefe da Casa Branca podem encontrar a repercussão no seio de uma parte dos membros da UE, especialmente dos que têm medo do fortalecimento da influência alemã depois da saída da Grã Bretanha. E afinal o mercado estado-unidense continua tendo a importância-chave para a maioria das companhias europeias que ali têm suas filiais, e operam com suas ações através da bolsa de Nova Iorque. E ainda  não existe uma substituição disso que seria equivalente

Desta maneira as causas de ativação da busca de uma identidade independente na política externa e até na defesa na UE, como poderíamos imaginar, estão ligados antes de todo ao rumo da atual administração norte-americana. Entretanto os presidentes dos EUA são reeleitos a cada quatro anos, e novos passos da União Europeia em direção à independência estão diretamente ligados, antes de tudo, ao vetor da política trans-atlántica de Washington. No contesto disso a volta de uns dirigentes da UE e dos países-membros à retórica que trata de necessidade de “restabelecer” as relações com a Rússia (Junker, Macron, Merkel) pode ser dirigida à audiência política norte-americana. A “ameaça” europeia de ir a reboque de Trump e aumentar as divergências com os EUA é capaz de pôr de alerta muita gente em Washington. Os resultados das eleições intercalares a serem realizadas em novembro próximo em caso de serem desfavoráveis para para os republicanos podem fazer com que a Casa Branca abrande sua política na direção europeia.

Na própria Europa dá-se uma intensificação visível da luta entre os partidários do rumo à consolidaçaõ em prol de uma “autonomia estratégica”, ainda apenas ilusória, e os apologistas da “Europa das nações” com os países e as regiões a edificarem as relações mútuas e as com o mundo externo baseando-se, antes de tudo, em objetivos e tarefas nacionais. (Sendo que os partidários da manutenção da liderança norte-americana existem em ambos os “campos”.) AEuropaatual é “destroçada.  As relações comerciaiss com tal Europa provavelmente seriam mais fáceis, mas sua capacidade de tomar parte de um tal “negócio grande” continua estando sob questão.     

A opinião do autor pode desencontrar com a posição da Redação.

 


[i] https://www.rbc.ru/rbcfreenews/5b0bb0089a7947c05feeecdf?from=newsfeed

[ii] Lawrense Henry Summers | The Washington Post A Civilização Ocidental e a Hipocrisia do Presidente 13 de julho, 2017

A tradução russa: https://www.inopressa.ru/article/13Jul2017/wp/west_trump.html

[iii] https://www.inopressa.ru/article/29May2018/welt/sachs.html

[iv] No fim de maio vieram notícias de que os euro-céticos britânicos suspeitaram o governo de terem intenções secretas de ficar na União Europeia. Os receios surgiram depois de terem sabido que os oficiais do  governo decidiram destinar centenas de milhares de libras esterlinas para as eleições  para o Parlamento Euiropeu. https://www.newsru.com/world/27may2018/secretly.html

[v] A RFA – um quarto do total da economia da UE à exeção da Grã Bretanha; a França – 18%  do total da economia da UE à exeção da Grã Bretanha . Calculado à base de https://en.wikipedia.org/wiki/World_economy (os dados segundo a cotação nominal).

[vi] Veja em mais pormenor: https://interaffairs.ru/news/show/19692

[vii] https://www.foreignaffairs.com/articles/central-europe/2018-04-06/how-illiberal-leaders-attack-civil-society

[viii] Em dezembro de 2017 pela primeira vez na história a Comissão Europei decidiu iniciar o processo de introdução das sanções contra a Polónia por causa da violação da supremacia do direito. Anteriormente na França ambos os partidos políiticos principais - os socialisstas e os republicanos – sofreram uma derrota total nas eleições presidenciais e parlamentares. A partir do outono  de 2017 até a primavera de 2018 a Alemanha estava atravessando “a mais grave crise polítiica desde sua unificação”. Em dezembro de 2017 na Áustria foi formado o governo de extrema-direita que ostentava a decisão de limitar as esferas de influência da União Europeia. Em 2018 na Hungria o “euro-cético”, Viktor Orbán, foi reeleito para o cargo de Primeiro Ministro. Em fim, em maio de 2018 na Itália os “euro-céticos formaram o governo.

[ix] http://www.ipg-journal.io/regiony/evropa/statja/show/novyi-vostochnyi-blok-gotov-441/

[x] Além disso,a economia da RFA sendo bastante ponderável ainda é quatro vezes menor do que a norte-americana.

[xi] https://www.inopressa.ru/article/31May2018/lemonde/serbe.html

[xii] https://www.bloomberg.com/news/articles/2018-05-29/eu-regional-aid-for-east-europe-to-shrink-in-post-brexit-budget

[xiii] https://www.bbc.com/russian/amp/features-43158639?__twitter_impression=true

[xiv] http://www.globalaffairs.ru/redcol/Evropa-v-sebe-19375

Que tarefass imediatas tem o BRICS considerando o facto de a situação internacional tornar-se cada vez mais complexa? Uma resposta a esta questão foi dada pelos participantes da mesa redonda em Moscou dedicada ao papel e à unificação desta aliança no mundo contemporrâneo.

Gostariíamos de lembrar que em 28-31 de maio em Joanesburgo (RAS) terá lugar o memorável décimo Forum Académico do BRICS. O еncontro da comunidade de peritos é tradicioonalmente promovido em véspera da cúpola dos líderes dos países do BRICS que este ano será realizado em 25-27 de julho,  também  em Joanesburgo,  e visa elaborar recomendações coordenadas para desenvolvimento e aperfeiçoamento da associação.

O diretor executivo do Comité Nacional para a Pesquisa do BRICSdiretor do Centro da Estratégia da Rússia na Ásia junto ao Instituto da Economia da ACR,  professor-catedrático do IERE (U) do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Gueorgui Toloraia, disse que atualmente nos quadrantes do BRICS são realizadas até 100 encontros anuais dedicados a 70 temas.  Inicialmente a interpretação da atividade do BRICS  nosmeios de comunicação em massa teve um caráter sensacional, mas nos últimos tempos materiais deste gênero tornaram-se consideravelmente mais raros. Isso teve suas razões objetivas. Coomeçou funcionando o Banco Novo de Desenvolvimento do BRICS, no entanto não sendo este tão popular como se podia esperar. O Banco Novo é ultrapassado pelo Banco Asiático de Invesstimentos Estruturais criado por iniciativa da China. Além disso o papel do grupo BRICS como um reformador do sistema das relações internacionais e da arquitetura da administração global permanece insuficientemente ativa. Isso se dá em particular sob a influência das contradições entre a Índia e a China: as relações atuais entre estes países têm muito a desejar.

Com que se destaca a presidência da RAS no BRICS? Segundo disse Sr. Toloraia, Pretória etá  dando uma atenção epecial ao formato da cooperação regional ssegundo o vetor “Sul-Sul”. Os problemas mais urgentes na ordem do dia  na RAS continuam sendo os da desigualdade soscial, saúde pública, emancipação de mulheres e da implementação das tecnologias de vanguarda.   

Além disso a África do Sul está propondo a iniciativa de criar um grupo pacificador unido  capaz de contribuir para a solução de conflitos no continente africano. A esta questão foram dedicadas consultas repetivas ao nível de sherpas e souz-sherpas. Na opibnião de Sr. Tloraia seria seria útil concentrar a atenção na análise das práticas mundiais da solução de problemas semelhantes e tentar criar  à base do BRICS uma rede de contatos que tornem possível mandar as partes conflitantes sentar-se à mesa de conversações. A luta contra o terrorismo e a prevenção do tráfico de drogas mantêm sua atualidade como as questões da segurança nacional e internacional discutidas nos marcos de encontros de representantes altos dos países do BRICS.  

O regente da cadeira das relações exteriors e da política externa da Rússia do IERE do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Boris Martynov, sublinhou que os contatos na esfera de ensino e ciência desempenham um papel importante no plano de desenvolvimento das relações dentro do BRICS. No entanto o papel principal pertencerá não ao ensino, mas à elaboração de valores básicos comuns – uma filosofia nova da globalização a qual permitiria superar a atitude “ocidentecentralizada” para com o desenvolvimento do mundo contemporrâneo e propôr sua própria alternativa. 

“O BRICS necessita um sistema comum de valores o qual faria com que seus particiupantes possam sugerir um modelo alternativo da globalização que seja mais justa”. (Boris Martynov)

Simultaneamente as contradições dentro do BRICS têm um caráter totalmente objetivo relacionado a facto de todos os países-membros da aliança pertencerem a diferentes civilizações, usarem idiomas diferentes e terem experiências históricas diferentes. Não obstante a lógica do desenvolvimento mundial poderia resultar em nivelação das contradições exitentes, sendo então os problemas atuais do mundo resovidos dentro do formato do BRICS, mas não nos marcos das Nações G4.    

Conselheiro superior do dirigente do Centro Analítico junto ao Governo da Federação da Rússia, professsor ordinário da Universidade Nacional de Pesquisa da Escola Superior da Economia, Leonid Grigoriev,  disse que cada país do BRICS trabalha a seu modo com vista à implementação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Estável e das 168 tarefas respetivas que em 2015 foram vocalizadas na Organização das Nações Unidas. Todos os cinco países enfrentam desafios sociais e econômicos complicados. O poder aquisitivo atual na Índia é de 6 mil dólares norte-americanos;  na RAS – 12 mil dólares, no Brasil – 20 mil dólares, na Rússia – 24 mil dólares. Com isso, segundo disse o economsita, a República da África do Sul defronta com um aumento potente do número de imigrantes procedentes dos páises situados ao sul do Congo. Este fator da pressão demográfica resulta em que o país apesar dos esforços empenhados é incapaz de elevar os índices do PIB. A Rússsia e o Brasil estão numa situação consideravelmente melhor, mas estes países apenas começaram a ultrapassar a crise financeira e econômica.  

Segundo Sr. Grigoriev, a questão de combinação das possibilidades do intercâmbio na esfera de ensino e das possibilidades do desenvolvimento inovativo, da formação de pessoal de engenhaeria e industrial permanece como a mais urgente na política de ensino dos países do BRICS. Entre os desafios mais graves da atualidade a serem atendidos pelos países do BRICS  figuram os problemas da desigualdade social (especialmente no plano “cidade-campo”) e o problema de gêneros alimentícios no continente africano causado pelo crescimento impetuoso da população enquanto os problemas básicos continuarem por ser resolvidos. Na opínião da maioria de demógrafos, a população da África que agora atinge 1 bilhão de pessoas, em 2040 aumentará em duas vezes. 

Diretor programático do Clube Internacional de Debates “Valdai”,  economista-chefe do Banco Eurasiático de Desenvolvimento, Yarosláv Lissovólique, notou que as contradições da  economia mundial permanecem na mesma, e a missão dos países do BRICS consiste em neutralização dos fatores negativos do desenvolvimento mundal. O perito considera como um perigo especial a política protecionista que algumas potências mundiais inclusive os EUA, procuram praticar, o aumento das taxas do Sistema Federal de Reserva dos Estados Unidos e, como uma consequência, o aumento volatil de flutuação do câmbio.

Sr. Lissovólique vé como o de uma grande perspectiva o desenvolvimento das relações entre os países do BRICS  dentro do formato “BRICS mais” sugerido pela China. Uma atitude destas prevé um desenvolvimento das relções financeiras e econômicas à base das grandes associações regionais que já existem (o MERCOSUR, a ASEAN, a Zona do Comércio Livre da Ásia Meridional, a União Aduaneira da África Austral). A semelhante atitude já despertou interesse por parte de participantes grandes do processo econômico mundial, tais como a  Turquia, a Argentina, a Indonésia. Um papel considerável poderiam representar a União  Econômica Eurasiática (UEE) e  a iniciativa “Cinturão e a Rota da Seda”. Desta maneira a cooperação internacional tornar-se-ia uma real “integração das integrações” levando em conta os interesses de todos seus participantes. O perito também qualificou como  positivo o crescimento do giro entre a Rússia, a Índia e a China. 

Entretanto a Rússia está preparando-se para a presidência do BRICS  a partir de 2020. Uma das mais importantes propostas de Moscou a qual mais provavelmente terá sido promovida ao nível internacional está ligada à criação de uma plataforma energética unificada dos países-membros da aliança. No entanto, na opinião de Gueorgui Toloraia, esta tarefa exigirá um trabalho longo e minucioso. Como resulta das consultas preliminares sobre  esta questão, os nossos países ainda não estão preparados para uma interação nos marcos de um formato destes.  Por isso o projeto inicial transformou-se na ideia de uma agência energética que posteriormente se tornaria uma associação energética e afinal – uma união de perícia.

Gueorgui Toloraia salientou que antes da criação do BRICS as relações econômicas, finaceiras e culturais internacionais desenvolveram-se como uma parte do processo da globalização encabeçado pelos países do Ocidente, antes de tudo pelos EUA, que velaram pelos seus próprios interessses e atuaram segundo suas regras. Durante o período do tempo que passsou desde o momento da fundação da associação os países-membros conseguiram formular os interesses comuns e abandonaram as atitudes recíprocas praticadas através do “ótico” ocidental.   O BRICS tem plena oportunidade de dar sua contribuição para a criação de condições da cooperação internacional, mais justas e iguais em direitos.

 

A proclamação (com a imediata suspenção “para conversações”) da independência de  uma das autonomias da Espanha –a Catalúnia- provocou veementes debates de peritos e políticos (os separatistas catalãos marcaram a reunião decisiva do parlamento para a quinta-feira; 26 de outubro, informa a agência AP referindo-se a um representante da coligação sepaparatista catalã). newsru.com A questão é velha como a Paz de Vestfália: que correspondência tem o direito de povos à autodeterminação com o princípio de inviolabilidade de fronteiras e a que medida os acontecimentos na Catalúnia podem ser projetadas para o futuro da União Europeia em geral?

Os partidários da integração europeia sempre apoiaram a ideia de que a superação das tradições do nacionalismo europeu herdado dos tempos anteriores foi uma das tarefas estratégicas da União Europeia mais importantes. No entanto a reação da UE à desintegração da URSS e da  Iugoslávia com praticamente incodicional (e na opinião de criíticos até provocatoriamente precipitado) reconhecimento de novas formações estatais (talvez a excepção do Côssovo [i]) fez com que os partidários da independência regional dentro dos “antigos” membros da UE tivessem a impressão de que a afiliação direta à UE seria o melhor modo de solução de todos os problemas que se tinham acumulado nas relações com os governos centrais.

Este ponto de vista tem seus próprios motivos porque a UE garante aos seus membros um amplo mercado inteiro, a integração num dos maiores blocos comerciais do mundo, instituições de manutenção da segurança interna e de proteção dos básicos interesses de política externa que estão em funcionamento. As condições iniciais tão benévolas parecem bastante atraentes para muitos territórios dentro da UE, onde existe uma oposição “realmente séria e historicamente baseada”.   Flandres no norte da Bélgica, a Córsega francesa, a Escócia, a Irlanda do Norte e o País de Gales, o Tirol do Sul que se encontra na Itália junto à fronteira com a Áustria, - alí se não houver intenções separatistas diretas, mas existe a história que pode ser despertada, a Lombardia [ii] italiana e certamente o País Basco [iii].

Os céticos que duvidam de vitalidade da estratégia da UE visando um aprofundamento ulterior da integração dizem que o Brexit sera´somente o primeiro precursor da inevitável transformação da UE em uma federação das regiões. O fato de a Grã Bretanha ter abandonado a UE é prenhe pela bastante provável separação da Escócia com a admissão apressada na UE (a mais forte e por isso a mais “tentadora” retaliação a Londres pela “traição”) inevitavelmente daria um novo arranque  à “regionalização” de muitos países-membros da União Europeia. O resultado seria uma fragmentação territorial (“balcanização”) da UE que  se inicará, o mais tardar, nos anos de 2020 quando dezenas de nações “sob-europeias”   aproveitar-se-aõ dos mecanismos e das instituições da UE com vista à autodeterminação e à edificação da sua própria subjetividade, nominalmente estatal segundo a forma e  inalienavelmente euriopeia comum segundo a essência. Além dos territótios mencionados no parágrafo anterior por este caminho podem em potencialidade optar a Bretanha, a Alsácia, a Frísia – uma região histórica nas costas do mar do Norte por entre dos Países Baixos e a Dinamarca, - a Galiza, a Cornualha e a Ilha de Man[iv].  

Um argumento importante a favor de um desenrolar de acontecimentos destes também seria o facto de todos os neo-separatistas europeus desejarem abandonar apenas a jurisdição de seus estados nacionais, mas nunca jamais – a da União Europeia apelando com isso praticamente a um conceito de desenvolvimento ulterior da UE que, na opinião de muitos peritos, tem a mais grande pespetiva, a de sua federalização genuína. Os euro-burocratas terão dificuldade resistindo a ideias semelhantes, porque seria mais fácil criar um genuíno governo da Europa se os membross-sujeitos forem um conglomerado de formações estatais aproximadamente iguais segundo a população e o potencial econômico no qual não existem nem líderes nem outsiders  patentes.  Tal estado das coisas faria com que o peso político da Comissão Europeia esteja a um nível qualitativamente novo. Consequentemente os partidários de federalização da Europa devem saudar o enfraquecimento de estados nacionais o qual somente permtiria dar um novo passo na federalização europeia. (Os federalistas que ocupam cargos oficiais nas instituições europeias com isso ficam numa situação especialemte melindrosa tendo que defender em público a inegridade territorial da Espanha pelo menos por causa de consequências geopolíticas de sua desintegração que são absolutamente imprevisíveis.) 

Deste modo o próprio debate do futuro da UE, a colisão de atitudes para com uma nova etapa na implementação do projeto da Europa unificada geram uma nova onda de aspirações separatistas. O caso intrincado da Catalúnia descobriu as contradições entre os partidários de prosseguimento da integração da UE à base dos princípios da globalização e os defensores da preservação de uma parte considerável da autonomia política dos países-membros soberanos. Em que direção seria preciso seguir: para uma Europa das nações, para uma Europa das regiões ou  para uma genuína federação europeia?

Também são as diferenças na interpretação das normas do direito intertacional que causam confusão nesta questão. Estas normas ewm particular não prevêem a possibilidade de separação de territórios de qualquer país a excepção de casos de ambas as partes concordarem com isso. Do ponto de vista do direito internacional uma parte da população dentro de um país mono-nacional mesmo tendo  uma determinada identidade nacional não é um povo que possa apelar ao direito à autodeterminação, notam juristas da RFA. Assim, conforme o direito internacional, os albaneses do Côsssovo também não são um povo particular[v]. 

Não obstante a maioria dos países da UE reconheceu o Côssovo como um estado independente. No entanto no caso da Catalúnia a Comissão Europeia prefiriu adotar uma posição que, na opinião de críticos, tem o caráter de um contraste clamante com as suas próprias atitudes para com situações análogas no estrangeiro. Entretanto a experiência histórica testemunha que tarde ou cedo comunidades sociais impulcionadas pelo sentimento de particularidade nacional triunfam na luta (rivalidade) com uma entidade estatal que contem as ambições delas. Em seguida o direito internacional e as instituições da UE adaptam-se seguramente a uma nova realidade[vi]. Surge a pergunta: por quanto tempo a Comissão Europeia e os governos nacionais poderão convencer si próprios e os outros de que a opinião ao menos da metade dos catalões deve ser menosprezada?

Com isso a reação à crise catalã  por parte dos dirigentes da UE e dos países-membros hoje é vista como praticamente o melhor remédio contra a “balcanização”. A passividade do establishment europeu – a ausência quase total de qualquer reação  aos pedidos de Barcelona de mediação externa faz com que a indeterminação entre Madrid e as autoridades da Catalúnia seja protelada. A coligação política que está apoiando a independência sofre de erosão e de contradições táticas e ideológicas que estão crescendo rapidamente. Entretanto um número cada vez maior de estruturas comerciais que se baseiam na Catalúnia informam de transferência de seus quarteis-generais e dos principais torrentes financeiros para fora da região deprivando os partidários da independência de um dos mais importantes sustentáculos – o financeiro e econômico. 

Em geral, na opinião do semanário britânico “The Economist”, separatistas em potencialidade existentes nos países-membros da UE hoje não tem quaisquer fundamentos de supor que a Comissão Europeia estaria disposta a apoiar pelo menos uma de iniciativas semelhantes. Esta ideia é explanada pelo semanário francês “Le Monde”: “Cada país-membro interressado no projeto europeu percebe com clareza: entrando na União Europeia os estados nacionais concordaram em recusar-se a uma parte da sua soberania em troca do bem-estar geral e à estabilidade, inclusive a estabilidade das fronteiras existentes simultaneamente de sua liquidação de fato”, - diz o artigo. “Se a Europa for incapaz de garantir a estabilidade das fronteiras dos países-membros (o que é o primeiro indício externo da soberania) estes países deixarão de ser interessados em ser uma parte do conjunto. Privados das garantias do estatus das suas fronteiras os países voltarão a restabelecer a sua soberánia e isso seria o fim do projeto europeu”[vii].

Uma separação possível de quaisquer territórios dos países-membros da União Europeia é litigiosa também do ponto de vista do direito da EU. Assim conforme a Cláusula 4 do Tratado sobre a UE, “a União respeita as funções básicas do  estado, especialmente as que visam assegurar sua integridade territorial”. Apesar do “pragmatismo e otimismo” da UE que demonstrava a arte de “adaptação à realidade”,  em Bruxelas avisavam mais de uma vez que a Catalúnia não se tornaria automaticamente um membro da União Europeia em caso de separação da Espanha. “A Catalúnia não pode tornar-se um membro da União Europeia na manhã após a votação”, - declarou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker salientando que em caso de declarar a independência a Catalúnia terá que apresentar um  pedido de admissão na UE. Seria difícil de imaginar que qualquer outra região da Europa unificada que tente declarar-se um país soberano nestas circumstância possa manter o euro como a moeda ou o acesso ao mercado interno da UE. Com isso para bloquear o ingresso na UE de uma formação separatista bastaria que apenas um dos países membros se  pronuncie contra isso. Não há dúvidas que o país – “vítima” do separatismo vote exatamente assim. Em caso da Catalúnia à Espanha podem aderir outros países  tendo medo de que o caso da região espanhola crie um precedente[viii].

Se as potências externas são capazes de exercer uma séria influência sobre as tendências separatistas nos países da UE? A própria existência da União Europeia é a melhor garantia da integridade territorial dos seus membros, diz  com certeza “The Economist”.  Mas parece mais provável a variante que seria possível em caso de malogro da reforma declarada pela União Europeia: a estratificação da UE em macro-regiões com “velocidades diferentes” ou com a orientação diferente na economia e política externas, compostas de vários países que tenham interesses semelhantes. O autor já tratava mais de uma vez de receios deste gênero analisando um vertiginoso crescimento da influência da China em uma série dos países do centro e do leste europeu.  

Que atitude deve ter a Rússia para com as reivindicações de independência por parte de quaisquer territórios ou povos? Até idealistas que exortam a atuar “não renunciando” aos princípios altos de defesa do direito de povos a decidir de seu destino chegam finalmente à conclução de racionalidade de decisões deste gênero adotadas à base de pragmatismo dos interesses nacionais. “Então, devemos apoiar ou não os que estão nas posições de autodeterminação inclusive a separação dos seus países de hoje? Estaquestãonãotemumarespostadesentido único. Quando as circumstâncias estão a favor deste apoio, devemos apoiar. Quando as circumstâncias dizem o contrário, devemos ser reservados”[ix].  


[i] Até agora 23 dos 28 membros da UE reconheceram a independência do Côssovo. Os que não a reconheceram: a Espanha, A Eslováquia, o Chipre, a Roménia, a Grécia.  

[ii] Em 22 de outubro de 2017 nas duas regiões mais ricas do norte da Itália, a Lombardia e o Vêneto, foram feitas sondagens no que diz respeito à concessão de uma autonomia mair. Segundo informa a BBC, referendums de autonomia são totalmente legítimos na Itália. Conforme a cláusula 116 da constituição as regiões tem o direito a exigir uma autonomia mair de Roma. Aliás não se trata da independência das regiões da Itália porque os referendums tem o caráter de recomendação, i.e. seus resultados não obrigam o governo a fazer alguma coisa.    No entanto resultados positivos permitiriam a administração regional reivindicar uma independência maior, antes de tudo a financeira.

[iii] http://www.globalaffairs.ru/redcol/Chto-budet-esli-Kataloniya-provozglasit-nezavisimost-19059

[iv] https://fbreporter.org/2017/10/06/are-you-trying-to-usa-balkanization-of-europe/

[v] http://p.dw.com/p/2lbKn?tw  (Deutsche Welle)

[vi] http://www.eurocontinent.eu/2017/10/catalonia-the-geopolitical-challenges-for-eu/

[vii] https://www.inopressa.ru/article/11Oct2017/lemonde/balkanisation.html

[viii] http://p.dw.com/p/2lbKn?tw  (Deutsche Welle)

[ix] https://regnum.ru/news/polit/2332725.html

 

 

 

O 19-o congresso do Partido Comunista da China (PCC) que se encerrou em Beijing em 24 de outubro tornou-se um dos mais fechados foruns na história contemporrânea do partido comunista no “Império Celeste”, - inclusive por causa da urgência das questões de pessoal que lá estavam sendo solucionadas à luz da luta de uma escala grande contra a corrupção promovida pelo secretário geral do partido e presidente da RPC, Xi Zin Ping que na sua intervenção formulou o componente anti-corrupcional da política do partido da seguibte maneira: “Vamos  pôr tigres em pratos limpos, varrer moscas fora e caçar raposas”, - isso significa um combate contra os abusos a toodos os níveis das estruturas do partido e do estado. Como uma consequência desta luta e também do processo geral de rejuvenecimento dos órgãos administrativos do Partido Comunista da China (70 anos de idade é o “limiar” do ponto de vista da preservação de pertinência ao Comité Central do PCC), durante o atual congresso mais de metade dos membros do CC do PCC foram substituidos. A composição do burô político  do CC e do seu comité permanente também teve serías transformações.

Xi Zin Ping também introduziu corretivos fundamentais no conteudo dos chamados 14 princípios do “socialismo com a especificidade chinesa” ascendentes ainda aos tempos de Deng Xiaoping. Foi o fortalecimento da influência internacional do país ao qual o presidente da RPC no seu discurso propôs atribuir a maior importância além da luta contra a corrupção e da solução dos problemas ecolôgicas. Segundo o horário que Xi tornou-público no fim do período do tempo até 2025 a China deve “alcançar o nível dos países-líderes do tipo inovativo” e até 2050 – transformar-se em uma potência “rica e poderosa, democrática e civilizada”. Até aquele mesmo ano o Exército Popular de Libertação  da China deverá tornar-se uma “força da classe mundial”, - realçou Xi no seu descurso inesperadamente longo (3 horas e 23 minutos). 

É o aspeto internacional na política de perspetiva da China que representa um interesse especial no contexto do atual forum do partido comunista considerando indubitavelmente a crescente atividade geopolítica da China na região e no mundo em geral. O relatório de Xi Zin Ping contem uma afirmação fundamentada de que o “poder brando” e influência internacional da China têm sido aumentados consideravelmente e a “situação internacional do país tem alcançado um nível nunca visto”. “Chegou o tempo de nós sairmos ao procénio do mundo para começar a dar uma grande contribução para história da humanidade”, - sublinhou o presidente da RPC.

Devemos lembrar que segundo uma tradição os congressos do PCC não adotam documentos programáticos e declarações relacionadas às questões da política externa e conclusões de princío sobre o caráter das transformações é possível tirar baseando-se nas alterações do pessoal e também – da ierarquia das teses do relatório do próprio secretário geral.

Deste ponto de vista tem o caráter-chave a grande rotação de pessoal feita no 19-o Congresso que aumenta o peso do próprio Xi Zin Ping e também da mais nova geração de “tecnocratas”. Esta circunstância já deu fundamentos determinados para previsões dentro do espírito de que a China esteja deslocando-se “do modelo de administração coletiva para a concentração do poder nas mãos de uma pessoa”. (vedomosti.ru)

Uma situação destas por seu turno permite esperar no futuro um  crescimento da atividade da China na arena internacional tanto na esfera militar e política, como na financeira sendo estas esferas as de um interesse especial de Xi Zin Ping.

O componente econômico da expansão chinesa que causa uma inquietação especial ao presidente do EUA, Donald Trump, tradicionalmente tinha uma ligação direta com os fatores sociais e demográficos, antes de tudo a mão de obra barata, das quias Beijim aproveitava-se com uma grande eficiência.  Isso fez com que nos últimos anos o país tivesse mantido ritmos estáveis do crescimento econômico. No terceiro trimestre do ano corrente o produto interno bruto aumentou em  6,8%  no seu cálculo anual. Isso é um pouco mais baixo do que foi no trimestre anterior, mas também ultrapassa os índices estabelecidos pelo governo para o ano que vivemos. Durante os três primeiros trimestres de 2017 o crescimento do PIB da China no cálculo anual foi  6,9%, enquanto na anunciada pelo governo previsão anual foram previstos 6,5%. Além disso em 2017 pela primeira vez a partir de 2010 a economia da China pode demonstrar ritmos de crescimento superiores aos do ano passado (em o crescimento foi 6,7%).

Na sua intervenção durante a inauguração do Congresso a 18 de outubro, Xi Zin Ping sublinhou que durante os primeiros cinco anos de sua estadia no poder (Xi foi eleito Secretário Geral do PCC e o Presidente da RPC em 2012 no Congresso anterior) o PIB da China teve um crescimento de 26 trilhões de yanes ou 3,9 dólares. Além disso, segundo disse o líder chines, “conseguimos satisfazer as necessidades  básicas de mais de um bilhão de cidadãos do país”.

No entanto é exatamente a esfera social e econômica que logo pode ter alterações que dizem respeito ao funcionamento do próprio modelo nacional.  No seu relatório de contas ao Congresso Xi Zin Ping exortou à implementação “do sonho chinês de rejuvenescimento da nação” e também à uma transição acelerada para os princípios da “economia inovativa”. Isso e aquilo pode resultar em novo impulso dado ao desenvolvimento da China e da sua atividade no mundo ou - em aumento da instabilidade interna e das contradições políticas, inclusive nos círculos governantes do país.     

 

No dado contexto devemos tomar em conta os fatores e índices negativos que se acumularam na China. Em particular o presidente do Banco Popular da China, Zhou Xiao Chuan, está considerando uma séria ameaça os ritmos excessivamente altos de acumulação das dívidas de companhias e economias rurais. Na sua opinião o governo do país não deve demonstrar “um otimismo excessivo” porque a carga excessiva de dívidas na economia pode resultar em uma queda súbita dos mercados. Apenas as dívidas dos órgãos do poder local nas condições da ativa concessão de créditos hipotecários e crescentes despesas com a infraestrutura atingem por volta de 6,3 trilhões de dólares constituindo cerca de 51% da PIB.   .

Também os peritos internacionais concordam com o fato de o investimento crescente de empréstimos fazer com que aumentem os riscos econômicos de longo  prazo. “Os últimos dados mostram um quadro prometedor da economia que, com um olhar superficial, está avançando a todo o vapor. No entando por dentro continuam acumulando-se problemas potenciais do mercado financeiro ainda que por enquanto sejam invisíveis”, - opina, por exemplo, Esvar Prassad, professor em ciências econômicas da Universidade Cornell e antigo dirigente da seção chinesa do FMI. (vedomosti.ru)

É sintomático que na sua intervenção dando uma detalhada avaliação aos êxitos econômicos da China durante os últimos anos o presidente da RPC faltou de apresentar novas metas numéricas inclusive tradicionais para semelhantes forums objetivos relacionados à envergadura da economia nacional e ao nível do PIB percápito o que pode ser interpretado como a admissão da possibilidade se sua diminuição.  “Estas reticências provavelmente visam proporcionar às autoridades uma maior oportunidade de manobrar a fim de solucionar numerosos problemas estruturais”, - diz o perito do Centro de Pesquisa Estratégica e Internacional (CSIS) de Washington, Christopher Johnson. (vedomosti.ru)

O fato de Xi ter mencionado a necessidade de alterações no rumo econômico da China está diretamente ligado à intenção de Beijim de efetuar a política externa mais ativa. E em relação com isso devemos pôr em destaque especial as seguintes direções principais.

A primeira – a militar. A consolidação  das forças armadas, antes de tudo da marinha de guerra nacional adquire uma significação especial à luz de básicos pontos da política de Beijim na região (as relações com Taiwan e as disputas terriotoriais nos mares da China Oriental e da China Meridional. A dimenção naval da política externa da China também compreende a primeira base militar genuina no exterior do “Império Celeste” que foi instalado no ano corrente em Jibuti. Os problemas da consolidação do Exército da Libertação Popular da China também estão diretamente ligados às contradições territoriais com a Índia no Tibete.

A segunda dimenção – a euroasiática. Desde o momento do anterior 18-o Congresso do PCC Beijin tinha empenhado esforços sem precedentes com vista à promoção de seus projetos inclusive “O Sinturão Econômico da Rota da Seda” e “A Rota da Seda Marítima” orientados ao desenvolvimento dos corredores comerciais, de transporte e econômicos da Eurásia. Além disso a decisão da nova administração norte-americana de abandonar o Acordo de Parceria Econômica Estratégica Trans-Pacífico (TPSEP) proporcionou à China uma possibilide ímpar de tentar ocupar as posições de líder nos projetos de integração comercial e econômica  na Região da Ásia e do Pacífico    (e também a política baseada nisso).  “Donald Trump ocupou o cargo tendo prometido acabar com o balanço negativo no comércio com a China. E qual foi o primeiro passo que fez? – O de romper a Parceria Trans-Pacífica – o acordo comercial capaz de colocar os EUA à cabeça do bloco comercial dos 12 países feito em conformidade com os interesses e valores norte-americanos. Isso poderia eliminar por volta de 18 mil tarifas de mercadorias norte-americanas e assegurar o contrle sobre 40% do PIB mundial. EoChina  nãoestarianestebloco. Isso traz o nome de alavanca”, - faz uma observação irónica o diário estado-unidense “The New York Times” em relação com isso. “Trump destruiu a Parceria Trans-Pacífica para “dar uma satisfação aos eleitores” e agora não tem outro remédio senão pedir à China umas migalhas comerciais. E necessitando a ajuda da China para lidar com a Coreia do Norte tem uma possibilidade ainda menor de influir sobre as questões de comércio”, - faz uma conclusão o diário. (nytimes.com)

A terceira direção principal da política da China é exatamente o problema nuclear da Coreia do Norte. O papel que a China está desempenhando nisso é igualmente importante e contraitória, procedendo isso do seu estatus do membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e simultateamente do maior parceiro comercial e econômico de Pyongyang. Os EUA, a Coreia do Sul e o Japão estão invariavelmente exigindo que a China torne mais dura a pressão sobre a administração norte-coreana inclusive até um bloqueio econômico total. No entanto as reivindicações destas contradizem ao princípio da “força branda” na política externa que Xi acabou de confirmar mais uma vez e também – à consolidaçaõ das posições comerciais e econômicas da China na região e fora do seu território. É evidente que os princípios e as prioridades da política externa anunciados no 19-o Congresso do PCC serão testados muito em breve durante a planejada visita do presidente dos EUA, Donald Trump, a Beijim no decurso da sua volta asiática no início de novembro.  (vedomosti.ru)

Os planos ambiciosos da administração do partido comunista e do estado da China anunciados durante o atual Congresso do PCC coincidem objetivamente com os interesses da Rússia porque lançam alicerces para o aumento da cooperação bilateral. Isso diz respeito antes de tudo à esfera da energética que tem por obetivo abastecer com recursos energéticos as crescentes entidades de produção da China. O contrato entre a “Rossneft” e a companhia chinesa privada CEFC “China Energy” concluido no início do setembro último durante a visita a Beijim da delegação da Russia encabeçada pelo Presidente, Vladimir Putin, assegurará um crescimento súbito do fornecimento de petróleo russo à China já no final de 2017. “Neste ano forneceremos 40 milhões de toneladas de petróleo à China, - anunciou em 19 de novembro o Diretor  Executivo da “Rossneft”, Igor Setchin, - e no ano que vem acrescentaremos mais 10 milhões de toneladas. E vamos continuar fornecendo desta maneira durante os próximos cinco anos”. (vedomosti.ru)

Em resultado disso já no ano corrente o mercado chinês vai consumir 20% do petróleo extraido pela “Rossneft” e 32% da sua exportação. Simultaneamente, segundo diz Igor Setcin, a “Rossneft” e a CEFC estão prepando um “contrato de coperação” complementar para uma perspetiva mais longa. Um parceiro-chave da companhia petrolífera russa também é a Corporação Nacional de Petróleo e de Gás da China (CNPC). Segundo os resultados de 2016 a Rússia ocupa o primeiro lugar entre os fornecedores de petróleo à China com o índice de 52,5 milhões de toneladas por ano ultrapassando a Arábia Saudita (51 milhões de toneladas) e Angola e o Iraque com uma tradicional orientação ao mercado chinês.

Mais projeto energético prometedor nos marcos da cooperação da Rússia e da China é a construção do gasoduto principal “A Força da Sibéria para a transportação de gás dos centros de extração de Irkutsk e e de Iacútia aos consumidores russos no Extremo Oriente e também à China (“a direção do Leste”). Em maio de 2014 o acordo respetivo (o Contrato de Compra-Venda de gás russo na “direção do Leste”) foi assinado pela SAA “Gazprom” e pela CNPC. OContratoconcluidoparaoprazode 30 anosprevé fornecimento à Chinade 38 bilhõesmetroscúbicosde  gásporanoapartirdedezembrode 2019. (gazprom.ru)

 

Além dos fatores puramente econômicos a implementação dos projetos mencionados juntamente com o aumento da cooperação da Rússia e da China em outras esferas inclusive nos marcos das “rotas da seda” depende diretamente de estabilidade da situação política interna na própria China. E o 19-o Congresso do PCC consolidou esta estabilidade pelo menos para os anos mais próximos.  

 

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma nova estrategia em relação ao Irão. Foram feitas duas declarações básicas. A primeira – sobre o caráter inaceitável para os EUA do assinado em 2015 Plano de Ação Conjunto Global  (PACG) para o programa nuclear do Irão. A segunda – sobre as sanções a serem impostas contra o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica  (EGRI), o qual foi incluido na Lista das personalidades de categorias especiais e das personalidades proibidas libados ao apoio do terrorismo.

Logo cumpre dizer que o presidente Trump não retirou os EUA do PACG e não o denunciou limitando-se apenas com a recusa de confirmar o cumprimento do “acordo nuclear” pelo Irão (o que tinha feito mais de uma vez), ordenou examinar a possibilidade de alterar suas condições e também advertiu que a parte norte-americana pudesse rompe-lô a qualquer momento. No entanto Sr. Trump não especificou o método, os mecanismos, as vias e os instrumentos desta denûncia hupotética sendo que não se trata de um simpes documento norte-americano-iraniano bilateral, mas sim de um pato internacional, adotado e confirmado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Contrariando seu chefe o grupo de conselheiros de Donald Trump para a segurança nacional declarou que o Irão está cumprindo as condições do negócio. Esta é uma declaração totalmente fundamentada e lôgica porque foram oito vezes a partir da conclusão do acordo que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o principal controlador do programa nuclear da República Islâmica do Irão, tinha confirmado “o comprimento rigoroso pelo Irão dos seus compromissos  assumidos em conformidade com o PACG”. Por isso Donald Trump não tem qualquer motivo formal de romper o negócio.   

Alterar as exigencias em relação ao Irão nos marcos deste negócio – isso seria uma outra questão. Masissotambémseriapoucoprovável. Irão totalmente desaprova disso. O ministro das relaçoes exteriores do Irão, Mohammad Javad Zarif, declaro que Teerão não iria negociar o entendimento nuclear com as potências mundiais que ja foi aprovado.

O dirigente da Organização de Energia Atômica do Irão (OIAI), Ali Akhbar Salehi, confirmou que as condições  do PACG não podem ser revisadas e modo melhor seria observa-lâs.

Foram a  Rússia, a China e a União Europeia que também assinalaram que o PACG não necessita nem aditamentos nem apergeiçoamento. O vice-ministro das relações exteriores da Federação da Rússua, Serguei Ryabcov, fez um comentário gracioso em relação a isso: “Existe um provérbio norte-americano que os colegas por outro lado do oceano costumam usar em semelhantes situações: “Não se deve consertar aquilo que está funcionando”.

E o PACG funciona muito bem já durante dois anos e meio. A antiga vice-secretária do estado dos EUA e principal representante de Washington para travar negociações com os outros integrantes do grupo de seis mediadores ecom o Irão, Wendy Sherman, advertiu: “A demonstrada pelo presidente falta de vontade de   aceitar a verdade do entendimento com o Irão – que este entendimento funciona e evidentemente coincide com os interesses da segurança nacional dos EUA –  vai ter consequências profundas”.

Acrerscentaremos que os EUA naõ serão os últimos a sentir estas consequências sendo que os EUA vão inevitavelmente enfrentar desafios políticos, de prestígio e morais porque todos os participantes das negociações com o Irão (à exceção dos EUA) apoiam o PACG e se manifestam a favor da sua preservção criricando a posição assumida por Donald Trump.

Além disso o Irão que acabou de desfazer-se do regime de sanções tornou-se muito apeticível para a comunidade internacional de negócios. Praticamente todos os países da CE e também o Japão, a Corea do Sul, a China e os países do Sudoeste Asiático estão interessados no desenvolvimento das relações econômicas com o Irão manifestando-se contra uma mova campanha antiiraniana e contra novas sanções.

O PACG é um documento histórico importantíssimo que talvez fosse o primeiro, desde o início da era nuclear em 1945, redeando as ambições nucleares de um determinado país e colocando seu programa nuclear nos quadrantes rigorosos do direito internacional e das exigencias da AIEA. Este é um exemplo vivo do trabalho eficiente da diplomacia mundial que criou um precedente da confiança real das partes em nome da preservação do regime de não proliferação  das armas nucleares. O PACG pode tornar-se um modelo para a solução diplomática de crises regionais e globais.

É de notar que a Grã Bretanha, a Alemanha e a França estão destacando o aspeto de não proliferação nuclear do acordo afirmando que o acordo está cumprindo sua tarefa. Estes países pronunciaram-se a favor do PACG exortando os EUA a evitar ações que possam mina-ló minando assim o regime inteiro de não proliferação das armas nucleares.

Segundo dizem os meios de comunicação social Londres, Paris e Belim exortaram Washington a “tomar juizo”. O presidente da França, Emmanuel Macron, informou de sua futura visita ao Irão e dirigente do ministério do exterior da Alemanha, Sigmar Gabriel, declarou que a política da Casa Branca estgá repelindo a Europa dos EUA e, mais do que isso, a instiga para a aproximação  da China e da Rússia.

No início de novembro o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, visitará Teeraõ para travar conversações com o Presidente da República Istlâmica do Irão, Hassan Rohani. A questão do futuro do PACG certamente serã incluida na ordem do dia juntamente com outros problemas a serem debatidos. Moscou mais uma vez vai confirmar seu apoio a este documento internacional.

A destruição do PACG por parte dos EUA inevitavelmente iria minar a confiança na América do Norte e, o que seria a coisa mais negativa – a confiança em quaisqier negociações sobre os problemas nucleares dos “países de limiar” que aspiram ter armas nucleares, antes de tudo a Corea do Norte,  e posteriormente à queda do regime de não proliferação do armamento nuclear.

Tudo isso, de um modo ou de outro, fará com que os EUA tornem-se um país polear deprivado dos direitos morais a exortar qualquer que seja a negociações e novos entendimentos nucleares.

Não é de excluir que sabendo das consequências de sua decisão de abandonar o PACG Donald Trump absteve-se de uma declaração irreversível final da saida do PACG transferindo a responsabilidade ao Congresso por causa da situação interna exclusivamente difícil que se criou nos EUA.  Os congressistas têm 60 dias para ponderar e adotar uma lei de restauração das sanções por causa de o presidente ter renunciado a confirmar o cumprimento do acordo nuclear pela RII e mais 10 dias para a votação desta lei, i.e. o destino do PACG deverá ser decidido em 24 de dezembro. Na América do Norte tem pousos partidários do Irão, mas tem muitos adversários de Donald Trump. Por isso ainda não se sabe como o Congresso vai comportar-se naqueles dias de dezembro. Tem à frente um jogo duro, como no futebol americano.

Não é de excluir que tendo iniciado a nova campanha antiiraniana destinada contra o acordo nuclear president Trump procura provocar o Irão abandonar o PACG por sua própria vontade. Isso seria a melhor variante para Donald Trump.

Por outro lado no Irçao também há um jogo seu porque alí tem numerosos adverários deste acordo. Agora no país está agravando  uma oposição dura do círculo do presidente Rohani, bastante liberal e reformador,  seus adversários políticos e conômicos.

Estes são, antes de mais nada, o Exército de Guardiães da Revolução Islâmica  (EGRI) e os políticos que se agrupam em torno do rival de Hassan Rohani nas últimas eleições presidenciais, Ebrahim Raisi, e o clero reacionário. É o EGRI que merece uma atenção especial sendo este uma entidade que tem não apenas a força militar, mas também o poderio econômico. A propósito, foram as estruturas financeiras  do EGRI que durante o periodo da mais dura pressão de sanções conseguiram encontrar modos de contornar as limitações recebendo somas enormes provenientes desta atividade. É natural que o EGRI não foi interessado no levantamento das sanções.   

A luta política continua sendo exclusivamente ativa e é natural que o PACG, o programa nuclear do Irão do qual os iranianos têm tanto orgulho estão no foco desta luta.  

A atividade antiiraniana do presidente Tramp favorece os adversários de Hassan Rohani que fez sua carreira presidencial graças à conclusão do acordo nuclear e ao levantamento do regime de sanções contra o Irão conseguindo alcançar resultados positivos na economia. No seu discurço de felicitação com o Ano Novo proferido a 20 de março último Rohani disse: “O povo do Irão tendo aceitado o Plano de Ação Conjunto Global  obteve um resultado desejável: as cadeias de sanções estão rompidas... As sanções na esfera bancâria e de operações financeiras, no domínio de petróleo e da petroquímica, dos   seguros e do transporte, - todas as “sanções nucleares” estão levantadas e isso criou condições excelentes para atividade econômica da nação”. “Tenho certeza, - sublinhou Hassan Rohani, - que a nificação de esforços dentro do país e uma interação construtiva com o mundo assegurem a prosperidade e o desenvolvimento da nossa economia”.     

E isso é a verdade. Em 2013 havia uma queda do produto interno bruto (PIB) de quase 6% por ano  e em 2016 o índice de crescimento econômico do Irão foi de 4-6%. Também teve sucesso a luta contra a inflação que diminuiu de 40% (o índice não oficial) a cerca de  10%.

O PACG acabou com o isolamento do Irão. Dezenas de chefes do estado e do governo visitaram Teerão durante dois anos e as delegações comerciais e econômicas foram difíceis de contar. Foram anunciadas dezenas de transações que custaram bilhões de dólares.

Em agosto último apresentando ao majlis (o parlamento) o novo gabinete dos ministros o presidente Rohani declarou que a manutenção do acordo nuclear e sua proteçao contra as  invectivas dos EUA será uma das prioridades da poítica externa. “O nosso ministro das relações exteriores tem a tarefa mais importante – a de apoiar antes de tudo o funcionamento do PACG e de não deixar os EUA e nossos adversários obter sucesso”, - pôs em relevo. “Proteger o PACG seria o mesmo  que opôr resistência aos inimigos do Irão”, - acrescentou o presidente iraniano.

A destruição do PACG ou  até uma tentativa disso por parte da Casa Branca consolidaria consideravelmente as posições dos adversários do presidente Rohani e sua equipe e isso no final das contas poderia ter consequências sérias inclusive até а transiçaõ forçada do poder executivo do presidente atual aos seus adversários. Se isso acontecer, será muito provável  que o Irão abandonar o PACG, a AIEA for afastada do controle da atividade nuclear do Irão o que resulraria na ativação do programa nuclear da RII e ressuscitaria seu componente militar.

Tal resultado provocaria uma reação abertamente negativa por parte dos EUA, de Israel e da Arábia Saudita prenhe de surgimento de mais um conflito armado no Oriente Médio.

Não é menos perigosa a decisão de Donald Trump de incluir o EGRI na lista das organizações terroristas na mesma categoria com a Al-Qaeda e o EIIL.

Teerão imediatamente deu uma resposta a isso. O dirigente do ministério das relaçoes exteriores da RII, Sr. Zarif, declarou sem entrar em pormenores que a resposta do Irão sera extraordinariamente dura. 

Por seu turno o comandante-em-chefe do EGRi, general Jafari, fez uma alusão transparente que em resposta às acusações de Trump o Exército declare as forças armadas dos EUA uma organização terrorista e torne as seu alvo, como o EIIL,  em toda a parte, antes de tudo, no Oriente Médio. Com isso o general Jafari insistiu que os EUA abandonassem a região do Oriente Médio pondo-se a uma distância não inferior a dois mil quilómentros do Irão (isso é o alcance dos mísseis balísticos de alcance médio iranianos). Existe informação que o comando iraniano apontou seus mísseis potentes aos alvos e  objetos relacionados com as forças armadas dos EUA estacionadas no Orinte Médio.

 

Desta maneira graçãs aos esforços da administração do presidente Trump a “guerra fria” entre os EUA e o Irão que já conta com quase 40 anos inexoravelmente está aproximando-se passo a passo de sua fase crítica. Não é apenas o Irão e o Médio Oriente, já em chamas, que são ameaçãdos, mas talvez, e isso seria o mais importante, - o regime de não proliferação dos armamentos nucleares.

 

 

A decisão da Casa Branca anunciada um dia destes não pûde faltar de causar uma repercussão tempestuosa. Nehuma outra questão, qualuer que fosse, tanto mais nas condições de atualidade não poderia desafia-lá no que respeita ao caráter simbôlico e à significação múltipla inclusive a medição do estado interno da América do Norte.  Mesmo se a Estátua da Liberdade ostentar um enorme cartaz com as palavras “Fechado para reparação”, isso não daria ao mundo a conhecer  tão claramente a indicação de que  a América do Norte esteja fechando-se para concentrar-se em seus assuntos internos que não podem esperar mais, especialmente depois de as mudanças iniciadas durante a pesidência de Barack Obama terem falidas. Esta decisão, como tudo na nossa vida, tem sua lôgica que devemos perceber. Os assuntos externos adquirem o caráter secundário. Os aliados podem receber as coisas que desejam, mas já por sua própria conta e nos quadrantes da diplomacia interna de transações. Tudo o que cria obstáculos para a transformação do país será eliminado. Isso não significa a renûncia aos elementos do estratégia tradicional na política externa inclusive a ligação dos aliados para si e a criação de problemas para rivais em potencialidade, mas não por conta das prioridades internas e apenas por inercia e para o conforto psicolôgico das elites.   

A situação difícil da administração e do país em geral prova o fato de Donald Trump achou necessário ceder à ala evangélica (que não tem nada em comum com o Novo Testamento) do establisment republicano e  dos eleitores, que nunca foi feito por qualquer presidente até agora. Este segmento da sociedade norte-americana confessa o chamado “sionismo cristão” acreditando que os Lugares Santos devem estar som o controle israelense ate que os “cristãos corretos” venham ali. Trata-se de uma “cruzada pela procuração” dada a Israel apeasr do caráter totalmente absurdo disso, desta vez – a custo de os EUA entrarem na linha de fogo com o mundo islâmico.

A comunidade internacional, apesar de ser muito interessada em que os processos de transformações nos EUA tenham sucesso, não pode concordar com uma atitude tão irresponsável, dentro do espírito “que tenha um delúvio depois de minha vida terminar”, que está menosprezando os interesses dos outros participantes do conflito árabe-israelita. Esta decisão também não corresponde com o estatus dos EUA como um dos membros permanentes da ONU que tem uma responsabilidade especial pela manutenção da paz e segurança internacional.

Depois das tentativas de implementar a estratégia de substituição dos regimes láicos (baacistas) no Iraque e na Síria que tinham sido empreendidas durante os últimos 25 anos apostando com os regimes monárquicos, antes de tudo – os do Golfo Pérsico, os EUA praticamente estão abandonando estas monarquias a sua própria sorte. Não é o problema palestino que tem importância (os palestinos tinham sido traidos mais de uma vez por varias personagens da própria região), mas a dimenção confessial do problema do estatus de Jerusalém e dos seus santuários. Isso já abordaria e, além do mais, de uma maneira muito crítica, a questão de legitimidade dos regimes monárquicos, - tanto da legitimidade interna como da externa, nos marcos do mundo árabe-islâmico. Esta questão é colocada da maneira mais grave em relação à Arábia Saudita que estava exportando jihad durante 40 anos. Agora, depois do fracasso dos projetos jihadistas no Iraque e na Síria, é bem provável que o próprio reino possa ser sua vítima, de acordo com o princípio famigerado “quem ganha para a vida com a espada...”. Também os fundamentalistas mesmos nunca fizeram segredo de seu objetivo final -  o controle da peninsula e dos seus santuários. E além disso vem xisto tendo desatado os EUA da região no plano da energética.

A decisão de Washington condena ao fracasso o atual projeto de modernização do RAS, embora mesmo sem isso seu sucesso fosse problemâtico. O desmoronamento da Arábia Saudita que os peritos e observadores tem prognosticado em diferentes variantes colocaria na ordem do dia a questão de controle coletivo de Meca e Medina a ser exercido pelos principais países islâmicos. Por isso as “ambições neo-onomanas” de Ancara não são ilusórias de mais. É pouco provável que a liquidação das bases norte-americanas na região possa aliviar a situação de Riade e de outras capitais, o contrário seria mais viável. Ganharia um novo dinamismo a questão do futuro do islão, de sua modernuzação na vanguarda da qual poderiam estar a “Irmandade Muçulmana”, a Turquia e o Catar. Na província Oriental do RAS vivem xiitas, - o Golfo Pérsico será um “mar xiita”? Logo será destruido o sistema estrturado da poítica regional. A necessidade de transforma-ló mais sedo  ou mais tarde é uma outra questão. No entanto é claro que o Ocidente perdeu completamente o periodo de tempo depois do término da Guerra Fria no que diz reapeito a uma  transformação positiva da região: os EUA simplesmente tinham  “encomendado a música” nas fileiras do Ocidente ao mesmo tempo fazendo com que o “quarteto” dos intermediários no Oriente Médio tivesse feito nada.  

Quanto aos interesses de Israel como sua elite os vé, - foi feita uma aposta na aliança não formal  com o RAS contra o Irão e agora está em perspetiva uma solidão estratégica na região. O Hizbollah que esta combatento (a participação na guerra real na Síria com milhares de casualidades) – isso seria um tanto mais sério do que foi em 2006. As armas convecionais cada vez mais parecem os ADM quanto a sua força destrutiva e precisão. Os EUA nunca vão combater na região ao lado de Israel limitando-se com o  apoio finaceiro, fornecimento de armas e de tecnologias militares. É isso mesmo que torna as simpatias com Israel nos EUA relativamente baratas. 

É claro que Israel possa apoiar-se na diplomacia da Rússia. Mas a diplomacia é uma arte de possibilidades e finalmente pode ser, que a única coisa que Moscou possa fazer para Israel seria a evacuaçao dos naturais do território da antiga União Soviética e seus descendentes. O desenvolvimento mundial simplesmente acabou de entrar uma faze quando temos de pensar das coisas an teriormente inconcebíveis. Aquilo que conseguimos alcançar na Síria de-se apenas graças à vontade de uma pessoa que terá analizado corretamente uma situação complicadíssima com seus riscos e possibilidades; uma pessoa que tem senso de moderação: - uma propriedadade da nossa cultura, mas não da norte-americana/ocidental. Perseguimosobjetivoslimitadosealcançamo-lôs. Nãosomosdeuses. Nosso êxito brilhante foi graças à ausência de qualquer “plano de saida” separado: isso foi uma parte orgánica da estratégia de vitória que determinava por completo o nosso modo de operar desde o início e até o fim. Seja como for, teremos que estar na Síria por um prazo bastante longo, mas os EUA tem uma intenção clara de criar obstáculos para nos, já na qualidade de spoilers e isso vai agravar a situação de Israel gerando experanças exageradas e ilusões perigosas. O mais importante é que a Rússia está presente na região por necessidade:  de maneira alguma somos seus “donos”, como os meios de comunicação social do Ocidente procuram nos pintar operando com as categorias da sua cultura política; não temos planos de controla-lá,  como os norte-americanos tinham feito por meio de seu “cuidado estratégico” dela.

Fariam bem para Israel boas relações com Ancara, mas é o próprio Israel que poderia salvar a situação oferecendo, em particular, um projeto realista da paz  com os árabes fazendo isso logo, por enquanto existem os para quem se pode fazer sugestões e com quem se pode negociar. Parece que a administração de Donald Trump não tem quaisquer coisas sérias no que respeita a isso.  Além de mais, temos que levar em conta que garantias internacionais e forças que  manteriam a segurança de Israel sejam necessárias em quaisquer circumstâncias. Não vale a pena agravar a situação ao extremo e torna-lá irreparável. Em qualquer caso são as autoridades israeleitas que devem tomar uma decisão – ninguém e nada excepto às circumstâncias será capaz de impôr-lhes decisões necessárias. 

Fomento da modermização da região seria nos interesses de Israel que deve aprender algo com a experiência de apoio dos projetos falidos norte-americanos, cada um dos quais finalmente causosu dano aos interesses da segurança do país como os são formulados pela proópria elite israelita. Basta lembrar que a guerra no Iraque foi justificada com o slogan “O caminho para Jerusalém vai através de Bagdá” (mais tarde – “através de Damasco”?). Agora, quando Washington com sua “lembrança de despedida” a Israel bate com porta desfazendo-se da responsabilidade pelos destinos do Oriente Média, está na hora dar uma nova avaliação à situação adotando decisãoes que garantam a duradoura sobrivivência de Israel no novo amdiente regional.  

Em geral trata-se de  uma manifestação particular do encerramento de fato do projeto do Ocidente com seus fundadores e propriétarios beneficiais principais – os anglo-saxões. O “chapéu” do império simplesmente tornou-se pesado de mais.  Assim recusaram-se até da criação de duas “fortalezas” na forma da Prceria Transpacífica e da Parceria Comercial e de Investimentos Transatlántica: seria bom abrandar o golpe, mas já não tem tempo para isso. Os britânicos, inclusive uma parte considerável do establishment conservadorista, foram os primeiros que deram conta da situação graças à sua experiância, quando após a humilhante empreendimendo de Suez os restos do Império Britânico serviram de material de construçao para o império global dos EUA. Agoraestetambémestá desmoronando, mas é o último, - nãohaverá outro, - etemquesesalvarumporum. Por isso, sob o lema da “Bretanha global”, Londres optou pela diplomacia de muitos vetores à maneira russa e ao free trading à maneira do existente no século XIX. É  de supôr que este assunto seja abordado nas negociações de coligação de Martin Shultz com Angela Merkel: não há necessidade de provar si próprio como o líder do Ocidente, sendo isso uma coisa ilusória, mas salvar a zona de euro – isso é uma tarefa imediata ainda que seja melhor, se o projeto europeu na sua forma atual de fato sofreu um malogro (os alemães não tem vontade de pagar pelo prosseguimento da integração) tomar a iniciativa começando um trabalho sério com vista à criação de uma Europa Grande.

Comentando a queda de Paris (e da França) em junho de 1940 Anna Akhmátova disse: “Nas funerais de uma êpoca Não cantam salmos tumulares, São urtiga e bordana Que a irão adornar”.  Desta vez tem muito falatório, - o de sanções que vem de Washington e a retórica antirussa que vem de Londres.  Mas o essencial permanece o mesmo: aliados e amigos devem ficar nas tricheiras, enquanto os coveiros “trabalham com audácia”. Eaervatambém é adasuapreferência. O navio abriu água, - não vale a pena esperar que os porões estejam inundados. E a decisão sobre Jerusalém não resta quaisquer dúvidas, - além do mais não apenas no seio dos aliados árabes dos EUA,- no que respeita ao essencial daquilo que está acontecendo. 

 

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