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terça, 30 janeiro 2018 16:25

jornal “Diário de Notícias” (Brasil), jornal “Folha de São Paulo” (Brasil), jornal “Diário de Notícias” (Portugal), jornal “Jornal de Notícias” (Portugal), jornal “Jornal de Angola” (Angola)

jornal “Diário de Notícias” (Brasil), 28.01.2018

 

Trump diz que pedirá desculpas por compartilhar vídeos anti-muçulmanos

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/01/2018 10:36:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá pedir desculpas por compartilhar vídeos anti-muçulmanos de um grupo britânico de extrema direita na sua conta oficial no Twitter.

Em entrevista ao jornalista Piers Morgan, da emissora britânica ITV, Trump disse não saber nada sobre o grupo Britain First e "certamente pedirei desculpas, se você gostaria que eu o fizesse".

Trump foi amplamente criticado, inclusive por Morgan, por retuitar esses vídeos no ano passado. Numa prévia da entrevista, que irá ao ar no domingo, Morgan pressiona Trump, que disse ter compartilhado os vídeos porque ele "acredita no combate ao terror do Islã radical".

O presidente também diz ao jornalista que é "a pessoa menos racista que alguém vai conhecer". Fonte: Associated Press.

Após chegada do papa, mais três igrejas são atacadas no Chile

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 16/01/2018 11:10:18

Mais três igrejas católicas foram atacadas no Chile na madrugada de hoje (16), poucas horas depois da chegada do papa Francisco ao país, informaram a Polícia e o Corpo de Bombeiros.

Dois ataques aconteceram em Cunco, a pouco mais de 700 quilômetros de Santiago, na região da Araucanía. As igrejas ficaram totalmente destruídas, disse o comandante do Corpo de Bombeiros da localidade, Pablo Oackley, a uma rádio chilena.

"Os templos atacados ficavam nos setores de Lagunillas e em Río Negro, e as chamas começaram simultaneamente nos dois lugares. As capelas foram totalmente consumidas. Não ficou qualquer vestígio. Será difícil determinar a origem e causa do incêndio", disse Oacley.

A polícia investiga a autoria do crime. Araucanía é palco de um conflito entre comunidades indígenas, que exigem terras ancestrais, e empresas agrícolas.

O papa Francisco, que chegou hoje a Santiago, irá a Araucanía na quinta-feira (18), onde fará uma missa campal em Temuco, a capital da região.

Em Puente Alto, município que faz limite com Santiago, o ataque foi à Paróquia Mãe da Divina Providência, que sofreu danos consideráveis, segundo a polícia. De acordo com moradores da região, cinco pessoas lançaram bombas contra a porta do templo e depois queimaram bandeiras do Chile e do Vaticano.

Com as ações de hoje, já são nove as igrejas católicas que sofreram ataques desde a semana passada no país.

Filipinas decretam alerta máximo depois de ameaça de erupção vulcânica

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 15/01/2018 10:54:40

As Filipinas estão em alerta máximo devido ao vulcão Mayon, que segundo especialistas pode entrar em erupção de maneira iminente após ter liberado, durante o final de semana, espessas nuvens de cinzas e forçar o deslocamento de milhares de pessoas.

A agência sismológica das Filipinas (PHIVOLCS) elevou nesta segunda-feira para "crítico" o nível de alerta perante a possibilidade deste vulcão, situado ao leste do arquipélago e a cerca de 350 quilômetros de Manila, expulsar rios de lava sobre populações e campos.

Mayon teve uma erupção pela primeira vez na tarde de sábado, liberando nuvens e cinzas, e o organismo estatal, que no domingo decretou nível 2 ("crescente preocupação"), decidiu aumentá-lo para 3 nas últimas horas.

Depois da primeira erupção ocorreram outras duas, que provocaram 158 desprendimentos de rochas e o deslocamento em massa de mais de mil pessoas em um raio de 6 quilômetros.

Hoje, o raio foi ampliado para 7 quilômetros, e o número de pessoas deslocadas subiu para 12.044, informou à Agência EFE a porta-voz do Escritório de Defesa Civil da província de Bicol, Rachel Ann Miranda.

"Tudo indica que vai haver uma erupção mais forte, por isso nos preparamos para diferentes cenários", assegurou a porta-voz, após confirmar que já não restam civis na área de perigo.

A erupção pode ocorrer de forma iminente, mas também pode demorar semanas, por isso as autoridades locais buscam modos de facilitar uma "evacuação a longo prazo" dos moradores hospedados em refúgios temporários ou centros escolares, indicou Miranda.

O próximo passo, assegurou, será retirar "os animais da zona de perigo com o objetivo de que os moradores não tenham que retornar às aldeias para resgatar o gado".

Segundo o último comunicado da PHIVOLCS, o vulcão "mostra uma relativa alta instabilidade e tem magma na cratera, sendo assim é possível que ocorra uma erupção perigosa em questão de semanas ou inclusive dias".

A agência informou que a cratera "mostra um resplendor brilhante que indica o crescimento de um novo domo de lava e as primeiras correntes de lava para as ladeiras do lado sul".

Além de decretar a evacuação de pessoas e animais da zona de perigo, as autoridades restringiram o voo de aviões nas imediações.

A atividade do Mayon foi notada na zona através de fortes estrondos e um intenso cheiro de ácido sulfúrico, segundo os testemunhos feitos à imprensa pelos moradores das localidades divisórias.

No entanto, hoje o vulcão deixou de desprender cinzas e desapareceu da vista pelo intenso nevoeiro que se misturou com as nuvens de gases que ainda emanam de sua cratera.

A erupção mais potente na história da Filipinas e a segunda maior do mundo no século 20 foi a do Pinatubo, em junho de 1991, que deixou cerca de 850 mortos e mais de 1 milhão de afetados, além de gerar uma capa global de ácido sulfúrico que causou danos na atmosfera.

O arquipélago filipino, onde há 23 vulcãos ativos, está localizado sobre uma zona de intensa atividade sísmica inscrita dentro do chamado "Anel de Fogo do Pacífico", que se estende desde a costa oeste do continente americano até a Nova Zelândia, passando pelo Japão, Filipinas e Indonésia.

jornal “Jornal do Brasil” (Brasil), 28.01.2018

 

 

Em evento com ucranianos, Papa pede fim de conflitos no país

Pontífice se reuniu com a comunidade greco-católica ucraniana

Agência ANSA

 

Em um encontro com a comunidade greco-católica ucraniana, na basílica de Santa Sofia, em Roma, o papa Francisco pediu o fim do conflito armado no país da Europa Oriental, que se arrasta há mais de quatro anos.

"Compreendo que, enquanto vocês estão aqui, o coração bate forte pelo seu país e não apenas por afeto, mas também por angústia e, sobretudo, de dor por conta da guerra e das dificuldades econômicas. Estou aqui para lhes dizer que estou perto de vocês. Perto dos vossos corações, próximo com as orações, próximo quando celebro a Eucaristia. Eu suplico ao Príncipe da Paz para que eles baixem as armas", disse no início da reunião.

Segundo Francisco, suas orações são para que os ucranianos não precisem mais "fazer inúmeros sacrifícios para proteger os seus entes queridos", mas que tenham "a coragem, de andar para frente".

Ao fim do encontro, Jorge Mario Bergoglio ainda revelou que, todos os dias, começa seu dia com pensamentos no país já que, quando ainda estava em Buenos Aires, ele recebeu uma medalha da Nossa Senhora da Ternura das mãos do arcebispo maior da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, monsenhor Svjatoslav Shevchuk.

"Eu, em Buenos Aires, coloquei a medalha no meu quarto e, tanto à noite como de manhã, eu a saudava com uma oração. Depois, precisei vir para a viagem a Roma [onde foi ordenado Papa] e não pude voltar. Então, pedi que me trouxessem três livros do meu diário, as coisas essenciais e a medalha. E sempre antes de ir para a cama, dou um beijo na Nossa Senhora que o seu arcebispo me deu, e também de manhã a saúdo. Então, posso dizer que começo e termino o dia em ucraniano", disse sob aplausos dos presentes.

A Igreja Greco-Católica da Ucrânia, apesar de se considerar ortodoxa, professa a fé católica e obedEm um encontro com a comunidade greco-católica ucraniana, na basílica de Santa Sofia, em Roma, o papa Francisco pediu o fim do conflito armado no país da Europa Oriental, que se arrasta há mais de quatro anos.

"Compreendo que, enquanto vocês estão aqui, o coração bate forte pelo seu país e não apenas por afeto, mas também por angústia e, sobretudo, de dor por conta da guerra e das dificuldades econômicas. Estou aqui para lhes dizer que estou perto de vocês. Perto dos vossos corações, próximo com as orações, próximo quando celebro a Eucaristia. Eu suplico ao Príncipe da Paz para que eles baixem as armas", disse no início da reunião.

Segundo Francisco, suas orações são para que os ucranianos não precisem mais "fazer inúmeros sacrifícios para proteger os seus entes queridos", mas que tenham "a coragem, de andar para frente".

Ao fim do encontro, Jorge Mario Bergoglio ainda revelou que, todos os dias, começa seu dia com pensamentos no país já que, quando ainda estava em Buenos Aires, ele recebeu uma medalha da Nossa Senhora da Ternura das mãos do arcebispo maior da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, monsenhor Svjatoslav Shevchuk.

"Eu, em Buenos Aires, coloquei a medalha no meu quarto e, tanto à noite como de manhã, eu a saudava com uma oração. Depois, precisei vir para a viagem a Roma [onde foi ordenado Papa] e não pude voltar. Então, pedi que me trouxessem três livros do meu diário, as coisas essenciais e a medalha. E sempre antes de ir para a cama, dou um beijo na Nossa Senhora que o seu arcebispo me deu, e também de manhã a saúdo. Então, posso dizer que começo e termino o dia em ucraniano", disse sob aplausos dos presentes.

A Igreja Greco-Católica da Ucrânia, apesar de se considerar ortodoxa, professa a fé católica e obedEm um encontro com a comunidade greco-católica ucraniana, na basílica de Santa Sofia, em Roma, o papa Francisco pediu o fim do conflito armado no país da Europa Oriental, que se arrasta há mais de quatro anos.

"Compreendo que, enquanto vocês estão aqui, o coração bate forte pelo seu país e não apenas por afeto, mas também por angústia e, sobretudo, de dor por conta da guerra e das dificuldades econômicas. Estou aqui para lhes dizer que estou perto de vocês. Perto dos vossos corações, próximo com as orações, próximo quando celebro a Eucaristia. Eu suplico ao Príncipe da Paz para que eles baixem as armas", disse no início da reunião.

Segundo Francisco, suas orações são para que os ucranianos não precisem mais "fazer inúmeros sacrifícios para proteger os seus entes queridos", mas que tenham "a coragem, de andar para frente".

Ao fim do encontro, Jorge Mario Bergoglio ainda revelou que, todos os dias, começa seu dia com pensamentos no país já que, quando ainda estava em Buenos Aires, ele recebeu uma medalha da Nossa Senhora da Ternura das mãos do arcebispo maior da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, monsenhor Svjatoslav Shevchuk.

"Eu, em Buenos Aires, coloquei a medalha no meu quarto e, tanto à noite como de manhã, eu a saudava com uma oração. Depois, precisei vir para a viagem a Roma [onde foi ordenado Papa] e não pude voltar. Então, pedi que me trouxessem três livros do meu diário, as coisas essenciais e a medalha. E sempre antes de ir para a cama, dou um beijo na Nossa Senhora que o seu arcebispo me deu, e também de manhã a saúdo. Então, posso dizer que começo e termino o dia em ucraniano", disse sob aplausos dos presentes.

A Igreja Greco-Católica da Ucrânia, apesar de se considerar ortodoxa, professa a fé católica e obedece ao Papa. Desde 1595, ela está em plena comunhão com Roma. 

Ex-líder das Farc lança candidatura à Presidência da Colômbia

É a 1ª participação dos ex-guerrilheiros em processo eleitoral

Agência ANSA

 

O ex-líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timochenko, lançou sua candidatura à Presidência do país neste fim de semana.

    "Estou empenhado em liderar esse governo para criar as condições para o nascimento de uma nova Colômbia, um governo que finalmente representará os interesses dos pobres", disse o agora político ao lançar a candidatura.

    Timochenko encabeça uma campanha eleitoral inédita para os ex-guerrilheiros que, após firmarem um acordo com o governo colombiano, depuseram as armas e puderam se lançar na política do país.

    Entre as principais medidas de seu plano eleitoral, estão as universidades gratuitas, ampliação da cobertura médica que seria financiada pela elite local, financiamento de pesquisas científicas, além de construção de ruas e rede elétrica nas áreas mais pobres. (ANSA)

Após roubo, corretora japonesa de criptomoedas fará reembolso

Coincheck teve prejuízo de US$ 400 milhões em ação de hackers

Agência ANSA

A corretora japonesa de criptomoedas Coincheck informou que reembolsará 90% dos 260 mil clientes que tiveram prejuízo com um mega roubo feito por hackers na última semana. De acordo com as autoridades, eles roubaram o equivalente a US$ 400 milhões entre quinta e sexta-feira (26).

Segundo a companhia, eles usarão os próprios ativos para reembolsar cerca de US$ 360 milhões aos investidores da criptomoeda, sem, no entanto, explicar como eles serão pagos. A notícia é uma mudança de postura da Coincheck que, a princípio, se negou a ressarcir os investidores.

Até o momento, não se sabe quem ou como o roubo do NEM, a 10ª criptomoeda mais valiosa do mundo, foi cometido. Segundo fontes que investigam o caso, a Coincheck poderá receber uma multa da Agência Nacional dos Serviços Financeiros por não ter tomado medidas de segurança suficientes para proteger as contas de seus clientes. 

jornal “Diário de Notícias” (Portugal), 28.01.2018

 

 

Trump disposto a assinar nova versão do Acordo de Paris sobre o clima

 

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Presidente dos EUA admite nova assinatura mas apenas se o acordo incluir "alterações importantes"

O presidente dos Estados Unidos estará disposto a assinar o Acordo de Paris sobre o clima, mas apenas se incluir "alterações importantes", segundo excertos de uma entrevista que vai ser emitida hoje no canal britânico de televisão ITV.

Em junho de 2017, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos se retiravam do Acordo de Paris, que classificou como um mau negócio para a economia norte-americana, uma decisão que foi criticada internacionalmente.

Mantendo as críticas contra o acordo histórico assinado por Barack Obama, seu antecessor na Casa Branca, Donald Trump declarou que está disposto a assinar um acordo reformulado.

"O acordo de Paris seria para nós um desastre. Se eles fizerem um bom acordo, haverá sempre a hipótese regressarmos", afirmou, classificando o atual documento de "horrível e injusto" para os Estados Unidos da América.

"Se alguém disser 'volte para o Acordo de Paris', ele teria de ser totalmente diferente, porque tivemos um acordo horrível. Poderei voltar? Sim, eu voltaria... Eu adoraria isso", referiu Donald Trump, de acordo com os excertos a entrevista.

Em 10 de janeiro, Donald Trump admitiu que, "em teoria", os Estados Unidos podiam retornar ao Acordo de Paris sobre a redução das emissões de dióxido de carbono a partir de 2020, mas sem precisar.

"O Acordo de Paris, tal como assinámos, era muito injusto para os Estados Unidos", disse o Presidente dos Estados Unidos, acrescentando apenas ser possível "retornar".

Assinado em 12 de dezembro de 2015 por quase 200 países, entre os quais os Estados Unidos, o Acordo de Paris é um compromisso considerado "histórico", com o principal objetivo de conter o aquecimento global do planeta.

Turquia quer neutralizar ameaça de um Estado curdo

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Operação militar inédita de Ancara, desde início da guerra civil na Síria, visa impedir controlo do Nordeste deste país pelo YPG.

A ofensiva turca sobre as milícias curdas do YPG em Afrin, Nordeste da Síria, abre um foco de tensão com os Estados Unidos e, indiretamente, favorece o regime de Damasco, demonstrando, mais uma vez, como a reivindicação desta etnia em criar um Estado autónomo a coloca no centro de todos os conflitos na região.

A operação em Afrin revela que a importância da questão curda é de tal ordem para o presidente Recep Tayyip Erdogan que este declarou na sexta-feira, ao cumprir-se uma semana sobre o início da ofensiva, estarem as forças turcas prontas a avançarem até Manjib, onde está o núcleo dos dois mil elementos das forças especiais americanas que têm treinado o YPG. Grupo que Ancara considera aliados dos independentistas do PKK, que atuam na Turquia. "Expulsaremos os terroristas de Manjib () e o nosso combate continuará até que nenhum terrorista permaneça na nossa fronteira com o Iraque." O que deixa no ar operações na área autónoma do Curdistão iraquiano, na fronteira comum. Só o avanço até Manjib representa uma incursão de mais de cem quilómetros em território sírio, com duração e meios inéditos desde o início da guerra civil em 2011.

O controlo do Nordeste da Síria pelo YPG possibilitaria uma retaguarda segura para o PKK e permitiria liberdade de movimentos aos curdos entre Síria, Iraque e Turquia, o que Ancara vê como risco para a segurança do país. E, de facto, criaria uma região independente.

Os turcos têm entrado no Iraque em perseguição do PKK. E, em setembro de 2017, Ancara e Bagdad realizaram manobras conjuntas a coincidir com o referendo (consultivo) sobre o direito à secessão do Curdistão iraquiano, evidenciando como a questão curda tem o condão de aproximar governos que, noutros planos, prosseguem interesses opostos na região.

Além da Turquia e da Síria, os curdos são minorias relevantes no Iraque e Irão, sendo o terceiro grupo étnico mais importante na região, após árabes e persas. No mundo, são a etnia mais numerosa sem Estado, entre 36 e 45 milhões de pessoas em 2017, segundo o Instituto Curdo de Paris.

A especificidade dos curdos na Turquia resulta do seu peso demográfico e de estarem concentrados numa região onde era fraco o poder do império otomano. Só com a Turquia moderna e a Constituição de 1924 é que surge a ideia de que o país "não é multinacional" e "o Estado não reconhece outra nação a não ser a turca", lê-se na introdução. É nesta época que a pressão unificadora de Ancara desencadeia uma resistência sem paralelo, que leva o poder político a recorrer à repressão, originando um ciclo de violência que dura até hoje.

Em 1920, a sorte dos curdos ficava definida no Tratado de Sèvres (base dos modernos Síria, Iraque e Koweit), onde lhes era reconhecida a possibilidade de criarem um Estado. Turquia, Irão e Iraque vão inviabilizar essa possibilidade. É, aliás, nas fronteiras destes países e da Síria que se situa o Curdistão histórico ou Grande Curdistão.

Se as negociações do poder político com o PKK, após a prisão do seu líder, Abdullah Ocalan, pareceram assinalar um novo ciclo, o regresso da violência em junho de 2015, num momento em que no vizinho Iraque e na Síria o Estado Islâmico estava na ofensiva, mostrou que Ancara e os independentistas passaram a fazer outros cálculos.

Se há um "problema curdo" na Turquia, ele estende-se ao Iraque e à Síria. Aqui, Damasco sempre se recusou a conceder autonomia aos curdos, pela natureza do regime e pelo receio que concessões feitas a uma minoria tivessem de ser estendidas a outras. A forma feroz como Hafez al-Assad, um alauita (ramo do Islão xiita), lidou com a rebelião sunita na cidade de Hama, em 1982, revela a natureza do regime. Os alauitas estão em minoria, mas detêm a maioria das alavancas do poder. Significativamente, Hama é das primeiras cidades onde se inicia em 2011 a contestação a Bashar al-Assad, que sucedeu ao pai em 2000.

Também no Iraque os curdos têm estado em conflito com o poder central e as reivindicações autonómicas foram brutalmente coartadas sob a ditadura de Saddam Hussein, que também reprimiu a população árabe xiita no Sul do país. A guerra Irão-Iraque (1980--1988) trará repercussões negativas para os curdos. Saddam atacou o Irão não só para neutralizar um regime que considera uma ameaça como para recuperar os territórios cedidos no quadro do Tratado de Argel, de 1975, quer em torno do estuário de Chatt al-Arab quer na delimitação de fronteiras, em especial nas regiões curdas comuns aos dois países. Os curdos, que apoiaram o Irão, serão submetidos a uma campanha militar que passa pela destruição de localidades, o extermínio de civis e ataques com armas químicas.

Após a queda de Saddam, o Curdistão iraquiano ganha estatuto autónomo, de natureza federal, com governo próprio. Mas persistem tensões com Bagdad, como evidenciado em setembro, estando por definir o estatuto final da região. Situação distinta é a do Irão, onde os curdos são reconhecidos como minoria. Ainda que se tenha verificado alguma agitação após a revolução islâmica de 1979, o novo poder sinalizou a disposição de acomodar algum grau de autonomia, neutralizando uma possível evolução violenta, mas está longe de dissipar as reivindicações.

Os curdos estão também divididos, entre si, por motivos tribais e religiosos, por distintos dialetos e interesses divergentes que resultam dos específicos percursos da comunidade na região. Um Estado curdo não está à vista no horizonte.

Morreu Ingvar Kamprad, o fundador da IKEA

 

 

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Ingvar Kamprad morreu no sábado em Smaland, na Suécia, informou a empresa em comunicado

Ingvar Kamprad, o dono e fundador da icónica marca de mobiliário sueca IKEA, morreu aos 91 anos, revelou a empresa este domingo. "O fundador da IKEA e da Ikano, e um dos maiores empreendedores do século XX, Ingvar Kamprad morreu tranquilamente em casa em Smaland, na Suécia, no dia 27 de janeiro", informou a IKEA em comunicado, citado pelas agências internacionais.

"Foi um grande empresário, o típico sueco do sul - trabalhador e teimoso, caloroso e com um brilho de diversão no olhar. Trabalhou até ao final da vida, mantendo-se fiel ao lema de que a maioria das coisas está por fazer", acrescenta a nota da IKEA, sublinhando: "Sentiremos a falta dele e vai ser sempre recordado de forma sentida pela família e pelos funcionários da IKEA em todo o mundo".

Um dos homens mais ricos do mundo, levava um estilo de vida austero e tinha gastos parcimoniosos, que muitas vezes chegaram às páginas dos jornais: chegou a admitir que só comprava roupa em segunda mão e, no supermercado, escolhia sempre os alimentos no limite do prazo de validade. Ia aos mercados pouco antes do fecho, para tentar conseguir preços melhores nos legumes e na fruta que sobravam nas bancas. De origens humildes, Kamprad garantia que era da natureza dos habitantes de Smaland, a região sueca onde nascera, ter um comportamento frugal. Nem o facto de se ter aproximado brevemente dos ideais nazis afetou a empresa que criou, que é uma das marcas mais reconhecidas a nível global.

Nascido a 30 de março de 1926, Ingvar Kamprad tinha onze anos quando fez o seu primeiro 'grande negócio', mas desde os cinco que ia de porta em porta vender fósforos e postais de Natal. Os dividendos da transação - uma revenda de sementes de jardim - permitiram-lhe trocar a velha bicicleta da mãe por um modelo de corrida mais adequado às viagens que fazia na área da quinta de Elmtaryd, onde cresceu, junto à aldeia de Agunnaryd, no Sul da Suécia. A geografia exata pode ser desconhecida para muitos mas estas palavras acabariam por entrar no vocabulário de colaboradores e clientes da empresa que Kamprad criou aos 17 anos, em 1943, e que batizou com as iniciais do seu nome e dos locais que lhe eram mais próximos: IKEA (Ingvar Kamprad Elmtaryd Agunnaryd). Filho de um agricultor alemão descendente de uma família de comerciantes pelo lado materno, Kamprad desde cedo se aplicou na construção daquela que é hoje uma das dez marcas mais conhecidas no mundo e permanece em expansão.

Na década de 40, o futuro comerciante de móveis ainda vendia canetas de tinta permanente e isqueiros pelo correio. Ao ver que o seu maior concorrente se aventurara no mobiliário, decide lançar uma poltrona a que chamou Rut, por ser mais fácil fixar o nome do que o número do produto. Foi em 1948 mas mantém-se a tradição de atribuir nomes aos móveis da IKEA então promovidos através de um folheto e vendidos por encomenda. Os textos eram escritos pelo próprio Kamprad, que apelava à compra direta para evitar custos de distribuição e poder cortar no preço.

O êxito da investida ditou que em 1953 inaugurasse a primeira exposição de móveis, numa antiga fábrica de carpintaria, com o conceito de negócio que perdura até hoje e assenta nos princípios rígidos do homem que sempre geriu a empresa com mão de ferro mesmo quando a idade o obrigou a abandonar a direção e a tornar-se senior advisor.

Pode dizer-se que a IKEA cresceu moldada às adversidades colocadas ao seu fundador: a internacionalização resulta em muito da necessidade de procurar fornecedores na Polónia, quando a marca era boicotada na Escandinávia devido aos baixos preços que praticava.

O design próprio e as embalagens planas surgiram para cortar nos custos de transporte. E os restaurantes porque "um estômago vazio não compra móveis", além de divulgarem a gastronomia sueca. E foi depois de um incêndio na loja de Kungens Kurva (Estocolmo) - inspirada no Museu Guggenheim de Nova Iorque - que apareceu o self-service, deixando para o cliente o transporte e montagem dos móveis.

Sempre à procura de cortes nos gastos, em 1973, Kamprad saiu da Suécia para a Dinamarca, onde conseguiu obter impostos mais baixos para a Ikea, e foi o mesmo motivo que o levou a mudar-se para a Suíça anos depois.

Só em 2010 o multimilionário começou a retirar-se progressivamente da administração da Ikea e da fundação que constituiu em nome familiar para administrar a cadeia de lojas - que tem sede no Luxemburgo, conhecido como o paraíso fiscal da Europa: entregou a direção aos filhos - tem quatro - e regressou definitivamente à Suécia em 2014, depois da morte da mulher.

 

Líder da oposição russa detido em Moscovo após apelar a manifestações de protesto

 

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Alexei Navalny apelou aos apoiantes para continuarem com as ações de protesto por toda a Rússia

O líder da oposição russa, Alexei Navalny, foi detido hoje em Moscovo, depois de ter apelado a manifestações em toda a Rússia para contestar a realização das eleições presidenciais marcadas para 18 de março.

Navalny, através do Twitter, apelou depois aos seus apoiantes para prosseguirem com as ações de protesto apesar de ter sido detido.

"Prenderam-me. Isso não significa nada. Vocês (manifestantes) não vieram por mim. Vieram pelo vosso futuro", escreveu Navalny no Twitter.

Por todas as principais cidades russas há indicações da realização de protestos e de manifestações, em que nalgumas houve pouca adesão e outras contaram com várias centenas de apoiantes.

Navalny tem apelado ao boicote das eleições presidenciais de março, em que o Presidente Vladimir Putin se apresenta a um quarto mandato e para as quais a sua candidatura foi barrada.

A detenção foi feita no gabinete de Navalny e um vídeo publicado nas redes sociais mostra a polícia a entrar na sala.

Há também indicações de que a polícia tentou entrar no estúdio de gravação utilizado pelo líder da oposição no mesmo edifício.

Quem filmava os acontecimentos afirmou que a polícia disse tratar-se de uma ameaça de bomba.

Um dos presentes, Dmitri Nizovtsev, foi detido pela polícia durante a rusga, tal como se pode observar no próprio vídeo divulgado nas redes sociais.

jornal “Jornal de Notícias” (Portugal), 28.01.2018

Polícia confirma 14 mortos em tiroteio numa festa em Fortaleza

Um grupo armado entrou numa festa privada e matou 14 pessoas, na cidade brasileira de Fortaleza, tendo ferido outras seis com gravidade.

A informação sobre os 14 mortos corrige as declarações de uma fonte policial não identificada que, num primeiro momento, anunciou à agência AP a existência de pelo menos 18 mortos resultantes do ataque a uma festa durante a madrugada, no bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza, uma cidade do Estado de Ceará, no nordeste brasileiro.

"É uma situação criminosa que foi organizada e planeada; situações como esta acontecem em todo o mundo e, desta vez, os serviços de informação não conseguiram evitar", disse o secretário de Segurança Pública do Ceará, André Costa.

De acordo com os relatos dos moradores, que estão a ser citados pela imprensa brasileira, o ataque aconteceu quando alegados membros do gangue Comando Vermelho chegaram, pelas 00.30 horas (03.30 horas em Portugal continental), em três carros, fortemente armados, e começaram a disparar em várias direções antes de entrarem na festa privada onde participavam alguns alegados membros de um outro gangue, o Guardiões do Estado.

Para já, a polícia diz não existir uma ligação entre o crime organizado e o ataque desta madrugada, já que várias vítimas não têm ligação com estes grupos criminosos, estando apenas a divertir-se na festa e, por outro lado, há também várias pessoas que foram alvejadas no exterior do recinto, como um motorista de Uber e o seu passageiro, uma vendedora ambulante de comida e vários menores de idade, incluindo duas adolescentes de 16 anos e uma criança de 12 anos.

O estado do Ceará é o segundo mais violento do Brasil, atrás de Pernambuco.

Os dados oficiais citados pelos jornais brasileiros mostram que do primeiro semestre de 2016 para o mesmo período de 2017, o número de mortos aumentou de 1743 para 2299, uma subida de 31,9%, atribuída à disputa pelo controlo de tráfico de droga.

O ataque desta madrugada é o mais mortífero neste estado brasileiro, suplantando os 11 mortos da chamada "Chacina da Messejana", em 2015.

Explosão de ambulância causa pelo menos 40 mortos em Cabul

A explosão de uma ambulância armadilhada no centro de Cabul, capital do Afeganistão, causou pelo menos 40 mortos e 140 feridos. Ação já reivindicada pelos talibãs.

"O último balanço é de 40 mortos e 140 feridos encaminhados para os nossos hospitais", disse à agência noticiosa AFP o porta-voz do Ministério da Saúde Waheed Majroh.

Com base nos dados dos hospitais de Cabul, que estão a receber as vítimas do atentado, os números anteriores apontavam para a existência de 17 mortos.

Os primeiros relatos davam conta de uma explosão provocada por uma viatura armadilhada na Praça Sadarat, no centro da cidade, num bairro onde se encontram as instalações do Ministério do Interior e a delegação da União Europeia (UE) em Cabul.

Cabul tem-se tornado uma cidade alvo prioritária de ataques bombistas reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI) e pelos Talibã.

Rio Sena continua a subir e deixa Paris em alerta para esta noite

O nível da água do rio Sena continua a subir lentamente, sendo esperado que atinja o máximo em Paris esta noite, segundo as previsões oficiais, que apontam uma melhoria da situação noutros municípios da região.

De acordo com o Vigicrues, organismo responsável pela monitorização do caudal dos rios em França, fixou-se em 5,95 metros o máximo esperado para esta noite na ponte parisiense de Austerlitz, onde está instalada uma estação de medição.

Este valor situa-se 15 centímetros abaixo do registado em 2016 em Paris, quando morreram duas pessoas devido às cheias, refere a agência de notícias espanhola Efe.

De acordo com os dados mais recentes, o Sena teve uma altura de 5,78 metros, o que significa um crescimento de 14 centímetros em 24 horas.

O rio permanece fechado à navegação por causa do elevado nível do caudal, que impede que os navios passem debaixo das pontes, e mantêm-se ativados os planos de emergência nos estabelecimentos junto do Sena, incluindo o fecho de 12 estações de comboio.

Doze departamentos do país permanecem em alerta laranja, o segundo mais alto, como medida de precaução, mas as autoridades consideram que a situação é melhor do que o previsto porque as chuvas têm sido menos intensas do que o esperado.

Na bacia superior do rio, manteve-se a melhoria, onde foi levantando em várias seções o alerta laranja, enquanto na bacia inferior, uma zona de meandros, as autoridades alertam que a subida do nível da água continuará até o início da próxima semana.

Enquanto as cheias de 2016 fizeram dois mortos e vários feridos na área de Paris, não há registo de vítimas durante o atual episódio de inundações.

As autoridades parisienses encerraram diversos túneis, parques e o piso de baixo do Museu do Louvre, como medidas de precaução.

Foram igualmente fechadas estradas nas margens do rio, bem como sete estações de comboio ao longo do seu curso, mas tais medidas não causaram perturbações de maior na Cidade das Luzes.

De acordo com a Efe, mil pessoas foram obrigadas a sair das suas casas em Paris e 1.500 famílias viram sua eletricidade cortada.

De acordo com projeções, cheias equiparáveis às grandes cheias de 1910 poderiam causar danos no valor de entre três mil milhões e 30 mil milhões de euros.

Na origem deste fenómeno de cheias que está a afetar diversas regiões de França há alguns dias, estão elevados níveis de precipitação em solos inundados de água.

O bimestre dezembro-janeiro está a ser, no país, um dos três mais chuvosos desde 1900, ano a que remontam os primeiros registos, segundo a Météo-France.

jornal “Jornal de Angola” (Angola), 28.01.2018

Rússia alerta para o aumento da crise com os Estados Unidos

28 de Janeiro, 2018

A Rússia definiu ontem como um “novo passo destrutivo” o pacote de sanções impostas pelos Estados Unidos contra altos funcionários russos pelas suas actividades na província ucraniana da Crimeia, integrada por Moscovo em 2014.

 “As novas sanções contra a Rússia são um novo passo destrutivo que agrava a situação nas relações russo-norte-americanas”, disse o responsável pelo Comité de Assuntos Internacionais da Duma (Parlamento), Leonid Slutski. 
O mesmo responsável acrescentou que Washington adoptou as novas medidas “para garantir os seus interesses geopolíticos, a competitividade ilegal e a sua hegemonia nos mercados internacionais”. 
“Tenho a certeza que a nova vaga de sanções não ficará sem reposta da nossa parte”, comentou, antes de assegurar que a Rússia não está envolvida no conflito ucraniano e de criticar uma recente lei aprovada no Parlamento ucraniano para recuperar o controlo das regiões pró-russas do leste e que supõe uma violação do acordo de paz de Minsk, assinado em 2015. 
Pelo contrário, acrescentou, os Estados Unidos aprovaram uma ajuda militar dirigida a Kiev e avaliada em milhões de dólares, para o fornecimento de armamento letal. 
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou ontem um novo pacote de sanções contra 21 indivíduos e nove empresas da Rússia e Ucrânia pelas suas actividades na Crimeia, e que inclui o ministro da Energia russo, Andrey Cherezov, que já está a ser alvo de sanções por parte da União Europeia pela sua acção na transferência de turbinas para a Crimeia.
De acordo com vários Estados-membros da União Europeia (UE), as turbinas - fabricadas pelos alemães da Siemens - foram fornecidas à Rússia e desviadas para a Crimeia, para fornecer energia aos novos territórios anexados pelos russos.

Maduro concorre a novo mandato

Victor Carvalho

27 de Janeiro, 2018

A Assembleia Constituinte da Venezuela, apenas com a presença de apoiantes do Presidente, Nicolás Maduro, aprovou esta semana um decreto a convocar a realização de eleições presidenciais até ao próximo dia 30 de Abril. Isto, numa altura em que aumenta a instabilidade social e política no país.

Por um lado, é a população que luta pelos escassos produtos alimentares que ainda estão disponíveis e, por outro, com a oposição política a acusar o Governo de intolerância e de ser directamente responsável pela morte de milhares de pessoas.
A aprovação do decreto que convoca as eleições teve por base uma proposta do deputado e vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello. “É uma proposta que tem muito a ver com a pátria, com o amor a esta pátria”, disse ele quando confrontado com os jornalistas.
Este decreto será agora remetido para o Conselho Nacional Eleitoral, a quem cabe apontar a data definitiva das próximas eleições presidenciais, no prazo máximo que termina a 30 de Abril, nas quais Nicolás Maduro já anunciou ser novamente candidato à Presidência da República.
Os opositores de Maduro já reagiram ao anúncio da marcação de eleições com Freddy Guevara, um dos mais proeminentes líderes da oposição a apelar à união de todas as forças que estão contra o regime. “Venezuela: estamos ante um momento histórico para alcançar a liberdade. Pedimos a todas as forças democráticas para construírem uma posição comum”, escreveu no Twitter.
Refugiado desde Novembro na embaixada do Chile em Caracas, Guevara desafiou todos, “estudantes, operários, empresários, comerciantes, funcionários públicos, dissidentes do chavismo e da Igreja”, a lutar contra a “fome e a miséria”.
Henrique Capriles, ex-governador e candidato presidencial derrotado (2012 e 2013) também aproveitou aquela rede social para pedir unidade. 
“Se o direito do nosso povo para decidir é libertado, eles [chavistas] cairão. Unidade mais do que nunca. Unidade para recuperar a democracia”, escreveu.
Nos últimos dias, a juntar à instabilidade social provocada pela falta de alimentos, agravou-se a crise política, sobretudo quando a 18 de Janeiro a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) suspendeu a sua participação no processo de diálogo com o Governo, acusando o ministro do Interior, Néstor Reverol, de declarações “falsas e irresponsáveis”.
Na ocasião, Henry Ramos Allup, secretário do partido Acção Democrática, informou que “não haverá mais reuniões da comissão de diálogo”. Esta posição surgiu depois de Néstor Reverol ter dito à imprensa que a localização do ex-polícia rebelde Óscar Pérez, assassinado a 15 de Janeiro, foi possível graças à colaboração dos opositores que participavam no diálogo.
Na operação policial faleceu o ex-polícia rebelde e piloto de helicóptero Óscar Pérez, além de seis pessoas que o acompanhavam e dois alegados agentes. Óscar Pérez era um dos mais ferozes críticos do regime de Nicolás Maduro e foi apontado pelas autoridades como sendo responsável por vários ataques armados contra forças do Governo, um dos quais feito com recurso à utilização de meios aéreos.
Na altura em que Óscar Pérez foi morto, o ministro do Interior disse em declarações à imprensa que “apesar das tentativas para conseguir uma solução pacífica e negociada, este grupo terrorista, fortemente armado, iniciou, de maneira mal-intencionada, um confronto com as forças de segurança”.
Mas, a verdade é que as declarações do ministro não correspondem às imagens de vídeos divulgadas através da Internet em que Óscar Pérez denuncia que pretendiam assassiná-lo. Num dos vídeos ouve-se mesmo Pérez chamar a atenção para a existência de civis e pedir aos militares que não disparem porque vai entregar-se.
Esta operação continua a ser denominada como “um massacre” por várias organizações não-governamentais venezuelanas bem como por alguns países estrangeiros, que denunciam ter sido usado um tanque de guerra militar para atacar a casa onde se encontravam os suspeitos.
O ex-inspector Óscar Pérez estava a ser acusado pelas autoridades de em Junho de 2017, ter usado um helicóptero do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC, antiga Polícia Técnica Judiciária) para disparar vários tiros contra a sede do Ministério do Interior e Justiça e atirado quatro granadas contra o Supremo Tribunal de Justiça, que não causaram vítimas.
Era também apontado como tendo liderado a 18 de Dezembro um grupo de 49 homens que assaltou um comando da Guarda Nacional Bolivariana de onde roubaram armas e munições.
Entretanto, as autoridades venezuelanas enterraram no último fim de semana Óscar Pérez num cemitério fechado, e autorizando apenas a presença de uma tia e uma prima.
Alguns dos familiares de Pérez — cuja mãe, mulher e filhos estão no estrangeiro — ficaram fora do cemitério sem poder assistir à cerimónia fúnebre, impedidos pelas forças da ordem.
A imprensa venezuelana, segundo a agência noticiosa espanhola Efe, publicou fotografias da campa de Pérez, uma pedra onde está inscrito o seu nome, e ao lado tem um ramo de flores e a bandeira venezuelana.

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