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domingo, 14 julho 2013 22:43

Europa precisa da Rússia

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Armen Oganesian, editor-chefe da revista “Vida Internacional”: Sr. Prodi, há algum tempo o Sr. referiu que a Europa se torna mais forte em tempos de crise, mas só se houver um alargamento da solidariedade européia e um reforço de infra-estruturas. Na sua opinião, em que situação se encontra a Europa hoje? 

Romano Prodi: Nós já sobrevivemos a muitas crises, as crises têm sempre contribuído para o reforço da Europa. Nesses períodos faziam-se progressos no plano político. Vamos relembrar os tempos que se seguiram a De Gaulle: a França levava a cabo conversações tensas no seio da União Europeia no que concerne ao alargamento da organização. Esta tensão foi também visível noutras épocas, e devido a razões variadas, a título de exemplo será de referir que havia divergências de opinião entre os países europeus quanto à participação na guerra do Iraque. Poderíamos até dizer que, naquela altura, a Europa dividiu-se em duas frentes. Não foram raros os momentos dessa natureza. 

Cada vez nós parávamos, e depois avançávamos. E também desta vez espero que aconteça o mesmo. Nós alcançaremos o sucesso, mesmo que a crise, que enfrentamos actualmente, seja diferente das outras e exija muitas respostas técnicas e políticas, que não são fáceis de tomar. Enquanto político da velha guarda, sei que é preciso estudar de forma mais profunda os interesses reais de cada um dos países. Analisando a situação chego à conclusão de que ninguém está interessado no fim da Europa, apesar de existirem diferentes abordagens de política externa, sobretudo no que concerne à situação no Médio Oriente. 

Se olharmos para a Alemanha, reparamos que este país nunca teve uma parte tão significativa do orçamento destinada à despesa. No ano passado, ela foi de 200 mil milhões de euros. Se correlacionarmos esse número com o PIB do país, podemos concluir que a Alemanha até ultrapassou a China. Já o volume de negócios da Alemanha e da China pode não ser único, mas é bastante impressionante. 

Ao mesmo tempo, assistimos ao facto de inúmeros políticos alemães declararem insistentemente: “Não às euro-obrigações”, “Não ao reforço do Banco Central Europeu”. Precisamos de tempo para os convencermos a alterar a sua posição, pelo menos uns 12 meses. Eu dou um prazo de um ano, porque as próximas eleições alemãs serão em Setembro de 2013. 

Vejo os próximos tempos instáveis para a Europa. Penso que existirão muitas dúvidas, mas por fim será encontrado um compromisso. 

Deixam-me preocupado (porém, tenho que confessar que não em demasia) alguns fenómenos imprevisíveis, que têm acontecido nos últimos tempos. 

Realizou-se a votação do BCE quanto à questão da aquisição ilimitada de obrigações europeias e etc. Pela primeira vez Mário Draghi mostrou persistência. Ele expôs à direção as suas ideias no que concerne à aquisição de euro-obrigações e elas foram aprovadas, não obstante a oposição da Alemanha. Esta situação demonstrou que existem saídas de qualquer situação. 

A decisão do tribunal alemão também foi um acontecimento. 

Ainda mais relevantes são os resultados eleitorais na Holanda. Porque são importantes? Não só porque a Holanda é um dos países-chave da União Europeia. Tendo em conta a contração da economia, a sensibilidade dos habitantes do país face a alterações políticas, atendendo ao facto dos holandeses votarem sempre consoante os seus interesses económicos, à sua extraordinária consciência no momento de voto, os resultados eleitorais neste caso concreto divergem completamente das sondagens anteriormente realizadas. 

Deste modo confirma-se a minha opinião imutável: pode-se apoiar a dissolução da União Europeia, é possível ser contra a dissolução, mas quando as coisas aquecem, e você vacila se deve ou não existir União Europeia, escolherá necessariamente votar pela sua continuidade. Trata-se de uma espécie de acordo, porque todos os partidos pró-europeus, tanto de esquerda como de direita votam “a favor” e todos os partidos populistas, de esquerda e direita, perderam. 

Tudo isto leva-me a pensar que a instabilidade e as dificuldades no próximo ano serão uma realidade, poderão acontecer todo tipo de eventos negativos. E é por isso que devemos ter agora todo o cuidado. 

Igor Pellichiari, repórter especial da revista “Vida Internacional” na Europa: Chegou a referir que a Europa deveria ser menos dependente da influência estrangeira quando se trata da sua relação com a Rússia. Acha que existem alterações positivas nesse sentido? 

Romano Prodi: Analisando os interesses que unem a Rússia e a Europa, repito tudo o que disse na última conferência de imprensa que dei, em Bolonha, na qualidade de Presidente da Comissão Europeia : “Reparem, a Rússia e a Europa são como a vodka e o caviar. A título de exemplo o programa russo de diversificação da indústria: ele está dirigido no sentido de fazer parte da União Europeia, porque os problemas demográficos na Rússia, especialmente na Sibéria, causam grande preocupação. Mas também a Europa precisa da Rússia. 

O reforço das relações, como parece ser óbvio, é do mútuo interesse.” 

Considero que, atualmente, são cada vez mais relevantes novas tendências na política mundial. As tecnologias recentemente desenvolvidas pelos norteamericanos para extração de gás de xistos e petróleo foram completamente subvalorizados. Os EUA já têm petróleo para exportar recursos energéticos. Estes já mudaram, a nível interno, o preço do gás em cerca de um quarto em termos comparativos com os preços praticados nos mercados internacionais. Isto irá conferir aos EUA uma clara vantagem no sector energético, bem como alterar a estrutura do mercado europeu. Mas o que é mais relevante, é que irá influenciar a competitividade no sector industrial. 

Durante muitos anos, a Rússia tem sido nosso fornecedor, porém, hoje, ela deveria ser mais flexível. É importante entender de forma mais precisa as alterações no mercado, veja-se, a título de exemplo, os recentes acordos de grande dimensão com algumas empresas alemãs do sector da energia. Porém, de qualquer forma, deveremos reforçar as nossas relações. Para que tal seja possível temos que nomear claramente a razão das tensões latentes: 

o problema reside na posição da Ucrânia. Ela tem que ser mediadora entre a Rússia e a União Europeia, não uma fonte de confronto, porque os interesses de cada uma das partes não deve contribuir para o aumento do tensão. Conseguir isso não é fácil, pois na Ucrânia não existe uma estratégia de aproximação única, mas nós devemos esforçar-nos para que exista uma cooperação política e económica em prol dos nossos interesses comuns. 

Falando agora de assuntos em que não sou um grande perito, penso que, por causa do grande decréscimo demográfico a leste dos Urais, a Rússia irá orientar-se, no futuro, mais no sentido da Europa, do que antigamente. De acordo com prognósticos demográficos, a população da Sibéria só tem tendência para diminuir. Neste campo podemos falar de similitude entre a Europa e a Rússia. E de diferença se falarmos dos EUA. 

No todo, a Alemanha e a Itália sabem mais sobre este problema do que outros países, graças às suas tradições e aos seus interesses económicos. Repito, nós podemos e devemos eliminar alguns momentos de tensão, porque eles não são novidade nem para a Rússia nem para a Europa. 

É evidente que a chegada de investimento europeu à Rússia está a crescer atualmente, não só na indústria automóvel, mas também em muitos outros sectores. O problema reside em que nas esferas de serviços e de seguros bancários nós ainda vivemos em mundos diferentes. E é por isso que o fl uxo de investimentos pode ser caracterizado como lento e faseado, mas considero que devemos cooperar nesse sentido. Afirmo que devemos fazê-lo em prol dos nossos interesses comum e, com a sua ajuda, devemos minorar a tensão que existe entre nós. 

A. Oganesian: A Alemanha é o parceiro comercial №1 da Rússia, enquanto a Itália está apenas em quarto lugar. Romano Prodi: Mas isso é insufi ciente. 

A. Oganesian: Muitos outros países estão a aproximar-se do quarto lugar de parceiro comercial da Rússia. O que acha do potencial relacionamento entre a Rússia e a Itália? 

Romano Prodi: O comércio é bom, mas é insuficiente. Em Outubro de 2013 irá realizar-se, em Verona, o fórum Rússia — Itália, organizado pelo banco Intesa. Nós estamos profundamente envolvidos nesse projeto. Porém, ao analisarmos as vossas escolhas políticas, as vossas necessidades e a estrutura do nosso sector industrial, olho para o futuro com entusiasmo. Vocês começaram com sectores como a indústria automóvel, trata-se de uma área em que não somos mais fortes que vocês. Mas, no futuro, a estratégia da Rússia deverá passar pelo aumento da procura por parte do consumidor naqueles sectores em que Itália é forte. A cerâmica italiana, os eletrodomésticos já se encontram no mercado russo. No futuro, cada vez mais empresas italianas irão trabalhar em diversos sectores da economia russa. 

Atualmente, nenhum país europeu está a dar sinal de que necessita menos recursos energéticos provenientes da Rússia: nós fizemos a escolha de não desenvolvermos a energia nuclear. Claro que estamos a desenvolver a obtenção de energia a partir de fontes alternativas, utilizamos a energia solar e a energia das ondas, porém, as relações tradicionais (no campo da energia), que tínhamos no passado, irão manter-se no futuro. Repito, isto é se tivermos em conta que 

o mercado do gás natural está a sofrer alterações no mundo inteiro, e por isso estamos a espera de alguma flexibilidade por parte da Rússia. É evidente que até a data não tivemos problemas com a entrega do gás oriundo da Argélia e da Líbia. Mas é óbvio que se enumerarmos os riscos, concluirmos que em relação à Rússia são bastante menores. O transporte do gás sofreu cortes, mesmo que por períodos temporais curtos, durante a guerra na Líbia, mas olhando para o Oriente eu vejo um fornecedor estável. A Rússia faz agora parte do Blue Stream, e não se trata de uma revolução, mas do resultado de um progresso signifi cativo. 

Não acredito que venham a surgir quaisquer obstáculos relacionados com a criação de uma União Aduaneira entre a Rússia, o Cazaquistão e a Bielorússia. Nalgumas áreas específicas poderão existir alguns conflitos de interesses, mas, num plano global, devemos trabalhar no sentido da eliminação de barreiras burocráticas, e não corrermos simplesmente atrás das atrações do mercado liberalizado. 

Entre os italianos predomina a ideia de que na Rússia as difi culdades não passam tanto pelas alfândegas, pelo crescente consumo e pela a lentidão do sistema burocrático, mas, sobretudo, pela centralização na tomada de decisão no país enquanto um todo. 

Talvez também por parte da Rússia poderão existir queixas dessa natureza face a Itália. 

A. Oganesian: Sempre defendeu o reforço das relações entre a Rússia e a Itália, entre a Rússia e a Europa. Na situação atual, evocou a necessidade de unir os potenciais económicos da Rússia e da Europa para promover a qualidade da nova cooperação no seio da Grande Europa. Será que muitos políticos em Itália e Bruxelas partilham a sua opinião? A propósito, fi quei espantado pelo facto de o Sr. Cameron, antes da sua visita aos EUA, repetiu o mote do De Gaule no sentido da “Grande Europa do o Atlântico aos Urais”. O que pensa desta questão? 

Romano Prodi: Devemos definir de forma clara o que entendemos por “Grande Europa do Atlântico aos Urais”. Se está a falar-se da adesão à União Europeia, então não se trata de um programa nem para hoje, nem para amanhã. Quando me perguntam se existe algum programa, de acordo com 

o qual a Rússia irá integrar a União Europeia, a minha resposta é a seguinte: a Rússia é demasiado grande, seria necessário criar duas capitais. Uma delas seria Moscovo. Porém, não devemos colocar, hoje, esse tipo de objetivos. Estudar a situação. Do ponto de vista de De Gaule, o reforço da União é essencial. 

E é por isso que me lembro da Ucrânia. Temos que ajudá-la a sair do ponto em que parou, para que o processo não desacelere. É necessário ultrapassar as barreiras no sector bancário, no financeiro, combater a burocracia, etc. Por parte da Europa existe uma percepção clara de que devemos encetar todos os esforços para, passo a passo, analisarmos as divergências políticas. Então, ao encontrarmos respostas para muitos deles, entenderemos que a política mudou. 

Enquanto presidente da Comissão Europeia, eu tentei criar diferentes projetos de cooperação a longo prazo, por exemplo, no sector das comunicações por via satélite. 

Devemos colaborar com a Rússia em projetos que exigem uma confi ança especial. Relembremos a guerra no Iraque. Na altura tínhamos posições demasiado divergentes. Hoje, afastamo-nos dos diferendos políticos, no sentido da uma maior cooperação. Chegou a altura de revermos alguns focos de tensão antigos. 

É óbvio que existem alguns problemas de liberdade de imprensa nos órgãos de comunicação social. Penso que são questões importantes. Mas a cooperação é essencial, mesmo tendo em conta as diferenças, para que o diálogo se desenvolva. E o diálogo pressupõe a ausência de preconceitos e julgamentos morais de ambas as partes. 

A. Oganesian: Recentemente, A. Mechkov, Embaixador da Rússia em Itália, em conversa com o Presidente da Câmara de Bolonha referiu que 1 milhão de turistas oriundos da Rússia visitam, anualmente a Itália. 25% de todas as compras, que são efetuadas por turistas, são feitas por russos. Alguns países, a Turquia, a Croácia, eliminaram os vistos para os turistas russos. Porém, o processo de discussão do regime de vistos entre a Rússia e a UE arrasta-se. O que acha sobre este assunto? 

Romano Prodi: A minha opinião sobre esta questão é simples: eu não sei para que existem os vistos, pois já não se constituem como barreira no caminho dos terroristas e não resolvem problemas análogos. Sempre considerei que o visto é um instrumento ultrapassado. Isto refere-se sobretudo ao regime de vistos com países que não têm emigrantes em massa, porque é claro, que, em caso contrário, o visto é um instrumento de controlo à entrada. Mesmo assim, a abolição do regime de vistos seria um suicídio. Referiu que a Itália é visitada por 1 milhão de russos, mas trata-se de 1 milhão de turistas russos bastante ricos. 

A problemática do regime de vistos não é isolada de outras questões. É essencial resolver o problema dos travões burocráticos nas nossas relações. 

I. Pellichiari: Gostaria de perguntar sobre a África. Você dedicouse à difícil questão da promoção da paz no continente. Que passos concretos foram tomados nesse sentido? Como está ligada a segurança ao desenvolvimento dos países africanos? Porque é que em África não existem questões simples... 

Romano Prodi: Será de mencionar que o processo de manutenção de paz em África é um grande problema. O número de conflitos em África, graças a Deus, está a diminuir, mas a situação continua ainda bastante difícil na região dos Grandes Lagos, no Sudão, na Somália, no Mali, no Chade. Considero que ainda não fizemos o suficiente nesse sentido. A minha proposta consistia na transferência para a União Africana de algumas competências no campo da manutenção de paz, mantendo as atuais, o que permitiria à União participar plenamente no processo de manutenção da paz, bem como daria tempo para a adaptação. Porém, o Reino Unido, a França e mesmo os EUA e a Rússia opuseram-se, justifi cando a sua decisão com o facto da União Africana não ser ainda suficientemente forte. Mas, se não fizermos uma aposta no futuro, é pouco provável que a África se erga. Se olharmos para cada um dos 54 países africanos, facilmente concluiremos que a sua indústria não está sufi cientemente desenvolvida para garantir os fornecimentos à economia nacional. 

Anualmente tem lugar o encontro entre a ONU, a União Africana, a UE, os EUA e a China. Espero que, no futuro, a Rússia se junte. Mas nós temos um interesse concreto em relação a África. Porém, a África não aparece entre as prioridades russas. 

Nós realizamos anualmente uma reunião que conta com a participação da ONU, União Africana, UE e EUA, intitulada “África: 54 países, um continente”. O primeiro realizou-se em Bolonha, o segundo em Washington, 

o terceiro em Adis-Abeba, e o quarto irá realizar-se em Pequim, em Maio do próximo ano. São discutidas questões relacionadas com o comércio intraafricano. É necessário desenvolver um mercado mais harmonioso, caso contrário África não continuará a desenvolver-se. 

África continua a ser incrivelmente pobre, mas, nos últimos cinco anos, começou a nascer uma esperança. Penso, que em parte, isso deverse-à à compra de matérias-primas por parte de empresas chinesas. Mas o desenvolvimento tem que ocorrer também em países como a Etiópia, onde não há recursos energéticos, não existem matérias-primas para a exportação. 

Temos que decidir se nos devemos envolver nesta temática, ou se as ditas “grandes potências”, incluindo a Rússia é claro, consideram que a África está encravada no passado, condenada à exploração e à manutenção do seu estado de desintegração. Até a política dos EUA não está dirigida para todo o continente. Cooperam com os países da África Ocidental, com alguns países “franceses”. O único país que coopera com todos os países de África é a China, tendo relações diplomáticas, se não me engano, com 51 dos 54 países. E, neste quadro, a China concorre com Taiwan, que está presente em toda a África. 

É claro que nos deparamos com um fenómeno interessante:a China é o único país no mundo que exporta, ao mesmo tempo, pessoas, bens, tecnologia e capital. Temos que pensar nesse desafio lançado pela China e analisar os seus aspetos políticos. Temos que começar a olhar para África enquanto um continente. A China, pelo contrário, trabalha no continente com cada país individualmente. 

A. Oganesian: Qual o papel da China e da Índia no mundo atual? Poderá o seu crescimento trazer mais estabilidade, ou contribuirá para a emergência de problemas mais complexos na Europa e na Rússia? 

Romano Prodi: É evidente que em muitas áreas a China será o primeiro ou segundo jogador a nível mundial. Trata-se de uma realidade objetiva, não só por causa do crescimento da sua população, mas também devido a alterações tecnológicas. A título de exemplo: Obama encontrou-se com operários em Fevereiro do ano passado e estes explicaram-lhe que a sua linha de montagem está localizada na China. Para tranquilizar o Presidente, eles disseram que o valor acrescentado da montagem está em Portland e constitui sete dólares para o Iphone e de 14 a 15 dólares para o Ipad. O Presidente perguntou: “Se a diferença não é assim tão signifi cativa, porque não está a linha de montagem nos EUA?” A resposta foi: “Isto é impossível, não por causa do preço”. As cadeias de produção estão prontas a trabalhar na China, no Japão e na Coreia do Sul, apesar de todas as questões políticas. A habilidade dos funcionários, o seu conhecimento técnico, a fl exibilidade da força de trabalho são lá de tal ordem que é impossível transferir a produção para os EUA. Claro que se trata de uma situação pontual, mas ao analisar o que se passa, penso que a Europa deve ser una, mesmo a Alemanha não pode vencer sozinha ao aceitar o desafio da China. 

E acrescento que ninguém gosta de enfrentar sozinho os EUA. Eles usam a Europa na qualidade de equilíbrio. Estou muito desiludido com o facto da Europa não unir os seus esforços à China. Os chineses dizem que não querem viver num mundo unipolar. Eles estavam felizes por existir o euro a par do dólar. Agora, a situação mudou. Eles estão desiludidos face ao euro, o seu objetivo já não é um cesto de duas divisas, eles gostariam de ter um cesto com várias divisas. 

Do ponto de vista de muitos chineses, o confronto com os EUA é inevitável. Mas existe um fator moderador para a China: sozinhos não conseguem suportar o mundo. Para haver equilíbrio é necessária mais uma força. E aí continuaremos a falar da Europa. 

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Romano Prodi

Presidente do Conselho de Ministros da Itália (1996-1998; 2006-2008)

Presidente da Comissão Europeia (1999-2004)