InterAffairs

Sáb.06242017

Last update09:48:30 AM

Leia nesta edição:
RUS ENG FR DE PL ESP PT ZH AR

Font Size

SCREEN

Profile

Layout

Menu Style

Cpanel
quinta, 11 julho 2013 14:36

Não existe alternativa sensata aos formatos de integração da CEI

Written by 

"Vida Internacional”: Senhor Karassin, as relações com os países — membros da CEI são uma prioridade invariável da política externa da Rússia. Seria possível falar hoje da existência de avanços radicais na cooperação que permitam alcançar um nível mais alto de colaboração com os Estados no espaço pós-soviético? 

Grigori Karassin: Não foi hoje que se formou a concepção de princípios de relações entre a Rússia e os seus vizinhos mais próximos — tenho em vista, em primeiro lugar, os Estados situados no espaço pós-soviético e as associações integrativas com a participação da Rússia. O desenvolvimento da colaboração bilateral e multilateral com os Estados, situados no espaço da CEI, constitui indubitavelmente uma prioridade da política externa da Rússia. Este postulado está consagrado na Concepção da política externa da Federação Russa. E para nós esta Concepção não é mera declaração. Os países — membros da Comunidade são nossos parceiros estratégicos mais próximos. Temos tarefas comuns no tocante ao desenvolvimento da sociedade, modernização das nossas economias, resistência a novos desafios e ameaças e criação de uma ordem mundial mais justa. 

As relações da Rússia com os países — membros da Comunidade têm como base a igualdade de direitos, a vantagem mútua e a consideração dos interesses mútuos. Certamente, os próprios processos integrativos exigem esforços por parte de todos os seus participantes e o volume destes esforços depende do peso econômico do país. Mas, afinal de contas, esta é uma contribuição para o futuro, para a criação de um nível qualitativamente novo de cooperação interestatal com dividendos econômicos sérios. Podese apontar, por exemplo, que somente durante o último ano a circulação mercantil no formato da Aliança Alfandegária aumentou quase 40%. 

Quanto à sua questão a respeito de “avanços radicais” na nossa colaboração, creio que semelhantes categorias são mais convenientes quando alguma causa começa a partir do ponto zero ou é reconstruída de uma forma radical. No espaço da Comunidade já se formou um sistema bastante ramificado de interação entre os Estados que abrange praticamente todas as esferas. Nós cuidamos sistematicamente da elevação da sua qualidade. Aí pode-se registrar êxitos indubitáveis na esfera econômica. São aperfeiçoados de uma forma coerente os mecanismos de colaboração humanitária, são resolvidas tarefas de garantia da segurança em todos os seus aspectos. 

“Vida Internacional”: Hoje na ordem do dia consta a questão de projetos integrativos de longo prazo que se realizam no espaço pós-soviético. A tarefa consiste em criar uma comunidade competitiva na Eurásia a fim de conseguir a integração efetiva no mercado mundial. O quanto é bem sucedida a colaboração da diplomacia russa neste processo? Será que os Estados — membros da CEI conscientizam esta tarefa? 

Grigori Karassin: O espaço da CEI “incorpora-se” ativamente no sistema moderno de relações políticas e econômicas. Certamente, a realização de processos integrativos de longo prazo no espaço pós-soviético é uma necessidade premente para todos. Para os países da Comunidade é mais fácil resolver em conjunto os seus problemas de desenvolvimento socioeconômico, que são em grande parte afins, e garantir para si um lugar condigno no palco internacional. A experiência mundial comprova que a integração bem-sucedida deve ter, em primeiro lugar, uma base econômica sólida, e os nossos parceiros compreendem bem isso. 

Portanto, você definiu de uma forma perfeitamente correta os objetivos que a direção do país nos aponta e cuja consecução é objetivo de esforços ativos da diplomacia russa. Creio que os resultados concretos permitem fazer uma idéia da sua efi ciência. 

Ultimamente temos constatado com prazer a aceleração notável da integração econômica no espaço euro-asiático. São perfeitamente palpáveis os primeiros resultados da Aliança Alfandegária da Rússia, Bielorússia e Cazaquistão, que começou a trabalhar a partir do primeiro de julho de 2011. Em primeiro de janeiro entrou em vigor o pacote de 17 acordos internacionais básicos, indispensáveis para o Espaço Econômico Único dos Três Estados. A Quirguízia e o Tajiquistão, nossos parceiros no quadro da Comunidade Econômica da Eurásia, incorporam-se gradualmente nos processos efetuados por três países acima mencionados. No primeiro de fevereiro começou a trabalhar a Comissão Econômica Euro-asiática — o órgão permanente único da Aliança Alfandegária e do Espaço Econômico Único, a que serão transferidos poderes cada vez maiores que estão agora ao nível nacional. Foi formulada a tarefa de pôr em funcionamento até o primeiro de janeiro de 2015 a Aliança Econômica da Eurásia. Trata-se, indubitavelmente, de um dos projetos mais ambiciosos, realizados nos últimos anos na área da Comunidade, de um projeto que irá determinar tanto o futuro dos seus três membros atuais, como do espaço pós-soviético em geral. 

Um importante evento foi a assinatura em outubro do ano passado de um novo Tratado sobre a zona do comércio livre no quadro da CEI, destinado a substituir toda uma série de acordos multilaterais e bilaterais. O novo tratado leva em consideração normas e regras da Organização Mundial de Comércio. A Rússia concluiu o processo de ratificação deste documento em primeiro de abril. Esperamos que os nossos parceiros na Comunidade também concluam proximamente os processos de ratifi cação. 

A economia está relacionada a mais uma prioridade da interação no quadro da Comunidade, ou seja, comunicar um impulso real à colaboração nas esferas técnico-científica e de inovações, o que corresponde diretamente ao imperativo de modernização econômica dos nossos países e cria premissas necessárias para a elevação da competividade das economias nacionais. Foi aprovado e está sendo concretizado o Programa Interestatal de Cooperação na Esfera de Inovações que abrange o período até o ano de 2020. 

“Vida Internacional”: Nas relações entre a Rússia e os Estados — membros da CEI estão em vigor numerosos mecanismos de colaboração, em particular, a Aliança Alfandegária e a Comunidade Euro-Asiática de Economia. Quanto ao nível político, trata-se das cúpulas Rússia — CEI, Assembléia Interparlamentar da CEI, filiação dos Estados — membros da Comunidade na Organização do Tratado de Segurança Coletiva e na Organização de Colaboração de Xangai. Quais são as tarefas geopolíticas que estes mecanismos devem resolver em perspectiva estratégica? 

Grigori Karassin: Teve razão ao apontar a pluralidade dos mecanismos integrativos no espaço da CEI. Realiza-se na prática o princípio de “geometria móvel” de colaboração que permite aos Estados escolher livremente os formatos e rumos da cooperação em conformidade com a sua especifi cidade, interesses e aspirações na política externa. Este enfoque a partir de diversos níveis corresponde a realidades existentes e à experiência internacional. 

Certamente, as estruturas mencionadas diferem uma da outra quanto à composição e variedade de problemas resolvidos. Mas afinal de contas todas elas são uma parte inalienável dos processos integrativos regionais que visam objetivos geopolíticos comuns. 

A “meta” estratégica, ou, por outras palavras, a supertarefa é o desenvolvimento firme e dinâmico do nosso espaço comum, garantia da sua segurança e elevação da qualidade de vida dos cidadãos. A chave do êxito é a consolidação e o ulterior aprofundamento da nossa cooperação multivariada. Importantes vantagens competitivas dos nossos países é a fusão dos recursos naturais, tecnológicos, intelectuais e laborais, a cooperação na esfera de produção, a utilização conjunta das vias de transporte e a unificação dos mercados. Podemos e devemos utilizar tudo isso para o bem dos nossos Estados e povos. 

“Vida Internacional ”: Depois do desmoronamento da União Soviética, a Rússia procurou manter o relacionamento historicamente amistoso com a Ucrânia — um país ligado a nós durante dezenas de anos por vínculos econômicos, pelo destino comum e por liames familiares. Todavia, nos últimos anos este relacionamento foi submetido a grandes provações. O que é que a diplomacia russa faz não somente para evitar a debilitação dos vínculos das relações russo-ucranianas mas também para consolidá-las numa perspectiva de longa duração a despeito de “conflitos de gás” e outros? 

Grigori Karassin: Com efeito, o nosso relacionamento com a Ucrânia tem um caráter especial. Somos povos irmãos, com a história multissecular comum e de línguas afins. Culturas próximas, entrelaçadas por muitos fios, espiritualidade única, relações estreitíssimas de parentesco entre as pessoas — são estas as raízes, o fundamento em que se baseia a nossa interação multilateral da atualidade. 

É preciso acrescentar a isso as relações existentes na esfera de economia, 

o interesse mútuo em relação ao desenvolvimento de relações comerciais e na esfera de investimentos, projetos de infra-estrutura comuns, contatos nas esferas da ciência e desenvolvimento de novas tecnologias. Os nossos países deparam também desafios e problemas comuns da época moderna, incluindo problemas no palco internacional. 

Constatamos com satisfação que a atual direção ucraniana e a maioria esmagadora dos nossos parceiros na Ucrânia estão a favor da preservação e desenvolvimento de relações mais estreitas com a Rússia em todas as esferas da nossa colaboração. 

Quanto a algumas questões litigiosas nas relações com a Ucrânia, é preciso constatar, em primeiro lugar, que elas não são insolúveis, e, em segundo lugar, que existe a disposição mútua de buscar e encontrar num plano construtivo e sério as soluções mutuamente admissíveis e vantajosas de quaisquer problemas, por mais complicados que pareçam. 

Nos contatos com os nossos parceiros ucranianos partimos invariavelmente da suposição de que a manutenção da colaboração estreita de plena envergadura corresponde na íntegra aos interesses dos nossos países e povos e deve contribuir para o seu desenvolvimento e prosperidade. 

Pretendemos continuar a levar a cabo esta política também no futuro e esperamos que ela tenha também o apoio e a compreensão na Ucrânia. 

Gostaria de ressaltar que a Rússia está interessada no desenvolvimento de relações ao máximo de estreitas com a Ucrânia em todas as esferas sem exceção, — quer se trate da economia, política, questões humanitárias ou negócios internacionais. Estamos convencidos de que o estabelecimento de vínculos multilaterais corresponde também aos interesses fundamentais do povo ucraniano. É evidente que as idéias propostas de ampliar os processos de integração no espaço pos-sovético, incluindo propostas de criar futuramente uma Aliança Euro-Asiáica, podem ser interessantes também para os nossos parceiros ucranianos. 

A Rússia não faz segredo do fato de que gostaria de que a Ucrânia seja não somente parceiro estratégico nas relações bilaterais, mas também uma das locomotivas dos processos de integração que se realizam no nosso espaço comum. A vantagem mútua, proporcionada pela soma dos nossos esforços, das nossas possibilidades e do nosso potencial é evidente. 

“Vida Internacional”: A Geórgia, que tinha saído em 2008 da CEI, não mantém relações diplomáticas com a Rússia. Será que este país continua um “buraco negro” para a Rússia? 

Grigori Karassin: As relações interestatais entre a Rússia e a Geórgia estão agora num beco sem saída. Os governantes de Tbilici procuram à toa atribuir toda a culpa por isso à Rússia. Mesmo a propaganda mais requintada não pode embelezar uma mentira. Na consciência de M. Saakachvili estão a aventura criminosa na Ossétia do Sul em agosto de 2008 e o assassinato dos nossos soldados das forças de pacificação e de um sem número de cidadãos pacíficos em Tskhinvali. A direção georgiana implanta propositadamente na consciência da sociedade a imagem hostil da Rússia, a língua russa é banida das escolas georgianas, os monumentos aos heróis da Grande Guerra Pátria são derrubados e a máquina de propaganda cinzela a tese de que a Geórgia tivesse sofrido durante séculos o regime de ocupação russa. 

Apesar da hostilidade dos círculos oficiais de Tbilici e das suas manobras, sempre fomos e continuamos abertos para quaisquer passos construtivos rumo à normalização das relações bilaterais. Jamais renunciamos a conversações. Por exemplo, nós continuamos, juntamente com a Abkhazia e a Ossétia do Sul o diálogo direto com Tbilici nas Discussões de Genebra a respeito da Região Transcaucasiana. Há pouco propusemos restabelecer as relações diplomáticas, que tinham sido rompidas pela parte georgiana. Infelizmente, a nossa iniciativa que poderia contribuir realmente para a normalização das relações, foi indeferida. 

Todavia nós continuaremos a fazer todo o possível na atual situação a fim de preservar os vínculos humanitários, humanos e pessoais entre os habitantes dos nossos países. Funciona o tráfego automóvel e aéreo direto, são mantidos contatos entre as personalidades da igreja, da cultura e da ciência, assim como contatos humanitários. Importa impedir o rompimento da proximidade historicamente tradicional entre os nossos povos — irmãos. 

Tendo em vista esta tarefa, propusemos à parte georgiana implantar numa base mútua o regime de supressão de vistos para os cidadãos dos nossos países. Porém os círculos oficiais de Tbilici refutaram também esta iniciativa mas redobraram os esforços a fim de continuar a preconizar a anulação unilateral pela Geórgia de vistos para os cidadãos russos. Um caso de hipocrisia realmente excepcional: ao mesmo tempo os serviços de segurança da Geórgia cuidam de descobrir e de prender, sem alardear, os cidadãos russos que antes de vir à Geórgia tinham visitado a Abkhazia e a Ossétia do Sul. 

Estou certo, apesar de tudo, que a superação da crise nas relações russo — georgianas, criada pela política de M. Saakachvili, é algo perfeitamente real. Entre os nossos povos existe a afi nidade espiritual e histórica, temos tradições seculares de amizade e de boa vizinhança. Centenas de milhares de georgianos étnicos são cidadãos russos com toda a plenitude de direitos, muitos representantes eminentes da comunidade georgiana fazem parte da elite cultural, política e econômica da nossa sociedade. A normalização das relações é predeterminada pela vida. Mas quanto ao prazo da sua realização, isto depende do momento em que o poder em Tbilici ficar nas mãos de uma direção sã de espírito e responsável que irá orientar-se pelos verdadeiros interesses nacionais da Geórgia, incluindo o mais importante deles, — viver em concórdia com os vizinhos mais próximos. 

“Vida Internacional”: A Moldávia ocupa uma posição à parte no quadro da CEI. Quais são as realidades do seu relacionamento com a Rússia, será que este Estado não sairá da CEI? 

Grigori Karassin: A interação com a República da Moldávia tem o seu passado, presente e futuro. O status neutro determina o comedimento dos moldávios no que diz respeito à participação nos formatos coletivos de garantia da segurança dos países — membros desta Comunidade. 

Por outro lado, não se pode esquecer que os acordos, que constituem a base de formação da CEI e dos Estados que a compõem, garantem a integridade territorial da República da Moldávia. 

Um enfoque do problema em geral, a partir das posições do dia de hoje, torna evidente que é preciso concatená-las com as prioridades do governo da República da Moldávia, formuladas no seu programa. Pode-se mencionar entre estas prioridades o seguinte: a realização do diálogo e da colaboração política no quadro desta organização a fim de utilizar as vantagens na esfera de deslocamento livre de pessoas, no desenvolvimento do comércio, da esfera social e do intercâmbio humanitário-cultural. 

Portanto, a Comunidade proporciona vastos limites para a colaboração. Em qualquer hipótese, no processo de participação nos trabalhos desta organização a República da Moldávia pode, ela própria, tirar conclusões sobre as vantagens de diversas formas de aproximação integrativa. 

Na nossa opinião, a aspiração da direção moldávia de apressar o estabelecimento de relações com a União Europeia não contraria a realização dos interesses nacionais da República da Moldávia em seu conjunto, isto é, no espaço da CEI. Esta atitude estratégica corresponde na íntegra à disposição dos círculos sociais do país. 

“Vida Internacional”: Quais são as prioridades no desenvolvimento de relações com os Estados da Ásia Central? 

Grigori Karassin: A região da Ásia Central ocupa um lugar à parte na escala de prioridades da política externa da Federação Russa. Procuramos desenvolver relações de parceria estratégica e de cooperação em mais diversos planos com os Estados da Ásia Central. Estamos interessados na consolidação da estabilidade sócio-política e econômica nesta região. O êxito de esforços, empreendidos em conjunto, determina em grande parte a nossa capacidade comum de resistir aos novos desafios, como, por exemplo, a difusão do terrorismo, extremismo e do crime organizado, o tráfico de drogas e a migração ilegal. É evidente que neste caso se trata também do bem-estar e da segurança na própria Rússia. 

A Rússia procura contribuir de uma forma real para que os Estados da Ásia Central sintam o efeito e a atratividade dos processos de integração no espaço da CEI, visto que precisamente estes Estados é que constituem a “ossatura” principal das estruturas integrativas no território pós-soviético. 

Temos dedicado muita atenção ao desenvolvimento da cooperação econômica com os países da Ásia Central tanto no formato bilateral, como no quadro da Comunidade Euro-Asiática de Economia e da Organização de Colaboração de Xangai. A esta mesma categoria pertence também o aprofundamento da interação no quadro da Aliança Alfandegária e do Espaço Econômico Único. Por enquanto nestes processos está implicado ativamente o Cazaquistão mas outros países da região também manifestam a vontade de incorporar-se neles. 

Outros exemplos positivos da colaboração internacional com os países da Ásia Central são a utilização bem-sucedida por nós das áreas da Comissão Econômica Europeia e do programa especial da ONU em prol da economia dos países da região, a fim de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico da Ásia Central na esfera de recursos energéticos e hídricos, assim como, na esfera de inovações. 

Quanto à política comercial, o mais importante para nós é o “ajuste” entre a intenção dos Estados da Ásia Central de incorporar-se nos processos de integração no espaço da CEI e a perspectiva da sua participação do comércio mundial na qualidade de membros da Organização Mundial de Comércio. 

Uma importante prioridade nas nossas relações com os países da Ásia Central continua a criação de condições favoráveis par mais de 5,7 milhões dos nossos compatriotas que residem nestes países, a defesa dos seus direitos e interesses e a preservação dos seus vínculos espirituais e culturais com a Pátria histórica. 

Tudo isso determina a prioridade da Ásia Central na qualidade da zona de interesses estratégicos da Rússia. 

“Vida Internacional”: Sr. Karassin, como o Sr. avalia a possibilidade de reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkhazia no mundo? Quais são as tendências que predominam hoje: a resistência ao processo de reconhecimento, a inércia, ou, pelo contrário, a lealdade? 

Grigori Karassin: Além do nosso país, a independência das jovens repúblicas da região transcaucasiana já foi reconhecida pela Nicarágua, Venezuela, Nauru, Vanuatu e Tuvalu. Somos da opinião de que estes passos importantes afirmam o direito inalienável dos Estados soberanos de levar a cabo uma política externa independente, contribuem objetivamente para a formação de um mundo multipolar, estimulam o desenvolvimento de relações internacionais. 

O processo de consolidação de posições de Sukhumi e de Tskhinvali na política internacional, incluindo o estabelecimento de relações ofi ciais com outros Estados, depara a resistência encarniçada por parte da Geórgia e dos países ocidentais que apóiam os planos revanchistas de “reintegração” da Abkhazia e da Ossétia do Sul. Os países que adotam um enfoque imparcial para com as realidades do Cáucaso, sofrem uma pressão sem-cerimônia de fora. Conhecemos estes fatos. Lança-se mão de démarches rígidas, algumas das quais vêm do nível muito alto, advertências sobre conseqüências políticas e ameaças de cessar a ajuda humanitária e econômica. 

Todavia, ninguém conseguirá deter o processo objetivo de ingresso dos dois novos Estados na comunidade mundial. Uma garantia disso é, em primeiro lugar, a edificação nesses países do seu próprio sistema estatal e a consolidação de instituições sociais e políticas de orientação democrática. Já agora existem vastas relações com numerosos países do Próximo e Médio Oriente, da América Latina e da Oceania nos planos de contatos entre os círculos sociais, parlamentos, círculos de negócios, estabelece-se a cooperação econômica mutuamente vantajosa. Merece elevado apreço a atividade enérgica dos serviços diplomáticos de Sukhumi e de Tskhinvali nesta esfera. Nós, da nossa parte, continuaremos a prestar todo o apoio necessário no palco internacional aos nossos amigos da Abkhazia e da Ossétia do Sul. 

“Vida Internacional”: E, para finalizar, quais são as perspectivas da preservação da estabilidade regional e do desenvolvimento progressivo dos países da CEI na condições do mundo em vias de globalização? 

Grigori Karassin: A comunidade desenvolve-se permanentemente, mas não existem parâmetros rígidos da sua evolução e das suas perspectivas. O futuro do nosso espaço comum depende da nossa capacidade de responder condignamente aos desafios do mundo moderno e de preservar a atração mútua dos nossos países. Pode qualificar isso, se quiser, como obra política da direção dos Estados. 

Na nossa opinião, justifica-se na íntegra a fórmula de garantia da segurança e da estabilidade regional através do desenvolvimento, que tinha sido adotada na qualidade da base. Hoje em dia na CEI existe a compreensão comum da importância da existência da Comunidade e da necessidade de elevar a sua eficiência para cada um dos seus membros. Funcionam a Concepção do Ulterior Desenvolvimento da CEI e o Plano de Medidas Básicas da sua realização. Realiza-se a sua execução em todos os setores do trabalho. 

Somos realistas: os formatos integrativos que existem hoje no espaço da CEI não são instrumento ideal da interação dos nossos países. Mas também está perfeitamente claro que simplesmente não existe uma alternativa sensata a estes formatos, da mesma maneira que a alternativa para o desenvolvimento de relações mutuamente vantajosas entre a Rússia e os seus vizinhos mais próximos. A integração regional e sub-regional é uma tendência objetiva no mundo de hoje. E não constituímos nenhuma exceção neste plano. 

 

Read 792 times Last modified on sábado, 13 julho 2013 23:23