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sexta, 13 outubro 2017 00:44

Poderia haver uma rivalidade dos EUA com a RPC na Europa Central e do Leste? (estimativas de petitos ocidentais)

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Já não é pelo primeiro ano que os peritos europeus e norte-americanos estão preocupados com as posições da China na Europa Central e do Leste que continuam consolidando-se. Em setembro deste ano o antigo vice-conselheiro para a segurança nacional do presidente George Walker Bush,  Mark Pfifle, notou na mensal “The National Interest” que “a China tem aumentado consideravelmente sua força militar e econômica [alí]  ”. Segundo disse o autor, “está em jogo a região de importância vital da qual os EUA dependem no plano do comércio e do apoio geopolítico, a qual serve de um tampão separando os EUA da Rússia e da China simultaneamente”[i]. Aquepontotaisreceiospodemsersérios?

Uma análise da situação real e das publicações de outros peritos do Ocidente mostram que o aumento da atividade política e econômica da China na Europa do Leste e Central realmente está entrando em contradição com os interesses geopolíticos e econômicos dos EUA. Os peritos ocidentais consideram como a maior ameaça a apresentada por Beijing no anos 2010 a inciativa  “o Sinturão e a Rota da Seda” com o oficialmente proclamado objetivo de “busca, formação e promoção de um novo modelo da cooperação internacional” à base dos princípios de “vantagem para todos os participantes”. Não obstante segundo os dados do Instituto Noroeguês das Relações Internacionais na China já estão sendo travadas discussões políticas que dizem respeito ao caráter de prioridades reais do projeto: a economia (“de maneira como isso é apresentado ao Ocidente”) ou a realização de tarefas políticas no domínio da segurança nacional e também a garantia de mudanças na esfera do direito internacional, vantajosas para a RPC. Está sendo comunicado que um grupo de “peritos chineses influentes” têm a convicção de a iniciativa “O Sinturão e a Rota da Seda” ter como o objetivo principal de longo prazo a intenção de transformar a ordem mundial existente que se baseia nos princípios do chamado “Consenso de Washington”. [ii].

AlémdissonaopiniãodemutitosobservadoreseuropeuseamericanosaestrategiadapolíticaexternapelaqualBeijingoptaemrelação à EuropapraticamentefavoreceacisãodaUniãoEuropeia. Este ponto de vista é compartilhada em particular em Berlim. O ministro das relações exteriores da RFA, Sígmar Gabriel, numa intervenção feita em setembro último em Paris declarou que os projetos de investimento promovidos por Beijin numa série dos paises do Sul e do Leste da Europa visam, entre outros objetivos, minar o consenso que os países da UE têm na política externa. O chefe da diplomacia alemã fez lembrar em particular de a Grécia bloquear a resoluçãso da UE sobre a violação dos direitos humanos  na RPC tendo recebido os investimentos chineses de muitos milhões.  Um outro exemplo foi a mudança da atitude da União Europeia para com a recusa de Beijing a aceitar a decisão da Câmara Permanente  da Tribunal de Arbitragem de Haia que não terá confirmado como pertencentes à China algumas ilhas em disputa no Mar da China Meridional. A posição da UE foi moderada por causa de exigências por parte de alguns países-membros interessados no aproveitamento do capital chinês. [iii].

A China começou formando sua esfera de influência na Europa em 2012 com o anúncio do programa de interação financeira e econômica com uma dúzia e meia de países da Europa Central e do Leste e dos Balcãs que ostenta o nome de “16+1”[iv]. As promessas de bilhões de investimentos parecem especialmente atraentes para os países que têm medo de ficar na periferia da ordem do dia da CE ou tornar-se dominados pelos seus membros principais, tais como a Alemanha e,  um poco menos, - a França. Na opinião dos peritos ocidentais a prática real da unteração diz que a fórmula “16+1” seria mais um formato conveniente de estabelecimento das relações bilaterais entre Beijing e os países europeus que na opinião da China formam um “elo fraco” da UE, ou seria uma “poterna” para a penetração na esfera de influência da Comunidade Europeia. Consórcios e companhias chinesas que às vezes têm estreitas relações com o estado procuram “dominar” os setores e nichos do mercado da maior perspectiva e também trazer o maior número possível de especialistas e trabalhores da China para os países-recipientes.  Estessãoosreceiosdosperitosocidentais.

É de notar que apenas uns dez anos atrás a tática semelhante de manipulações com a Europa através de relações bilaterais “especiais” com um grupo de países do centro e do leste da Europa tinha sido aproveitada pelo então ministro  da defesa dos EUA, Donald Ramsfeld. Hoje, à luz do apoio que o atual dono da Casa Branca  demonstrou em relação à “Iniciativa dos Três Mares” apresentada  pela Polónia e Croátia[v], a Europa tem receios crescentes de que talvez se tivesse iniciado uma “corrida pela liderança” norte-americana e chinesa no campo de retardamento (e até uma possível volta para trás de 180 graus) do prcesso da integração europeia.

Entretanto, como dizem os opositores de Donald Trump em Washington, a atual ordem mundial “criada pelos EUA depois da Segunda Guerra Mundial” traz vantajens à América do Norte, e os estreitos laços da solidariedade atlántica são uma das bases do poderio global dos EUA. Deste modo, destaca  Kori Schake cientista do Instituto Hoover, “estes europeus maçantes” são não apenas uma garantia da manutenção da ordem mundial com os EUA à cabeça, mas também um elemento importante de seu desenvolvimento e consolidação. “Aproveitaremos de sua assistência para fazer frente aos desafios por parte da Rússia, que estão ganhando força no Oriente Médio, e também  - à China que está levantando-se (caso esta última realmente chegar a ser uma potência mundial)”.   

Afinal, a política externa dos EUA na Europa já está defrontando-se com a crescente rivalidade global com a China. Na opinião de um grupo grande de observadores norte-americanos o aumento da rivalidade entre os EUA e a RPC “automaticamente” poderia obrigar Washington a reduzir seus compromissos eurupeus no domínio da defesa. Em tal caso o enfraquecimento dos laços atlánticos se tornaria praticamente inevitável. A diminuição do papel dos EUA na Europa em geral e nas suas regiões do leste em particular se tornaria uma realidade objetiva[vi].  

Quanto à compertição de Washington e Beijing  do caráter puramente econômico esta também terá adquirido os traços estratégicos. Um fortalecimento “descontrolado” da China (na terminologia dos peritos ocidentais) poderia minar as posições econômicas dos EUA na Eurásia - as mais importantes para os negócios norte-americanos nesta região – através de um desalojamento direto de conpanhias norte-americanas dos mercados da Europa e da Ásia. A base diss, na sua opinião, estará “A Rota da Seda” – um dos elementos da estratégia “A Sinturão e a Rota da Seda”, um projeto multilateral que possa fazer com que sejam disponíveis a Bijing os corredores transcontinentais de transporte  com a capacidade de estrada praticamente ilimitada e que não dependem da vontade estratégica de Washington. 

Na Europa, diz o diário francês “Liberacion”, a China, além da rivalidade estratégica com os EUA, procura obter acesso aos mercados, “know-how” e às tecnologias com o objetivo colocado de superar a maior potência econômica no mundo. O sonho de um “grande mercado chinês”  que se reflete no programa de “novas rotas da seda” promete novas oportunidades comerciais que  servem de uma isca para as companhias e os países que às vezes estão dispostos a cooperar menosprezando consequências negativas  possíveis numa perspetiva de longo parzo [vii].

Prometendo investimentos generosos aos países no leste europeu “a China exige um controle do capital e o operacional”, - faz lembrar o mencionado Marc Pfifle; Isso asseguraria a Beijing um cotrole total de uma infraestrutura de importância vital, “o que lhe dá uma alavanca da influência comparável só à de Moscou nos tempos da Guerra Fria”. “A China aproveita a oposição da Rússia com os EUA para apoderar-se das partes vitais da infraestrutura energética e dirigi-lás”. Graças a  esta tática a China já tem na sua disposição “o sinturão energético” que se estende do Mar Báltico até o Mar Negro: sob a direção da China estão de fato as partes vitais da infraestrutura da Bulgária, Chéquia, Polónia, Roménia e Espováquia[viii].

Também em Bruxelas cresce a inquietação com a insistência dos invesidores chineses. Nos meados de setembro o diário alemão “ Sueddeutsche Zeitung” informou de um documento que acabou de ser preparado pela Comissão Europeia o qual contem vários receios por causa de “investimentos diretos do exterior”. Segundo à informação na disposição do diário trata-se antes de tudo do capital chinês. São a Alemanha, a França e a Itália que expressam a maior inquietação desejando que as regras existentes nesta esfera sejam mais rigorosas[ix], informa o diário. No entanto, diz-se em conclusão, muitos países da UE têm medo de espantar companhias chinesas tratando as como investidores desejados.  .

A região da Europa Central e do Leste historicamente é uma esfera dos interesses vitais da Rússia. Um aumento potencial da rivalidade entre Washington e Beijing poderia ser um sério desafio às posições de Moscou nesta região. Simultaneamente a Rússia teria novas oportunidades: de representar o papel de um intermediário-balanceiro nos assuntos europeus. A pesquisadora russa, Marina Bussyguina, nota que a possibilidade “de uma mudança radical do dinamismo nas relações com a União Europeia” ainda existe, e “o pensamento de que seja necessário procurar uma saida do impasse nas relações com a Rússia fora  do roteiro de uma contenção rigorosa continua existindo na mentalidade das elites europeias”[x].

 


[i]Traduçãhttps://www.inopressa.ru/article/25Sep2017/nationalinteres/china.html

[ii] William A. Callahan, China’s Belt and Road Initiative and the New Eurasian Order \ Norwegian Institute of International Affairs, Policy Brief, 222016 \ https://brage.bibsys.no/xmlui/handle/11250/2401876

[iii] http://en.europeonline-magazine.eu/german-foreign-minister-warns-euagainst-divisive-chinese-tactics_574948.html

[iv] O grupo compreende 11 países da UE: a Bulgária, Croátia, Chéquia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituánia, Polónia, Rómenia, Eslováquia e Eslovénia. E também 5 países  balcânicos: a Albánia, Bósnia e  Herzegovina, Macedónia, o Montenegro e a Sérvia. 

[v] Como o objetivo principal da “Iniciativa” foi declarada a intenção de alargar e divercificar os corredores de transporte e as relações econômicas na região entre o Mar Báltico e o Mar Negro. No entanto na opinião de alguns oservadores isso é nada mais do que uma nova redação da ideia de «Intermarium» apresentada por Józef Piłsudski depois da Primeira Guerra Mundial com vista a prevenir que a Rússia ou a Alemanha dominassem na Europa Central e do Leste.

[vi] Responding to China's Rise: US and EU Strategies \ Vinod K. Aggarwal, Sara A. Newland Ed., Switzerland, 2015.

[vii] https://www.inopressa.ru/article/27Sep2017/liberation/chine.html

[viii] https://www.inopressa.ru/article/25Sep2017/nationalinteres/china.html

[ix] https://www.inopressa.ru/article/14Sep2017/sueddeutsche/chinese.html

 

[x] http://carnegie.ru/commentary/73156

 

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