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terça, 16 fevereiro 2016 12:12

A terceira guerra mundial: é mito ou realidade?

Written by  Serguei Gláziev é o economista russo, político, conselheiro do Presidente da Rússia

“Mas também hoje Jesus chora. Porque nós preferimos o caminho das guerras, o caminho do ódio, o caminho das inimizades. Estamos próximos ao Natal: teremos luzes, festas, árvores luminosas e presépio. Tudo falso: o mundo continua fazendo guerras. O mundo não entendeu o caminho da paz.”

“…temos de perceber que as celebrações de Natal este ano para aqueles que optam por celebrar pode ser sua última”

“… terceira guerra mundial havia começado…”

Papa Francisco


Serguei Gláziev
é o economista russo, político, conselheiro do Presidente da Rússia. O ex- ministro das relações económicas externas da Rússia, deputado do Parlamento Russo. É antigo candidato a presidente da Federação Russa (2004). Doutor em Economia, professor, académico de Academia de Ciências da Rússia, membro da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia.

 

A terceira guerra mundial: é mito ou realidade?

Após a distruição da União Soviética e do sistema mundial socialismo, o fim de historia não chegou, contrariamente às opiniões de apologistas do Ocidente. Não desapareceu, nem o socialismo, nem a crise do capitalismo. Em primeiro lugar, verdade, adquiriu uma especialidade chinesa e integrou os mecanismos de mercado integrado de auto-organização, dando origem ao novo tipo de relações socio-económicas. Em segundo lugar, adotando o aspeto da crise financeira global, alcançou a escala mundial. Entretanto, igual à Grande Depressão de 1930, não prejudicou as economias sociolisticas, que junto com a China tambem tinham Vietname, Cuba, parcialmente India e a Coreia do Norte,e em parte mantém sua singularidade. Pelo contrário, tal como a URSS desfrutou da Grande Depressão em países capitalistas para industrialização socialista, a China, tendo assimilado uma vasta gama de tecnologias ocidentais, em resposta à crise global, começou a subir no mercado interno.

Sem dúvida, isto é nada mais do que um paralelismo histórico, que ilustram a complexidade do processo de desenvolvimento economico mundial. A parte constante, segundo a expressão justa do Presidente da Russia Vladimir Putin, permanece apenas a geopolítica. Não mudou sua essência anti-russa nem após o queda dos sistemas socialistas do mundo, nem após o queda da URSS, permanecendo o mesmo como nos tempos do Império Russo.

Porquanto os nossos “parceiros” ocidentais pensam através de categorias geopolíticas, ao analisa-los, podemos prognósticar dos seus comportamentos posteriores. Caso contrário, conseguiremos medir apenas a asneira de expressões de representantes publicas americanas nos termos de Psaki, sem entender a lógica das suas acções. É sem dúvida a lógica existe, porque por essas acções os contribuintes americanos têm de pagar um preço consideravel e portanto eles devem saber responder a pergunta: porquê?

Supondo que, por unanimidade, ambas os representantes das câmaras do Congresso votarem pela resolução anti-russa, a classe dirigente americana sabe resposta a essa pergunta. Ou pelo menos pensa, que sabe. Não por uma questão de ucranianos insatisfeitosque os serviços especiais dos EUA organizaram o Maidan com consequentes terroristaspolíticos, massacres e tripla redução do padrão de vida, pois não?

Para o leitor inexperiente o termo geopolítica parece como balanceamento complicado de palavras habituais, que teêm um sentido incompreensivel e ocultado para os profanos.

A geopolítica russa sempre foi rica de materia e de conteudo e determinava-se ou pelas necessidades internas  ou pelas ameaças externas. Por isso as teorias abstractas das ideias politologicas ocidentais parecem enigmaticos e deficeis de entender para a consciência russa. Bem como as personificações práticas na politica externa de potências ocidentais. Por exemplo, sua obsessão durante os séculos de “Drang nach osten” de uma tendência desenfreada de conquista de nossas terras e eliminação do nosso povo.

Parecia que os agressores ocidentais multiplas vezes experimentaram pessoalmente a sentença ilustre de Alexandre Makedonskiy “Quem vem para nós com espada aquele morrerá de espada” e já podiam se acalmar. Ao contrário, no terceiro milénio depois de Cristo eles estão a continuar obstinadamente a violar os principais mandamentos como “não matar” e “não roubar”.

Até hoje as guerras contra a Russia não trouxeram grandes vitórias ao Ocidente. Entretanto,danificaram consideravelmente tanto a Russia como a Europa. Na verdade não a toda a Europa, mas a sua parte continental, onde muitas vezes passaram as tropas russas, acabando com o agressor no seu covil. A Grã-Bretanha sempre estava afastada das zonas de guerra mas participou ativamente no território estrangeiro. Igualmente evitaram os terrores de duas guerras mundiais em que os americanos, todavia se consideravam vencedores. Nesse caso, faz-se perguntar sobre o segredo geopolítico dos anglo-saxões, que permitia, há mais de dois séculos, dominar a maior parte do Planeta e travar guerras em todos os continentes e em nenhum deste período deixaram os inimigos entrarem no seu território.

Sem dúvida, os historiadores procurarão muitas explicações destes acontecimentos. Todavia fala-se de um êxito surpreendente da geopolitica inglesa de um lado, e de outro lado, os prejuízos russos por estarem engajados nisso,bem como para os outros paises, cuja cooperação com os ingleses tornava-se catástrofes. Como sabiamente anotou um geopolítico russo Alexey Edrikhin: “Pior que inimizade com anglo-saxão pode ser só uma coisa – amizade com ele”.

O analítico genuino C. Marcetti uma vez disse que as nações comportam-se igual aos humanos. Do mesmo modo competem, intrigam, invejam e esclarecem as relações entre si sob influência emocional. E caso é assim, qual é a particularidade da ética geopolítica inglesa? Como se distingue, digamos, da russa?

A consciencia nacional russa, segundo Fedor Dostoevskiy, distingue-se em “compassividade mundial”. Ela revelava-se na política externa tanto na altura do Império Russo bem como na altura da União Soviética. Czares responderam aos pedidos dos povos oprimidos, dando a cidadania e apoiando no desenvolvimento.
A Rússia considerava-se responsável por todo o mundo ortodoxo e eslavo, perdendo muitos combatentes russos na proteção da Geórgia dos povos guerreiros de Cáucaso bem como durante a libertação de Balcãs de jugo otomano. A União Soviética fazia um combate esgotante pelo estabelecimento do socialismo em todos os continentes do Planeta, apoiando aos partidos comunistas, aos movimentos libertadores nacionais e aos países em desenvolvimento da orientação socialista, mas afundou-se em Afeganistão com neutralização de uma ameaça duvidosa de intercepção pelos americanos de controlo territorial.

De outras palavras, a geopolítica russa sempre foi cheia de ideia e orientada na ajuda fraternal aos povos. Em comparação com os ingleses, que organizavam escravatura nas colônias, os povos aderidos ao Império Russo nunca foram discriminados, e a sua camada de dirigentes unia-se com elite governante.

A União Soviética prestava atenção principal ao desenvolvimento de subúrbios –
o Império Soviético foi único no mundo, que desenvolvia as suas “colônias” por conta do centro sem superlucros como faziam os ingleses na Índia, China e Africa.

O significado determinante da ideologia também manifestava-se em relações de aliado que a Russia estabeleceu durante várias épocas históricas. Nos anos da Primeira Guerra Mundial o Império Russo sofreu perdas extraordinárias, começando por pedido de aliados um ataque mal preparado para desviar as forças alemãs de Paris e mandou, como apoio aos franceses, um corpo expedicionário. Sacrificar a vida “por amigo meu” para geopolítica russa é tal sagrado como para um russo. E assim sacrificaram milhões de vidas, libertando a Europa do fascismo. Mas Estaline podia parar com a libertação da URSS, chegando ao acordo do mundo separado com a Alemanha em troca de reparações e libertação dos povos eslovenos, deixando campo de batalha aos anglo-saxões!

Hoje, temos bastantes dados que permitem afirmar o papel critico da geopolítica inglesa em descandeamento da Primeira Guerra Mundial através de manipulação das camadas governamentais participantes nessa Guerra bem como de organização da revolução de Fevereiro na Russia. Da mesma maneira comportaram-se anglo-saxões na vespera e durante a Segunda Guerra Mundial. Favoravelmente aceitando a tomada do poder pelos nazistas na Alemanha, oligarquia americana-inglesa continuava a investir em grande escala na indústria alemã, apoiando-a na sua modernização com cerca de 2 trilhões de dólares em câmbios atuais.

Em 1938 em Munique o Primeiro-Ministro inglês Chamberlen abençoou o nascido animal fascista por meio do dinheiro inglês para organizar uma campanha militar contra a URSS, sacrificando lhe o seu aliado Polônia. Ele próprio salvou Hitler da conspiração entre os generais alemãs temidos a combater, por prevenir o golpe que tinha sido descoberto pelas Informações ingleses com a sua visita ao chefe alemão. Até a abertura da segunda frente em 1944 as companhias americanas continuavam a receber os dividendos dos seus ativos na Alemanha, enriquecendo da guerra. Segundo a uma frase notória, dita pelo Trumen em 1941 “Se os russos vão ganhar temos que ajudar aos alemães, e caso contrário temos que ajudar aos russos. Que matem um a outro o mais possível que poder”.

Mas, os americanos não conseguiram ajudar os alemães – Forças Vermelhas demasiado rápido contra-atacavam.  Eles tinham de violar o concluio de Munique e abrir a segunda frente para conterem o controlo pelo menos na Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, segundo a iniciativa do Churchill, foi planeada uma operação “Incrivel” – ataque dos EUA e da Grã Bretanha ao aliado URSS utilizando restantes forças do Wermacht. Entrentanto, embora as forças alemãs, como é do conhecimento geral, não resistiam muito às forças inglesas, o avanço impetuoso do exercito vermelho para Berlim  frustraram estes planos pérfidos. Todavia ianques deixaram muitos fascistas na formação preparatória para a nova guerra contra URSS. Do mesmo modo como salvaram dezenas de milhares de colaboracionistas de Hitler, retirando os da Ucrânia para utiliza-los contra a União Soviética. No entanto, foram úteis, na verdade, só depois da decadência da União Soviética – para crescimento de nazismo ucraniano com objetivo de envolver a Russia a uma nova confrontação com a Europa, unida pelo OTAN.

A desintegração própria da URSS não passou por um trabalho ativo dos serviços especiais americanos. Chega ler, naquela altura, o livro do antigo diretor da CIA
P. Schweitzer “A Victoria” para verificar o papel fundamental dos serviços especiais americanos na desintegração da URSS. Outra vez surpreendemo-nos com a arte e método sistemático contra nossa ingenuidade e impotência.

Eles criavam a rede de agentes de influência com o objetivo da destruição de URSS e ao mesmo tempo glorificaram Gorbachev pela organizada “perestroika”, cujo essencial reduziu-se à autodestruição do sistema governamental e intensificação impetuosa de caos. Logo quando o caos permitiu organizar uma nova força politica, Gorbachev foi um alvo potente da pressão por parte dos líderes ocidentais confiantes para paralisar a vontade politica e suspender a aplicação do poder legal para pôr a sua ordem. Organizado no Conselho do Supremo da RSFSR o “Maidan” paralisou a atividade dos aliados órgãos do poder. Logo após isto com apoio dos EUA teve lugar o pacto de Belaveja preparado com antecedência pelos agentes americanos de chefes de três republicas eslavas, que destruiu a URSS. 

Com a queda da URSS os americanos começaram a colonizar o espaço pós-soviético, imposto aos dirigentes de novos estados independentes com uma política suicida para suas soberanias econômicas chamada “terapia de choque”, baseada em dogmas anticientíficas de fundamentalismo do mercado.

Ao mesmo tempo com a colonização do espaço pós-soviético pelo capital ocidental os geopolíticos americanos por todos os meios estimularam  as tendências centrífugas, proclamado  como o seu objetivo principal a inadmissão de criação de nova potencia, comparável a influência deles (EUA). Sendo que segundo a tradição geopolítica germano-anglo-saxã realçaram principalmente separação entre a Ucrânia e a Rússia e posterior desintegração da ultima. Demonstrando o possível apoio ao Yeltsin e glorificando-o na qualidade de líder politico mundialmente reconhecido, inclusive o convite ao clube de “G7”, que une os lideres de estados aviões do mundo, eles ao mesmo tempo estimularam o separatismo de republicas nacionais, patrocinando a revolta na Chechênia e provocando a guerra em Cáucaso.   Os dirigentes dos EUA, da Grã Bretanha e da Alemanha abraçavam Yeltsin e prometiam-no paz eterno e amizade de um lado e simultaneamente puxavam antigas republicas aliadas para OTAN e apoiavam militantes de Chechênia de outro.

Putin parou o processo de desintegração da Russia, reestabeleceu a vertical de poder, pacificou a Chechenia e lançou o processo da integração de Eurasia. Assim ele lançou o desafio a linha da geopolítica americana no espaço pos-sovietico e tornou-se inimigo para a classe dirigente politica. Por terem derrotados na tentativa de desestabilizar a situação na Russia os serviços especiais americanos intencificaram-se no espaço pos-sovietico para abalar o processo da integração da Eurasia, que foi considerado pelos políticos americanos na qualidade de “restauração de URSS”.

Como medida de resposta foi lançado o projecto de UE “Cooperação do Oriente” com objetivo de absorver as republicas pos-sovieticas sob a jurisdição de Bruxelas na qualidade de membros de associação com UE, privados de direitos. Este projeto reforçava-se através de forte aumento de redes de agentes e educação de juventude em termos de nacionalismo primitivo. A sucessão de revoluções coloridas, organizados pelos serviços especiais americanos levou a poder na Ucrania, Moldavia e Georgia os governos de marionetes a começarem praticar uma politica nacionalista contra Russia. Em todo o caso esta politica resultou em divisão de sociedade e aplicação de violência contra dissidentes. Na Georgia e Moldavia esta divisão terminou em derrocada de estados, na Ucrania resultou em tomada de poder pelos neonazistas e formação de regime neofascista, que desencadeou a guerra contra o seu próprio povo.

Já não é um segredo de que o objetivo único e principal da geopolítica americana no espaço pós-soviético é a separação dos novos estados soberanos da Russia e a surpressão deles por meio de coerção a participação sob a jurisdição da UE.

Trata-se da luta pela liderança global em que a hegemonia americana se derriba pela crescente influência da China. Nesta batalha, a América está a perder, o que provoca agressividade da sua elite política.

Hoje, a economia global é controlada por empresas transnacionais ocidentais, a expansão das quais sustenta-se por emissão ilimitada de moedas mundiais. O monopólio sobre a emissão de moeda global é a base do poder da oligarquia financeira ocidental, cujos interesses são assegurados por mecanismos político-militares dos Estados Unidos e seus aliados da OTAN. Após a queda da União Soviética e o colapso do sistema socialista mundial este poder tornou-se global e a liderança dos EUA parecia definitiva. No entanto, qualquer sistema econômico tem limites do desenvolvimento que são definidos por reprodução das suas estruturas tecnológicas e institucionais.

A atual escalada da tensão político-militar internacional é provocada pela mudança das estruturas tecnológicas e econômicas globais, o resultado da qual segue uma profunda reestruturação da economia tendo como base as tecnologias e mecanismos principalmente novos da reprodução do capital.

Em tais períodos, como mostra a experiência de muitos séculos do desenvolvimento do capitalismo, acontece uma desestabilização brusca do sistema das relações internacionais, a destruição da ordem antiga e formação da nova ordem mundial. Esgotaram as possibilidades do desenvolvimento sócio-econômico baseadas no sistema existente de instituições e tecnologias. Os países que estiveram na liderança enfrentam as dificuldades insuperáveis na manutenção das taxas anteriores de crescimento econômico. Superacumulação de capital nos complexos industrial-tecnológicos arcaicos derruba suas economias em uma depressão, e o sistema existente de instituições impede a formação de novas cadeias tecnologicas. Estas cadeias junto com as novas instituições da organização da produção realizam-se em outros países, que se viram os líderes do desenvolvimento econômico.

Os antigos líderes procuram manter sua posição dominante no mercado global por meio do fortalecimento do controlo sobre sua periferia geo-económica, incluindo os métodos de coerção militar e política. Como regra, isso provoca grandes conflitos militares em que o ex-líder desperdiça recursos, sem alcançar o efeito desejado. Um novo potencial líder que na altura está numa onda de elevação procura tática de expectativa, para conservar suas forças produtivas e atrair cérebros a fugir de guerra, capitais e tesouros dos países guerreiros. Ao aumentar os seus recursos, o novo líder entra no palco mundial para usurpar os frutos da vitória quando os combatentes desmaiarem o suficiente.

Após a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, tendo em conta a queda da URSS, EUA tomou liderança global por ter vantagem no desenvolvimento de esfera tecnológica de informações e comunicações e de estabelecer monopólio sobre a emissão da moeda global. As empresas transnacionais ligadas ao “prelo do dinheiro” mundial tornaram-se o fundamento para a formação de uma nova ordem econômica mundial, cuja base institucional ficou a ser conhecida como globalização liberal.

Hoje, aos nossos olhos, está a se formar um novo e mais eficiente sistema socioeconómico em comparação com os anteriores; o centro de desenvolvimento do mundo muda para o Sudeste Asiático, o que permite a alguns investigadores falar sobre o início de um novo – asiático - ciclo secular de acumulação de capital.

Neste momento, como isto foi em períodos anteriores de mudança dos ciclos seculares, o líder que está a perder a sua influência procura métodos coercivos para a manutenção da sua posição dominante. Enfrentando a superacumulação de capital nas pirâmides financeiras e indústrias obsoletas, bem como a perda de mercados para os seus produtos e a queda do dólar nas transações internacionais, os EUA está a  tentar manter a liderança à custa de uma nova guerra mundial, tendo como alvo enfraquecer tanto os adversários como os parceiros. O estabelecimento de controle sobre a Rússia, juntamente com a posição dominante na Europa, na Ásia Central e no Oriente Médio dá aos EUA uma vantagem estratégica sobre a China no controle das principais fontes de hidrocarbonetos e de outros recursos naturais extremamente importantes. O controle sobre a Europa, a Rússia, o Japão e a Coréia também garante o domínio na criação de novos conhecimentos e no desenvolvimento de tecnologias avançadas.

Mal dando conta dos mecanismos objetivos do desenvolvimento cíclico que condenam os EUA à perda da dominação global, a elite governador americana recea a expansão dos países não controlados por ela e a formação de contornos globais da reprodução alargada independentes. Esta ameaça é provocada pelo aprofundamento da integração dos países do BRICS, da América do Sul, da Ásia Central e do Extremo Oriente. A capacidade da Rússia de organizar a formação de tal coalizão, determinada por êxito na criação da União Económica da Eurásia, predetermina o vector anti-russo da política americana. Se a estratégia euro-asiático de Putin, que foi realizado de acordo com as regras da OMC, irritou os Estados Unidos, as soluções dele para a Criméia foram percebidos como umaperturbação nos fundamentos da sua ordem mundial e um desafio que os EUA não consegue responder.

As tentativas dos EUA de organizar golpes de estado no Brasil, Venezuela, Bolívia, empurram a América do Sul da hegemonia americana. O Brasil, que faz parte do BRICS, tem todas as razões para estabelecer regime comercial preferencial e aumentar a integração com os países da Organização para cooperação de Xangai. Isso cria oportunidades para a formação de maior associação económica mundial com a participação da União Econômica Euroasiática, Organização para cooperação de Xangai, Mercosul, e, muito provávelmente,  Associação de Nações do Sudeste Asiático. Os estimulos suplementares para uma integração tão ampla que abarca mais da metade da população e do potencial industrial e natural do planeta, são determinados pela obsessão dos EUA para a formar as zonas transatlânticos e do Pacífico do comércio preferencial e da cooperação sem envolver os países do BRICS.

Para evitar o colapso e manter a liderança global, a oligarquia financeira americana aspira a desencadear uma guerra mundial. Esta vai cancelar as dívidas e permitirá manter o controle sobre a periferia, liquidar ou pelo menos deter os concorrentes. A guerra, como sempre acontece em tais casos, desencadea-se principalmente pelo controle de periferia. Isso explica a agressão americana no Norte da África, no Oriente Próximo e Médio, tendo como alvo aumentar,ao mesmo tempo,o controlo desta região petrolífero e da Europa. Mas a direcção do golpe mais importante, em virtude do seu valor fundamental nos olhos dos geopolíticos norte-americanos, é a Rússia. Não por causa do fortalecimento russo nem a título da punição pela reunificação da Criméia, mas devido à concepção geopolítica americana tradicional preocupada pela luta da manutenção da supremacia mundial. E de novo, segundo os preceitos dos geopolíticos ocidentais, a guerra com a Rússia começa na Ucrânia.

Hoje, esta concepção continua-se pelos EUA, que estabeleceram o controle sobre a Ucrânia depois de terem organizado um golpe de Estado em 21 Fevereiro de 2014 e levado a junta fantoche nazista ao poder.

Arrojando convenções, os serviços de inteligência dos EUA por meio dos nazistas criados por eles, organizaram o terror contra a população russa na Ucrânia. Ucranianos neo-fascistas, sob a gestão de curadores e instrutores americanos, cometem crimes de guerra em Donbass, recrutam coercivamente os jovens "para a guerra com os russos", sacrificando-os por nazismo ucraniano. Este tornou-se a ideologia do regime ucraniano, que tem origens dos cúmplices de Hitler condenados pelo Julgamento de Nuremberg como criminosos militares.

O objetivo da política dos EUA na Ucrânia não é a defesa dos interesses da Ucrânia nem o desenvolvimento socioeconómico ucraniano. O objetivo consiste na utilização e aproveitação da sua populaçãonazista, na qualidade carne de canhão, para desencadear guerra contra a Rússia, a fim de fazer envolver, nessa mesma guerra, os parceiros europeus da OTAN. Tanto a Primeira como a Segunda guerras mundiais na Europa, são consideradas pelos historiadores americanos como guerras boas. Essas guerras garantiram o crescimento da economia dos EUA por conta da fuga dos capitais, riquezas, cérebros e tecnologias da Europa para o exterior. Graças a essas guerras os EUA tornaram-se o líder mundial, estabelecendo a hegemonia sobre os países europeus e as suas ex-colónias. Também hoje, a geopolítica norte-americana aposta à incitação da guerra mundial na Europa como sendo um meio estabelecido para aumentar o seu poder.

A agressão considerada por muitos peritos como uma coisa engraçada e política desenfreada dos EUA deve ser tomado muito a sério. Esta agressão tem o alvo: incitar a guerra, e a mentira evidente e até mesmo a estupidez aparente dos porta-vozes norte-americanos quetêm apenas ocultar a gravidade das intenções da oligarquia americana. Os americanos só podem manter o seu domínio global apenas através da incitação de uma guerra mundial. A posse de armas de destruição em massa muda a natureza dessa guerra. Os especialistas chamam-na híbrido, porque se usam não tanto forças militares como tecnologias informativas, financeiras e cognitivas destinadas a enfraquecer e desorientar o adversário ao máximo. E quando o adversário é tão desmoralizado e que não consegue opor resistência adequada, para garantir a vitória e punir insubordinados em público, recorreà operações militares, que mais se parecem com as expedições punitivas do que ação militar.

Exactamente assim - sem batalhas sangrentas os EUA ocuparam o Iraque, a Jugoslávia, a Líbia, a Geórgia e a Ucrânia. A importância fundamental nessa guerra híbrida pertence à combinação adequada das tecnologias financeiras, informativas e cognitivas. Na frente financeira, os Estados Unidos têm uma vantagem estratégica, tendo a capacidade de emitir a moeda global e realizar ataques monetárias às economias nacionais de qualquer potência. Na frente de informações, os Estados Unidos dominam completamente o espaço da Mídia global digital, o mercado de cinema e televisão mundial, controlam a redes globais de telecomunicações. Ao combinar agressão monetária e financeira na economia e “cultivação” informativa da consciência pública, os EUA podem manipular os motivos do comportamento das elites governantes nacionais. O papel-chave nisso pertence à arma cognitiva – a afecção da consciência dos líderes nacionais por uma falsa compreensão do que ocorre.

Um exemplo notável é a nossa própria consciência política, em que facilmente se emaranham os motivos e os efeitos. Avaliações e ranking fabricados pelas instituições norte-americanas conforme seus interesses, percebem-se como verdadeiras, a despeito da realidade objetiva.

A afecção da consciência da elite governadora russa pela arma norte-americana dá os seus frutos, enfraquecendo a Rússia e fortalecendo os EUA e a OTAN.

As perdas anuais da Rússia são de 150 bilhões de dólares retirados da Rússia para a capital do sistema financeiro ocidental, e a perda total é equivalente a metade do potencial de produção da Rússia. Já este ano, ao invés de se objetivar a um possível crescimento de dez por cento nos sectores de produção e investimento, temos uma queda de cinco por cento, e o nível da pobreza é revertida a mais de uma década.

Independentemente da posição de Rússia, os EUA vão perder a luta pela liderança para a China. Isto é a lógica da alteração das formações econômicos, que se encaixa completamente no desdobramento da guerra híbrido contra nós pelos EUA e seus aliados da OTAN. O sistema de instituições da sociedade integral criado na China e baseado na experiência histórica da Rússia, combina as vantagens do socialismo e capitalismo e demostra convincentemente a sua superioridade sobre o sistema do capitalismo oligárquiconorte-americano. Junto com o Japão, a Índia, a Coréia, o Vietname, a Malásia, a Indonésia, a China está a formar um novo centro de desenvolvimento económico mundial baseado na nova ordem tecnológica e cria o novo ciclo económico global. Em contraste com a liberalização global baseado nos interesses da oligarquia financeira norte-americana, a nova ordem mundial será baseada no reconhecimento da diversidade dos países, no respeito pelas suas soberanias nos princípios de igualdade, da justiça e benefício mútuo.

A geopolítica anglo-saxã passa. O sistema político chinês está protegido seguramente contra a arma de lavagem de cérebro. O mesmo pode ser dito sobre a Índia que sofreu a opressão britânica colonial, e o Vietname que sofreu os horrores da guerra com os EUA. A America do Sul não tem confiança nos norte-americanos depois de saber o que significa "América é para os americanos". O Japão completou o 70º aniversário dos bombardeamentos nucleares dos EUA.

A unica protecção contra a arma de informação é a verdade. Esta verdade consiste no facto de que a geopolítica norte-americano ameaça o mundo com caos destrutivo e a guerra global, que tem como base a reencarnação artificial das ideologias misantrópicas (que, se pareceu, se tornaram obsoletas para sempre) do nazismo e do fanatismo religioso juntamente com desmoralização das elites governantes do ocidente.

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