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quarta, 15 julho 2015 11:50

DISCURSO do Sr. Embaixador da Federação da Rússia na República de Cabo Verde B.G. Kurdyumov na conferência sobre 40 aniversário da independência de Cabo Verde e o 40 aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas

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Antes de tudo, gostaria de felicitar com todo o coração todos os presentes por estas duas datas notáveis que temos o prazer de celebrar este ano - 
o quadragésimo aniversário da independência de Cabo Verde e o quadragésimo aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os nossos países. Em Julho deste ano, os líderes dos nossos estados Vladimir Putin e Jorge Carlos Fonseca e os ministros das Relações Exteriores da Rússia e Cabo Verde
Sergey Lavrov e Jorge Tolentino trocaram, para esta ocasião, notas de felicitação.

Os nossos países estão geograficamente distantes. Mas hoje, enquanto celebramos o quadragésimo aniversário da independência de Cabo Verde e
o quadragésimo aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre
os nossos estados, é óbvio que a distância não é um obstáculo para o respeito recíproco, amizade e cooperação. As boas relações com a República de Cabo Verde têm raízes históricas profundas. Durante todo o período de luta pela libertação contra a opressão colonial, a União Soviética prestou um constante apoio diplomático e militar.

As relações diplomáticas entre os nossos países foram estabelecidas no dia 14 de Julho de 1975, apenas 9 dias após Cabo Verde ter ganho a independência. O primeiro embaixador soviético em Cabo Verde, Semenov Vyacheslav Mikhailovich, foi acreditado já em Dezembro de 1975. Desde esse momento a cooperação russo-cabo-verdiana virou sistemática, começou o desenvolvimento progressivo para a construção de um novo estado. A União Soviética prestou muito apoio na criação de empresas industriais, objetos de infraestrutura, instituições educacionais e médicas a esta república jovem.

Além disso, deve ser dito que, o desenvolvimento das relações humanitárias e da cooperação na área de educação tem desempenhado um papel inapreciável no fortalecimento da simpatia mútua entre os dois povos. Nos anos setenta-oitenta do século passado, nas universidades da União Soviética, havia uma grande comunidade cabo-verdiana. No total, na União Soviética e depois na Rússia, formaram-se cerca de dois mil cabo-verdianos.

Na década de noventa, quando ambos os nossos países estavam envolvidos em reformas internas, evidenciou-se o declínio na cooperação bilateral. Hoje, existem todas as pré-condições necessárias para o melhoramento das relações russo-cabo-verdianas em todas áreas, e acreditamos que elas serão, a longo prazo, mutuamente benéficas e em conformidade com os interesses e aspirações dos nossos povos.

Acho que nós temos pontos de vista comuns e é necessário assinalar estas datas, não só para prestar homenagem àqueles que ganharam a independência e a liberdade do seu país, mas também para fazer lembrar aos descendentes dos colonialistas que é inadmissível tentar falsear factos históricos para reescrever a história da libertação da África e, em particular, Cabo Verde.

Nos anos noventa, a renúncia da Rússia à cooperação ativa com os países africanos tem minado a sua posição no continente e causou enormes perdas para o poder económico e político tanto do estado russo como de muitos países africanos.

Neste momento realiza-se uma revisão dos princípios das relações russo-africanas. Hoje em dia, o continente africano está se a tornar, para o nosso país, um dos centros de influência econômica e política, o que contribui para a estabilidade do sistema internacional multipolar, ainda em desenvolvimento.

A Rússia auxilia ativamente na resolução de vários conflitos em África, e compartilha da opinião dos africanos sobre a necessidade de procurar respostas coletivas para os vários desafios de hoje, evitando medidas unilaterais e coercivas.

O nosso país baseia-se no princípio de que o papel maioritário na resolução de conflitos em África deve pertencer aos próprios africanos, contando com o apoio multilateral da comunidade internacional.A Rússia guia-se por esta ideia no Conselho de Segurança das Nações Unidas quando se examinam os problemas do continente africano. A Rússia vai continuar a apoiar os esforços da União Africana e organizações sub-regionais e ajudar a consolidar o potencial pacificador dos países africanos.

As relações com África são uma grande prioridade para o nosso país. Por sua vez, os Estados africanos cada vez mais lançam olhares para a Rússia tentando encontrar um contrapeso à influência mercantil ocidental no continente. A Rússia não tem grandes contradições com a maioria dos países africanos. A Rússia tem sido sempre considerada, em África, como um bastião da luta pela independência, que tem ajudado bastante o continente na luta contra o colonialismo e na formação do estado pós-colonial.

A União Soviética teve relações especialmente estreitas com ex-colônias portuguesas. Portugal, mais do que todos os outros países europeus, tentou manter o estatuto de potência colonial levando a guerras sangrentas pela libertação. Quando os países lusófonos se tornaram independentes, estes tiveram que enfrentar guerras civis desencadeadas por grupos armados de mercenários pagos pelos países ocidentais.

Ao contrário dos países ocidentais, o nosso país nunca teve objetivos coloniais interesseiros, nunca desencadeou guerras por recursos. Estas relações são baseadas na experiência, de mais de meio século, de ajuda desinteressada, com amizade e parceria.

Acredito que agora os nossos países estão capazes de levar as relações bilaterais a um nível muito mais alto. Esta visão tão otimista sobre as perspetivas da parceria russo-cabo-verdiana baseia-se, em grande parte, na similaridade de pontos de vista sobre o mundo moderno. Os nossos países defendem firmemente o princípio da supremacia do direito internacional, salvaguardam o papel fundamental das Nações Unidas nas relações internacionais, insistem no aumento da eficácia desta organização, nas reformas construtivas sem prejuízo de cumprimento de sua missão histórica.

Tanto em Moscovo como em Praia é evidente a necessidade de esforços conjuntos para encontrar respostas adequadas aos desafios e às ameaças do mundo moderno, incluindo a luta contra o terrorismo e o tráfico de drogas, a suplantação da desigualdade, da pobreza e das doenças, a proteção ambiental. Ambos os nossos países reconhecem que todos estes problemas só podem ser superados através de esforços coletivos, sem tentativas de interferir nos assuntos internos dos estados soberanos, sem tentativas de impor a vontade de um único estado ou grupo de estados.

As perspetivas de desenvolvimento das relações russo-cabo-verdianas podem ser variadas. O nosso país prevê um aprofundamento ulterior do diálogo político e ações mais eficazes dirigidas ao desenvolvimento do comércio e do investimento, o volume dos quais ainda não nos pode contentar.

Ainda há muito a fazer para aumentar a cooperação em áreas como: a energia, o turismo, a cultura e a educação. E claro, o aumento das relações entre as comunidades de negócios dos nossos países deve desempenhar um papel importante, e irá, com certeza, favorecer a aprovação do Acordo entre o Governo da Federação da Rússia e o Governo da República de Cabo Verde sobre a anulação recíproca de vistos.

Hoje temos que continuar o diálogo respeitoso e mutuamente benéfico, baseado em novas formas de interação.

Acredito que a Embaixada da Rússia e os membros da Associação dos antigos estudantes da ex-URSS e Federação Russa (Druzhba) vão aplicar todos os seus esforços no desenvolvimento da cooperação entre os nossos países.

 

Obrigado pela vossa atenção.

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