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quinta, 26 fevereiro 2015 22:13

Inteletuais ucranianos: missão malograda

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A guerra sempre tem uma dimenção interna medida não com as perdas físicas, mas sim, com o estado da moral de sociedade que a guerra traz consigo, e o conflito na Ucrânia não faz uma exceção moral.

As desvalorização dos padrões morais e éticos está galopando paralelamente com a desvalorização da divisa ucraniana. A miséria do pensamento, miséria da consciência e miséria da economia, estes são os três disastres que atacaram a Ucrânia simultaneamente.  A saída deste abismo moral e econômico será nada simples, tanto mais que no palco cultural e político ucraniano não há os que poderiam tornar-se um elemento de vanguarda e um legislador de um estilo moral alto. Os representantes da inteletualidade criadora capazes disso são expulsos da política e da cultura, sua influência é proibída.

O Parlamento ucraniano liquidou a Comissão Nacional para as Questões Éticas. Os que contribuiram para a adoção desta lei decidiram que a liquidação da Comissão ajudaria poupar verbas consideravéis – pelo menos 6 milhões de grivnas  por ano (1). Durante cinco anos de sua atividade o trabalho da Comissão custou 30 milhões de grivnas.  Os deputados asseveraram que a moral da sociedade permaneceria vigiada por parte do estado.

Surge a pergunta: quanto eficiente foi a atividade da Comissão? Logo vem a resposta: o efeito foi praticamente igual a zero, porque durante os cinco anos da vigilância pela moral por parte da Comissão a cultura ucraniana, tanto política, como qualquer outra, estava caindo baixo a todo o vapor.

A liquidação da Comissão não vai salvar a situação, porque o “euromaidan” causou uma diminuição radical do nível cultural da população e uma desvalorização dos padrões éticos praticamente total. As coisas que pareceram inadmissíveis hoje são calorosamente  saudadas por uma parte considerável dos cidadãos, por exemplo, os bombardeios do Donbass e bloqueio humanitário desta região. As fotografias e vídeois numerosos que testemunham de sofrimentos da população civil atingida pelos projétis de artilharia, pelo fome e falta  de remédios deixam indeferente a inteletualidade ucraniana que pretende estar ao lado do povo, mas na realidade a inteletualidade ucraniana está com os poderosos.

A noção “cultura política” deve ser aplicada para a política ucraniana com uma grande tolerância, porque os que hoje fazem a política ucraniana têm uma relação mediatizada com a cultura.

Deputado da Suprema Rada que não tem ensino superior, “cossaco Gavriliuque” dizendo em público que o ensino superior é uma coisa inútil e que sua experiência de capataz o ajudará na criação de leis; deputado-milionário, Boris Filatov, com seus comentários nas redes sociais regularmente enfeitados com uma grande porção  de obscenidades mais baixas; deputado do Partido Radical de Oleg Lyachcô, Helena Kócheleva, que foi pasmada com a pergunta sobre a organizaçaõ estatal da Ucrânia, - estas pessoas não podem ser portadores da cultura política de alto nível (2,3,4) .  

Na Ucrânia a cultura foi feita uma peniqueira da política. Músico e artista popular, Kuzmá Scryabin, que faleceu recentemente, dizia obscenidades em relação aos seus opositores políticos quado estava no palco durante seus concertos. Mais tarde, tendo “recuperado a vista” e criticando impiedosamentte o Presidente Petro Porochenco, fazia isso da mesma maneira obscena. No mesmo estilo obsceno foi feita sua canção dedicada aos resultados do “euromaidan” que tiveram decepcionado o cantor por falta de correspondência das palavras de ordem com a realidade.

Grupo humorístico, “Quarteirão 95”, bem conhecido na Ucrânia faz brincadeiras cínicas das crianças do Donbass, onde “a reforma de escola foi realizada durante um só dia”, e “o sonho das crianças tornou-se real, porque não se deve ir à escola”  (5). O auditório superlotado responde com aplausos alegres gostando da brincadeira. 

Artista Emérito da Ucrânia, Alexei Gorbunôv, aparece na telenovela “Guarda Nacional” que glorifica as tropas ucranianas no Donbass. O próprio ator não pensa das vítimas civis destas tropas. Suas simpatias estão totalmente com o mais poderoso.

O facto de a cantora russa, Anna Netrebco, ter doado um milhão de rublos ao teatro de Donetsque causou un furacão de gritos raivosos, embora o dinheiro tivesse sido gasto não com a guerra, mas com a arte, ou seja, com a coisa que contribue para o desenvovimento do caráter estético e da percepção de beleza na personalidade humana.

A contribuição da Ucrânia para o vocabulário político é limitada com dois termos: a “samostiinosti” e o “maidan” os quais têm um sentido negativo. Os inteletuais ucranianos tinham por missão fazer com que esta contribuição fosse mais rica e mais profunda, mas a missão sofreu um malogro. A classe social destinada para o trabalho inteletual concentrado pôs-se a fazer apresentações dignas de uma palhaçada profanando a própria noção de inteleto. Foram o atrevimento e a brutalidade que passaram a reinar na Ucrânia tendo entrado em voga inteletual. Os políticos uscranianos desfazem com seu comportamento as fronteiras da moral, deturpam os padrões éticos e sugerem que a população siga o exemplo deles.

Os inteletuais ucranianos estão seguindo o padrão nacional e político, feito pelas autoridades. Mas a diferença do nacionalismo ucraniano  de outros nacionalismos, inclusive o russo consiste no facto de ser “rural”, enquanto o último é “urbano”; sendo rural não graças ao lugar de nascimento, mas graças aos padrões de comportamento, ao nível de estruturas inteletuais e aos modelos dados do compartamento político e de outros comportamentos.  Um cartaz pre-eleitoral com o deputado Oleg Lyachcô de camisa bordada, armado de uma forquilha corresponde completamente com os padrões do nacionalismo “rural”.

Os inteletuais que por sua própria vontade baixa a um nível destes já é incapaz de abrir este casulo, incapaz de ser a parte de vanguarda da sociedade, sendo capaz apenas de ultrapassar a sociedade na corrida ao encontro com o nacionalismo “rural”, mais distante da “cidade”. Os que pensam com outras categorias são  afastados para a periferia informativa e ficam incapazes de exercer qualquer influência.

A imoralidade políca dos inteletuais ucrânianos é apresentada como seu patriotismo. Desta maneira o patriotismo transforma-se num sinônimo da imoralidade e inescrupulosidade política. Um cidadão simples tem dificuldade de distinguir um patriota deste gênero de um patife baixo. Estão desaparecendo os pontos de referência morais, a esfera da ética está transformando-se em um “reino de espelhos curvos”, estão sendo desnorteados os cidadãos simples que costumam seguir o exemplo dos que estaõ a um nível mais alto ou dos que aparecem nos ecrans da TV mais frequentemente.  

A Ucrânia não poderá vencer os desafios da atualidade sem uma inteletualidade livre do pecado de nacionalismo. No entanto, como parece, não tem premissas  para o surgimento de tal inteletualidade. Os que poderiam representar este papel provavelmente não tenham uma influência ideolôgica que baste para transformar as aparências culturais e políticas gerais do país nos próximos anos.

O sistema ucraniano da educação no seu estado miserável está finalmente “libertada” de noção ampla do inteletualismo. A escola deixa de ser  o viveiro de futuros inteletuais e de legisladores dos padrões morais. Fontes do futuro pessoal não existem, e a juventude foi transformada em refens do reino de mediocridades.

Todos os factos testemunham que o nacionalismo ucraniano não pode tornar-se um ambiente no qual se poderiam nascer um horizonte amplo e uma profundidade de pensamento. O nacionalismo é um, fenômeno negativo com tais postulatos principais, como a limitação étnica ou regional, o enconchamento em si, a opção pela estreiteza em vez da largura, a necessidade da existência de um “inimigo da nação”. Estasa qualidades não podem ser denominadas como construtivas, e a Ucrânia, se fizer uma opção pelo nacionalismo, será condenada a desgraças e tragédias, o que praticamente vimos hoje. 

1)     http://www.pravda.com.ua/rus/news/2015/02/10/7058054/

2)     http://korrespondent.net/ukraine/politics/3439844-kazak-havryluik-opyt-stroytelia-pomozhet-mne-orhanyzovat-rabotu-v-rade

3)     http://ukraina.ru/news/20140921/1010543127.html

4)     http://korrespondent.net/ukraine/politics/3449385-deputat-yz-partyy-liashko-ne-smohla-otvetyt-na-prostoi-vopros-zhurnalysta

5)     http://www.rusdialog.ru/news/15709_1423483502

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