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sexta, 31 outubro 2014 12:46

Donbass: tuma trégua que nunca existiu

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Acabei de visitar a República Popular de Lugansk e a República Popular de Donetsk. A situação é grave de veras. É uma vergonha que os meios de comunicação em massa do Ocidente  não fazem totalmente caso a uma guerra civil de tamanha envergadura.  

É dificil ir de uma cidade a outra, - tem numerosos postos de controle da milícia e o tránsito é interdito sem papeis explictivos do tipo de “credenciais”.

A região próspera, comandante da economia ucraniana, foi arrojada a uma ruina total. Isso é visto especialmente nas cidades onde tiveram, lugar os combates e até nos povoados próximos da linha de frente.

Lugansk parece um deserto, tudo está fechado. Estive nas cidades de Stakhanov e Pervomaisk. Em setembro Pervomaisk foi o palco de hostilidades encarniçadas com as forças de Kiev e agora parece uma cidade-fantasma.

Quando começou a guerra, todos que tiveram uma possibilidade fugiram, procurando asilo na Rússia, ou atravessaram a fronteira indo viver com os parentes. A destruição é total e de uma escala grande.  As escolas, jardins de infância, lojas,  casas de moradia e até igrejas foram arrazadas ou danificadas. Deu-se a impressão de que as forças de Kiev aspirassem a destruir não apenas as casas de residência, mas também a infraestruutura da Donbass.  As pessaos com as quais tive encontros mostraram a direção do fogo de artilharia e de mísseis: do Oeste, extamente dos terrenos que estavam nas mãos do exército de Kiev. Na cidade não há nada - nem gaz, nem água. As lojas e os mercados estão fechados, - os habitantes não podem encontrar nem comida, nem remédios. Os únicos gêneros alimentícios que existem lá foram trazidos pelas caravanas humanitárias procedentes da Rússia. Agora estes gêneros são distribuidos pelos elementos das milícias locais e pelos cossacos de Lugansk.

Todos os combatentes são voluntários que vêm das regiões adjacentes e das cidades próximas. São na sua maioria antigos mineiros de idade vária que abandonaram o trabalho para “fazer frente” aos “nazis” (este nome é dado às tropas de Kiev que vieram às terras desta gente), também há pessoas reformadas. Todos os milicianos têm que viver e combater nas condições de extrema dificuldade.

Comparada com Lugansk, a situação em Donetsk parece melhor, mas isso é apenas no centro da cidade onde a vida tem as aparências de seu curso “normal”.

Em vários setores da linha de frente estão as mesmas cenas de destruição, iguais às que vi nos arredores de Lugansk: os quarteirões arrazados que pareceram o campo da Batalha de Estalingrado. Naquelas áreas estão muitos civis que foram vitimados não tendo possibilidade de fugir, - idosos e inválidos. Sua situação é tão grave que  não tem uma descrição verbal. Ouvi dizer que aquela gente não tinha eletricidade, água e gás, os telhados das suas casas foram destruidos em resultado dos bombardeios sem cessar... Também ouvi diver que logo viria o inverno frio…

O aeroporto de Donetsk é um outro foco das hostilidades. Consegui chegar à distância de uns 200 metros da linha de frente nas proximidades do aeroporto. O lugar é impressionante e muito perigoso. Alí atuam atiradores de precisão que se escondem nas casas abandonadas e destruidas. Todo o terreno é exposto ao fogo de morteiros e da artilharia ucraniana. É praticamente impossível chegar a mais baixo do que a linha de fogo direita.

Os combatentes em Donetsk que me deram entrevistas, disseram que iriam prosseguir “até uma libertação total da Novoróssia das tropas de ocupação ucranianas”. Em suas intervenções encontrei muitos paralelos com o período da Grande Guerra Pátria.

É uma coisa que posso afirmar com certeza: a “trégua” “famigerada” nunca existiu.  Posso confirmar isso pessoalmente, alí tem explosões a cada dia. 

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