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sábado, 25 outubro 2014 23:49

Trechos do programa “Tempo e Nós” com a participação da Presidente do Conselho da Federação, S-ra Valentina Matvienko

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O programa esteve no ar no canal televisivo “JUNTOS-FR” do Conselho da Federação na sexta-feira, 17 de outubro.

 

Presidente do Conselho da Federação Valentina Matvienco:

 

1. Hoje já não há condições para que qualquer país ou um grupo de países possam fazer pretenções à hegemonia mundial. Vamos ver o arranque poderoso feito pelos países da Região da Ásia e do Pacífico que se transformaram num centro novo do desenvolvimento econômico mundial. Mudanças consideráveis estão em curso nos países do BRICS, no Oriente Médio, nos países da América Latina e nos da CEI.  E não há dúvida que todos estes países, as novas unidades de integração têm o direito a exigir seu lugar no mundo, a usufruir ativamente deste direito. É claro que estes países não estão interessados em qualquer “governo mundial” ou em quaisquer impérios.

É de lamentar que os Estados Unidos e seus aliados, países ocidentais, não desejam perceber isso, não desejam aceitar as transformações sérias que se deram dentro do sistema de organização do mundo. Nos anos 90, quando a Rússia teve a economia fraca, quando, por assim dizer, não pôde permitir a si praticar sua própria política externa, o Ocidente estava todo contente. Logo depois  de a Rússia ter transformado num jogador sério na arena política mundial formulando nitidamente uma política externa independente, digna de uma potência grande, nos olhos dos EUA e seus aliados o nosso país passou a ser o maior obstâculo geopolítico no caminho rumo à formação de uma ordem mundial segundo os padrões norte-americanos.

Já há muito tempo que observamos as tentativas do Ocidente visando enfraquecer a Rússia, fazer parar seu desenvolvimento. E a situação na Ucrânia foi apenas um pretexto para isso. Em geral a Ucrânia tornou-se um instrumento necessário para a implementação destes planos. A aspiração e o desejo de enfraquecer a Rússia são bem vistos porque esta última não deixa instaurar o modelo de um mundo monopolar. Os acontecimentos que tiveram lugar na Ucrânia significaram não apenas uma crise do sistema existente das relações internacionais, mas também uma crise de valores, uma crise moral.  Com efeito, o mundo ainda não viu cinismo tão grande, não viu uso de padrões duplos de tamanha envergadura.

 

2. Tomamos a peito a tragedia da Ucrânia que foi e continua sendo um país fraternal na nossa opinião. Não identificamos como o povo ucraniano os nacionalistas e os radicais da direita que fazem desmandos. No nosso páis não há manifestações e disposições anti-ucranianas apesar de uma cruel guerra de informação contra a Rússia desencadeada por Kiev, apesar de uma russofobia que ultrapassa quaisquer limites. 

E se na Europa há os que julgam o surto do radicalismo de direita ter lugar só na Ucrânia, isso não teria razão; Concordo com a declaração feita há pouco pelo dirigente da Rússia, Vladimir Putin  dizendo que a vacinação feita no mundo após o o julgamento em Nurnbergue enfraqueceu de veras. E isso é muito perigoso: se não fizer parar a reabilitação, a heroização do nazismo e da sua ideologia, isso poderia proliferar-se em outros países.

É de estranhar que apoiando todos estes desmandos na Ucrânia a Europa não apenas prejudica seus interesses econômicos, mas também contradiz aos seus valores, às suas tradições históricas e culturais.

 

3. É evidente que a luta contra o terrorismo internacional, contra a ameaça de proliferação da febre ébola e de outras infeções perigosas, a resistência à ressureição do nazismo, ao incremento do terrorismo internacional, ao tráfico ilegal de drogas a outros desafios e ameaças novas, - estes são os problemas que não podem ser solucionados por um país em particular. Isso pode ser feito somente com esforços unidos de toda a comunidade mundial. Para este fim são necessários formatos novos, mecanismos novos da cooperação internacional.

Estamos prontos para dar passos neste sentido; mais do que isso, promovemos iniciativas destas ao nível internacional. Mas tal interação poderia ser  frutífera somente nas condições de igualdade de direitos,  quando são considerados os interesses nacionais de todos os países. O nosso país não faz exceção neste sentido.

Isso apenas não éuma declaração nossa. Fizemos um movimento prático em direção do aumento da cooperação com a Comunidade Européia em todas as esferas. No entanto nem todos no Ocidente gostavam disso.

Gostaria de expressar meu ponto de vista: a Rússia não é o objetivo final para nossos parceiros de ultramar. Penso que eles não tem interesse nem numa Rússia forte, nem numa Europa potente e independente. Propriamente dito, as decisões adotadas nos marcos da famigerada “solidariedade européia”  causam um dano enorme tanto à Comunidade Européia em geral, como a países particulares que integram nela.   

 

4. Hoje a União Economica Euro-asiática compreende a Rússia, a Bieloruússia, o Casaquestão e a Arménia que planeja aderir à ela após 1 de janeiro de 2015. Isso é uma população de 170 milhões, a oitava economia no mundo, a maior integração no sentido territorial. Isso é um potencial poderoso dos recursos minerais e de matérias-primas. Isso também é uma produção industrial desenvolvida com as empresas que dispõem de uma base tecnolôgica  conteporânea; de um grande potencial técnico-científico, de pessoal qualificado.

É natural que os países estrangeiros, tanto os póximos, como os distantes, manifestam um interesse crescente na União Euroasiática Econômica e na cooperação com ela. Existe a compreenção de que na economia global são exatamente as integrações deste gênero e a participação em suas atividades garantem um caminho certo rumo a um  seguro e estável desenvolvimento econômico de um país, de sua capacidade competitiva.

Não tenho uma intenção qualquer de idealizar a situação. São tanto nível de desenvolvimento econômico e social diferente, como as diferenças na legislação nacional que se fazem sentir. Mas decidímos adiar a superação deste e de outros problemas para um prazo bastante longo. Destacámos uma coisa mais importante na política, na economia, em outras esferas, em relação à qual temos a unidade, e à base disso estamos dispostos a construir nossa cooperação nos quadrantes de integração regional com vista a um andamento progressivo em direção  aos graus desta integração, ainda mais altos.  Não há duvida que teremos obstâculos neste caminho, mas o mais importante – é que existe a vontade política dos chefes de estados, existem documentos jurídicos básicos, são coordenadas as posições em relação às questões para com as quais ainda não existem as atitudes comuns. Tudo isso  faz com que União Econômica Euro-asiática seja uma unidade totalmente viável de integração. Temos perspetivas boas.

Não se trata de tentativas de restabelecer a URSS. Nem a Rússia, nem os outros participantes da UEEA nem sequer ponderam a criação de um novo estado unido.

Na minha opinião, os primeiros anos serão muito difíceis no plano de coordenação dos interesses, de criação do seu equilíbrio. Ao que parece, a Rússia, como o maior país, terá que aceitar uma parte considerável das despesas inevitáveis no início do caminho.  É indiscutível que seria muito importante a sincronização da base juridica feita de uma maneira rápida. Mas seria igualmente importante  realizar uma aproximação cosecutiva dos níveis do desenvolvimento econômico e social dos nossos países. Esta seria uma garantia essencial do caráter estável de tais unidades de integração.

 

5. Nos anos90 aRússia deu a ênfase ao desenvolvimento da cooperação com a Europa o que foi, em princípio, correto sendo o nosso país uma parte inalienável da Europa. Foi alí, onde formámos como uma nação. Simultanemente nossa atenção à Ásia passou a ser não tão grande como antes.  

Nos anos zero começamos a corrigir esta falha. O alargamento e aprofundamento da cooperação com os países da Região da Ásia e do Pacífico, antes de tudo com a China, tornou-se uma prioridade estratégica. As afirmações de que esta viragem tivesse sido feita por causa de agravação das relações com a Europa não tiveram fundamento qualquer. A Rússia é uma parte orgánica igual tanto da Ásia, como da Europa.  

Durante os últimos 10-15 anos o volume da nossa cooperação com os países da RAP tinha aumentado considertavelmente. No entanto os indícios da cooperação econômica com os países europeus continuam sendo um pouco mais altos. Ao mesmo tempo temos um bom dinamismo nas relações com os países asiáticos. A circulação mútua de mercasdorias apenas com a China deve atingir 100 bilhões de dólares para o ano 2015.

Porque é que o desenvolvimento das relações com os países da RAP está em foco da nossa política? Porque isto é um centro novo da economia mundial que é caraterizado por um desenvolvimento muito rápido e dinâmico, que tem um potencial enorme. A cooperação com os países da RAP tem uma importância especial para nos porque disso dependem em uma grande medida os ritmos do nosso movimento progressivo na realização da estratégia do desenvolvimento do Extremo Oriente e da Sibéria do Leste. Sabendo bem o potencial destes territórios relacionamos com isso a aceleração do desenvolvimento do  nosso país em geral.        

 

6. Isso não são apenas palavras, iniciámos uma parceria estratégica universal e interação com a China. Isso tem uma refleção não somente na esfera da economia. As posições da Rússia e da China em relação a muitas questões da política externa e das relações internacdionais são próximas ou coincidentes. Isso é um fator muito importante de manutenção da estabilidade e da segurança em todo o mundo.

A visita do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, à China feita em maio  último quando foram assinados mais de 40 documentos de importância exclusiva fez com que a nossa parceria tivesse  subido a um grau qualitativamente novo. O próprio caráter a longo prazo e a grandeza dos projetos a serem implementados pela Rússia e China testemunha o facto de a cooperação dos nossos países não ser sujeita à conjuntura política. Isso é uma interação estratégica real . Isso é um signal muito positivo para a atividade de negócios russa, um impulso para um aumento posterior das relações com a China.  Tal cooperação satisfaria os interesses não apenas dos dois países, mas também os da Região da Ásia e do Pacífico em geral. 

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