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sexta, 29 agosto 2014 14:59

Continua crescendo o prestígio mundial da América Latina

Written by  Аlexandre Моisseev, оservador da revista “Vidas Internacional”

Parece que o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, apenas acabou de visitar quatro países da América Latina, mas passado quase um mês o tema continua ressonando, vindo de um plano a outro, – agora por causa das novas sanções adotadas pela “coletividade” ocidental contra a Rússia estamos negociando um aumento do fornecimento de gêneros alimentícios e uma intensificação da cooperação com os latino-americanos.

A visita de Vladimir Putin a Cuba, à Argentina, ao Brasil e à Nicarágua foi uma coisa sem precedentes, um acontecimento mais amplo durante toda a história das nossas relações com este continente. Uma volta pela América Latina também foi dada pelo dirigente da China, Xi Jin Ping, que visitou vários países da região. O líder chinês foi seguido pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, tendo negociações no México, na Trinidade e Tobago, na Colômbia, no Chile e no Brasil.

Um pouco mais cedo uma breve viagem pela América Central foi feita pelo presidente dos EUA, Barak Obama.

Por outras palavras, o préstigio mundial da América Latina continua aumentando, e por esta razão a Rússia defronta com uma concorrência cada vez maior.

Mas é realmente assim? 

Vamos discutir este tema сom o Diretor do Instituto da América Latina junto à Academia  das Ciências da Rússia, membro-correspondente da Academia  das Ciências da Rússia, Vladimir Davidov.

 

- Vladimir Mikhailovitch, o que o Senhor pensa destas visitas? Que opinião tem?

- Antes de tudo gostaria de dizer que a viagem de Vladimir Putin à América Latina feita em julho foi realmente sem precedentes e muito rica em conteudo a todos os respeitos. A viagem de 6 dias compreendeu as visitas aos 4 países, a conferência de cúpola dos BRICS, o encontro geral com os dirigentes de todos os países sul-americanos, os encontros bilaterais separados com alguns deles, e ao término – a participação na estafeta do Campeonato do Mundo de Futebol sucedida pelo Brasil à Rússia na qual este acontecimento deve ter lugar em 2018.

Levando em consideração o grau de tenção nas relaçãoes internacionais na altura da visita, quando o Oeste com os EUA à cabeça tinha posto a situação na Ucrânia praticamente a beira de um confronto direto com a Rússia, é claro que o caráter do acolhemento que Vladimir Putin recebeu na América Latina em certa medida também teve um efeito demonstrativo. À Rússia foi dado um apoio moral e político.

Em geral foi realizado um trabalho enorme, foram assinados acordos numerosos, a análise dos quais testemunha o facto de terem sido empreendidos os passos desde uma compra e venda simples, digamos, na esfera de matérias-primas, para projetos complexos de investimentos e de engenharia quando a Rússia iria atuar como fornecedora de tecnologias   novas e de know-how.  

Creio que a visita do nosso presidente foi uma considerável contribuição para o fortalecimento da confiança na Rússia no seio dos latino-americanos, foi uma prova das nossas intenções sérias de diversificar as relações exteriores artavés de um trabalho mais orientado exatamente aos objetivos na América Latina. No sentido figurado, aumentámos reciprocamente o prestígio tanto nos nossos próprios olhos, como no olhos do mundo que nos cerca.   

- E o que poderia dizer em relação das visitas dos líderes chinês e japonês à América Latina?

- É interessante: se a visita do presidente Xi Jin Ping trouxe o caráter principalemte político, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, teve uma comitiva de cerca de 70 homens de negócios interessados na exportação de suas tecnologias e na promoção de mercadorias. Isso significa que os japonêses demostraram um interesse puramente comercial por esta região. Quanto à China, suas relações com os países visitados pelo presidente Xi, nomeadamente o Brasil, a Argentina, a Venezuela e Cuba, têm um caráter estratégico, e Beidjin  continua fortalecendo ativamente as  relações multilaterais com todos os outros países da América Latima e do Cáribe. A circulação de mercadorias que Beidjin tem com os países desta região tende a crescer sendo consideravelmente maior do que a que temos com os latino-americanos. No início dos anos 2000 esta circulação não ultrapassava 7-8 bilhões de dólares, em 2009 chegou a 150 bilhões de dólares e agora está aproximando-se de 200 bilhões. Os investimentos da China na América Latina que ainda nos anos 2008-2010 chegavam apenas a cerca de 30 bilhões de dólares também estão aumentando com uma possibilidade de duplicar-se nos próximos anos, porque as companhias  planejam iniciar a construção de um canal inter-oceánico na Nicarágua o estimado custo total do qual será de 40 bilhões de dólares...

E os japonêses têm unecessidade tradicional de alargar os mercados de venda das suas mercadorias.

 

- Vladimir Mikhailovitch, também gostaria de fazer-lhe uma pergunta tradicional: seria possível na América Latina que póssamos evitar uma rivalidade grave com a amigável China e com outros países que visam desencolver sua cooperação com esta região? Na opinião de alguns observadores uma luta oculta pelos contratos em muitos ramos será inevitável sendo que a Espanha, os EUA e a China tomaram pé no continente já há muito tempo enquanto a Rússia apenas acabou de voltar à região. E é a visita recente de Vladimir Putin à América Latina que nos inspira otimismo.

-  Sim, nesta região defrontamos com uma competição crescente. Mas para mim a concorrência é nada perigosa. Devemos otimizar consideravelmente a escolha de variantes da cooperação.  É literalmente imperativo que façamos com os latino-americanos um trabalho mais enérgico e de uma qualidade melhor. Sim, são os chinêses, japonêses, espanhois, norte-americanos e vários outros que procuram consolidar suas posições na América Latina. Mas que tem isso? Devemos fazer o mesmo. Não é a hora de ficarmos parados. Que sejam outros a queixarem da concorrência. Temos que trabalhar. E além de mais, a concorrência não é uma coisa totalmente má para nos. A concorrência faz com que ténhamos pressa por enquanto não é tarde de mais. O presidente do nosso país fez a visita. Agora está na hora concretizar seus resultados. Trata-se dos acordos da cooperação no domínio de comunicações do Sistema Global de Navegação por Satélites que tem uma significaçaõ prática e estratégico-militar, das nossas tecnologias altas,  da produção de helicópteros e de muitas outras coisas. Nossos parceiros na América Latina já manifestam um interesse pelos helicópteros de fabrico russo. Face à crise na Ucrânia a montagem de motores de helicópteros já é realizado nas proximidades de São-Petersburgo, ainda que, para ser franco, póssamos ter intermitências na exportação do máterial bélico durante um par de anos próximos. Isso devemos levar em conta. O conflito com o Ocidente por causa da guerra civil na Ucrânia deixa um marco na economia da Rússia. No entanto não devemos ter medo de dificuldades, mas sim, devemos resolver os problemas dentro do nosso círculo – сom a China: com o Brasil, com a Índia e a Répública Sul-Africana.  Estes são os países com os quais devemos colaborar, contribuir para a cooperação com as vantagens que temos.  

 

- O que o Senhor poderia destacar dos resultados da conferência de cúpola dos BRICS no Brasil?

- Antes de tudo o facto de a ter sido realizada na América Latina e com uma situação internacional muito complicada. Também foi importante que os nossos parceiros do grupo demonstraram uma compreenção total do preço e dos motivos da posição adotada por Washington e seus aliados em relação à Russia. Além disso os BRICS, como me parece, dão oporunidades boas de diversificação das relações econômicas externas da Rússia e da América Latina por conta de um aproveitamento mais completo dos mercados da China, do Brasil, da Índia e da RSA que estão em desenvolvimento rápido. Foi confirmada sua decisão comum de criar o chamado “Banco Novo de Desenvolvimento” que seria de facto uma base financeira dos BRICS e um fundo coletivo de seguros das reservas monetárias. A “quina” declarou estar disposta a prosseguir os esforços con vista à formação dos mecanismos de pagamento mútuo em moedas nacionais.  Também gostaria de sublinhar a importância do encontro dos dirigentes máximos dos BRICS com os líderes da UNASUL – da União das Nações Sul-Americanas. A conferência dos líderes demonstrou a proximidade dos dois grupos e o interesse comum em uma cooperação ampla na arena internacional. Não posso deixar de destacar  o facto de dirigindo-se aos chefes dos estados da UNASUL Vladimir Putin ter os informado da pesquisa do nosso Instituto da América Latina da Academia das Ciências da Rússia publicada em espanhol sob o título “Os BRICS e a América Latina: o Posicionamento e a Ineração”. A propósito gostaria de agradecer a revista “Vida Internacional” por dar uma informação pormenorizada deste livro no seu portal que foi dada exatamente na véspera da conferência de cúpola dos BRICS.

- Penso que não valeria a pena falar da visita do presidente dos EUA à América …

- É que não tem muita coisa para falar. Sabemos que durante seus encontros com os presidentes da Guatemala, do Honduras e de El Salvador foram discutidos os problemas da migração, e feitas as tentativas de manter um “diálogo” com as atitudes de uma grande potência. Barak Obama advertiu seus colegas que os imigrantes ilegais menores de idade procedentes dos países centro-americanos, detidos a tentarem atravessar a fronteira dos EUA, seriam deportados à sua terra natal de uma maneira mais decisiva. O presidente norte-americano pediu ao governo a soma desde 2 até quase 4 bilhões de dólares para este fim. Ao mesmo tempo, a agência “ITAR-TASS” informou que o presidente ter declarado a luta contra  a miséria na América Central ser uma tarefa mais importante expressando uma simpatia profunda pelas crianças-imigrantes. Como se fosse não se deveria submeter os menores ao perigo enviando os aos Estados Unidos.

 

- Vladimir Mikhailovitch, agora gostaria de fazer uma pergunta sobre Cuba, nosso amigo antigo e parceiro estratégico na América Latina. Se poderíamos falar do início de uma nova etapa nas relações dos nossos países depois da visita de Vladimir Putin a Havana? Como é queasvãosedesenvolver?

- Anulámos o fardo da dívida cubana. Isso significa que haverá novas opções financeiras, as possibilidades de solução dos problemas correntes da cooperação. No entanto, para ser franco, não acredito muito que a partir de agora a cooperação da Rússia com Cuba vai prosperando. E nem tanto pela parte cubana, mas sim, pela nossa. Por isso não teria vontade de avaliar as perspetivas das nossas relações como excelentes. É verdade que as perspetivas tornaram-se mais seguras, mais práticas. Aumentaram as possibilidades de implementação de projetos por ambos os lados, de financiamento destes projetos.   Mas devemos ter uma atitude mais séria e cautelosa para com a escolha de vetores da cooperação. Na minha opinião os planos de um grande centro logístico conjunto, de um nó aéreo e marítimo a ser criado em Cuba são totalmente reais e têm, como a mim me parece, perspetivas muito grandes.  Com isso Cuba poderia tornar-se uma encruzilhada importante das vias de transporte, uma zona dos negócios internacionais ativas na Bacia das Caraíbas. Além disso seria útil para nós o desenvolvimento da interação médica e farmacéutica com Cuba, bem como o turismo médico à base  dos aprimoramentos cubanos. Devemos abrir nosso mercado para os remédios cubanos. Ainda temos que alalisar е descobrir o espetro completo da interação com os amigos cubanos.

Na minha opinião também é muito importante o gesto que Vladimir Putin fez em relação a Havana durante a sua visita, pondo em relevo que por seu turno a Rússia vai ajudar Cuba na superação das sanções que visam prejudicar sua economia.

 

- E então, para fazer o balanço, quais são as perspetivas do desenvolvimanto das relações com a América Latina que temos em geral?

- Deve haver mais esforços a serem empreendidos por nós tanto ao nível  político,  diplomático, comercial, bem como a todos os outros níveis com vista a um desenvolvimento mais rápido e estável das interrelações da Rússia com a América Latina, sendo que isso é imperativo não por força de quaisquer desejos personais, mas sim, por força da lógica do desenvolvimento da vida internacional, por força das necessidades reais da Rússia. 

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