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sexta, 08 novembro 2013 13:52

Lvov no gênero de notas de viagem

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Lvov  – a cidade antiga a história da qual é inseparadamente ligada à  história da Rússia. No entanto hoje Lvov é associada não com a Rússia, mas com a ideologia nacionalista ucraniana. Muitas pessoas têm uma noção errônea julgando que Lvov não é apenas o centro, mas também o epicentro onde é basicamente aplicada a ideia nacionalista, mas isso não é verdade.

Ao contrário, em Lvov é possível ouvir  a fala russa com a maior frequência. Bairros monumentais antigos atraem numerosos turistas, inclusive os que vêm do sudeste da Ucrânia e da Rússia. O idioma russa é uma necessiadade prática para os habitantes de Lvov. Num café, na estação ferroviária, no teatro e na rua seus interlocutores sem dificuldade ou mesmo com prazer  vão passar para a língua russa falando com o Senhor. Com isso no entanto existe a possibilidade de ouvir palavras hostis que vai dirigir ao Senhor qualquer patriota assíduo do idioma ucraniano. Mas em Lvov  tal possibilidade é consideravelmente menor do  em outras cidades oeste-ucranianas – Ternôpol, Ivanovo-Frankovsqui etc.

 

Isso nada significa que Lvov é uma cidade onde gostam dos russos. Aqui tem uma rua que ostenta o nome de terrorista  Djokhar Dudaev na qual está uma uma loja com os símbolos dos partidarios de Stepán Bandera. Anuncia isso uma tabuleta de cores vivas e um desenho  de miliciano da Organização dos Nacionalistas da Ucrânia-Exército Ucraniano Rebelde (ONU-EUR). Nas tendas de livros estão à venda volumes coloridos dedicados à história da EUR e bandeiras desta entidade paramilitar criminosa de cor preta e encarnada. Motoristas de Lvov gostam de colocar tais bandeiras pequenas nos quadros de seus carros.

Na cidade é persistentemente irradicado tudo o que têm relação à Rússia. A inscrição no baixo-relevo dedicado a Ivan Vaguilevitch, Marián Chachquevitch e Iacov Golovatsqui fala deles como se fossem somente as personalidades da cultura ucraniana. Tenho duvidas que os habitantes de Lvov contemporrâneo sabem as palavras de  Marián Chachquevitch: “Você pode tirar-me os olhos e a alma, mas não pode tirar nem a graça, nem a crença porque tenho o coração russo”. Duvido também se sabem as linhas da carta de  Ivan Vaguilevitch dirigida ao historiador Mikhail Pogôdine: “Somos ambos filhos da Rússia...” Se sabem  das convicções políticas verdadeiras de Iacov Golovatsqui que pregava a unidade do povo russo dos Cárpatos até a Canchatca?

A Galícia (Europa Central)  aspira a desfazer-se do espírito russo substituindo o com ideologismos opostos:  organizando nas bibliotecas e instituições de ensino superior exposições das obras “ideolôgico-literârias” do fundador do nacionalismo ucraniano integral, Dmítri Dontsóv que estava muito próximo do nazismo e racismo, colocando nas paredes placas em memôria dos militantes ativos da ONU-EUR etc. 

Mas o espírito russo de Lvov rasga este depôsito de ferrugem manifestando a origem russa dos habitantes da Galícia.  Apenas proclamiar  Marián Chachquevitch e Iacov Golovatsqui ucranianos não basta para que o resto da Rússia esqueça suas atitudes russas comuns. A ucraniazação a uma escala grande foi insuficiente para que os habitantes de Lvov deixassem de dar os nomes russos tradicionais  aos seus filhos. “Nastenka, vamos comigo”, - foram estas as palavras que uma das cidadinas dirigiu à sua filha pequena na minha presença.  Também encontram-se as palavras como “Nastia, meu amor”, escritas nas paredes, bem como cabeleireiras e cafés com nomes “Natália”, “Anastassia”, etc. Os moços vivem usando a gíria juvenil russa e às vezes as palavrões totalmente iguais às que usam no interior da Rússia. De vez enquato se pode ouvir canções de variedades russas vindas de cafés. Se naõ existissem penas administrativas previstas contra isso, o espírito russo em Lvov estaria presente num grau ainda maior.

Em Lvov há uma rua com o nome Rusca com a placa memorial dedicada ao famoso mitropolita Piotr Moguila que foi formado na fraternidade ortodoxa que estava ali  mesmo. Nos seus tempos as fraternidades serviram de centros da vida sócio-cultural e inteletual da ortodoxia russa nas condições   de uma pressão exercida pelo meio-ambiente polonês catôlico. Segundo seus contemporrâneos, Piotr Moguila, moldâvio pela sua origem, foi um russo ainda maior do que os prôprios russos. Tenho certeza que os alunos de escolas de Lvov não sabem disso de seus professores.  

Aqui mesmo sente-se uma presençã maciça da outra influência cultural. As catedrais catôlicas e uniatas espaventosas, a fala polonesa nas ruas, os nomes de alguns cidadinos famosos com vestígios claros da tradição catôlica (por exemplo Iúri-Franz Kultchitsqui). No passado os poloneses de Lvov tiveram sua prôpria maneira de falar, a chamada  “gwara lwowska” a qual continua sendo usada na  literatura de ficção nos fins estilísticas.

Lvov tem seus mitos alguns dos quais foram prontamente aproveitados  pela historiografia e literatura ucraniana contemporrânea. O mesmo Iúri-Franz Kultchitsqui é chamado “o primeiro ucraniano que ensinou a Europa a tomar café”. Ele aprendeu a fazer café quando estava na Turquia como prisioneiro de guerra e mais tarde abriu o primeiro café em Lvov. Mas dar o nome de ucraniano a Iúri-Franz Kultchitsqui que viveu no século  XVII seria um puro exagero, porque naquela altura a naçaõ ucraniana ainda não existiu.  Por esta mesma razão seria exagero chamar de ucraniana a cerveja de lvov a “genealogia” da qual começa no século XVIII. Seriam os poloneses ou judeus de Lvov que pudessem ter o direito de ostentar o título do produtor desta cerveja histôrica.  

Lvov tem  um encanto ímpar. A cidade que adquiriu sua identidade durante o domínio austríaco-húngaro procura manter este encanto tão atraente para os turistas. Lvov é belo em qualguer tempo. São os concertos da música  da êpoca  austríaco-húngara regulares,  os famosos cafés que herdaram a atmosfera dos séculos passados fazem-no diferente de outras cidades da Ucrânia.

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