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quarta, 06 novembro 2013 22:59

O Brasil: entre as favelas e o futuro

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Alguns peritos dizem que “é difícil compreender o Brasil”.  Mas penso que isso é possível. Em todo o caso,  é sempre bom tentar. E eis é um paradoxo social:  quanto mais persistente o Governo deste gigante sul-americano pratique uma política populista, no bom sentido da palavra, tanto mais exigente e rigorosa é a atitude que as massas de pessoas mais ativas e descontentes têm para com este Governo.  Parece que é exatamente isso o que se dá no Brasil agora, acontecendo com o governate Partido dos Trabalhadores” de esquerda centrista e com o Governo da Presidente Dilma Russeff que decidiu prosseguir com a linha sócio-política do seu companheiro de armas, o anterior Chefe do Estado, Luís Inácio Lula da Silva  ao qual os brasileiros deram um apelido afetivo Lula.

 

Desde o verão deste an0 o Brasil tem sido abalado pelas manifestações de protesto. Dezenas e às vezes até centenas de milhares de cidadãos descontentes com as açoes das autoridades continuam saindo nas ruas e praças das cidades com as mais diferentes reivindicações – desde altas salariais até uma redistribuição  cardinal do Orçamento do Estado e mesmo uma  reforma do sistema político do país. 

Primeiro, em junho, foi o crescimento de  tarifas do transporte urbano que se tornara o motivo de undignaçãio de cidadãos. Em seguida, como se fiosse o efeito de dominó,  a onda de protestos foi causada com as supostamente excessivas despesas do Goverrno com o Campeonato do Mundo de Futebol com o financiamento insuficiente do setor social.  As multidões de manifestantes do protesto reivindicaram:  pão no primeiro lugar e espetâculos – no segundo! A ância de manifestações estava abarcando um grupo de muitos milhares de pessoas após outro. E isso se dava em toda a parte.

Em julho os representantes dos sindicatos centrais do Brasil caraterizaram como bem-sucedidas as açoes de protesto que tiveram lugar naquele mês paralizando o tráfego em 18 estados do país, e prometeram organizar as novas em agosto. “Procurámos estancar as empresas e fábricas porque a paricipação dos trabalhadores nas ações de protesto é ligada à estrutura econômica do país. A maior força de nossas manifestações é relacionada com isso e não com o número de pessoas que sairam à rua”, - declarou José Mária de Almeida, o líder do sindicato Conlutas, dirigindo-se à mass-média local. Então, foram os trabalhadores com as reivindicações do melhoramento das condiçoes do trabalho e da qualidade da vida que saindo à rua substituiram os empregados de escritôrios e os estudantes nas ações de protesto. Os organizadores de facto prometeram continuar no futuro com ações de massas a cada mês. E cumpriram esta sua promessa. A popularidade da Presidente do Brasil A Senhora Dilma Russeff que em março ultrapassou o recorde absoluto atingindo 77%, no começo do outono diminuiu em quase duas vezes. A porção dos brasilheiros que dão a avaliação negativa ao trabalho do Governo aumentou de 9% a 25%...

Os protestos continuam seguindo um após outro (embora sejam um  pouco diminuidos). Apenas durante as duas últimas semanas no Brasil estavam em greve e organizavam manifestações motoristas de camiões, empregados de aeroportos, professores de escola, especialistas de medicina, operários de várias empresas, habitantes de pequenas cidades e povoações no cafundó às quais os brasileiros dão o nome de favelas. As últimas merecem una descrição mais pormenorizada.

“Os bairros de lata” de uma cidade é um mundo especial que tem suas próprias leis da vida. Segundo os dados oficiais  do Instituto da Geografia e da Estatística do Brasil nas favelas moram cerca de 11,5 milhões da populaçaõ de 200 milhões de pessoas. A maioria das favelas encontra-se no Estado de São Paulo (23,2%), o segundo lugar ocupa o Rio de Janeiro(19,1%). Grandes favelas existem também nas cidades de Recife, Salvador, Fortaleza.  E no famoso Rio está o maior “bairro de lata” no Brasil, a favela Rocinha na qual segundo estatísticas diferentes   têm abrigo de 100 mil até 300 mil habitantes. Segundo as fontes oficiais fos últimos tempos, 55,5% dos habitantes das favelas são mulatos, 30,6%  - pessoas de tez branca e 12,9% - as de tez negra. А receita média mensal de um habitante das favelas é cerca de 525 reis ou 300 dôlares norte-americanos. A porção dos habitantes das  favelas maiores de  15 anos de idade  que são analfabetos é cerca  de 10%. Estassãoasestatísricasoficiais.

Na opinião dos peritos nas favelas a miséria está lado a lado não apenas da delinquência, mas também da alta natalidade. Como supõem os politicôlogos, o crescimento econômico do Brasil “sem falta vai parar chegando ao teto por causa de um aumento rápido da camada de pobres e analfabetos”.  Esta tese pessimista pode ser contestada, mas é absolutamente exato que a existência de tais “polos da miséria, do tráfico de drogas e de outras espécies da delinquência”, como as favelas, põe um  sério freio ao desenvolvimento do país e pode fazer com que o futuro melhor seja inacessível para muitos brasilheiros.

Alguns anos atrás os arquitetos e artistas brasilheiros procuraram melhorar as aparências de 215 favelas no Rio de Janeiro. Foram empreendidas grandes ações públicas reaslizadas com a assistência do Governo. O plano foi enfeitar a cidade e as casas de seus habitantes na véspera do Campeonato do Mundo do Futebol -2014 e da Olimpíada-2016.    As favelas figuraram no plano também.  A esta medida foram destinados 8 bilhões de reis (mais de 3,5 milhões de dôlares norte-americanos). Depois disso nas paredes de muitas casas foram pintados desenhos de cores vivas. Muitos brasilheiros no entanto pensaram que este “enfeitismo” foi nada mais do que a hipocrisia dos funcionários públicos. Mas seria justo dizer qua as autoridades mais de uma vez construiram novas moradias comfortáveis que se destinavam para os habitantes das favelas os quais por uma razão qualquer recusavam-se a mudar para estas casas tendo medo de abandonar o meio-ambiente habitual. Este é mais um paradoxo da vida no Brasil.

Mas também existem outros paradoxos. Assim, por exemplo, alguns habitantes das favelas fazem lembranças para os turistas com suas próprias mãos. Até os alunos das escolas locais para os pobres fabricam artigos para vende-lôs aos estrangeiros, sendo que algumas favelas encontram-se ao lado dos hoteis de cinco estrelas e dos bairros urbanos de luxo.  E as favelas mais “piturescas”, como a Rocinha são frequentadas pelas turistas durante as excurções, com as quais seus habitantes ganham um poco de dinheiro. Os visitantes, por exemplo, podem conhecer a origem das favelas no Rio ou saber o facto de cerca de 80% dos habitantes da Rocinha não terem um emprego permanente. “Aqui não se costuma fechar as portas a chave, porque o fiurto praticamente não existe. Esta favela é interessante também com sua arquitetura, com as ruas e praçãs e, claro, com as famosas escolas do samba as quais quase cada ano ocupam os primeiros lugares durante o famoso Carnaval no Rio de Janeiro”. Isto é um trecho de um guia turístico. Aqui tem um excelente miradouro da qual a cidade é visto como se estivesse na palma da mão. Os visitantes terão a oportunidade de ver as oficinas de artesãos  nas quais os turistas compram sem falta uma bugiganga qualquer como lembrança. No entanto os habitantes das  favelas vivem uma vida dura sem vislumbres de esperança a qual seria difícil chamar de um modelo do folclore nacional brasilheiro. Mas há bem pouco, praticamente antes das ações de protesto, a Presidente Dilma Russeff declarou que o Governo Federal tivera por objetivo a transformação do Brasil em um país mais contemporrãneo, mais eficiente e mais justo. As autoridades prometeram que meios imensos iriam ser investidos  no desenvolvimento do sistema de transporte nacional. Em particular, foi previsto destinar 133 bilhões de reis (65 bilhões de dôlares norte-americanos) somente à construção de estradas de ferro de 1º mil quilômentros de cumprimento. O Governo vai investir somas grandes na criação de estradas rodoviárias de 7,5 mil qilômetros. A realização destes projetos que visam o desenvolvimento logístico, bem como dos outros, é planejada com a participação do capital privado. Atualmente a Senhora Presidente juntamente com o Governo quer corrigir a situação o mais depressa possível prometendo realizar um plebiscito nacional sobre a reforma política enviando meios consideráveis para a conservação e restauração de monumentos da cultura, financiando muitos projetos sociais novos.

Mas a pesar de tudo isso eu, tanto como muitos outros, fico atormentado com umas questões. Por exemplo, quais são as razões que fazem dezenas de milhares de brasilheiros sair à rua manifestando seu protesto? Como é que se deu que o Governo do Partido dos Trabalhadores tendo sucesso durante a última dêcada com a presidência de Lula e agora com a Senhora Russeff, alcançando uma diminuição considerável da pobreza  e um melhoramento das condições da vida de centenas de milhares dos brasilheiros, agora inesperadamente causou tanta raiva dos cidadãos do país?

Fiz estas duas perguntas a Borís Comissarov,  Doutor em Ciências Histôricas, professor unversitário de São-Petersburgo, um grande especialista sobre o Brasil na Rússia. Eis o que disse Borís Comissarov: “Sim, o Senhor tem razão, - o anterior Governo de Lula, o centrista da esquerda, conseguiu fazer, como se parecesse, o impossível tirando da miséria negra de 35 até 40 milhões de brasilheiros a parte maior dos quais aproximou-se da fronteira baixa da classe média, por enguanto os outros até conseguiram atravessar esta fronteira. Mas o tempo estava passando, chegou a crise econômica universal a qual não pôde deixar de lado o Brasil a economia do qual, segundo várias estimativas, está no 6-8-vo lugar no mundo. A atual situação no país é nada brilhante: no primeiro trimestre deste ano de facto cessou o crescimento do Produto Interno Bruto sendo apenás 0,7%; o déficit da balança comercial - 3% do PIB; o preço do dôlar norte-americano é quase 2,5 reis. Como resultado disso, a politica praticada pelo governate Partido dos Trabalhadores enfrentou as dificuldades que foram criadas por este partido mesmo. Milhões de brasilheiros que alcançaram um nível da vida melhor exigem com uma grande decisão seu melhoramento ulteriuor. Por isso causou uma explosão um efêmero, como pudesse parecer,  aumento da tarifa do transporte urbano (apenas uns vinte centavos, o que seria por volta de três rublos na moeda do nosso país!). Isso, em particular, teve a relação com os ônibus os quais, porém, continuam com a mesma apertura e a circulação irregular em todos seus itinerários.  Aos antigos pobres juntaram-se todos os que não se entusiasmaram com  as reformas socialistas do Partido dos Trabalhadores (PT) sendo que pelo seu número o PT constitue apenas um pouco mais de 30% do número geral dos afiliados dos três partidos políticos maiores – o Partido do  Movimento Democrâtico do Brasil (PMDB), o Partido Progressista (PP), o Partido Social-Democrâtico do Brasil (PSDB).

Na minha opinião é digno de respeito o facto de os atuais manifestantes brasilheiros, representantes da nação mais “futebolista” no mundo, tinham protestado unanimamente contra  as despesas de recorde com esta modalidade esportiva, contra a primacia da bola de futebol sobre os problemas da educação, da cultura, da saude pública, do transporte urbano, da luta contra a corrupção. Em essência, agora manifestam com toda a determinação que não lhes convem tal distração e entretenhamento como o futebol na altura em que numerosos problemas de vida urgentes estão por serem solucionados”.   

Emaisumacoisa. Na opinião de Borís Comissarov o Partido dos Trabalhadores sem dúvida tem méritos diante a nação, mas ultimamente, em especial, depois de uma discípula de Lula, a Senhora Dilma Russeff, ser eleita a Presidente, a sua administração cometeu uma série de erros nos cálculos políticos  Assim deixaram passar o momento quando ainda foi possível prevenir ou, pelo menos, atenuar consideravelmente a explosão de indignação no país, foi reduzida a luta contra a corrupção a qual deveria ter um caráter absolutamente aberto, público e rigoroso, não deveria, confiando na popularidade do futebol no seio do povo, planejar e gastar recursos enormes sem um reconhecimento respetivo (interrogatorios,  questionários). Em resultado, em vez de encabeçar o processo das reformas ulteriores (as quais não podem cessar objetivamente), o partido governate ficou “na cauda” das manifestações de protesto as quais, por enquanto, tem o caráter econômico, e a Senhora Russeff aceitando as reividicações financeiras dos cidadãos prometeu satisfaze-lâs. Mas será absolutamente  inadmissível que às reivindicações econômicas juntariam as políticas dirigidas ao Governo. Não se pode deixar que depois do regime militar de 20 anos, da destituição de Côllor, depois das reformas financeiras de Cardoso, da apaixonada e persistente luta contra a miséria que travou o presidente-trabalhador e ativista sindical, Lula, o Brasil enorme, o país que parece um mundo inteiro ficaria parada “em um beco sem saída político”. Deste modo a Presidente Dilma Russeff e o PT em geral têm uma responsabilidade séria pelo futuro do Brasil. Efetuar escrupulosa- e completamente os prometidos investimentos financeiros nas esferas que preocupam a população, preparar minuciosamente e levar a cabo o planejado plebiscito sobre a reforma política, travar a luta contra a corrupção levando-a a um nível novo de princípio -  este é o mínimo das tarefas  urgentes que têm o Governo da Senhora Russeff. Como penso eu, somente isso ajuda a atingir o equilíbrio na atividade a todos os níveis do poder do Estado sob a situação nada fácil que hoje surgiu no Brasil.

…É difícil rejeitar as conclusões que fez o cientista e politicôlogo, Borís Comissarov. Mas contudo tenho certeza que este país, rico em recursos naturais e humanos, ao qual muitos escritores e políticos destacados prediziam um futuro grande ainda no século passado, tem possibilidades enormes  que vão dar para justificar sua predestinação gloriosa. Opaíscontinuacomperspetivasgrandes. O Brasil, sem duvida, poderá desfazer-se das favelas que o arrastam para trás, e assegurar a si, a seus cidadãos uma vida melhor, mais digna, no futuro.

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