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terça, 05 novembro 2013 11:10

Ano internacional de grãos de ouro

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Num dos supermercados de Moscou minha atenção foi atraída a uma prateleira com cereais na qual esteve um produto novo – a quinua. Lembrei logo que  a Organização das Nações Unidas proclamou este ano, 2013, “o Ano Internacional de Quinua”. Isto é uma cultura muito antiga, que tinha sido cultivada pelos incas durante mais de três mil anos. A propôsito, foram eles que deram às frutas o nome de “quinua”, “grão divino”, que dava força às pessoas.

 

Na êpoca antes de Colombo nos Andes a quinua era o segundo gênero alimentício mais importante após a batata. Plantações da quinua adquirem a cor de ouro quando começam a florescer. Por isso grãos desta cultura também têm um outro nome – “grãos de ouro”.

 

Recentemente tive a possibilidade de experimentar a quinua. O produto cozido tem o cheiro de erva fresca e o sabor agradável que um pouco  parece a mingau de painço que  conhecemos muito bem. É possível que algumas pessoas pensem que o mingau de grãos cozidos tem o sabor de arroz com casca bem cozido.

Pela primeira os europeus mencionaram a quinua vez em 1553. Um conquistador espanhol, Sieza de Leon no seu livro “Primeira Parte da Crónica do Perú” fala de grãos deste graminea dizendo o seguinte: “Aqui existe mais um produto muito bom que os índios chamam de “quinua”. Este produto tem a folha como a de quenopódio mauritano, e cresce uma planta chegando quase à altura de uma pessoa que dá um grão muito pequeno o qual pode ser de cor branca ou de várias cores. Os grãos são usados para fazer bebidas, bem como são comidos fritos como comemos arroz”...    

Hoje a quinua é cultivada náo apenas na região Andina da América do Sul (na Bolívia, no Perú, Equador, Chile, na Colômbia e na Argentina), mas também nos EUA, no Canadá, na França, Grã-Bretanha, na Suécia,  Dinamarca, Itália, Austrália e em alguns países da África. Na Quénia e no Mali, por exemplo, esta cultura já trouxe um bom rendimento. Segundo os resultados das investigações primârias o cultivo da quinua é possível também no Himalaia, nas planícies da Índia setentrional,  no   Sahel, no Iémene e em outras regiões do mundo com o clima seco. Tal, pelo menos, é a opinião dos especialistas da Organização dos Alimentícios e da Agricultura da ONU (OAA) que decidiu apoiar a proposta do presidente da Bolívia.

Agora os maiores produtores da quinua no mundo são a Bolívia, o Perú, os EUA e o Equador. A produção da quinua na Argentina, Colômbia e no Chile é consideravelmente menor. Por exemplo, hoje no Equador as plantações da quinua  ocupam dois mil hectares, e para 2015 planeja-se aumenta-lás até dez mil hectares  tornando a quinua uma cultura de exportação.

Eainda assim é a Bolívia que produz 46 por cento da quinua cultivada no mudo. As áreas que são ocupadas por esta cultura ali crescem rapidamente aumentando em 39 por cento apenas nos dois últimos anos e atingindo seu máximo histôrico. Graças aos esforços do Presidente Evo Morales que faz propaganda desta cultura antiga em toda a parte onde puder, a OAA deu à Bolívia o nome de “Enviado Especial da Quinua na ONU”. No segundo lugar está o Perú ao qual cabe 42% da produção mundial da quinua, e no terceiro lugar,  por estranho que pareça, estão os Estados Unidos, ainda que os norte-americanos principalmente compram estes cereais a toneladas na América Latina. Talvez não lhes baste sua própria quinua. E além do mais, como acabamos de saber, no centro côsmico norte-americano, a NASA, a quinua é utilizada como um dos gêneros alimentícios para os asronautas. Não é por acaso que hoje em muitos países torna-se cada vez mais popular o antigo provérbio boliviano: “A quinua é o futuro semeado milhares de anos atrás”.

Em 2012 da Bolívia foram exportadas 26 toneladas da quinua, principalmente para os EUA. Os campos com esta cultura ocupam a área de 96 mil hectares, quase  de metade destes campos com “os grãos de ouro” estão  na região de Oruro. Foi esta reqião na qual o Presidente Evo Morales tomou parte da sementeira no ano passado. 

Cumpre dizer, que a procura dos “graõs de ouro” continua crescendo, e é esta procura que gera o oferecimento. Apenas na América do Sul há cerca de 130 mil  fazendas pequenas e médias familiares  que se ocupam desta cultura. Também há empresários-açambarcadores e corredores que aproveitando-se  da popularidade deste produto dietêtico nutritivo vendem a quinua andina para os restourantes-gourmet  pelos preços que ultrapassam, por  exemplo, as de soja em cinco vezes. Mas em geral, como dizem os especialistas, agora uma tonelada dos “grãos de ouro” custa em médio mais de 3 200 dôlares norte-americanos, e os preços deste grão ainda tendem a crescer.  ...O Ano Internacional de Quinua começou em 20 fevereiro último, em Nova Iorque , no Quartel General da ONU, proclamado por um insistente pedido do líder boliviano Evo Morales por causa de altas qualidades nutritivas deste cereal. É de realçar que segundo as palavras do Presidente da Bolívia, as corporações multinacionais que produzem gêneros alimentícios emprrenderam uma poderosa tentativa visando obstaculizar a proclamação do Ano Internacional da Quinua sentindo uma ameaça aos seus superlucros. Mas aconteceu que  a aspiração da comunidade internacional à garantia da segurança de comestíveis, à irradicação da fome e à salvação do número crescente dos habitantes da Terra de crises alimentícios do futuro foi mais forte do que a oligarquia mundial.

Ali mesmo, memo, na ONU, o Presidente da Bolívia Evo Morales e a Primeira Dama do Perú, Nadin Heredia Alarcon de Umala foram pessoalmente nomeadas os Embaixadores Honoríficos do Ano Internacional da Quinua. A Primeira Dama pôs em relevo o papel da quinua como “um  meio de luta contra a fome e a subalimentação acessível e eficiente”. Porque? Porque esta cultura é muito nutritiva e cresce nas condições quase “espartanas” – nos lotes de terra lavrada que estão ao nível do mar e até nos planaltos nas  montanhas situados na altura de quatro quilômetros.  A quinua exige pouca água, tem uma boa resistência às doenças, pode crescer nos solos esteris e resiste também às duras condições de tempo – às secas e ao frio, suportando, segundo os especialistas, as temperaturas desde 8 graus centígrados negativos até 38 graus positivos. O Presidente da Bolivia Evo Morales exorta os governos de diferentes países e os agricultores privados a investir na produção dos “grãos de ouro”, não para “a obtenção de lucro, mas para a salvação da humanidade da fome”.

o Secretário Geral da ONU Pan Gui Mun também deu um alro apreço aos “grãos de ouro”. Na sua opinião a quinua sem falta deve receber o reconhecimento internacional.

Em julho teve lugar o Quarto Congresso Mundial sobre a Quinua que decorreu no Equador nos marcos do Ano Internacional. Cerca de 700 especialistas e produtores da Bolívia, Colômbia, do Ecuador, Perú e da Dinamarca trocaram experiências de estudo das propriedade medicinais e gastronômicas da quinua, dos mêtodos de seu cultivo e  do consumo dos “grãos de ouro” e de uma série de outros cereais andinos pouco conhecidos, tais como, o amaranto, chocho ou tarwi, ataco e kañiwa. Na mesma altura foi organizado o seminârio científico sobre a agrionomia, a mudança do clima e o cultivo destas culturas nas  condições contemporrâneas, que decorreou sob o lema:  “A quinua: um aliado para a irradicação da fome”. Do seminârio também tomaram parte os cientistas dos EUA e da Costa Rica. Segundo os especialistas, a quinua ultrapassa a maioria dos outros cereais pela sua rica composição química. Assim, pelo teor de proteína a quinua ultrapassa o arroz mais em duas veze, o painço – em duas vezes, o milho  - quase em seis vezes. Juntamente com as proteínas únicas do gênero a quinua contem hidratos de carbonato, gorduras com um alto teor de ácido de lecitino, celulose, minerais e vitaminas do grupo B. Além disso, grãos da quinua são ricos em fôsforo, ferro cálcio e zinco.

Em setembro e em outubro as medidas cietífico-prâticas dedicadas à quinua tiveram lugar tanto na própria Bolívia, como em outros países da América, Europa e Ásia. Em muitos países foram organizadas  “semanas dos grãos de ouro”, festivais, concursos gastronômicos com a preparaçaõ de pratos requintados do quinoa e até exposiçoes de quadros e livros. Foram publicados dezenas de prontuários e de várias obras de literatura em diferentes idiomas dedicados a este único produto. Um destes dias na cidade italiana de Milão terá lugar o Congresso Internacional sobre a Quinua “Dos Andes – a Milão e a Todo o Mundo”. Em novembro  em  Lima (no Perú) e em La Paz (na Bolívia) realizar-se-ão festivais  gastronômicos e concursos “o Prato de Maior Proveito”…

O Ano Internacional da Quinua terminara em dezembro, em Roma no Quartel General da OAA. Lá terá lugar a ceremônia solene de encerramento do Ano.

Segundo os peritos da ONU,  o Ano Internacional da Quinua não apenas serve de um estímulo para a produção dos “grãos de ouro” em todo o mundo, mas também deve mostrar que os problemas do mundo contemporrâneo podem ser solucionados com o aproveitamento do conhecimento adquerido pelos nossos antepassados e da experiência das fazendas familiares que atualmente são os principais produtores desta cultura.

O lançamento do Ano em Nova Iorque deu o início a uma série das medidas culturais e científicas, bem como às investigações científicas, as quais, como se espera, darão uma grande contribuição para o bem-estar de milhares de pequenos  granjeiros e consumidores em todo o mundo.

Os peritos da OAA elaboraram o programa de medidas para o Ano inteiro visando, antes de mais nada, a propaganda da quinua e de suas propriedades nutritivas. O programa contem várias recomendações e sugestões. Por exemplo, foi sugerido que na Bolívia fosse criado um Centro de Agricultura e de Víveres vom o fim da produção de fundo de sementes do quinua, da sertificação de grãos e o controle de sua qualidade. Também foi decidido construir na Bolívia o Centro Internacional de Estudo da Quinua e pensar na otimização da cadeia “do produtor ao consumidor”.  

Ao mesmo tempo os peritos advertem contra a possibilidade de excessos com a quinua (aqui na Rússia guardamos na memória os excessos com o cultivo do milho nos tempos de Niquita Khruschev!). Será necessário não apenas estimular, mas também regular a plantação da quinua para não deixar que esta cultura substituir outras culturas importantes– as leguminosas, o milho e o arroz, por exemplo. Já existem exemplos de tal substituição na região do lago Titicaca nos Andes. “A quinuamania” não devera perturbar o equlíbrio das culturas alimentícias. No futuro as pessoas náo poderão alimentar-se só da quinua!

Mas o que se pode fazer dos “grãos de ouro”?

De acordo com a tradição dos índios da Bolívia grãos da quinua são fritos e moídos em farinha da qual são feitos vários tipos de pão. Além disso os grãos são colocados em sopas, dos grãos fazem mingaus, cerveja e chicha, a bebida alcoólica tradicional – uma espécue de água ardente caseira nos Andes. Na opinião de algumas pessoas a quinua adquire o sabor de noz quando cozida. A maioria dos cozinheiros pensa que o cereal é bom devído ao facto de adquirir o sabor do prato para o qual é preparado como a guarnição.   

Além disso, a farinha da quinua é utilizada na produção de macarrões e de refrescos. Dos sementes fazem um produto nutritivo parecido ao óleo de noz, e da mistura com suco da maracujá é feito um néctar denso e gostoso.

Hoje a quinua encontrou seu lugar não apenas na cozinha de gastrônomos, mas também na farmacéutica e em outras indústrias.

 …Segundo muitos prontuários sul-americanos, os aficionados da alimentação sadia tanto na América e Europa, como até na Austrália e na África têm este cereal em alto apreço pelas suas propriedades úteis. Com um grande teor da ptoteína a quinua náo contem o glúten em contraposição, digamos, ao trigo, e por isso pode servir de alimentação dietêtica. Além disso o produto não tem os organismos geneticamente modificados (OGM) o que hoje torna-se cada vez mais raro. Gosteidestecereal. Ponho um pouco de mel no mingau. Aconselho-os experimenta-ló. PelomenosnoAnoInternacionaldaQuinua.

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