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quinta, 24 outubro 2013 21:54

Alexandre Schetinin, Diretor do Departamento Latino-Americano do Ministério do Exterior da Rússia: «As relações da Rússia com a Аmérica Latina são dinâmicas e mutuamente exigidas»

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Nos últimos anos as relações da Rússia com os países da América Latina e da Bacia das Caraíbas (ALBC) são caraterizadas por um desenvolvimento ativo em todas as esferas  - a política, comercial e econômica, científica, têcnico-militar. Realizam-se com uma frequência maior os contatos culturais, aumentam as relações de turismo, está sendo alargada a diplomacia popular. São estes temas que abordámos mais detalhadamente durante uma conversa que tivemos no Ministério das Relações Exteriores da Rússia com  o Diretor do Departamento Latino-Americano, Alexandre Schetinin.

 

 

- Аlexandre Valentinivitch, como o Senhor poderia caraterizar a etapa atual da interação do nosso país com os Estados do ALBC?

- As relações da Rússia com a América Latina têm um desenvolvimento bastante dinâmico,  sendo que este desenvolvimento  dá-se em muitos vetores. Esta tendência tem sido observada durante a última dêcada.  É de um destaque especial que o caráter dinâmico de cooperação da Rússia com a América Latina já se tornou uma constante tendo tarnsformando-se numa necessidade para os nossos países. Isso é um processo natural que tende ao aprofundamento e é caraterizado pelo facto de nós passarmos cada vez mais de confirmações recíprocas de proximidade das posições em relação das questões internacionais ou de possibilidades  do desenvolvimento da cooperação ecnômica e comercial para um trabalho prático e muito estreito  sobre os problemas internacionais determinados, se falarmos da política externa, ou sobre os projetos econômicos e comerciais determinados os quais estão sendo postos em prâtica tanto no território da América Latina, como na Federação da Rússia.

Existe um desenvolvimento muito ativo no plano do diâlogo político. Este ano em Julho recebémos em Moscou os Presidentes da Venezuela e da Bolívia que tomaram parte da conferência de cûpola do Fôrum dos Países-Exportadores de Gás; tiveram lugar as conversações deles com o Presidente da Rússia, Vladímir Pútine. Em Fevereiro último o Chefe go Governo da Rússia, Dmítri Medvedev, esteve em visita oficial no Brasil e em Cuba.

Uma dinâmica positiva é observada no desenvolvimento dos contatos a nível dos Ministros das Relações Exteriores.  «Nas margens» da discussão política geral na 68-a Sessão da Assambleia Geral da ONU  em Nova Iorque decorrerarm os encontros do Chanceler Serguei Lavrov com seus colegas da Nicarágua, do Paraguai, México, do Brasil, de Cuba.

Estão desenvolvendo-se também as relações no domínio de outros órgãos federais do poder executivo, tanto do bloco ecomômico e científico-tecnolôgico, como o cultural e humanitârio. Isso também é uma especificidade importante que carateriza a etapa atual da nossa cooperação.

Continua a alargar-se a zona livre de vistos para viagens mútuas de cidadãos dos nossos países. Em resultado da conversa do nossos Ministro do Exterior com seu colega paraguaio, Heládio Loizaga, que decorreu em Setembro passado em Nova Iorque foi assinado um entendimento deste gênero com Assunção também.  Agora, se não tomarmos em consideração algumas repúblicas da América Central e do Caribe que têm sua especificidade, seria mais fácil enumerar os países com os quais ainda não temos o regime livre de viagens do que os com os quais temos concluido os entendimentos respetivos que já entraram em vigor.  O regime livre sem dúvida contribue para o desenvolvimento de contatos bilaterais, para viagens mútuas, para o intercâmbio turístico de delegações juvenis e esportivas. Este é um fator de nossa interação que tem enorme importância.

Mas infelizmente o regime livre tem um avesso negativo na forma de incremento dos contatos de elementos criminosos, de crescimento do crime transnacional.  Por isso seria muito importante para nós a cooperação que se desenvolve no domínio de atividade dos órgãos de proteção da Lei, especialmente a que diz respeito à luta contra o terrorismo internacional, a trâfico ilegal de drogas, de armas e de pessoas.

Neste plano está sendo elaborada a respetiva base de acordos jurídicos. Também aspiramos a fazer tudo o que for nacessário para que a cooperação da Rússia com os países da ALC seja para o bem e não para o mal  dos nossos povos.

Se falarmos da cooperação econômica e comercial, no ano passado seu volume totalizou  16,5 bilhões de dôlares norte-americanos.

De um lado, é observada uma tendência ao crescimento em comparação com o período anterior (aindo não tenho ganas de fazer prognôsticos para o ano que vivemos).

Por outro lado, é claro que 16,5 bilhões de dôlares é um volume bem insuficiente. Mas todavia é importante que os projetos sérios econômicos e comerciais a longo prazo ocupam um lugar cada vez maior na nossa cooperação. Um exemplo disso seria, em paticular, uma séria preparação e realização do projeto de construção da usina hidroelétrica  «Тоаchi-Pilatоn» no Equador ou um grande lote de aviões «Sukhoi-Superjet» de fabrico russo que adquiriu o México. Poderia citar também outros exemplos – projetos de investimento reais que a Rússia está realizando em cooperação com seus parceiros brasileiros. 

Em outras palavras, existe um campo dos interesses mútuos, existem esferas reais de investimento mútuo dos capitais à base de um princípio muito importante – completamento mútuo das economias dos nossos países. Não somos competidores numa grande medida. As nossas economias são mutuamente completáveis e isso assegura umas positividades consideráveis, uns novos «nichos das possibilidades» para as relações bilaterais.

A América Latina torna-se  um centro de atração cada vez maior para os turistas da Rússia. São, por enquanto, quatro localidades que gozam de popularidade especial no seio deles: Punta Cana na Repúblicа Dominicana, Cancun no México, Baradero em Cuba e a estação balneária Montego Bay na Jamaica que está entrando em voga ultimamente.   É claro que isso resulta na organização de uma direta comunicação aérea. Como vimos, a América  Latina torna-se cada vez mais atraente, pelo menos, para um caprichoso turista da Rússia.

Assim as relações realmente tem um desenvolvimento dinâmico trazendo tanto as coisas que são, sem dúvida, positivas, como os problemas provenientes da criação de uma vasta rede dos contatos bilaterais e multilaterais.

- Аlexandre Valentinovitch, conversando com o Senhor gostaria de tocar o tema da Síria  que se destaca por um calor especial hoje. Qual é a atitude que os países latino-americanos têm para com a situação dentro deste país e em torno dele ?

- Uma esmagadora maioria dos habitantes da América Latina manifesta-se a favor de uma solução pacífica do conflito interno na Síria e contra uma intervenção externa nos assuntos domésticos deste país, contra qualquer agressão. Os latino-americanos desejam que sejam encontrados meios diplomâticos com vista à regularização da situação complicada que está criando-se neste país e, o que tem uma importância especial, tem uma projeção evidente para outras regiões do Oriente Médio.

Esta posição comum dos latino-americanos tem sido refletida tanto na ordem individual nas respetivas declarações por parte dos Governos e dos Ministerios das Relações Exteriores,  como nos documentos adotados em conjunto.  Nesta circunstância gostaria de pôr em relevo especial a declaração da União das Nações Sulamericanas (UNASUR), a declaração da Aliançã Bolivariana (ALBA)  dirigida aos povos da nossa América e a declaração da Comunidace dos Estados da América Latina e do Cariube (CEALC). Esta é uma posição comum coordenada por todos os Estados. É importante que estes documentos expressam uma intenção firme de contribuir para a solução do conflito nas vias diplomâticas.

Não seria um exagero dizer que todos os países da região apoiaram as iniciativas da Rússia e dos EUA com vista a liquidação das armas químicas na Síria. Todos destacaram o papel decisivo que a diplomacia da Rússia desempenhou na obtenção dos respetivos entendimentos que encontraram um apoio unânimo no Comité Executivo da Organização de Controle dos Armamentos Químicos e no Conselho da Segurança da ONU.

É natural que nas posições das partes existem nuanças as quais são reparadas por nós. Mas é importante que todos os maiores países da região e a região em sua maioria esmagadora são bastante consequentes quanto à avaliação geral da situação na Síria e na avaliação das últimas iniciativas da Rússia, bem como dos passos que a Rússia e os EUA têm empreendido visando estabelecer o controle sobre  o armamento químico da Síria.

- Agora gostaria de fazer-lhe uma pergunta de outro gênero. No nosso país e fora das suas fronteiras é amplamente conhecido o Instituto da América Latina junto à Academia das Ciéncias da Rússia (IAL ACR) que se ocupa da pesquisa científica. O Instituto é famoso como um dos centros de estudo da América Latina nacionais e mundiais. O Parlamento aprovou a lei de reforma da Academia das Ciéncia que despertou debates na sociedade da Rússia. Como pensa o Senhor, poderia a reforma exercer uma influêcia sobre a atividade do IAL, sobre o desenvolvimento do estudo da América Latina na Rússia?

- Não gostaria de adivinhar de que maneira a adoção da lei da reforma da ACR refletir-se-á na atividade do Instituto da América Latina. Gostariadeabordarestaquestãodeoutrolado. O Instituto da América Latina é uma importante instituição da nossa comunidade científica que goza de um grande prestígio nos círculos académicos tanto na Rússia, como no estrangeiro. No IAL trabalha um pessoal de mais alta qualificação professional encabeçado pelo membro-correspondente da ACR, Vladímir Mikhailovitsch Davidov. Sem duvida é muito importante que este pessoal continue trabalhando, é muito importante a manutenção do Instituto como o centro do estudo da América Latina  na Rússia. Além disso compreendemos perfeitamente que o edifício do Instituto da América Latina  já há muito tempo transformou-se de um centro académico para o lugar onde se realizam numerosos encontros importantes, conferências, reuniões e sessões para as quais são convidados não apenas participantes da Rússia; mas também hospedes da América Latina.  Este é um importante sítio de encontros bilaterais e multilaterais; um sítio não formal de debates e de criatividade. A própria existência de tal sítio é muito importante para nós.  No que concerne ao Ministério do Exterior estamos interessados de que permaneça no futuro este sítio não formal no qual se dá a discussão de atuais questões da vida regional, do desenvolvimento da nossa cooperação e de suas perspetivas; que este sítio continue funcionando para o bem de todos nós. Não pode haver quaisquer dúvidas neste respeito. Sempre agradecemos ao trabalho que este Institututo Académico faz com vista a implementar a cooperação da Rússia com a América Latina.

- E a última pergunta, segundo uma tradição, relacionada com o futuro. Alexandre Valentinovitch, quais são as perspetivas das nossas relações com os países da América Latina e do Caribe? Até agora no seio dos homens de negócios da Rússia existe uma opnião de que a cooperação com esta região seja desvantajosa por causa uma enorme distância; de que na América Latina tenhamos uma perda grande de mais aos EUA e agora – à China cuja circulação de mercadorias com o ALBC ultrapassa a nossa em granede medida. O que pensa o Senhor a este respeito

- Claro que não somos norte-americanos ou chineses. Por isso temos outras possibilidades, bem como as atitudes não sendo isso uma coisa positivida ou negativa mas uma imparcial constatação dos factos. Sem dúvida a Rússia e a América Latina examinam a cooperação mútua através de prisma dos interesses comums. A medida que seja crescendo a necessidade recíproca dos nossos países no plano de interação políitica  e colaboração econômica, irão fortalecendo-se as nossas relações em geral. Quaisquer decisões administrativas com vista à solução deste problema seriam difíceis e provavelmente desnecessárias. Nósdevemosterumaatitudereal.

Claro que a América Latina é um continente que está em outro hemisfério. Mas isso não significa que temos uma tal esfera dos interesses limitada. Nadadisso. Temos um campo vasto de coincidência das relações mútuas – na política, na economia, na cultura, na cooperação humanitária. E devemos aproveitar estas possibilidades. A medida deste aproveitamento depende numa grande medida do estado das coisas em nossa casa. Se este estado for bom, o desenvolvimento das relações da Rússia com a América Latina dar-se-á mais ativamente.

Falando de uma infraestrutura necessária para estas relações, tal estrutura já está criada sendo bastante ampla. Com isso existe um interesse comum em aprofundamento e alargamento dos contatos. Um exemplo disso será a abertura de mais uma embaixada latino-americana em Moscou – a da República de Honduras.

Creio que as decisões em conformidade com a Concepção da Política Externa da Federação da Rússia a qual foi adotada e está sendo realizada criam uma bom alicerce para isso. Sem duvida estarão sendo fortalecidas as relações nos quadrantes da BRICS, bem com as nos marcos dos «vinte» e de outros mecanismos internacionais. É importante a consolidação das nossas relações com os países latino-americanos também dentro da Organização Mundial do Comércio a qual agora é encabeçada por um representante desta região – um representante do Brasil.

Em outras palavras, os nosos contatos com a América Latina inspiram otimismo a mim. Caso contrário não valeria a pena ocupar-nos disso. Tenho certeza que estas relações realmente têm um futuro bom, construtivo e mutuamente vantajoso.

- Agradeço-lhe a conversa interessante, Alexandre Valentinivitch.

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