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quinta, 29 agosto 2013 00:00

Guibraltar – impasses de uma discórdia arcáica

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A Espanha e a Grã Bretanha estão a ponto de uma nova guerra diplomâtica. E mais uma vez por causa do Guibraltar. Este litígio entre Madrid e Londres  periodicamente volta a ser acesa já no decurso de três centenários. 

Desta vez o pretexto resultou das ações das autoridades do Penon – este é o nome dado pelos espanhois ao encravo britânico de Guibraltar.  As autoridades da única colônia inglesa na Europa decidiram criar perto dela um artificial recife para aumentar a área de seu terrítorio por conta do mar.  Com este fim uma grande parte da bacia interior do “Rochedo” foi  atulhada com blocos de concreto supostamente para ser coberto com terra em seguida. Esta é a versão de alguns peritos espanhois.  (Uma referência: Guibraltar é um terreno rochoso no sul do litoral da Península Ibérica com a superfície de 6,5 quilômetros quadrados, e o próprio rochedo tem aproximadamente 425 metros de altura). Na opnião de Маdrid ao Guibraltar pertence exclusivamente a bacia interior do porto e as águas costeiras fazem parte do território da Espanha. Cada dia os navios pesqueiros locais fazem pesca nas proximidades da costa da colónia btitânica.  

É narural que o encravo inglês de Penon nega tudo acalmando os pescadores espanhois com promessas de deixá-lôs pescar perto do “Rochedo”  já dentro de um par de meses. Mas os espanhois não acreditam aos gibraltinos. 

Claro que os espanhois têm possibilidades de exercer pressão bastante  fortes, sendo que a única via terrrestre que dá acesso para o “Rochedo”  atravessa o território da Espanha. Como uma medida de retaliação as autoridades espanhois decretaram que cada automóvel a entrar na colônia britânica ou a sair dela fosse sujeito ao imposto de 50 éuros com a intenção de indemnizar com o dinheiro cobrado o prejuizo causado pelas ações do Penon aos pescadores espanhois. São isentos do imposto apenas mais de 4000 cidadãos da Espanha que visitam o Guibraltar cada dia. A soma de 50 érous foi calculada em Madrid por analogia com a taxa que pagam os motoristas entrando no centro de Londres. 

De qualquer maneira o atulhamento do espaço aguâtico local com cerca  70 blocos de concreto foi uma perturbação das condições de trabalho habituais para lanchas persqueiras espanhois. Na opinião de Madrid esta zona faz parte de suas águas territoriais  (Propriamente como o “Rochedo” mesmo.) Os pescadores fizeram ações de protesto desfilando em suas lanchas nas proximidades da bacia na qual tinham sido lançados os blocos de concreto armado. Os navios de manfestantes foram protegidos pelas lanchas da polícia espanhola as quais, a propôsito, sempre escoltam as lanchas dos pescadores quando estes últimos tiverem conflitos com a polícia britânica do Guibraltar. 

É de surpreender que ainda não haja choques e tiros nas proximidades do “Rochedo”. Uma tolerância deste gênero só pode ser aplaudida. Mas as salvas de uma guerra diplomâtica já estão sendo disparadas, e a tensão na linha de frente  da política externa continua crescendo. 

As autoridades da Espanha declararam protesto à Grã Bretanhã levantando mais uma vez a questão da soberania do Guibraltar ou simplesmente a de restabelecimento da jurisdição da Espanha sobre o Rochedo-Penhon, na qual este território estava antes de 1713. A história deste problema é realmente muito antiga procedendo de 1704 quando uma esquadra anglo-neerlandesa apoderou-se do Guibraltar em resultado da Guerra da Sucessão Espanhola da qual tomava parte toda a Europa do Sul e do Leste.   

A guerra durou mais de doze anos e terminou em 1714. Um ano antes, em 1713, foi assinado o Tratado de Utrecht com o qual Madrid perdeu o Rochedo estratégico. Em conformidade com a cláusula 10 a Espanha cedeu o Gibraltar à Inglaterra “para os tempos eternos”. Mas agora chegaram outros tempos como pensam em Madrid. Está na hora rever o “tratado de servidão” 

Além disso, a Espanha, tal como antes, tem uma firme opinião de que o Guibratar tenha que voltar a pertencer a ela. Porém o  governo britânico «está pronto» a concordar-se com o status do território que seja escolhido a população do encravo. Mas aqui esta o astúcio: em Londres sabem muito bem que mais de 90 % da população do Penon (cerca de 35 mil pessoas) manifestam-se a favor de manutenção do atual status do Guibraltar.

Por precaução  Londres decidiu “aquecer músculos” enviando uma esquadra para o Guibraltar, e a Argentina que teve um parecido conflito por causa das Ilhas Malvinas (Folkland) expressou seu apoio à Espanha. No entanto os rivais continuam a briga diplomâtica atacando um ao outro com argumentos, sugestões e ameaças. As ameaças porém são limitadas com medidas econômicas e vários tribunais internacionais. Quando se trata do problema do Guibraltar, as autoridades deste território ultramarino da Grã Bretanha têm uma resposta invariável: “As raizes da questão do Guibraltar estão no século XVIII, mas sua solução pode ser feita só dentro do espírito do século XXI”. Com estas frazes austuciosas os btitânicos reconhecem que a diplomacia de hoje é incompatível com os gestos teátricos, com a demonstração de força e, tanto mais, com as ações agressivas.

É difícil não concordar com esta posição. Tanto mais que durante 300 anos a Espanha tinha tentado reconquistar o Guibraltar pelo menos 14 vezes. Em 1779 mesmo foi realizado o chamado “Grande Sítio do do Guibraltar”. Mas os espanhois falharam com este empreendimento emborq tivessem a assistência do exército francês. E esta foi a última vez quando Madrid tentou recuperar um terrítorio anexado por força das armas. 

Bem,  para uma maior clareza vamos voltar aos historiadores e à etimologia histôrica. A humanidade sabia de existência destes territórios desde os tempos mais remotos. Os antigos navegadores europeus pensaram que o estreito e o rochedo foram realmente o geogrâfico fim da terra e uma  simbôlica fronteira entre o mundo humano e um mundo desconhecido. Como testemunham os historiadores, algumas pessoas  supersticiosamente affirmaram que tropeçando aqui «seria possível cair da Terra, cair de sua margem»...

Existem várias versões da origem do nome «Guibraltar», uma das quais representa em si a seguinte história.   

Em 711 um general árabe, Tarique ibn Ziad, atravessou o estreito com suas tropas e chegando para a margem europeia construi sua primeira fortaleza no mais alto rochedo no sul da península. Em homenagem do general à fortaleza foi dado o nome “Jebel et Tarique”, ou seja a «monte de Tarique». Posteriormente este nome foi atribuido também ao rochedo no qual estava a fortaleza. E o próprio nome transformou-se em Gibróltar em inglês ou Gibraltar em espanhol; em russo este nome também seria “Guibraltar. 

Segundo uma outra versão a palavra «guibraltar» é traduzida como «rochedo» o que é dificil contestar. Basta olhar para sua imagem. 

Existe também a terceira versaõ relacionada com antigos habitantes da Península Ibérica. No idioma deles a palavra consiste em duas partes: «khiber» ou Ibéria (futura Espanha) e «аltar» o que significa «altar para sacrifícios». Do ponto de vista hispânico Guibraltar não é apenas um lugar com uma única posição estratégica na fronteira dos dois continentes o qual outrora (e hoje também!) foi tão atrativo para a Grã Bretanha, mas sim, um sagrado lugar espiritual, embora apenas do ponto de vista histôrico. E na língua latina  «altaria» procedente de «altus»  significa «alto». Esta versão é também digna de ser considerada. 

E mais uma estravagança histôrica frequentemente referida pelos especialistas do Guibraltar. Os britânicos têm uma crendice: por enquanto no rochedo de Guibraltar vivem macacos de rara espécie magôt (alguns autores chamam-nos simplesmente micos), o domínio inglês aqui permanece. Dizem que uma vez depois do Primeiro Ministro Winston Churchill ter feito uma observação sobre uma perigosa diminuiçaõ da população dos macacos, na colônia foi estabelecido um cargo do «оficial responsável pelos macacos». Por encuanto os macacos no Rochedo estão totalmente bem... 

Já há muito tempo recuperação do Guibraltar  tornou-se uma das tarefas nacionais na esfera da política externa praticamente de todos os governos da Espanha independentemente de seu colorido poliítico ou ideolôgico. Madrid mais de uma vez exigiu que este problema fosse discutido na Assembleia Geral da ONU, e a comunidade internacional exortava e continua exortando agora os governos de ambos os países que o litíugio seja resolvido através de conversações.  Porém Londres permanece numa posição invariável: a soberania do Penon não pode ser o objeto de discussão. Apenas pequenas questões organizativas são sujeitos a um diâlogo o qual só pode haver entre Madrid e o Penon. Por isso as conversações hispano-britânicas sempre acabam num beco sem saída. Que atitude tem a Rússia para com este conflito arcáico? Segundo as notícies do Ministério do Exterior da FR Moscou ocupa uma posição de princípio tanto nas relações bilaterais com a Grã Bretanha e a Espanha, como na ONU, inclusive no Comite Especial da ONU para o cumprimento da Declaração de Concessão de Independência aos Países e Povos Coloniais. Como esclareceu recentemente um representante oficial do Ministério do Exterior da Rússia, Alexandre Lucachevitch, «baseamo-nos no existente no seio da ONU consenso que visa uma asssitência às conversações entre o Reino Unido e a Espanha sobre este território que sejam realizadas nos quadrantes do «Processo de Bruxelаs». Estamos dispostos a continuar seguindo por esta linha. Pensamos que o processo das conversações entre Madrid e Londres assegure uma solução final da questão do Guibraltar à base das existentes resoluções da Assembleia Geral da ONU e dentro do espírito da ONU com a consideração dos interesses dos próprios guibraltinos. Esperamos que as partes abstenham-se de quaisquer ações que possam agravar a situação em torno deste ponto estratégico do Euro-Atlántico». 

Então quais são as perspetivas do litígio? Na opinião da maioria de peritos estrangeiros as conversações ente a Espanha e Grã Bretanha sobre a soberania do Guibraltar mais provamelmente chegarão a um beco sem saída. Um compromisso é viável no domínio de pesca, as reclamações dos espanhois podem ser satisfeitas  em certa medida.  Mas a questão de pertinência do “Rochedo de discórdia” exige uma análise longa e paciente e sua solução, na opinião dos peritos, pode ser obtida exclusivamente por etapas. Ou seja, esta é uma questão do futuro. Do qual futuro? De um futuro indeteminado por enquanto. 

Assim “o Rochedo”, o Guibraltar permanecerá um sinônimo do «pomo de discórdia» ou da «pedra de escândalo» como tinha sido no decurso dos 300 anos anteriores. 

As palavras-chaves: Conflito hispano-britânico por causa do Guibraltar Última colônia de Lôndres 

Referencia do autor

Em 1469  o casamento de Isabel I de Castela  (1451-1504) com Fernando II de Aragão (1452-1516) deu o início à posterior reunião das províncias espanholas  num país unido, os árabes tinham sido gradualmente expulsos  da Península Ibérica e a população muçulmana que ficiou foi submetida à cristanização forçada. Foi então que a rainha Isabel doou o brasão com uma chave simbôlica à cidade de Guibraltar que cresceu em redor da fortaleza testando que seus herdeiros guardassem o Guibraltar a qualquer custo. Segundo o testamento de Isabel, Carlos V (1500-1558) transformou a fortaleza  do Guibraltar num auténtico bastião inconquistável o que permitiu aos espanhois guardá-lô até ao início do século XVIII. Segundo uma suposição foi a êpoca de então que deu a origem ao existente em muitos idiomas provérbio «inconquistável que nem um rochedo» no qual como o «rochedo» é subentendido exatamente esta fortaleza.

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Аlexandre Moisseev

оbservador da revista «Меjdunarodnaia Jizn» («Vida Internacional»)