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terça, 16 julho 2013 22:04

Compatriotas russos e a liderança inteletual da Rússia

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Os russos é um dos povos mais dispersos no mundo. A diáspora russa no exterior tem 25-30 milhões de pessoas, sendo que as maiores comunidades, além dos paises da Comunidade dos Estados Independentes, existem nos EUA, na Alemanha e no Israel. 

Nos últimos tempos na política da Rússia existe um vetor positivo rumo à consolidação das rellações com os compatriotas no exterior. No século de globalização quando as tecnologias de informação substituiram as ogivas nucleares como um fator ponderável da política internacional, quando peso específico do produto intelectual da mente humana tende aumentar nos processos políticos, os compatriotas passam a ser um recurso estrtégico da Rússia como armamentos ou minérios. 

São o Israel, a Polônia e especialmente a China que se aproveitam com sucesso do potencial de seus compatriotas que vivem no exterior. O pricípio “A China está nos lugares onde estão chineses” demonstrou sua eficiência.  Foi criado um específico termo a “Grande China” no qual integram a China continental, Taivan e a diáspora chinesa de 300 milhões (!) de pessoas  (khuatsiao) que vivem en toda a parte. A “Grande China” não tem fronteiras geográficas fixas, qualquer país que hoje está fora do seu campo sócio-cultural pode entrar nele se os khuatsiao vierem neste país. Beijin tem uma tradicional atitude para com todos os chineses no exterior considerando os cidadãos da China mesmo que tenham de facto a cidadonia de um outro país. Grandes diásporas chinesas existem na Maláisia, Indonésia, na Singapura, na Camboja, nos EUA, na Tailândia e na Austrália, e os recursos monetários livres dos bancos controlados por chineses em todo o mundo constituem uns 400 bilhoes de dólares (1). Numa palavra, a China está nas terras onde estão chineses. 

O princípio de  relações exterritoriais horizontais é um esquema básico da cooperação com compatriotas no exterior. O finaniamento dos  programas culturais e educativos destinados aos portadores da cultura russa no estrangeiro é uma coisa boa mas insuficiente para uma eficaz interação dos russos com sua pátria histórica. 

Qualquer povo é sempre um microcosmo. Todo que foi criado por um povo, as coisas mateiais e não materiais, integram no microcosmo. A cultura de povo tem seu estilo, uma certa matriz estilística segundo a determinação do filósofo romeno, Lucian Blaga (2). Se os povos vizinhos aceitarem a emissçao inteletual desta matriz cria-se um espaço social e cultural comum, dá-se uma integração mental se não se der uma integração econômica.

 Um belo exemplo de “trabalho com os compatriotas” nos dá a Grécia Antiga, país que nunca existia no mapa do mundo. Foram isoladas cidades-pólices gregas que existiram mas não existiu uma Grécia unida. Apesar disso os gregos sempre foram gregos vivendo onde viverem – na Alexadria egípsia, na Siracusa italiana ou numa pequena ilha anônima no Mar Egeu.  Como disse professor-catedrâtico V. Dergatchev citando filósofo Merab Mamardachvili, a Grécia Antiga não é um território, mas sim, um estado de ânimo. Segundo professor-catedrâtico V. Dergatchev, “formou-se um enorme “Oceano Egeu” com um espaço de comunicação de muitas dimenções  - um sistema decentralizado mediterrâneo no qual o centro aberto ao mundo externo está em toda a  parte e  a periferia  está em parte nenhuma... Posteriormente ao longo do círculo concêntrico externo da Grécia Antiga acenderam novas estrelas mundiais irradiadas pela cultura clássica (Roma, Cartago, Pergamo, Seleúcia, Alexandria, Cirene, Constantinopla, Jerusalém)”. (3) 

Professor-catedrâtico V. Dergatchev é auotor da teoria de grandes espaços de muitas dimenções – fronteiras de comunicação (estratas geopolíticas, geoeconômicas, religioso-culturais, socoais, geoinformativas) no limiar das quais surgem as zonas com uma energética mais alta. Isso é espaço ideocrâtico não geogrâfico penetrado  com a energia de  processos  numerosos (inteletuais, sócio-psíquicos, econômicos, espirituais, político-militares), os quais como se tivessem encontrado num ponto.  A civilização da Grécia Antiga atingiu a prosperidade exatamente mercé à uma favorável combinação destes processos que estratificaram um a outro, e deram um impulso ao inteleto humano que criou uma rica cultura com numerosos polos da vida inteletual dispersos no Mediterrâneo (Atenas, Mileto, Creta, Helea, Alexandria, Siracusa). 

Aberta ao mundo externo das ideias a Grécia Antiga encantava inteletuais, sendo um polo multipunctante de atração para as cabeças claras da êpoca de então. Círculos concéntricos da antiga cultura grega alargaram-se em todas as direções em torno de cada polo (os quais, cabe lembrar, foram múltiplos) empenhando em seu domínio os povos-vizinhos. Isso foi impossível se na Hélade existisse apenas um polo, por exemplo, Atenas. Atenas poderiam abarcar toda a Grécia peninsular, a Grande Grécia, e uma parte dos paises próximos no máximo, mas não todo o Mediterrâneo e a Ásia Anterior. Toda a região viveu dentro de um  tempo sócio-político e inteletual comum com os helenos (4). Os próprios helenos não sendo unidos territorialmente tiveram uma cultura, uma história e um patrimônio inteletual comuns o que tornou a  questão de unificação de todas as pólices gregas em um organismo estatal comum menos atualizada. 

Algo parecido conseguiram criar no Império da Rússia quando nas fronteiras de contato “terra-mar” e nas junções de diferentes “blocos”  de civilização (cristã ortodoxa, islâmica, budista) formaram-se cidades sujeitas à inflûencia econômica e comercial externa – Rostov, São-Petersburgo, Odessa, Sevastopol, Khabarosk. De um modo semelhante com os antigos gregos que nunca se assimilaram mesmo vivendo a uma distância considerável da Grécia peninsular, os russos na êpoca do Império da Rússia foram condutores da cultura e do tempo sócio-politico russo tanto no quente Turquestão, como nas neves da Finlândia e nas montanhas do Cáucaso. Não é por acaso que foi exatamente esta êpoca que se tornou um período de florescimento da cultura e da ciência russa. A literatura foi marcada com a criatividade de Fiodor Dostoevsqui, Mikhail Saltykov-Schedrin, Ivan Gontcharov, Ivan Turguenev, Ivan Krylov; a filosofia – com a de Vladimir Soloviov, Nikolai Berdiaev, Alexei Khomiacov, Pamfil Yourquevitch, Vladimir Ern; a pintura – com a de Matvei Chichkov, Victor  Vasnetsov, Vassili Vereschaguin, Vassili Surikov; a teologia – com a de rev. Gueorgui Florovsqui, rev. Pavel Florensqui, rev. Sergui Bulgakov, Gueorgui Vlastov; a geopolítica – com a de Nikolai Danilevsqui,  Piotr Semionov-Tian-Chansqui, Vladimir Lamansqui. Aliás muitos deles nasceramm ou trabalharam em regões fronteiriços, nos lugares de contato de várias civilizações. 

A desintegrçaõ da URSS isto não é apenas a desintegração de um espaço político e geogrâfico, mas também – do sócio-cultural e do esperitual e inteletual. O tempo sócio-cultural dentro do qual vive a Rússia é bem diferente do ocidental, bem como as regiões da Rússia pensam e vivem com diferentes velocidades.Moscou e São-Petersburgo chegaram à frente, 0 interior ficou longe atrás; Além disso os ritmos sociais e culturais da Rússia não coincidem com os dos vizinhos mais próximos (a Ucrânia, Geórgia, Moldâvia, Região do Báltico) onde vive uma enorme população russa e os que falam o idioma russo. Nestas circumstâncias tem o caráter imperativo a minimização da brecha sócio-cultural existente entre os compatriotas e a Rússia atingindo nesta questão uma eficiência semelhante com a que conseguiram atingir na China. 

Depois de determinar o problema vamos passar aos mêtodos de sua possível solução. A Rússia necessita de alguns centros inteletuais que encontrar-se-iam no oeste, no leste e no centro do país. Aqui se trata não de centros de pensamento técnico-científico, mas de centros que iriam produzir ideias de uma grande escala  e projetos de caráter humanitário (geopoíica, pintura,  literatura, teologia). Temos a situação na qual o peso da “cabeça” (Moscou) excede o peso do restante “corpo”, especialmente – de seus “membros” do oeste. A Rússia deve ter várias “cabeças” destas. Na parte oeste do país este papel pode desempenhar Caliningrado, em aditamento a São-Petersburgo; no leste – Vladivostok, Khabarovsk, Irkutsk; e por entre o oeste e o leste – Kazan, Ecaterinburgo, Novossibirsk, Krasnoyarsk as quais irradiariam radialmente a energia inteletual enriquecendo as regiões limítrofes neste sentido. É necessário chegar a um respetivo nível inteletual para que isso seja possível. A ilha de Sacalina deve ser assemelhado com as Havaias onde existem vários centros científicos e analítico-periciais aptos a concorrer. As Havaias são completamente integrados no espaço humanitário e educacional dos EUA. Também é importante que a Sacalina seja integrada no espaço humanitário e educacional da Rússia. 

É necessário dedicar-se ao recuperação inteletual da base universitária das referidas megapólices, à saciação delas com o respetivo pessoal – os inteletuais de um alto nível. A seu tempo um processo semelhante teve lugar nos EUA onde os polos inteletuais esncontram-se tanto na costa pacífica (a Califórnia), como na atlántica (a Nova Inglaterra). Sem esta distribuição do peso inteletual em ambas as costas os Estados Unidos enfrentariam yma entortadura e introdução de “duas velocidades inteletuais” quando em uma parte do país existe um pensamento mais moderno e de uma escala maior do que em outra. Graças à existência dos dois polos culturais e econômicos os EUA tem a possibilidade de desenvolver as relações tanto com a Europa como a Ásia (5). Além  disso no território dos EUA estão alguns outros polos inteletuais,tais comi, por exemplo, Austin (o Texas), centro da atividade política e administrativa, “a capital de música viva do mundo” onde também estão numerosos museus e a mundialmente famosa compania analítico-pericial “Stratfor”.  

Também é necessario ressuscitar as tradições inteletuais do “exterior russo” inclusive o próximo. As cidades fronteiriços, - Tiraspol, Beltsi, Kiev, Kharkov, Odessa, Narva, Aktiubink, Petropavlovsk, Sukhumi e a Criméia que estão no limiar de diferentes civilizações podem transformar-se em nôs de informação e pontes de comunicação, em polos de uma alta tenção inteletual e de intercâmbio. Foi exatamente esta papel que alguns destes pontos geográficos tinham desempenhado no passado.  O caráter reservado das fronteiras inteletuais faria mal à Rússia, levaria à perda do impulso criador, faria com que as fronteiras de comunicação se tornem as fronteiras de alerto mútuo. 

Hoje nossos compatriotas são dispersos como os helenos, mas ao “exterior russo” falta uma paixão tão necessária, naõ existem centros de atração inteletual, geograficamente localizadas “fábricas” de uma elegante mentalidade política, econômica e outra. Apenas transformando-se num líder cultural do espaço post-soviético e numa potência inteletualmente atraente a Rússia poderia ser um parceiro estratégico preferível para muitos paises e os compatriotas russos seriam retransmissores de tradições e êxitos da cultura da Rússia. 

1) Dergatchev V. A.  “Geopolítica. Enciclopédia geopolítica russa”, 2010
2) Bovdunov A. “Cosmóide filosôfico de Lucian Blaga” (www.rossia3.ru)
3) Dergatchev V. A “Caminho à prosperidade do Estado”
4) Idem
5) Idem
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Vladislav Gulevitch

politicôlogo, analista do Centro de pesquisa conservantista da Faculdade de socoilogia da UEM