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segunda, 29 setembro 2014 09:21

Metamorfoses portuguesas nos olhos dos pesquisadores russos

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Graças aos esforços do Centro das Pesquisas Ibéricas do Instituto da América Latina saiu a lume mais uma monogtafia coletiva dedicada a Portugal que ostenta o título “Portugal: a Época de Mudanças”. (Redatora-chefe Iakovleva N. M. Moscou: ILA ASR, 2014 – 234 páginas).

Os autores do livro -  Iakovleva N.М., Iakovlev P.P., Taiar V.М., Palaquin M. A., Ermolieva E.G, Konstantinova N.S., Аsrtachenkov А.А., Udovitchenko S. V. – fizeram uma análise das transformaçãoes profundas que tinham tido lugar em Portugal durante quarenta anos, no período após a “Revolução de Cravos” em abril de 1974.

A monografia abrange um espetro amplo dos temas referentes à economia : política, esfera social e cultural deste país ibérico. Nela se pode encontrar também as respostas às questões fundamentais que foram colocadas aos portugueses pela crise financeiro e econômico mundial.  Os autores desta obra grande e multifacética dão uma análise pormenorizada da estrategia anti-crise e da realização das reformas estruturais que as autoridades de Portugal levaram a cabo.

O livro também toca tais temas como os resultados e as perspetivas das transformações econômicas, o papel da Comunidade Européia na modernização de Portugal: a estratégia de superação da crise, o potencial anti-crise do setor turístico, um modelo novo de crescimento. Além, disso uma grande atenção dos autores é dada  à política, às questões sociais e culturais, aos éxitos e problemas no domínio de ensino em Portugal.

Os leitores terão um interesse considerável para as partes dedicadas às relações exteriores de Portugal sob as condições da globalização nas quais trata-se dos vetores básicos da política externa do país, à sua experiência como um membro da OTAN, às questões de aproximação dos países ibéricos.

Uma importância especial para nos, leitores curiosos da Rússia ou peritos sérios especializados em estudo de Portugal, terão tais capítulos como “Portugal e a Rússia em busca de um diálogo” e “As relações comerciais e econômicas russo-portuguesas”.

Os autores afirmam que por força da situação histórica nem a URSS, nem a Rússia nunca tinham sido os parceiros estratégicos importantes de Portugal, assim como este país ibérico relativamente pequeno nunca tinha figurado na lista dos vetores prioritarios da política externa do nosso estado. São a distância geográfica relativamente grande, a incompatibilidade dos recursos populacionais e das dimenções econômicas, um caráter insuficiente do conhecimento de um de outro, as diferençãs da cultura e da religião que têm sido os maiores fatores que resultavam em ausência de um interesse recíproco vivo. No entanto ambos os povos tinmam tido uma evidente simpatia de um ao outro que se revelava ainda nos tempos de então...

A autora deste capítulo, Nailia Iakovleva, faz lembrar que os primeiros contatos da Rússia com Portugal ascendem ao século 18. As realções diplomâticos entre os dois países foram estabelecidos em outubro de 1774 atingindo seu volume completo em 1779. Posteriormente as relações bilaterais atravessaram os períodos de ascenso e de declínio, em grande medida conforme com a conjuntura internacional, sendo porém o fator político que desempenhava o papel decisivo no desenvolvimento destas relações, como afirma Nailia Iakovleva...

O mesmo foi após a vitória de Revolução de Abril em Portugal em 1974. Em junho do mesmo ano Moscou e Lisboa restabeleceram as relações diplomâticas. No entanto as relações posteriores dos nossos países tinnm sido formadas sob a influência de uma ccomplicada ombinação dos fatores da ordem interna e externa, o mais importante dos quais foi e continua sendo a qualidade de membro da Comunidade Européia e da OTAN que ostenta Portugal. Isso faz com que Lisboa forme as relações com o nosso país levando em conta a opinião de seus parceiros das duas organizações internacionais.

No entanto, diz a autora, a especificidade de Portugal consiste em uma aspiração tradicional a adotar uma posição ponderada e cautelosa na política externa procurando não prejudicar as exisitentes relações bilaterais com outros países e simultaneamente não “perder a face” diante os parceiros mais importantes.

Assim, conforme com a referida opção, durante a atual agravamento das contradições dos dirigentes da Rússia com os líderes ocidentais por causa dos acontecimentos na Ucrânia o Presidente de Portugal, Sr. Aníbal António Cavaco Silva, expressou a opinião de que a CE deva ser aberta para o diálogo com a Rússia e cooperar com ela como com um país limítrofe da Ucrânia...

Analisando a trajetória da cooperação russo-portuguesa os autores destacam pelo menos três direções. São a cooperação no domínio da cultura e da ciência, o desenvolvimento do turismo (foram mais de 170 mil cidadaõs da Russia que visitaram Portugal em 2013) e também a interaçaõ dos círculos de negócios dos dois países. No livro se diz que segundo os dados do Serviço Alfandegârio Federal da FR, em2013 acirculação de mercadorias entre a Rússia e Portugal atingiu 1 bilhão 341 milhões de dólares. Parece que a especificidade das relações dos nossos países manterá a antiga fórmula “de uma aproximação gradual à base dos interesses coincidentes” tendo em vista a opinião dos parceiros de Portugal da Comunidade Europeia e da OTAN. E isso não obstante de um interesse sério que a parte portuguesa tem pelo mercado russo. Simultaneamente os autores afirmam com otimismo: “O aprofundamento da cooperação é uma tarefa primordial do futuro, apesar de desafios novos e obstáculos possíveis”...

…A revolução portuguesa de 25 de abril de 1974 foi uma consequência de uma cadeia dos acontecimentos histôricos importantes de uma escala mundial, - diz Nailia Iakovleva, a redatora-chefe do livro, - que fizeram a humanidade perceber a necessidade de uma modernização social e política. No início dos anos 70 o vento fresco de mudanças também se fez sentir em Portugal. A revolução foi uma parte do processo global de desmoronamento dos regimes autoritários e totalitários no mundo inteiro ao qual foi dado o nome de “terceira onda da democratização”.

Devemos lembrar que a revolução portuguesa originou um processo de decolonização resultando no surgimento de uma série dos países independentes que sudstituiram as colónias antigas. Graças aos acontecimentos de abril de 1974 foram restabelecidas as relações diplomâticas entre Portugal e a URSS que não tinham uma interação bilateral normal durante quase uma metade de século. O caráter pacífico da “Revolução de Cravos” serviu de um exemplo para as revoluçãoes de “veludo” e de “cores” que tiveram lugar posteriormente. A sociedade opta pela revolução como um instrumento da solução dos problemas quando outras possibilidades já não existem, e, via de regra, acaba com uma substituição total do mecanismo de estado, como foi nos anos 70 em Portugal que  viveu não apenas uma, mas sim, “quatro revoluções” – a política, a social, a econômica e a da política externa.

...Os acontecimentos de 1974 resultaram numa destruição radical do regime antigo traçando uma linha nítida da divisão do passado e do futuro na história da nação. O caminho rumo à criação de estado democrâtico foi nada fácil. Passado o tempo, a democracia portuguesa perdeu muitos traços caraterísticos  de sua origem revolucionária, atravessando com sucesso o caminho de tránsito democrâtico, finalizado o qual o processo de democratização já estava em andamento positivo desenvolvendo-se sem fracassos e desvios.  A adesão de Portugal à CEE que teve lugar em 1986 tornou-se, como diz a autora, um “ponto de impossibilidade de volta” ao passado autoritário e uma garantia das transformações econômicas bastante bem sucedidas. Nos meados de 80 já não havia dúvida de o país ter feito uma entrada digna na paradigma de desenvolvimento segundo o modelo oeste- europeu.

Daí resultou a transformação de Portugal em um país com uma democracia estável e em uma sociedade civil desenvolvida. Portugal tornou-se um membro da comunidade internacional igual em direitos, um participante ativo de todos os processos que se dão no mundo. A revolução acendeu a “luz no fim de túnel” para várias gerações de portugueses que se aproveitaram por completo das vantagens dadas pela democracia.

Os autores têm razão destacando os fatores positivos mais importantes do período de desenvolvimento do país após a revolução. Assim, havia uma ativação considerável das relações comerciais praticamente com o mundo inteiro inclusive o nosso país. E apesar do facto de a cooperação bilateral da Rússia com Portugal ter sido desenvolvida a ritmos geralmente lentos, desde o restabelecimento das relações diplomâticas em 1974,  existem determinadas transformações positivas na estrutura das relações econômicas que tiveram lugar na última dêcada. Aumentou o volume do comércio de mercadorias mútuo, dá-se um desenvolvimento ativo da prestação de serviços à base comercial, está crescendo o intercâmbio turístico. Ambas as partes estão interessadas numa aceleração ulterior dos ritmos da cooperação e na implementação de mêtodos novos da interação que contribuam para o aumento da circulação de mercadorias e criem as condições favoráveis para a interação na esfera de investimentos.

Estes são os resultados positivos que  alcançou Portugal na êpoca das mudanças das quais se trata no livro. Ao mesmo tempo seus autores não passam por alto os problemas e falhas deste modelo de desenvolvimento que se revelaram com uma clareza especial nos anos da crise financeira e econômica mundial. Uma das consequências maiores da crise foi o fato de a estrutura das fontes do crescimento econômico ter tornado mais complicada – dá-se uma corte das despesas orçamentárias, uma queda daa receitas de uma parte considerável da polulação, uma demonstração do caráter volatil de investimentos estrangeiros, um aumento da concorrência internacional...

…Fazendo o balanço geral Nailia Iakovleva chega a uma conclusão de que Portugal atravessou um caminho grande no seu desenvolvimento social e econômico durante quarenta anos decorridos após a revolução.

“As dificuldades atuais que provocam um descontentamento grave de uma parte considerável da população trazem, como esperamos, um caráter temporário, - diz a autora. – Portugal tinha momentos ainda mais graves na sua história, mas sempre tirando conclusões corretas continuava a busca de caminhos do desenvolvimento ulterior”.

Tanto, como foi antes, os portugueses guardando as tradições e tendo uma atitude cuidadosa para com a herança da revolução têm a liberdade de fazer dos acontecimentos revolucionários de 1974 uma parte da história e de deixar de olhar para trás (embora seja uútil olhar para seu passado de vez em quanto!). Nas condições da democracia cresceram novas gerações de cidadãos, apareceram políticos novos, o país enfrentou tarefas novas grandes. Mas a seguinte etapa da vida de Portugal será o tema para outros livros, pensa Nailia Iakovleva. E seria difícil de não concordar com ela nisso.

Esta obra sem falta terá seus leitores gratos, pois o livro é interessante, tem uma boa linguagem russa, expressiva e clara. Este relato novo dedicado a Portugal, ponderado e imparcial, seria útil tanto no plano científico, como no informativo geral.

Os autores da coletânea esperam que sua obra seja um agrado aos leitores que se  interessam pelos problemas políticos, econômicos, inter-estatais, e sociais, tanto os de Portugal inderetamente, como os dos países do mundo conteporâneo em geral; os problemas urgentes das relações internacionais nos dias de hoje. E, na minha opinião, este livro terá um sucesso sem dúvida qualquer. 

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