InterAffairs

Sex.08182017

Last update09:48:30 AM

Leia nesta edição:
RUS ENG FR DE PL ESP PT ZH AR

Font Size

SCREEN

Profile

Layout

Menu Style

Cpanel
quarta, 10 julho 2013 14:41

Défice de “potentado”

Written by 
Anne O’Hare McCormick Anne O’Hare McCormick

”Actualmente o maior indicador de poder não passa pela capacidade de iniciar uma guerra, mas pela capacidade de as prevenir”. Esta é a voz do séc. XX, flagelado por confl itos e guerras sangrentas, e pertence à escritora norte-americana Ann O’Hare McCormick, que sobreviveu a duas Guerras Mundiais e faleceu em 1954. Porém, rapidamente o poder passou a ser medido não só pela incrível capacidade de aniquilação mútua, mas também pela quantidade de guerras regionais que o país conseguia enfrentar em diferentes pontos do mundo ao mesmo tempo. Máximas desta natureza passavam de doutrina militar em doutrina militar. Este critério manteve-se depois do final da guerra-fria e até aos dias de hoje. 

Sim, de facto, será que o critério da Sra. McCormick funcionou nalgum momento da história da humanidade, diremos, nem que seja durante os últimos dois séculos? Funcionou. Imediatamente após as guerras napoleónicas a paz instalou-se na Europa, na qual a Rússia teve um papel importante. Em círculos diplomáticos corria um ditado, segundo o qual nenhum canhão na Europa poderá “falar” sem o consentimento de São Petersburgo. 

A guerra da Crimeia colocou um ponto final no silêncio e no bem-estar, e a França e Alemanha esgotadas negligenciaram o reforço da Prússia. No final, os mesmos líderes militares que combateram junto das muralhas da Tróia russa, sofreram uma derrota vinda dos “boches”. “França ficou com os olhos apenas para chorar”, disse De Gaulle posteriormente sobre a guerra Franco-Prussiana. O reforço da Rússia durante o reinado de Alexandre III devolveu a paz e a tranquilidade à Europa, facto que foi reconhecido, se bem que sem entusiasmo, em todas as capitais europeias. 

Actualmente, as grandes potências ocidentais têm uma participação hiperactiva em conflitos regionais e, mal acaba um, desenvolve-se outro, que é seguido, facilmente por outros… De que se trata, de uma nova divisão do mundo? Numa conversa confidencial, um proeminente magnata dos petróleos árabe referiu que: “Eles querem voltar em forma de protectorado para o lugar onde antigamente tinham as suas colónias”. Tão fácil? Ou talvez nós habituamo-nos a complicar tudo e enganar-nos com rendilhados de discurso político e posturas nobres? 

Muitos ainda se lembram da expressão “socialismo de rosto humano”, agora pregam ao mundo “a guerra com um rosto humano”, chamando-a ora de “intervenção humanitária”, ora de “defesa conscienciosa”. Neste quadro, a Rússia e a China desempenham os papéis de bombeiro e de pacificador das partes em confronto; os países da NATO — de orientadores militares e políticos de um dos lados, apoiando-o de forma aberta ou encoberta. A aposta, neste caso, é feita na oposição que contesta a legitimidade do poder, recorrendo a métodos de protesto civil e confronto armado. Para o Ocidente a questão das questões hoje é o quão gratos ficarão os libertados aos seus novos patronos? 

Read 920 times Last modified on quarta, 10 julho 2013 14:43