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sábado, 07 dezembro 2013 11:17

Diário de Londres. “Isso se dá assim na Grã Bretanhã”

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"Na Inglaterra tudo é possível, na Inglaterra não se pode fazer nada”, - disse-me uma dama da Rússia que entende em assuntos britânicios. E mais um aforismo: “A Inglaterra é dividida em duas partes – as pessoas muito ricas e os que servem a elas”. Por esta razão russos ricos e muito ricos têm a Grã Bretanhã como uma Tera da Promissão graças não apenas a sua fama do centro financeiro do mundo.

A propôsito, o primeiro aforismo significa de modo algum que ricos podem ter bula para rudo e pobres – para nada. A Inglaterra ainda não desceu à crápula mais vil.  Trata-se antes de que um regulamento extravagante, numerosas regras as mais variadas certificações tendem regularizar até as mais simples situações de vida atribuindo a tudo uma cor puramente britânica. 

Que diria,  em contraposição à Rússia a ideia anârquica não teria oportubidade de dominar a razão inglesa. Todos os trilhos estão assentados, o movimento de numerosas agulhas tem sido feito automaticamente, e é sòmente a crise que traz alumas correções para esta vida organizada de uma maneira tão racional. Dizem ao Senhor: “E na Bretanhã isso se da assim”. “O! – exclama o Senhor – De veras?" – e involuntariamente torna-se refém da mentalidade inglesa que nos conduze pelo seu dédalo com o mesmo ímpeto, como o poço conduziu Alice para a Terra de Maravilhas.

Um empresário europeu que se ocupa de bens imóveis dizia com indignação que na Inglaterra não é possível comprar uma manção ou um apartamento para um prazo superior a 99 anos. Com isso parece-lhe estranha a lôgica desta restrição: “Dizem a mim que basta para nossa vida e até sobra para nossos filhos. Eporquenãoparanossosnetosebisnetos?" 

Talvez os britânicos tenham uma outra atitude para com as gerações que vêm, - mais “espartana”, por assim dizer; os filhos – isso ainda vai passar, mas os netos e bisnetos – que trabalhem para si mesmos.  

Posso imaginar que neste caso trata-se de uma adoção histôrica, pois no Velho Testamento foi proibido vender lotes de terra como propriedade para períodos de tempo superiores a 50 anos. Ou pode ser que isso seja o eco de uma luta violenta contra os landlords e arisocratas que obtiveram o direito a devolver a seus bisnetos que tinham deixarado cair de suas mãos? Ou pode ser que tudo seja mais simples – encontramo-nós com a mesma noção imperceptível até para a tradução,  "British understatement” – “subentendimento britânico”, que carateriza  o senso de humor britânico especial.

No entanto, às vezes o regulamenro volta com seu lado imprevisível para pessoas reais numa situação real. Levou mais de 60 anos antes de ser devidamente avaliado na Bretanhã o caráter extraordinário da façanha de caravanas marítimas do norte e  ser instituida a medalha  especial “Estrela Ártica”. “A pior de todas as viagens que conheceu a história mundial”, - assim caraterizou Winston Churchill a via que levava das costas britânicas a Murmansk.    

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Em junho deste ano o Ministério das Relações Exteriores da Grã Bretanhã finalmente levantou a proibição de condecorar os marinheiros que tinham navegado por este caminho arriscando sua vida, enquanto os marinheiros dos EUA, da Austrália e do Canadá, os participantes das caravanas receberam suas condecoraçãoes já há muito tempo. Em junho Vladimir Pútin e David Cameron promoveram uma ceremónia solene entregando a Medalha Uchakov a vinte veteranos britânicos.

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Por causa de uma razão desconhecida as autoridades britânicas por enquanto não estão dispostas a comunicar com vista à conxdecoração os nomes dos veteranos que sobreviveram o número dos quais diminue muito rapidamente. É de estranhar quais são exigências de  sigilo que possam dizer respeito às pessoas de 80, 90 e mais anos de idade? 

"Uma diabôlica corrida contra a morte”, - este foi o nome que Winston Churchill deu ao itinerário que seguiam navios dirigindo-se à Rússia frequentemente levando para sempre as vidas de milhares de marinheiros das costas da sua pátria. 

Um dos veteranos conta sus memórias: "A pior foi uma situação em que um submarino alemão esteve dentro da caravana. Mas o tempo foi um risco ainda maior. Ondas enormes fizeram navios subir para os céus levantando os quase verticalmente. Sal consolidou-se transformando-se em gelo, aumentou o peso da parte superior do navio ameaçando entorna-ló. Quebrámos sal congelado com simples picaretas. Com isso tanques rompendo cabos de fixação e “obtendo a libertade” frequentemente destruiram bordagem do navio”. Uma detalhe histôrica peculiar: “aos membros da tripulação totalmente exáustos física- e psicologicamente foi rigorosamente interdito abandonar o navio após chegar ao porto. Na coberta inferior estiveram guardas especialmente postos para velar pela “castidade ideolôgica” dos marinheiros.

Hoje, nas condições de paz, apesar de as relações de Moscou com Londres serem bastante frias, a exportação britânica de mercadorias e serviços à Rússia aumentou em 75% — desde 4,6 bilhões de libras esterlinas até до 7,6 bilhões. E isso apenas durante três anos. 

Como disse-me o embaixador da Rússia na Grã Bretanhã, Alexandre Yakovlenco, ainda existem reservas consideráveis para o aumento da circulção de mercadorias russo-britânica. A Grã Bretanhã, por exemplo, gostaria de participar em tais projetos grandes, como a Olimpíada em Sochi e o Campeonato do Mundo de Futebol que terá lugar na Rússia em 2018.  A Rússia ocupa o quarto lugar na lista das prioridades da exportação britânica, ultrapassada apenas pelos EUA, pela China e CE.

Fiz minha última visita à Grã Bretanhã em 2006. Durante este período do tempo o número de imigrantes nas ruas de Londres aumentou consideravelmente. Ainda que hoje seus trajes são melhores, muitos deles são pessoas abastadas e mesmo ricas que  podem adiantar-se a fazer compras em tais armazens, como "Selfridges”e “Harrods”. 

No entanto os  britânicos não manifestam-se alegres de mais vendo estrangeiros ricos. A imprensa inglesa nota que “com o andar do tempo os imigrantes   em número cada vez maior passam da categoria de contribuintes para a que vive recebendo doações e subsídios”. Segundo as calculações da Agência de Estatística Nacional, para 2037 a população da Grã Bretanhã aumenta em 10 milhões de pessoas. Com isso 60% do crescimento vai caber aos imigrantes e seus filhos.

Uma tendência europeia comum que resulta da crise no mundo árabe – é  o crescimento do número de pessoas naturais do Oriente Médio e da África do Norte. Por isso o tema da conferência “Primavera Árabe: Roteiro para o Futuro” promovida pela revista “Vida Internacional” em cooperação com a embaixada da Rússia gozou de interesse comum. Em suas atividade participaram 15 embaixadores credenciados em Londres, membros do Parlamento Britânico, representantes do Chattem House, de maiores institutos de pesquisa e da mídia.   

Após a saudação de Serguei Lavróv apresentada pelo embaixador da Rússia começou debate que pareceu uma consulta de médicos experientes que pertenceram a diferentes escolas. Na verdade, as avaliações tiveram o caráter de troca de prescrições, às vezes diametralmente opostas. 

No entanto havia interesse mútuo evidente. Paradoxos impressionantes de Serguei Karaganov  е uma análise aprofundada de Alexei Vassiliev, diretor do Insituto da África da Academia das Ciências da Rússia, bem como   Fiodor Luquianov, sempre ponderado e razoável, causaram um interesse auténtico que realizou-se em uma série de perguntas dirigidas aos oradores. Uma destas: “Em que consiste o papel da Rússia no Oriente Médio desempenhado hoje?" 

O mais importante resultado foi, todavia, o facto de as pessoas de convições e atitudes diferentes apesar de uma análise de requinto multilateral terem aceitado que muitos “mistérios” da “primavera árabe” provém do facto de o mundo árabe, o mundo islâmico terem vivido por trás de um “véu de ignorância” por parte da Russía e do Leste. Comosesabe, aresignaçãocuraaarrogância. Já é bom

Cumpre dizer que o território da embaixada da Rússia adquire uma grande popularidade em Londres.   Causando inveja de outras representações aqui se realizam regularmente mini-conferências de bloggers dos quais outros diplomatas afastam-se talvez da mesma maneira como do próprio Julian Assange. Contribue para uma boa disposição a ausência de tenção, o comportamento dos diplomatas russos na capital britânica, aberto a um diâlogo e uma comunicação viva.   

Antes de partir assisti a uma missa no templo russo da Dormição da Nossa Senhora no qual há bem pouco tempo fazia o culto o Mitropolita de Suroj Antonii (Bloom), um pregador e pensador mundialmente famoso. Em 1987 assisti às missas que ele serviu, no inicio dos anos 1990 tive um ensejo feliz de realizar um encontro pessoal e um pouco mais tarde – de fazer um pequeno filme documentário entitulado “Um canto em Annsimore Gardens”.

Guardo na memória seu relato sobre uma extraordinária história de salvamento do templo graçãs às doações dos britânicos que pagaram a dívida de aluguel e não permitiram transformar a igreja russa num restourante chinês. Lembro-me de seu conto entusiasmado dos pintores de ícones ingleses que nunca visitando a Rússia  pintavam ícones belas que filmámos com uma permissão gentil da Mitropolita.

Num dos seus artigos do dedicado à “filosofia de viagem” o Vladyka supunha que o homem contemporrâneo elaborou uma atitude errada para com as noções “via”, “caminho”, “peregrinação”. Na sua opinião o mais importante não é o objetivo e o resultado finais atribuidos e determinados pelo próprio viagante.

É imperativo que náo “fiquem de lado” as impressões, os encontros e as situações dados como um dom da viagem, como um conselho, como  uma sabedoria que provavelmente preparam-no para um encontro “correto” com o próprio objetivo colocado que, caso contário, pode ficar oculto, pode decepciona-ló.  

 

Eu também passei muita coisa por alto; vindo muita coisa não consegui descerni-lá, mas um quadro ficou na minha memória por uma tal razão. São as sebes pretas em boa ordem sobre um fundo de prédios no estilo vitoriano mais frequentemente de uma cor clara ou feitos  de tijolos, lisos pelo tato, como se fossem pintados ontem.  No centro da cidade não há obras de construção mas há muitas de restauração. Aqui tudo que tem muitos anos de idade é perfeitamente conservado. Eu estive aqui mais de uma vez, mas passado um quarto de século desde a altura em que veio aqui pela primeira vez como jovem jornalista, posso dizer: “Olá, Londres! Euteconheço”.  

 

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